Autoeczematização
Conceito
Autoeczematização, também chamada reação id ou eczema disseminado secundário, é uma reação inflamatória cutânea que surge em áreas distantes de um foco primário de inflamação, infecção ou dermatite.
O termo é usado principalmente quando a manifestação secundária é eczematosa.
De forma mais ampla, reações id podem ter outras apresentações clínicas, como lesões vesiculares, erupção maculopapular, eritema multiforme, eritema nodoso, eritema anular centrífugo, síndrome de Sweet, psoríase gutata, urticária e, raramente, doenças bolhosas autoimunes.
A forma clássica em dermatologia prática é a reação id associada a dermatofitose, especialmente tinea pedis.
Também pode ocorrer em dermatite alérgica de contato, dermatite de estase, candidíase, tinea capitis, infecções bacterianas, viroses, escabiose, pediculose, leishmaniose e outras infecções cutâneas.
As lesões secundárias não contêm obrigatoriamente o agente infeccioso ou o alérgeno desencadeante.
Por isso, o foco primário deve ser procurado ativamente.
Epidemiologia
A frequência da autoeczematização varia conforme a causa primária.
As reações id são mais frequentemente associadas a infecções fúngicas superficiais, especialmente tinea pedis.
Também podem ocorrer em tinea capitis inflamatória, tinea corporis, tinea cruris, candidíase, esporotricose, coccidioidomicose e outras infecções fúngicas.
Na prática dermatológica, também são importantes as reações id associadas à dermatite alérgica de contato e à dermatite de estase.
Pacientes com dermatite de estase, úlcera venosa, uso prolongado de tópicos e dermatite alérgica de contato associada podem desenvolver eczema disseminado secundário.
A autoeczematização pode ocorrer em adultos e crianças.
Em crianças, pode ser vista em associação a tinea capitis inflamatória, escabiose, infecções virais e outras dermatoses infecciosas ou inflamatórias.
Fatores de risco
- Dermatofitoses são causas clássicas, especialmente tinea pedis.
- Tinea capitis inflamatória, tinea corporis, tinea cruris, tinea unguium e tinea incognito também podem estar associadas.
- Dermatite alérgica de contato intensa ou persistente pode desencadear autoeczematização.
- Dermatite de estase, eczema crônico, inflamação importante, úlcera venosa e dermatite de contato associada aumentam o risco.
- Candidíase em dobras ou região de fralda, escabiose, pediculose, leishmaniose cutânea, infecções bacterianas e infecções virais também podem atuar como foco primário.
- Herpes simples é gatilho clássico de eritema multiforme recorrente.
Doenças associadas
- A autoeczematização pode estar associada a dermatofitose, dermatite alérgica de contato, dermatite de estase, candidíase, tinea capitis, infecções bacterianas, viroses, escabiose, pediculose, leishmaniose e outras infecções cutâneas.
- Na tinea pedis, pode ocorrer erupção vesicular simétrica nas mãos, com exame micológico negativo nas lesões secundárias.
- Na tinea capitis inflamatória, especialmente no querion, podem ocorrer pápulas pruriginosas disseminadas, lesões foliculares, liquenoides, papuloescamosas ou morbiliformes.
- Em infecções virais, a manifestação reacional pode ser eritema multiforme.
- Em infecções bacterianas ou fúngicas profundas, podem ocorrer eritema nodoso, síndrome de Sweet, urticária ou erupções maculopapulares.
- Na escabiose, reações id podem aparecer como lesões urticariformes ou eczematosas.
Patogênese
A patogênese não é completamente conhecida.
A reação id parece resultar de resposta imune secundária a antígenos originados em um foco primário distante.
Podem participar anticorpos circulantes, imunocomplexos, linfócitos T ativados, linfócitos T de memória e citocinas inflamatórias.
Algumas hipóteses incluem disseminação hematogênica de antígenos, redução do limiar de reatividade em áreas cutâneas distantes após inflamação primária e participação de linfócitos T ativados circulantes.
Nas dermatofitoses, a reação secundária pode ocorrer por resposta imune a antígenos fúngicos liberados a partir do foco primário.
As lesões secundárias costumam ser estéreis.
Na dermatofitose, o exame micológico das lesões secundárias geralmente é negativo.
O fungo deve ser procurado no foco primário, como pés, unhas ou couro cabeludo.
O resultado final é o aparecimento de inflamação cutânea em áreas não diretamente infectadas ou expostas ao agente causal inicial.
Clínica
- As lesões secundárias surgem dias a semanas após a dermatose primária.
- O eczema tende a ser mal delimitado, simétrico e pruriginoso.
- Pode acometer áreas anatômicas análogas ou espelhadas, como palmas, plantas e extremidades.
- A apresentação mais comum na prática é eczematosa ou vesicular.
- Pode haver pápulas, vesículas, bolhas, descamação, crostas e escoriações.
- O prurido pode ser intenso.
- A distribuição disseminada pode confundir o diagnóstico, especialmente quando o foco primário é discreto ou não foi reconhecido.
- Na reação id por tinea pedis, a manifestação típica é uma erupção vesicular aguda e simétrica nas mãos.
- As lesões acometem especialmente palmas, laterais dos dedos e espaços interdigitais.
- Podem surgir vesículas, bolhas, pápulas, pústulas ou descamação residual.
- O exame micológico das lesões das mãos costuma ser negativo.
- O foco fúngico deve ser pesquisado nos pés e unhas.
- Na tinea capitis inflamatória, especialmente no querion, podem ocorrer pápulas pruriginosas disseminadas, lesões foliculares, liquenoides, papuloescamosas ou morbiliformes.
- A reação pode aparecer no auge da infecção, logo depois dela ou no início do tratamento antifúngico sistêmico.
- Esse ponto é importante para não confundir a reação id com farmacodermia e suspender indevidamente o antifúngico.
- Em infecções virais, a manifestação reacional pode ser eritema multiforme.
- Herpes simples é causa clássica de eritema multiforme recorrente.
- Orf também pode desencadear eritema multiforme, erupções vesiculares ou morbiliformes.
- Em infecções bacterianas ou fúngicas profundas, podem ocorrer eritema nodoso, síndrome de Sweet, urticária ou erupções maculopapulares.
- Na escabiose, reações id podem aparecer como lesões urticariformes ou eczematosas.
- Em pacientes com dermatite de estase, o surgimento de eczema disseminado deve levantar a possibilidade de autoeczematização, dermatite alérgica de contato associada ou ambos.
Classificação
- Forma eczematosa: apresentação mais comum, com eczema disseminado secundário.
- Forma vesicular: típica da reação id associada a tinea pedis, com vesículas simétricas nas mãos.
- Forma maculopapular ou morbiliforme: pode ocorrer em tinea capitis inflamatória e outras infecções.
- Forma tipo eritema multiforme: pode estar associada a herpes simples, orf e outros gatilhos.
- Forma tipo eritema nodoso ou síndrome de Sweet: pode ocorrer em infecções bacterianas ou fúngicas profundas.
- Forma bolhosa autoimune: rara e exige investigação específica.
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Complicações e cuidados
- A distribuição disseminada pode levar a erro diagnóstico, especialmente quando o foco primário é discreto ou não reconhecido.
- Na reação id por dermatofitose, o início após antifúngico sistêmico pode simular farmacodermia e levar à suspensão indevida do antifúngico.
- O controle apenas das lesões secundárias, sem tratamento do foco primário, favorece persistência ou recorrência.
- Casos muito disseminados, bolhosos, com febre, sintomas sistêmicos, lesões dolorosas, mucosite, suspeita de farmacodermia ou doença bolhosa exigem reavaliação diagnóstica e investigação adicional.
- Hiperpigmentação pós inflamatória pode ocorrer.
Prognóstico
A autoeczematização tende a melhorar quando a causa primária é reconhecida e controlada.
O prognóstico costuma ser bom quando o eczema secundário é tratado e o desencadeante é removido ou controlado.
A recorrência é comum quando o foco primário persiste, como dermatite de contato não identificada, dermatite de estase mal controlada, dermatofitose não tratada, escabiose persistente ou infecção recorrente.
Em dermatofitoses, a reação secundária pode persistir por algum tempo mesmo após controle do foco primário.
Hiperpigmentação pós inflamatória pode ocorrer e tende a melhorar gradualmente.
Casos muito disseminados, bolhosos, com febre, sintomas sistêmicos, lesões dolorosas, mucosite, suspeita de farmacodermia ou doença bolhosa exigem reavaliação diagnóstica e investigação adicional.
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Referências
Achados (clique para explorar)
Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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