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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Angiossarcoma cutâneo

malignaderme(Angiossarcoma, Hemangiossarcoma, Síndrome de Stewart-Treves)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

Sarcoma de partes moles originado das células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos e linfáticos.

É raro e altamente agressivo: responde por cerca de 2% dos sarcomas de partes moles e por menos de 5% dos cânceres de pele.

A pele é o sítio mais acometido (cerca de 60% dos angiossarcomas), sobretudo cabeça e pescoço.

Classifica-se em primário (de novo, tipicamente no couro cabeludo e na face do idoso) e secundário (após radioterapia ou sobre linfedema crônico, a síndrome de Stewart-Treves).

O diagnóstico tardio é a regra: as lesões iniciais parecem equimose ou dermatose inflamatória, e a doença é multicêntrica.

A sobrevida global em 5 anos é de 30% a 40%.

Epidemiologia

A incidência nos Estados Unidos aumentou de cerca de 0,5 para 3,0 casos por milhão de habitantes.

No Japão ocorrem cerca de 150 casos por ano, com incidência de 0,26 por milhão.

A incidência anual estimada do angiossarcoma cutâneo é de 0,5 a 1 caso por milhão de habitantes.

Acomete sobretudo idosos, com idade mediana de 60 a 70 anos.

O angiossarcoma de couro cabeludo é mais prevalente em populações asiáticas do que em brancos.

A sobrevida global em 5 anos é de 30% a 40%; um inquérito da Sociedade Japonesa de Cirurgia Dermatológica registrou sobrevida de 9% em 5 anos.

Nas séries japonesas, a maioria dos pacientes chega com tumor maior que 5 cm.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Idade avançada
  • Radioterapia prévia (angiossarcoma secundário na área irradiada)
  • Linfedema crônico (síndrome de Stewart-Treves)
  • Exposição a arsênico e a cloreto de vinila
  • Lesão vascular benigna preexistente, como hemangioma, em casos ocasionais
  • Linfedema crônico
  • Neoplasia prévia tratada com radioterapia (angiossarcoma secundário)
  • Hemangioma preexistente, em casos ocasionais

Patogênese

As alterações moleculares variam com o subtipo.

Mutações no gene supressor TP53 são comuns, sobretudo no angiossarcoma de cabeça e pescoço.

Alterações da via MAPK, incluindo mutações nos genes da família RAS (HRAS, KRAS e NRAS), são frequentes.

A amplificação de MYC ocorre em 55% a 100% dos angiossarcomas secundários (pós-radioterapia ou associados a linfedema crônico) e em 100% dos casos induzidos por radiação, contra apenas 6,8% dos angiossarcomas cutâneos primários; considerando todos os angiossarcomas, a amplificação de MYC aparece em cerca de 50%.

Mutações em KDR (VEGFR2) ocorrem em subgrupo de casos, sobretudo nos angiossarcomas de mama.

Mutações em PIK3CA sugerem ativação da via PI3K.

Assinaturas mutacionais associadas ao ultravioleta predominam nos tumores de face e couro cabeludo e os distinguem dos angiossarcomas de outros sítios.

Carga mutacional alta e expressão de PD-L1 são mais frequentes nos tumores de cabeça e pescoço, o que fundamenta o uso de inibidores de checkpoint imunológico.

A fusão gênica NUP160-SLC43A3, encontrada em 9 de 25 amostras, associou-se a intervalo menor entre o início dos sintomas e a primeira consulta, indicando progressão mais rápida.

Clínica

Angiossarcoma primário do couro cabeludo e da face do idoso

  • Inicia como mácula purpúrica de aspecto equimótico, mal delimitada, que pode ter bordas relativamente nítidas ou indistintas
  • Progride para pápulas e nódulos vermelho-arroxeados, placas com centro tumoral elevado, massas sangrantes e ulceração
  • A disseminação é multicêntrica, com lesões múltiplas separadas por pele aparentemente sã
  • As lesões do couro cabeludo passam despercebidas: é necessário tricotomizar a área para avaliar a extensão real
  • Já foi tratado como eczema, rosácea ou hematoma antes do diagnóstico

Angiossarcoma secundário

  • Surge sobre pele previamente irradiada
  • Surge sobre área de linfedema crônico (síndrome de Stewart-Treves)
  • Tumor maior que 5 cm é o achado habitual ao diagnóstico e é fator de mau prognóstico

Classificação

  • Angiossarcoma cutâneo primário (de novo), predominante em couro cabeludo e face do idoso
  • Angiossarcoma secundário à radioterapia
  • Angiossarcoma associado a linfedema crônico (síndrome de Stewart-Treves)
  • Grau de diferenciação histológica: bem diferenciado, moderadamente diferenciado e pouco diferenciado

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Complicações e cuidados

  • Sangramento das lesões tumorais
  • Ulceração
  • Recidiva local, mesmo após ressecção com margens amplas
  • Doença multifocal com lesões clinicamente invisíveis
  • Metástase a distância
  • Recidiva na pele irradiada adjacente à margem nos casos secundários à radioterapia

Prognóstico

Prognóstico ruim: sobrevida global em 5 anos de 30% a 40%, com 9% em inquérito japonês, mesmo entre pacientes sem metástase a distância, o que se explica pelo tamanho do tumor ao diagnóstico (a maioria acima de 5 cm).

As taxas de sobrevida relativa dos angiossarcomas de cabeça e pescoço são de 34% a 39% em 5 anos e de 14% a 17% em 10 anos.

A maioria dos pacientes evolui com recidiva ou metástase.

Fatores de mau prognóstico: tumor maior que 5 cm, margem cirúrgica comprometida e margem lateral menor que 1 cm.

A cirurgia como parte do tratamento multimodal aumentou a sobrevida global mediana de 13,0 para 31,4 meses.

Os desfechos da doença metastática permanecem ruins.

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Referências

  1. A review of cutaneous angiosarcoma: epidemiology, diagnosis, prognosis, and treatment options. Japanese Journal of Clinical Oncology. 2025.
  2. Clinical and dermoscopic characteristics of cutaneous sarcomas: a literature review. Diagnostics. 2023.

Achados (clique para explorar)

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