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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Carcinoma basocelular

malignaepiderme e derme(CBC, Basalioma, Epitelioma basocelular, Ulcus rodens, Carcinoma de células basais)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

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Clínica (6)

Dermatoscopia (1)

Histopatologia (1)

Conceito

O carcinoma basocelular é a neoplasia maligna mais comum do ser humano e corresponde a 70% a 80% dos cânceres de pele.

É um carcinoma epitelial de células basaloides que deriva das células germinativas do folículo piloso (tricoblastos) e de células pluripotentes imaturas da epiderme interfolicular, o que explica sua raridade em palmas, plantas e mucosas, onde não há folículos.

Não há lesão precursora descrita.

Comporta-se como tumor localmente invasivo e destrutivo, de crescimento lento, com potencial metastático muito baixo (menos de 0,1%), em parte porque depende do próprio estroma para crescer.

Praticamente todo carcinoma basocelular precisa ser tratado, porque a destruição local progressiva causa desfiguração e morbidade cirúrgica crescente.

O diagnóstico é sempre histopatológico, porque o subtipo determina o risco de recidiva e a escolha do método.

O primeiro tumor é também um marcador: quem teve um carcinoma basocelular tem risco muito aumentado de um segundo, de carcinoma espinocelular e de melanoma.

Epidemiologia

É a neoplasia maligna mais frequente em humanos e sua incidência vem aumentando de forma consistente há décadas, a mais de 4% ao ano em praticamente todos os países e classes sociais.

Nos Estados Unidos estima-se que atinja cerca de 2 milhões de pessoas por ano, número que supera o de todos os outros cânceres somados.

A proporção populacional é de quatro a cinco carcinomas basocelulares para cada carcinoma espinocelular, e de oito a dez para cada melanoma diagnosticado.

No Brasil não há registro compulsório do tumor. A estimativa era de cerca de 115.000 casos novos de câncer de pele não melanoma em 2010, o que corresponde a aproximadamente 90.000 carcinomas basocelulares ao ano, com risco estimado de 56 casos novos por 100.000 homens e 61 por 100.000 mulheres.

As taxas variam por região no Brasil: até 85 casos por 100.000 habitantes na região Sul e apenas 25 na região Norte.

A incidência acompanha a latitude: cerca de 1.600 por 100.000 habitantes ao ano em regiões da Austrália, 300 por 100.000 no sul dos Estados Unidos e 40 a 80 por 100.000 no norte da Europa.

O risco cumulativo de desenvolver o tumor ao longo da vida na população branca alemã ultrapassa 30%, e estima-se que cerca de metade das pessoas brancas com mais de 60 anos desenvolverá alguma neoplasia cutânea.

O início é tipicamente entre a quinta e a sexta década, e mais da metade dos casos ocorre entre 50 e 80 anos, mas a faixa etária acometida é mais baixa que a do carcinoma espinocelular.

Há maior acometimento de homens do que de mulheres, na proporção de 1,5 a 2 para 1, atribuído sobretudo a exposição ocupacional, embora venha crescendo a proporção de mulheres, inclusive abaixo dos 40 anos, associada a bronzeamento artificial e lazer fotoexposto.

Pacientes com menos de 40 anos já respondem por mais de 5% dos diagnósticos, com predomínio de lesões no tronco e do subtipo superficial, ligadas a exposição solar recreativa intensa.

As categorias populacionais nos estudos epidemiológicos são autodeclaradas: o tumor é raro em negros, asiáticos e hispânicos; pessoas de pele clara têm risco dez a vinte vezes maior do que pessoas de pele escura vivendo na mesma região.

Em pessoas negras a ocorrência em áreas fotoexpostas é menor, mas nas áreas cobertas a incidência se aproxima da observada em pessoas brancas, e a maioria dessas lesões é pigmentada (mais de 50% das lesões, contra 6% na população branca).

Há maior incidência em africanos albinos do que em africanos com pigmentação normal.

Cerca de 80% dos casos localizam-se na face (30% na região nasal) e no pescoço; 15% a 43% acometem o tronco.

O tempo médio entre o surgimento e o diagnóstico é de aproximadamente 37 meses.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Radiação ultravioleta em padrão intermitente e intenso (mais relevante que a exposição crônica cumulativa)
  • Queimaduras solares antes dos 20 anos (triplicam o risco)
  • Exposição recreativa a altas doses de radiação ultravioleta na infância e juventude
  • Exercício profissional exposto ao sol sem proteção (atividade rural, pesca, construção civil)
  • Câmaras de bronzeamento artificial (razão de chances em torno de 1,5)
  • Fototipos claros de Fitzpatrick (I e II), cabelos e olhos claros, sardas na infância
  • Idade avançada
  • Sexo masculino
  • História familiar de carcinoma basocelular (30% a 60% dos casos)
  • História pessoal prévia de carcinoma basocelular ou de outro tumor cutâneo maligno
  • Imunossupressão (infecção pelo HIV, imunossupressão farmacológica, leucemia linfocítica crônica, neoplasia hematológica)
  • Transplante de órgão sólido (incidência 5 a 16 vezes maior que a da população geral)
  • Radioterapia prévia no local, sobretudo quando realizada em idade jovem e por condição benigna
  • Fototerapia prévia (PUVA ou ultravioleta B)
  • Exposição ao arsênico
  • Exposição a parafina, carvão, alcatrão, piche, óleos industriais, defensivos agrícolas e radiações ionizantes
  • Cicatrizes crônicas (queimadura, lúpus discoide)
  • Moduladores do receptor de esfingosina-1-fosfato usados na esclerose múltipla
  • Uso prolongado de medicamentos fotossensibilizantes (tetraciclinas, sulfonamidas, fluoroquinolonas, fenotiazinas, diuréticos)
  • Sinais de fotodano crônico associados: ceratoses actínicas, queilite actínica, lentigos solares, telangiectasias faciais, cutis rhomboidalis nuchae, síndrome de Favre-Racouchot
  • Nevo sebáceo (2,0% a 6,5% dos nevos sebáceos originam carcinoma basocelular; o tumor anexial que mais surge no nevo sebáceo, porém, é o tricoblastoma)

Síndrome do nevo basocelular (Gorlin-Goltz)

  • Herança autossômica dominante por mutação do gene PTCH
  • Critérios maiores: mais de 5 carcinomas basocelulares ou um antes dos 30 anos; dois ou mais pits palmoplantares; ceratocistos odontogênicos da mandíbula comprovados histologicamente; calcificação da foice do cérebro; parente de primeiro grau afetado
  • Critérios menores: anomalias de costelas (bífidas, fundidas ou alargadas); fenda labial ou palatina; outras anomalias esqueléticas (pectus, polidactilia, sindactilia, cifoescoliose, deformidade de Sprengel); meduloblastoma (em geral nos 3 primeiros anos de vida); macrocefalia com bossa frontal, raiz nasal larga e hipertelorismo; fibroma ovariano ou cardíaco; cistos linfomesentéricos; anomalias oculares (estrabismo, catarata congênita, glaucoma, coloboma)
  • Os tumores são múltiplos, de início precoce (em torno da puberdade), e podem parecer nevos melanocíticos, mílios, acrocórdons ou ceratoses seborreicas; predominam em áreas fotoexpostas, mas ocorrem também em áreas cobertas
  • Diagnóstico: um critério maior com confirmação molecular, dois critérios maiores, ou um maior e dois menores
  • Numerosos acrocórdons em crianças podem ser marcador da síndrome
  • Tratamento: métodos habituais mais vismodegibe ou sonidegibe; a radioterapia deve ser evitada
  • Outras síndromes genéticas com múltiplos carcinomas basocelulares:
  • Xeroderma pigmentoso (defeito no reparo do DNA, com risco mais de mil vezes maior de neoplasias cutâneas)
  • Síndrome de Bazex-Dupré-Christol (dominante ligada ao X; atrofodermia folicular no dorso das mãos e pés, cotovelos e face, mílios, anidrose facial, hipotricose)
  • Síndrome de Rombo (atrofodermia vermiculada, mílios, hipotricose, tricoepiteliomas, vasodilatação periférica e telangiectasias)
  • Síndrome de Brooke-Spiegler (mutação de CYLD; cilindromas, tricoepiteliomas, espiradenomas e múltiplos carcinomas basocelulares)
  • Síndrome de Schöpf-Schulz-Passarge
  • Albinismo oculocutâneo
  • Síndrome do nevo basocelular linear e unilateral
  • Cilindromatose familiar, tricoepitelioma múltiplo familiar, carcinomas basocelulares infundibulocísticos múltiplos, hamartoma folicular basaloide, Muir-Torre, Cowden e Bannayan-Riley-Ruvalcaba
  • Mnemônico das genodermatoses com múltiplos carcinomas basocelulares: Gorlin, Bazex-Dupré-Christol, Rombo, Brooke-Spiegler, Xeroderma pigmentoso e Schöpf-Schulz-Passarge

Patogênese

A radiação ultravioleta é o principal fator causal, com risco atribuível que pode chegar a 90% nas neoplasias queratinocíticas.

O padrão de exposição intermitente e intensa pesa mais do que a exposição crônica e cumulativa, ao contrário do que ocorre no carcinoma espinocelular.

A radiação ultravioleta B gera fotoprodutos mutagênicos no DNA, como os dímeros de ciclobutano-pirimidina, e mutações em genes reguladores como o supressor tumoral p53.

A radiação ultravioleta A age indiretamente, gerando radicais livres citotóxicos e mutagênicos e potencializando os efeitos da radiação ultravioleta B.

A radiação ultravioleta também é imunossupressora na pele: depleta as células dendríticas, desvia a resposta imune para o padrão Th2 e compromete a vigilância antitumoral local.

Acredita-se que o tumor surja dez a cinquenta anos após o dano solar, e existe um platô de exposição cumulativa acima do qual não parece haver incremento adicional do risco.

O eixo patogênico central é a ativação constitutiva da via sonic hedgehog.

Em repouso, o receptor patched (PTCH) inibe a proteína de membrana smoothened (SMO); com a smoothened inibida, o supressor of fused (SUFU) permanece ligado aos fatores de transcrição GLI e os mantém inativos.

A ligação do ligante sonic hedgehog ao PTCH libera a smoothened da inibição; a smoothened ativada impede a ligação de SUFU a GLI; os fatores GLI1 e GLI2 entram no núcleo e transcrevem genes de crescimento e proliferação.

Mutações inativadoras do gene supressor PTCH1 (cromossomo 9q22; há ainda PTCH2 em 1p32) desinibem a smoothened e ativam a via de forma permanente; são a alteração mais comum, presente em 30% a 90% dos casos esporádicos e em quase todos os casos ligados à síndrome do nevo basocelular.

Mutações ativadoras do gene SMO ocorrem em 10% a 21% dos tumores esporádicos.

Mutações de TP53 são a segunda alteração mais comum, presentes em mais de 50% dos casos, e parecem relacionar-se mais à progressão do que à gênese.

É essa dependência da via hedgehog que explica o vismodegibe e o sonidegibe: ambos inibem a smoothened e funcionam como um patched artificial, devolvendo SUFU ao GLI e desligando a transcrição dos genes-alvo.

É também por isso que pacientes com síndrome do nevo basocelular por mutação de SUFU (cerca de 5%) não respondem a esses fármacos, já que o bloqueio ocorre acima do ponto defeituoso.

O itraconazol também inibe a via hedgehog, atuando sobre a smoothened e o GLI.

Outras alterações descritas incluem instabilidade de microssatélites (todos os tumores com instabilidade eram de alto risco histológico), perda de heterozigosidade próxima a PTCH, MSH2 e TP53, mutações de CDKN2A, polimorfismos de MC1R e de genes de reparo do DNA (XPD, XRCC1, XRCC3) e aumento da expressão de BCL2.

Mutações de oncogenes ras são pouco frequentes (0% a 30%), o que indica que a oncogênese depende principalmente da falha da supressão tumoral.

Partículas de papilomavírus humano foram identificadas em até 36% dos tumores, restritas às camadas superficiais, sem papel fisiopatogênico esclarecido.

Clínica

  • Pápula ou nódulo de aspecto perolado ou translúcido, com telangiectasias arboriformes na superfície
  • Bordas elevadas em rolete, de aspecto brilhante e enrolado, que delimitam uma depressão ou ulceração central
  • Ulceração central com crosta que sangra ao mínimo trauma e não cicatriza (o clássico ulcus rodens)
  • Crescimento lento e assintomático; o paciente costuma relatar ferida que não cicatriza ou espinha que não sara
  • Tamanho variável, de poucos milímetros a vários centímetros; leva mais de seis meses para atingir 1 cm
  • Predomínio em áreas fotoexpostas, sobretudo face (nariz em primeiro lugar), pescoço e couro cabeludo
  • Raro em palmas, plantas e mucosas

Nodular (nódulo-ulcerativo)

  • Forma mais comum, geralmente única, predominante em cabeça e pescoço
  • Pápula ou nódulo perolado com telangiectasias arboriformes, que evolui com ulceração central e bordas em rolete
  • Pode invadir tecidos profundos, incluindo cartilagem e osso

Superficial

  • Placa eritematodescamativa pouco infiltrada, de crescimento lento, com borda fina e brilhante
  • Predomina em tronco e ombros e é o subtipo mais comum em pacientes jovens
  • Costuma ser múltiplo e é o subtipo mais associado à exposição solar intermitente
  • É o subtipo que se confunde com placas de eczema, psoríase e dermatofitose

Esclerodermiforme (morfeiforme)

  • Placa endurecida, deprimida, cor da pele a branco-amarelada, com aspecto de cicatriz
  • Limites clinicamente mal definidos; raramente ulcera
  • Acomete sobretudo a face; a pobreza de sintomas e a apresentação discreta atrasam o diagnóstico
  • É de pior prognóstico, com alta probabilidade de infiltração profunda e recidiva

Pigmentado

  • Morfologicamente igual ao nodular, mas com pigmento castanho a azul-acinzentado nos ninhos tumorais
  • Existem também variantes superficiais e esclerodermiformes pigmentadas
  • É a variante mais comum na pele negra
  • O contraste do pigmento com a pele adjacente reduz as taxas de margem comprometida
  • Exige diferenciação com melanoma e com ceratose seborreica pigmentada

Fibroepitelioma de Pinkus

  • Forma rara: pápula ou placa eritematosa, de consistência mole e carnosa, que pode tornar-se pediculada
  • Localiza-se preferencialmente na região lombossacral, e também nas regiões pubiana e genitocrural
  • Pela raridade e pela apresentação atípica, o diagnóstico costuma ser surpresa histopatológica

Micronodular

  • Clinicamente pouco distinto do nodular, mas com bordas mal delimitadas e extensão subclínica ampla
  • Crescimento infiltrativo, com maior risco de recidiva

Infiltrativo

  • Ilhas e cordões finos de células basaloides que invadem a derme, com limites clínicos imprecisos
  • Comportamento agressivo e localmente destrutivo, semelhante ao esclerodermiforme

Basoescamoso (metatípico)

  • Características intermediárias entre carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular
  • Mais agressivo, com capacidade metastática próxima à do carcinoma espinocelular (acima de 7%)

Infundibulocístico (queratótico, folicular)

  • Lesão bem circunscrita, de comportamento não agressivo, que lembra clinicamente tumores foliculares benignos

Classificação

Subtipos de baixo risco (padrão de crescimento expansivo)

  • Nodular (sólido ou macronodular), incluindo as variantes adenoide e cística
  • Superficial
  • Pigmentado
  • Infundibulocístico (queratótico, folicular)
  • Fibroepitelioma de Pinkus
  • Subtipos de alto risco (padrão de crescimento infiltrativo, agressivo):
  • Infiltrativo
  • Micronodular
  • Esclerodermiforme (morfeiforme, desmoplásico)
  • Esclerosante
  • Basoescamoso (metatípico)
  • Carcinossarcomatoso

Estratificação de risco de recidiva, parâmetros clínicos

  • Área L (tronco e membros, excluindo mãos, pés, unidades ungueais, pré-tibial e tornozelos): alto risco se 20 mm ou mais
  • Área M (bochechas, fronte, couro cabeludo, pescoço e pré-tibial): alto risco se 10 mm ou mais
  • Área H (face central, pálpebras, supercílios, pele periorbitária, nariz, lábios, mento, mandíbula, pele e sulcos pré e retroauriculares, têmpora, orelha, genitália, mãos e pés): alto risco independentemente do tamanho
  • Bordas clínicas mal definidas
  • Tumor recidivado: qualquer recidiva é de alto risco, independentemente da terapia prévia
  • Imunossupressão
  • Sítio de radioterapia prévia
  • Estratificação de risco de recidiva, parâmetros histopatológicos:
  • Padrão de crescimento agressivo (morfeiforme, basoescamoso, esclerosante, infiltrativo misto ou micronodular em qualquer porção do tumor)
  • Invasão perineural
  • Invasão além da derme reticular

Estadiamento clínico (extensão da doença)

  • Estágio I: lesão menor que 2 cm, doença restrita à pele
  • Estágio II: lesão maior que 2 cm, doença restrita à pele e ao subcutâneo
  • Estágio III: invasão de tecidos subjacentes (músculo, cartilagem, osso) ou disseminação linfática
  • Estágio IV: disseminação para órgãos distantes

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Complicações e cuidados

  • Destruição local progressiva com invasão de cartilagem, músculo e osso
  • Desfiguração e cirurgias mutiladoras, sobretudo em nariz, pálpebras e orelhas
  • Recidiva local (mais frequente nos primeiros 6 meses a 2 anos, mas descrita além de 5 anos)
  • Segundo carcinoma basocelular (27% a 44% em 3 anos, até 50% em 5 anos; mais de 90% em quem já teve mais de dez tumores)
  • Risco aumentado de carcinoma espinocelular e de melanoma
  • Invasão perineural (2% a 6% dos carcinomas cutâneos não melanoma; menos frequente e menos agressiva que no carcinoma espinocelular)
  • Metástase (0,0028% a 0,55% dos casos; linfonodo regional em 68%, depois pulmão, pleura, fígado e osso)
  • Toxicidade dos inibidores de smoothened (espasmos musculares, disgeusia, alopecia, perda de peso), com descontinuação frequente
  • Eventos adversos imunomediados do cemiplimabe (enterocolite, endocrinopatias, hepatite, pneumonite, autoimunidade cutânea)
  • Sequelas tardias da radioterapia (alopecia, necrose de cartilagem, alteração pigmentar, segunda neoplasia no campo irradiado)

Prognóstico

O prognóstico global é excelente: as taxas de cura ultrapassam 90% com tratamento cirúrgico excisional e a mortalidade específica é menor que 0,1%.

A metástase é rara (0,0028% a 0,55%), com menos de 400 casos descritos na literatura mundial.

Quando ocorre, o sítio mais frequente é o linfonodo regional (68%), seguido de disseminação hematogênica para pulmão e pleura, fígado e ossos.

Os tumores metastáticos costumam ser mistos ou metatípicos, recidivados múltiplas vezes, maiores que 5 a 10 cm e com evolução superior a cinco anos.

A sobrevida em cinco anos dos tumores recidivados e invasivos pouco responsivos era de apenas 10% antes dos inibidores de smoothened.

A morbidade vem da destruição local: quando não tratado, o tumor invade estruturas adjacentes e leva a desfiguração e a cirurgias mutiladoras.

O risco de recidiva aumenta com diâmetro maior que 2 cm, subtipo infiltrativo, micronodular ou esclerodermiforme, bordas mal definidas, invasão perineural, imunossupressão, radioterapia prévia no sítio e tumor recidivado.

As regiões de fendas embrionárias (retroauricular, perinasal, periorbital, peripalpebral e couro cabeludo) são de maior risco de recidiva.

A recidiva ocorre com maior frequência nos primeiros seis meses (latência média de dois meses a dois anos), mas há casos além de cinco anos: em ensaio randomizado, 56% das recidivas após excisão padrão foram identificadas depois do quinto ano de seguimento, o que obriga a seguimento prolongado.

Excisões com margens comprometidas recidivam em 15% a 67% dos casos; a recidiva com margens histologicamente livres ocorre em 1,3% a 4,0%, mais comumente nos tumores superficiais multifocais e nos esclerodermiformes.

O tumor recidivado tem pior prognóstico que o primário, porque o tratamento inicial altera a relação entre o tumor e o estroma do qual ele depende, o que facilita a disseminação, e porque a peça mostra displasia mais evidente, cordões celulares mais frouxos, fibrose estromal e menos reação inflamatória peritumoral.

O prognóstico melhorou nas últimas décadas graças ao diagnóstico mais precoce e a intervenções menos sequelantes.

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Referências

  1. Epidemiologia do carcinoma basocelular. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2011.
  2. Guidelines of care for the management of basal cell carcinoma. Journal of the American Academy of Dermatology. 2018.
  3. Basal Cell Skin Cancer, Version 2.2024, NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology. Journal of the National Comprehensive Cancer Network. 2023.

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