Abscesso, furúnculo e carbúnculo são infecções cutâneas purulentas caracterizadas por coleções de pus delimitadas, causadas mais comumente por Staphylococcus aureus, frequentemente Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA).
O abscesso é um nódulo inflamado e flutuante que pode surgir em qualquer sítio.
O furúnculo é uma infecção do folículo piloso e do tecido perifolicular, e ocorre apenas em sítios com pelos.
O carbúnculo corresponde à confluência de vários furúnculos, formando uma lesão mais profunda, com múltiplos trajetos de drenagem e, habitualmente, sintomas sistêmicos.
A foliculite bacteriana pode resolver-se espontaneamente em 7 a 10 dias ou progredir para furúnculo; o furúnculo pode evoluir para abscesso.
Todos podem complicar-se com celulite ou flebite adjacente.
São infecções bacterianas de distribuição mundial, com prevalência e incidência exatas incertas.
S. aureus é o patógeno mais comum da foliculite e dos furúnculos.
O MRSA é a principal causa de infecções purulentas atendidas em pronto-socorro e apresenta-se habitualmente como furunculose.
Nos Estados Unidos, as visitas a serviços de emergência por infecções de pele e partes moles aumentaram de 1,2 milhão (1993) para 3,4 milhões (2005), sobretudo pelo aumento da incidência de abscessos.
Mais de 4% das pessoas procuram atendimento por infecções de pele anualmente nos Estados Unidos; na Bélgica e na Holanda, cerca de 0,5 a 0,6% consultam o clínico geral por infecções bacterianas de pele por ano.
Em coorte hospitalar do Reino Unido, as internações por abscessos, carbúnculos, furúnculos e celulite quase dobraram, de 123 para 236 admissões por 100.000 entre 1998/1999 e 2010/2011.
Alguns indivíduos apresentam furunculose de repetição, que tende a recidivar e pode disseminar-se entre membros da família.
A colonização por S. aureus nas narinas anteriores tem papel importante na origem da furunculose crônica ou recorrente.
Fatores de risco e doenças associadas
Infecção do folículo piloso e do tecido perifolicular por S. aureus, com formação de coleção purulenta delimitada.
O MRSA adquire resistência por genes mecA específicos (elementos genéticos móveis SCCmec tipos I a VI), que codificam a proteína ligadora de penicilina mutada PBP2a, de menor afinidade pelos beta-lactâmicos.
Pode haver resistência a macrolídeos por bomba de efluxo do fármaco ativo (genes msrA/msrB) e por enzimas inativadoras, com resistência cruzada à clindamicina por alteração ribossômica bacteriana pela metilase ribossômica da eritromicina (genes erm).
O MRSA associado à comunidade (CA-MRSA), responsável pela maioria dos casos, carrega também o fator de virulência leucocidina de Panton-Valentine (PVL), associado a maior virulência e a necrose mais grave da pele e de outros tecidos.
O CA-MRSA é suscetível a mais antibióticos do que o MRSA associado a hospital.
Áreas de pele sujeitas a fricção, oclusão e sudorese (pescoço, face, axilas e nádegas) são predispostas.
Patógenos gram-negativos (Klebsiella, Enterobacter, Proteus) podem substituir a flora gram-positiva na pele facial, na mucosa nasal e nas áreas vizinhas.
Classificação
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A drenagem isolada resolve mais de 80% dos abscessos não complicados.
O acréscimo de antibiótico (SMX-TMP ou clindamicina) à drenagem aumenta modestamente a cura clínica e reduz a falha terapêutica, a recorrência do abscesso, as novas infecções em outros sítios e a infecção em contatos domiciliares, ao custo de mais efeitos adversos gastrointestinais.
A furunculose de repetição é incômoda, tende a recidivar e pode afetar a qualidade de vida.
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