Lesão vascular benigna e superficial, formada pela ectasia dos vasos da derme papilar com hiperceratose e hiperplasia da epiderme sobrejacente, o que lhe dá o aspecto ceratótico ou verrucoso característico.
Trata-se de dilatação de vasos preexistentes, e não de proliferação endotelial verdadeira, o que explica por que a lesão é estável e não regride.
Existem cinco formas clínicas, e a distinção entre elas define a conduta: as formas localizadas (de Fordyce, de Mibelli, circunscrito, solitário e múltiplo) são benignas e só precisam de tratamento por sangramento ou por questão estética.
A forma difusa tem outro peso: o angioqueratoma corporis diffusum é o sinal cutâneo de uma doença de depósito lisossômico, sobretudo a doença de Fabry, e reconhecê-lo muda o prognóstico renal, cardíaco e neurológico do paciente.
Angioqueratoma trombosado, escuro ou enegrecido, imita melanoma. Em lesão pigmentada, fazer dermatoscopia antes de tratar e biopsiar na dúvida: eletrocoagulação, crioterapia ou shave às cegas podem destruir um melanoma sem diagnóstico.
O angioqueratoma de Mibelli acomete pessoas entre 10 e 15 anos de idade.
O angioqueratoma de Fordyce ocorre em homens mais velhos (escroto) e em mulheres (vulva).
Os angioqueratomas genitais localizam-se mais comumente no escroto e na vulva; os do pênis são raros.
O angioqueratoma peniano (peaker) foi descrito em apenas 21 homens, com idade ao diagnóstico entre 7 e 80 anos e mediana de 35 anos; a lesão costuma existir por muitos anos antes de o paciente procurar avaliação.
O angioqueratoma corporis diffusum manifesta-se com lesões múltiplas na infância e na adolescência.
O angioqueratoma circunscrito ocorre em crianças, com predomínio no sexo feminino.
Os angioqueratomas solitários e múltiplos ocorrem em crianças e em adultos.
Na doença de Fabry, as mulheres heterozigotas têm apresentação muito mais branda: 30% desenvolvem angioqueratoma corporis diffusum e 70% apresentam opacidades corneanas.
Fatores de risco e doenças associadas
A lesão resulta de ectasia de capilares da derme papilar associada a hiperplasia da epiderme sobrejacente, com a rede epidérmica abraçando os vasos dilatados.
A patogênese dos angioqueratomas genitais não está estabelecida. As hipóteses propostas são defeito congênito da parede das vênulas e lesão adquirida da parede vascular por trauma ou por hipertensão venosa de longa data.
Nos angioqueratomas solitários e múltiplos, a irritação ou o trauma crônico do vaso dérmico superficial pode ser o fator desencadeante.
Na doença de Fabry, a deficiência de alfa-galactosidase A (mutação no gene GLA, de herança recessiva ligada ao X) leva ao acúmulo de glicoesfingolipídeos (globotriaosilceramida) no endotélio vascular e em células epiteliais, periteliais e musculares lisas de múltiplos órgãos (pele, olho, coração, cérebro, rim e sistema nervoso periférico), com edema e proliferação endotelial.
Nas doenças metabólicas em geral, propõe-se que o acúmulo dos substratos patológicos no citoplasma das células endoteliais, por deficiência enzimática, induza apoptose; a regeneração reativa contínua enfraquece a parede capilar e produz a ectasia.
O angioqueratoma corporis diffusum também ocorre em outras doenças de depósito: fucosidose, sialidose, gangliosidose GM1, galactosialidose, aspartilglicosaminúria, beta-galactosidose, beta-manosidose e doença de Schindler/Kanzaki.
Na fucosidose (autossômica recessiva, por deficiência de alfa-L-fucosidase), o angioqueratoma corporis diffusum aparece mais cedo (por volta dos 5 anos) e é mais generalizado.
Classificação
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As formas localizadas de angioqueratoma são benignas, estáveis e não têm potencial de malignização.
A doença de Fabry é progressiva: neuropatia, insuficiência renal e doença cardíaca evoluem ao longo da vida, e os acidentes vasculares cerebrais sintomáticos ocorrem na quarta década, com recorrência.
A mediana de idade ao óbito na doença de Fabry é de 50 anos.
Sob reposição enzimática, as complicações cardíacas e a doença cerebrovascular são as principais causas de mortalidade.
A fucosidose é, ao final, fatal.
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