Acne vulgar é uma doença inflamatória crônica da unidade pilossebácea.
A acne tem pico na adolescência.
Afeta cerca de 85% dos adolescentes e até 85% dos indivíduos entre 11 e 30 anos.
Pode ocorrer em várias faixas etárias e persistir na vida adulta.
Mais de 35% das mulheres e cerca de 20% dos homens relatam acne na terceira década de vida.
Em 2010, a acne atingiu 9,4% da população global, o que a coloca entre as doenças mais prevalentes do mundo.
Fatores de risco e doenças associadas
A acne é uma doença multifatorial da unidade pilossebácea.
Os fatores centrais são a hiperqueratinização folicular, a produção aumentada de sebo, a colonização por Cutibacterium acnes e a inflamação, somados a mecanismos neuroendócrinos e a fatores genéticos e não genéticos.
A queratinização folicular anormal pode ser desencadeada pela IL-1 alfa.
A formação do microcomedão precede as lesões clínicas.
A ruptura do comedão libera queratina e sebo e favorece a resposta inflamatória, que evolui com pápulas, pústulas, nódulos e cistos.
Os andrógenos aumentam o crescimento das glândulas sebáceas e a produção de sebo; os mais envolvidos são a di-hidrotestosterona e a testosterona.
Há receptores androgênicos na camada basal das glândulas sebáceas e na bainha radicular externa do folículo piloso.
Os níveis de andrógenos se elevam nos primeiros 6 meses de vida, com aumento do hormônio luteinizante, e novamente na adrenarca, com aumento do DHEAS.
Cutibacterium acnes é um bacilo anaeróbio gram-positivo; os ribotipos 4 e 5 predominam na acne.
Suas lipases degradam os triglicerídeos do sebo em ácidos graxos livres, comedogênicos e pró-inflamatórios.
Cutibacterium acnes ativa o TLR-2 em macrófagos, o que induz citocinas pró-inflamatórias e atrai neutrófilos.
As citocinas e os mediadores envolvidos incluem IL-1 alfa, IL-8, IL-12, metaloproteinases de matriz e TNF-alfa.
Cutibacterium acnes também ativa o NLRP3 em neutrófilos e monócitos, com aumento da IL-1 beta.
Pacientes com acne podem ter resposta periférica mais intensa dos macrófagos ao Cutibacterium acnes.
Cutibacterium acnes produz coproporfirina III, que fluoresce à lâmpada de Wood.
Quando predominam neutrófilos, forma-se pústula; nas pápulas, nos nódulos e nos cistos há linfócitos, células gigantes do tipo corpo estranho e neutrófilos.
As cicatrizes são mais comuns quando a resposta inflamatória é tardia e específica.
A influência da dieta ainda é incerta, mas leite desnatado, whey protein, vitamina B12 e alta carga glicêmica podem contribuir.
Classificação
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A acne pode persistir na vida adulta, especialmente em mulheres, e tende a recair.
Além das lesões ativas, pode deixar eritema pós-inflamatório, hiperpigmentação pós-inflamatória e cicatrizes atróficas, hipertróficas ou queloidianas.
A hiperpigmentação pós-inflamatória é mais relevante em fototipos altos e pode persistir mesmo após o controle da inflamação.
História familiar, intensidade da doença, atraso no tratamento e manipulação das lesões aumentam o risco de cicatriz.
Mesmo a acne leve pode cicatrizar quando há inflamação persistente ou manipulação recorrente.
Acne grave, acne com cicatriz e acne com impacto psicossocial relevante exigem tratamento mais assertivo.
O tratamento precoce e adequado reduz o risco de cicatrizes clínicas e psicológicas.
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