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Calosidade

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Conceito

Calosidade é o espessamento ceratótico reativo da epiderme causado por trauma mecânico repetido, por forças de fricção e de pressão sobre a pele.

Trata-se de uma resposta protetora do organismo: o excesso de camada córnea é produzido para evitar a ulceração da pele submetida à carga.

Por isso a calosidade deve ser encarada mais como sintoma de um problema mecânico do que como doença em si.

A terminologia é confusa na literatura, mas a distinção prática que importa é entre duas formas.

O calo é a calosidade difusa: área ceratótica de base larga, de limites mal definidos, que ocupa uma zona ampla de carga.

O clavo (também chamado heloma ou hiperceratose plantar focal intratável) é a calosidade focal: área de hiperceratose bem delimitada, menor e mais nitidamente demarcada que o calo, com um núcleo central mais duro.

A hiperceratose se forma preferencialmente onde a pele é comprimida entre o calçado e uma proeminência óssea.

Epidemiologia

A incidência de clavos nos pés varia de 14% a 48%.

Afeta sobretudo faixas etárias mais avançadas, com discreto predomínio no sexo feminino, atribuído ao uso de calçados estreitos.

Pessoas de pele mais pigmentada (fototipos altos) são descritas como mais propensas a desenvolver clavos.

É frequente em atletas e em pessoas expostas a forças de fricção desiguais por calçado inadequado ou por alteração da marcha, incluindo idosos, pessoas com diabetes e amputados.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Calçado inadequado, estreito ou mal ajustado
  • Uso de salto alto
  • Proeminências ósseas e deformidade do pé
  • Dedo em martelo
  • Alteração da marcha
  • Atividade física ou ocupacional com carga repetida sobre o pé
  • Prática esportiva
  • Idade avançada com atrofia do coxim adiposo plantar
  • Diabetes mellitus
  • Amputação prévia de membro inferior
  • Neuropatia periférica com perda da sensibilidade protetora
  • Doença arterial periférica
  • Automanipulação e remoção caseira da lesão
  • Diabetes mellitus com neuropatia periférica e perda da sensibilidade protetora
  • Doença arterial periférica
  • Doença renal em estágio terminal (compõe a categoria de alto risco de úlcera)
  • História prévia de úlcera do pé ou de amputação de membro inferior
  • Deformidade do pé e mobilidade articular limitada do pé e do tornozelo
  • Artrite reumatoide como causa de deformidade do pé
  • Atrofia do coxim adiposo plantar do idoso

Patogênese

A fricção e a pressão repetidas sobre a pele que recobre proeminências ósseas induzem espessamento hiperceratótico progressivo.

Esse espessamento é uma reação corporal protetora, com produção excessiva da camada córnea epitelial para impedir a ulceração da pele.

Isso explica a localização preferencial dos clavos junto aos côndilos dos metatarsos e das falanges e sua ocorrência em pessoas com deformidade do pé.

No antepé, o calo plantar surge em resposta a forças combinadas de compressão, fricção e cisalhamento.

No heloma mole do quarto espaço interdigital, a cabeça da falange proximal de um dedo comprime a base da falange proximal do dedo vizinho, e a umidade do espaço interdigital macera a hiperceratose.

No idoso soma-se a perda do coxim adiposo plantar (atrofia do coxim gorduroso), que retira o amortecimento protetor e aumenta a ocorrência de clavo doloroso.

A hiperceratose, uma vez formada, eleva a pressão plantar local e realimenta o processo.

Clínica

  • Calo: área ceratótica de base larga, difusa, de bordas mal definidas, sobre zona ampla de carga
  • Clavo: área focal, bem delimitada, de hiperceratose
  • Pápula seca, dura, rugosa, da cor da pele, com centro esbranquiçado translúcido (o núcleo, ou core)
  • Lesão situada sobre proeminência óssea
  • Dor ao caminhar e ao permanecer em pé, com lesão assintomática ao simples toque
  • Crescimento progressivo da lesão com dor intensa à deambulação conforme a ceratina se acumula
  • Heloma duro (heloma durum): variante mais comum, na face lateral e dorsal do quinto dedo e no dorso das articulações interfalangeanas dos dedos menores
  • Heloma mole (heloma molle): lesão hiperceratótica dolorosa dos espaços interdigitais, sobretudo o quarto espaço, macerada pela umidade local, podendo infectar-se ou ulcerar
  • Calo semente: múltiplos tampões ceratóticos indolores dentro de calos plantares, em áreas plantares sem carga
  • Localizações típicas: dorso dos dedos, último espaço interdigital e planta dos pés
  • Dermatóglifos (linhas da pele plantar) preservados e visíveis dentro da lesão
  • Dor à pressão digital perpendicular (vertical) sobre o clavo plantar, pelo contato da lesão com a proeminência óssea subjacente
  • Ausência de pontos capilares hemorrágicos após o debridamento da hiperceratose
  • Textura hiperceratótica rugosa evidente à inspeção e à palpação
  • Outras marcas cutâneas de trauma físico repetido no restante do tegumento
  • No diabético em risco, o calo excessivo é lesão pré-ulcerativa

Classificação

  • Calo (calosidade difusa)
  • Clavo, heloma ou hiperceratose plantar focal intratável (calosidade focal)
  • Heloma duro (heloma durum)
  • Heloma mole ou clavo interdigital (heloma molle)
  • Calo semente

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Complicações e cuidados

  • Ulceração
  • Infecção secundária bacteriana ou fúngica, sobretudo no heloma mole macerado
  • Dor incapacitante à deambulação
  • Tinea pedis
  • Artrite séptica
  • Osteomielite
  • Úlcera do pé diabético
  • Recorrência da lesão quando a causa mecânica não é corrigida
  • Agravamento após crioterapia com nitrogênio líquido
  • Abrasão da pele por aparação excessiva no paciente com neuropatia
  • Complicações cirúrgicas: rigidez articular e do dedo, edema digital, dormência, infecção, dedo flácido, recidiva da deformidade

Prognóstico

Calos e clavos são problemas crônicos e recorrentes, mas a maioria remite gradualmente e de forma espontânea quando a fricção ou a pressão repetida deixa de existir.

A taxa de recorrência é alta enquanto a causa subjacente não for corrigida.

Se a lesão não se resolve ou passa a doer intensamente, indica-se avaliação especializada do pé.

Os resultados e a satisfação do paciente com os tratamentos disponíveis, do conservador ao cirúrgico, são muito bons.

Na maior parte dos casos a lesão é pequena e resolve bem, permitindo o retorno pleno às atividades diárias e esportivas.

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Referências

  1. Corns. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing; 2023.
  2. The evaluation of three treatments for plantar callus: a three-armed randomised, comparative trial using biophysical outcome measures. Trials. 2016.
  3. Guidelines on the prevention of foot ulcers in persons with diabetes (IWGDF 2023 update). Diabetes/Metabolism Research and Reviews. 2024.

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