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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Alopecia areata

Padrão inflamatório(AA)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ImagensConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Imagens

Conceito

Alopecia areata é doença autoimune órgão-específica que tem como alvo o folículo piloso na fase anágena e cursa com alopecia não cicatricial.

Caracteriza-se por perda de cabelo súbita e recorrente no couro cabeludo, sobrancelhas, cílios e demais áreas pilosas, com preservação dos óstios foliculares.

O curso é crônico e imprevisível, com episódios de queda e de repilação.

Gera impacto negativo significativo na qualidade de vida, sobretudo nas formas moderadas e graves.

Epidemiologia

Manifesta-se geralmente antes dos 40 anos, sem predileção por gênero ou etnia.

Até 60% dos casos iniciam-se nas duas primeiras décadas de vida.

O risco de desenvolvimento ao longo da vida é estimado em cerca de 2%.

Em inquérito da Sociedade Brasileira de Dermatologia, respondeu por 1,2% dos atendimentos dermatológicos, sendo, entre as causas de queda de cabelo, menos frequente apenas que a alopecia androgenética e o eflúvio telógeno.

A prevalência da forma total é de 0,08% e da forma universal de 0,02%.

Cerca de um quarto dos pacientes apresenta história familiar da doença.

Fatores de risco e doenças associadas

  • História familiar de alopecia areata
  • Predisposição genética (alelos HLA de suscetibilidade)
  • Doença tireoidiana autoimune (tireoidite autoimune), que também predispõe à alopecia areata
  • Atopia e dermatite atópica, que também predispõem à alopecia areata
  • Vitiligo
  • Lúpus eritematoso
  • Doença inflamatória intestinal
  • Deficiência de ferro

Patogênese

Resulta do colapso do imunoprivilégio do folículo piloso anágeno.

Linfócitos T citotóxicos CD8+ autorreativos atacam antígenos do folículo piloso.

O eixo IFN-gama/IL-15 é central: essas citocinas dependem das Janus quinases (JAK) para a sinalização intracelular e ativam e perpetuam as células T citotóxicas CD8+.

Há predomínio de citocinas do tipo 1 (IL-2, IFN-gama e TNF-alfa).

Existe base genética, com associação a alelos HLA de suscetibilidade (por exemplo, HLA-DQ3/DQB1*03; as formas total e universal associam-se a HLA-DQ7/DQB1*0301 e HLA-DR4/DRB1*0401).

A inibição das JAK reverte a perda de cabelo, o que confirma o papel dessa via na doença.

Clínica

  • Placas de alopecia não cicatricial, arredondadas ou ovais, únicas ou múltiplas, com óstios foliculares preservados
  • Pelos em ponto de exclamação (curtos, afilados e despigmentados na base) nas bordas das placas
  • Pelos repilados inicialmente finos e frequentemente despigmentados (grisalhos ou brancos)

Formas clínicas

  • Em placas: áreas circunscritas de alopecia, ovais ou arredondadas, únicas ou múltiplas
  • Total: perda de todo o cabelo do couro cabeludo
  • Universal: perda de todos os pelos do corpo
  • Ofiásica: alopecia em faixa nas regiões laterais e occipital do couro cabeludo (fator de mau prognóstico)
  • Ofiásica invertida (tipo sisaifo): alopecia frontoparietal, poupando as regiões laterais e occipital
  • Difusa: diminuição global da densidade capilar, sem placas
  • Difusa aguda e total: perda difusa, rápida e progressiva, que costuma evoluir para alopecia areata total em até 3 meses
  • Acometimento de sobrancelhas, cílios e barba; a barba é o segundo local mais acometido, atrás apenas do couro cabeludo
  • Teste de tração positivo, difuso ou multifocal, nas formas ativas

Alterações ungueais

  • Depressões puntiformes regulares e em grade
  • Traquioníquia (unhas ásperas, com aspecto de lixa), mais frequente em crianças

Classificação

  • Alopecia areata em placas
  • Alopecia areata total
  • Alopecia areata universal
  • Alopecia areata ofiásica
  • Alopecia areata ofiásica invertida (tipo sisaifo)
  • Alopecia areata difusa
  • Alopecia areata difusa aguda e total
  • Gravidade pelo escore SALT (0 a 100, porcentagem do couro cabeludo acometido): leve até 20%, moderada de 21% a 49%, grave 50% ou mais
  • Critérios que elevam a gravidade em um nível: envolvimento perceptível de sobrancelhas ou cílios, resposta inadequada após pelo menos seis meses de tratamento, teste de tração positivo multifocal e impacto psicossocial negativo

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Complicações e cuidados

  • Progressão para alopecia areata total ou universal (cerca de 7% dos casos)
  • Impacto psicossocial, incluindo depressão, ansiedade e transtornos de ajuste
  • Recidivas após a suspensão do tratamento
  • Atrofia cutânea, telangiectasias e discromia pela corticoterapia local
  • Efeitos adversos dos inibidores da JAK: infecções, acne e alteração de transaminases e de lipídios

Prognóstico

O curso é crônico e imprevisível, com remissões espontâneas e recidivas.

Cerca de 50% dos pacientes com placa única apresentam repilação espontânea em seis meses, e 70% no primeiro ano.

Cerca de 7% evoluem para a forma total ou universal, e nas formas graves as taxas de recuperação espontânea são inferiores a 7%.

São fatores de pior prognóstico o início na infância, os padrões difuso e ofiásico, a duração superior a 12 meses, o acometimento ungueal, a atopia, as doenças autoimunes associadas e a história familiar.

Nas formas leves não é necessário tratamento de manutenção permanente; nas formas graves, a interrupção costuma levar à recidiva.

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Referências

  1. II Consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia para tratamento da alopecia areata. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2025.
  2. Two phase 3 trials of baricitinib for alopecia areata. New England Journal of Medicine. 2022.

Achados (clique para explorar)

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