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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Candidíase

Padrão inflamatório(Candidose, Candidose cutaneomucosa, Candidíase cutaneomucosa, Monilíase, Candidiasis)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Conceito

Infecção causada por leveduras do gênero Candida, que acomete pele, mucosas, unhas e, ocasionalmente, outros órgãos.

Candida albicans é a espécie mais comum nas infecções localizadas e sistêmicas.

As leveduras são saprófitas do trato gastrointestinal e da mucosa vaginal, tornando-se patogênicas em situações de desequilíbrio da flora ou de imunodepressão.

A doença varia desde formas superficiais (mucosas e cutâneas) e isoladas até o acometimento sistêmico.

A candidíase mucocutânea crônica é forma persistente ou recorrente de unhas, pele, boca e genitais, frequentemente associada a erros inatos da imunidade.

Epidemiologia

Distribuição universal.

É comum em recém-nascidos, mas também acomete adultos e idosos.

Profissionais expostos a umidade, como empregadas domésticas, lavadeiras de louça, cozinheiros e enfermeiros, são mais propensos.

A candidíase esofágica e das vias aéreas superiores são doenças definidoras de AIDS.

A candidíase orofaríngea e a esofágica eram as principais infecções oportunistas na era pré-HAART em pacientes com HIV.

A candidíase vulvovaginal acomete todas as camadas sociais e é problema comum no mundo todo.

Cerca de 5% a 8% das mulheres adultas apresentam candidíase vulvovaginal recorrente.

Candida albicans responde pela maioria das vaginites por Candida; o restante são espécies não-albicans, mais comumente Candida glabrata, que afeta 10% a 20% das mulheres em muitas regiões.

As espécies não-albicans, sobretudo C. glabrata, causam desproporcionalmente a candidíase vulvovaginal recorrente.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Umidade e maceração cutânea
  • Oclusão e calor nas dobras
  • Imunossupressão por quimioterapia ou transplante
  • Uso de antibióticos de amplo espectro
  • Corticoterapia tópica ou sistêmica
  • Extremos de idade (recém-nascidos e idosos)
  • Prematuridade e muito baixo peso ao nascer
  • Gestação
  • Contraceptivos orais e terapia estrogênica
  • Próteses dentárias
  • Exposição ocupacional a água (empregadas, cozinheiros, lavadeiras, enfermeiros)
  • Dispositivos médicos plásticos e cateteres
  • Intercurso sexual e hábitos de higiene íntima (candidíase vulvovaginal)
  • Diabetes mellitus e hiperglicemia, que também predispõem à infecção
  • Infecção por HIV/AIDS
  • Candidíase mucocutânea crônica
  • Neutropenia e doença granulomatosa crônica
  • Síndrome de Down, com predisposição a infecções por leveduras

Erros inatos da imunidade

  • APECED / APS-1, com hipoparatireoidismo, insuficiência adrenal e distrofia ectodérmica (endocrinopatias autoimunes)
  • Síndrome de hiper-IgE (STAT3/AD-HIES, DOCK8/AR-HIES)
  • Mutação STAT1 de ganho de função
  • Deficiência de CARD9
  • Deficiência de dectina-1 (CLEC7A)
  • Defeitos da via IL-17
  • Imunodeficiências combinadas graves (SCID)

Patogênese

As espécies de Candida formam biofilme em dispositivos médicos de plástico.

As proteinases aspárticas secretórias (SAPs) e as fosfolipases auxiliam na adesão fúngica e na invasão tecidual.

A transição de levedura para pseudo-hifas e hifas (formação de micélio) aumenta a colonização e a invasão do epitélio; a Candida albicans é capaz de penetrar células epiteliais intactas.

A defesa do hospedeiro envolve imunidade inata e adaptativa.

O reconhecimento ocorre por receptores como TLR-2, TLR-4, dectina-1, dectina-2 e mincle, que reconhecem componentes da parede celular, entre eles as beta-glucanas.

A sinalização segue pela via CARD9/BCL10/MALT1, com ativação do NF-kB e produção de IL-1 beta, IL-6 e IL-23.

Os linfócitos Th17 e a via da IL-17 são centrais na proteção contra a candidíase mucocutânea.

Defeitos no reconhecimento de Candida (dectina-1/CLEC7A, CARD9), na produção ou na sinalização de IL-17 (IL-17F, IL-17RA, IL-17RC, ACT1/TRAF3IP2) ou no desenvolvimento e na função de Th17 (STAT1 de ganho de função, STAT3/AD-HIES, APECED/AIRE) predispõem à candidíase mucocutânea crônica.

Na candidíase vulvovaginal, os hormônios reprodutivos femininos, sobretudo o estrogênio, aumentam o conteúdo de glicogênio vaginal e favorecem a colonização.

A candidíase vulvovaginal recorrente é multifatorial e associa-se à redução da produção de IFN-gama e à atopia.

Clínica

  • Intertrigo candidiásico: eritema, maceração e fissuras nas dobras (interdigital, inframamária, axilar, inguinal), com placas úmidas e revestimento esbranquiçado pruriginoso
  • Lesões satélites: pápulas e pústulas eritematoescamosas pequenas e arredondadas ao redor da placa principal
  • Candidíase da área da fralda: eritema vermelho-vivo com lesões pustulovesiculares satélites
  • Candidíase oral pseudomembranosa (sapinho): lesões cremosas branco-placóides removíveis na mucosa bucal, orofaringe e língua
  • Candidíase oral eritematosa/atrófica: máculas eritematosas sem placas brancas no palato ou dorso da língua
  • Queilite angular (perleche): fissuras e maceração dos ângulos da boca
  • Glossite rombóide mediana
  • Candidíase esofágica: dor retroesternal em queimação e odinofagia
  • Candidíase vulvovaginal: prurido vulvar, ardor, corrimento branco aderente, eritema e edema vulvovaginal, disúria
  • Balanite e balanopostite candidiásica: eritema, pápulas e pústulas na glande e no prepúcio
  • Paroníquia candidiásica: lesões eritematoescamosas periungueais dolorosas com perda da cutícula, acometendo a prega ungueal proximal
  • Onicomicose candidiásica: onicólise, predominando nas unhas das mãos, que têm mais contato com água
  • Erosio interdigitalis blastomycetica: maceração e erosão nos espaços interdigitais das mãos
  • Candidíase mucocutânea crônica: infecções persistentes ou recorrentes de unhas, pele, boca e genitais
  • Candidíase congênita e neonatal, com acometimento cutâneo no recém-nascido

Classificação

  • Formas mucosas: orofaríngea (pseudomembranosa, eritematosa/atrófica, queilite angular, glossite rombóide mediana), esofágica, vulvovaginal, balanite/balanopostite
  • Formas cutâneas: intertrigo candidiásico, candidíase da área da fralda, erosio interdigitalis blastomycetica
  • Formas ungueais: paroníquia candidiásica, onicomicose candidiásica
  • Candidíase mucocutânea crônica (isolada ou sindrômica: APECED, síndrome de hiper-IgE, STAT1 ganho de função)
  • Candidíase congênita e neonatal
  • Candidíase vulvovaginal não complicada (leve a moderada, menos de quatro episódios/ano, por C. albicans, em hospedeira hígida e não gestante)
  • Candidíase vulvovaginal complicada (grave, ou recorrente com quatro ou mais episódios/ano, ou por não-albicans, ou em hospedeira comprometida/gestante/diabética)
  • Candidíase invasiva e sistêmica (candidemia e disseminada)

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Complicações e cuidados

  • Candidíase esofágica com odinofagia e redução da ingesta
  • Candidíase disseminada, invasiva e candidemia
  • Vulvovaginite recorrente
  • Infecção por espécies não-albicans resistentes a azólicos (C. glabrata, C. krusei)
  • Resistência a azólicos por uso prolongado ou repetido
  • Onicólise e distrofia ungueal
  • Na deficiência de CARD9, candidíase invasiva do sistema nervoso central (meningoencefalite), ossos e linfonodos, e dermatofitose profunda

Prognóstico

A maioria das formas superficiais responde bem ao tratamento antifúngico tópico ou sistêmico.

A recorrência é comum, sobretudo quando os fatores predisponentes não são corrigidos.

Na candidíase vulvovaginal recorrente, a ausência de terapia de manutenção leva a recaída clínica em 50% dos casos em 3 meses.

As formas associadas a erros inatos da imunidade tendem a ser persistentes ou recorrentes e exigem manejo prolongado e específico.

A candidíase invasiva e sistêmica tem prognóstico mais grave.

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Referências

  1. Clinical Practice Guideline for the Management of Candidiasis: 2016 Update by the Infectious Diseases Society of America. Clinical Infectious Diseases. 2016.
  2. Vulvovaginal candidosis. Lancet. 2007.
  3. Mucocutaneous Candidiasis: Insights Into the Diagnosis and Treatment. The Pediatric Infectious Disease Journal. 2024.
  4. ESCMID guideline for the diagnosis and management of Candida diseases 2012: patients with HIV infection or AIDS. Clinical Microbiology and Infection. 2012.
  5. Update on therapy for superficial mycoses: review article part I. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2013.

Achados (clique para explorar)

eritemamaceraçãosatelitosepústulafissuraregião intertriginosamucosa oralmucosa genitalpruridoparoníquiaonicólise

Veja também

Infecções superficiais e infestações da epidermeDermatites vesicobolhosas
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