Amiloidose é um grupo de doenças caracterizadas pelo depósito extracelular de amiloide, uma proteína fibrilar disposta em folha beta-pregueada cruzada.
Amiloidose cutânea designa o depósito de amiloide na pele.
As amiloidoses dividem-se em formas sistêmicas (primária/AL, secundária/AA, genéticas e associada à hemodiálise) e formas localizadas (cutânea, endócrina e cerebral).
A amiloidose cutânea primária localizada consiste no depósito de proteínas amiloides heterogêneas na pele, na ausência de envolvimento de órgãos internos.
Seus subtipos são o líquen amiloide, a amiloidose macular e a amiloidose nodular; a coexistência de líquen amiloide e amiloidose macular é chamada forma bifásica (mista).
No líquen amiloide e na amiloidose macular o amiloide deriva de queratinócitos (queratina), enquanto na amiloidose nodular deriva de cadeias leves de imunoglobulina.
A amiloidose cutânea primária localizada é mais comum em asiáticos, hispânicos e populações do Oriente Médio, e é relativamente frequente no sul da China e em populações sul-americanas.
O líquen amiloide é a forma mais comum de amiloidose cutânea primária localizada e parece mais prevalente em descendentes chineses.
A amiloidose nodular é a forma mais rara.
O prurido pode estar ausente em até 20% dos casos de líquen amiloide.
A amiloidose sistêmica primária (AL) tem manifestações mucocutâneas em cerca de um terço dos pacientes, com achados cutâneos em aproximadamente 30% dos casos.
Fatores de risco e doenças associadas
Amiloide é uma proteína fibrilar (de vários tipos, incluindo AL e AA) organizada em folha beta-pregueada cruzada.
No líquen amiloide e na amiloidose macular o amiloide é derivado de queratina, a partir de tonofilamentos de queratinócitos apoptóticos (geralmente queratina 5), com origem epidérmica e depósito restrito à derme.
Os corpos coloides correspondem a queratinócitos basais apoptóticos.
A fricção e o atrito repetidos da pele estão associados ao líquen amiloide e à amiloidose macular, embora os fatores causais permaneçam desconhecidos.
Propõe-se que anormalidades de sinalização via receptor oncostatina M do tipo II e/ou via receptor de interleucina-31 levem à apoptose de queratinócitos, com subsequente depósito de amiloide, redução do número de nervos cutâneos e prurido.
Uma mutação pontual no gene do receptor A de interleucina-31 foi identificada em família com amiloidose cutânea primária localizada hereditária.
A neuropatia de fibras finas tem papel importante no prurido dessas formas.
Há elevação de citocinas de inflamação do tipo 2 (interleucinas 4, 13 e 31) e de seus receptores em pacientes com amiloidose cutânea primária, com queda da expressão quando os sintomas melhoram.
Na amiloidose nodular o amiloide origina-se de cadeias leves de imunoglobulina e associa-se a infiltrado dérmico de plasmócitos, com potencial de infiltrar o subcutâneo e os vasos.
Na amiloidose sistêmica primária (AL), há deposição de cadeias leves de imunoglobulina (geralmente subtipo lambda) por discrasia de plasmócitos subjacente.
Na amiloidose sistêmica secundária (AA), a proteína SAA (amiloide sérico A) é processada em amiloide AA nos tecidos, como sequela de doenças inflamatórias crônicas graves.
Classificação
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A amiloidose cutânea primária localizada é crônica, benigna e sem envolvimento sistêmico, porém de difícil tratamento e com altas taxas de recidiva.
O prurido intenso e persistente compromete de forma importante a qualidade de vida.
A amiloidose nodular pode progredir para amiloidose sistêmica em cerca de 7% dos casos.
A amiloidose sistêmica AL tem mau prognóstico, sobretudo quando há envolvimento cardíaco.
A amiloidose macular associada ao ato de coçar e à fricção pode melhorar com a interrupção do atrito.
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