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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Carcinoma sebáceo

malignaderme(Carcinoma de glândulas sebáceas, Carcinoma sebáceo ocular, Carcinoma sebáceo extraocular)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

Neoplasia maligna anexial derivada das glândulas sebáceas.

Divide-se por sítio em periocular (glândulas de Meibômio e de Zeis da pálpebra) e extraocular (glândulas sebáceas do restante da pele), com maior potencial metastático no periocular.

É localmente invasivo e pode metastatizar.

O diagnóstico obriga a pensar além da pele: a deficiência de reparo de erros de pareamento do DNA no tumor pode ser a primeira manifestação da síndrome de Muir-Torre, variante da síndrome de Lynch, com risco elevado de carcinoma colorretal, endometrial e urotelial no paciente e nos familiares.

Epidemiologia

Tumor raro: representa 0,2% a 4,6% dos cânceres de pele.

Em estudo populacional na Inglaterra (2008 a 2018, 1077 casos), a taxa de incidência padronizada por idade foi de 2,11 por milhão de pessoas-ano, maior em homens (2,74) do que em mulheres (1,47), com razão de 1,4 homem para 1 mulher.

A idade mediana ao diagnóstico foi de 76 anos (intervalo interquartil de 17 anos); nenhum caso abaixo de 20 anos.

Os tumores extraoculares corresponderam a 69% dos casos (739 de 1077) e os perioculares a 31% (338 de 1077).

Entre os extraoculares, 68% localizavam-se em cabeça e pescoço e 51% na face.

A etnia foi autodeclarada: 94% dos pacientes eram brancos.

Dos pacientes, 19% (210 de 1077) desenvolveram pelo menos uma neoplasia do espectro Lynch.

A imuno-histoquímica para proteínas de reparo foi realizada em apenas 20% dos tumores (220 de 1077) e, entre os testados, 32% (70 de 219) eram deficientes.

A síndrome de Muir-Torre responde por cerca de 3% dos carcinomas colorretais e endometriais e por cerca de 9% dos casos de síndrome de Lynch, com predomínio masculino (3 homens para 2 mulheres) e idade mediana ao diagnóstico de 53 anos.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Radiação ultravioleta
  • Imunossupressão em receptores de transplante de órgão sólido
  • Idade avançada (pico na sétima e oitava décadas)
  • Sexo masculino
  • Variante patogênica germinativa em gene de reparo de erros de pareamento (MSH2, MSH6, MLH1, PMS2) ou deleção de EPCAM
  • Síndrome de Muir-Torre e síndrome de Lynch
  • Carcinoma colorretal (razão de incidência padronizada de 182; 221 no subgrupo extraocular)
  • Carcinoma de endométrio (razão de incidência padronizada de 179)
  • Carcinoma de glândula salivar (razão de incidência padronizada de 387)
  • Carcinoma do trato urinário alto (razão de incidência padronizada de 376 no subgrupo extraocular)
  • Carcinoma de intestino delgado e carcinoma gástrico (aumento significativo entre os tumores surgidos após o carcinoma sebáceo)
  • Carcinoma de ovário, de estômago, de mama e das vias hepatobiliares no espectro da síndrome
  • Adenomas sebáceos e ceratoacantomas múltiplos, marcadores cutâneos da síndrome de Muir-Torre
  • Não houve excesso de neoplasias do espectro Lynch no grupo periocular

Patogênese

A radiação ultravioleta e a imunossupressão pós-transplante participam da gênese do carcinoma sebáceo esporádico.

Na síndrome de Muir-Torre, variantes patogênicas germinativas em genes de reparo de erros de pareamento do DNA (MLH1, MSH2, MSH6, PMS2) ou deleções de EPCAM que inativam MSH2 comprometem a correção dos erros de replicação e produzem instabilidade de microssatélites, com aumento da taxa de mutação e do risco de tumores cutâneos e viscerais.

A herança é autossômica dominante, com risco de 50% de transmissão aos filhos.

Os padrões de perda proteica detectados por imuno-histoquímica nos tumores deficientes foram: perda conjunta de MSH2 e MSH6 em 74,3%, de MLH1 e PMS2 em 21,4%, de MSH6 isolado em 2,9% e de PMS2 isolado em 1,4%.

Entre os pacientes com teste germinativo positivo, a variante mais frequente foi em MSH2 (80%, 24 de 30), seguida de MSH6 e MLH1 (10% cada).

A deficiência de reparo detectada no tumor nem sempre implica defeito germinativo: pode ser somática ou resultado falso-positivo do ensaio.

Clínica

  • Nódulo ou placa de coloração amarelada a eritematosa, de crescimento lento, firme, frequentemente ulcerado ou crostoso
  • Tamanho médio de 11,9 mm (variação de 5 a 25 mm) em série de tumores extraoculares
  • Lesão única na quase totalidade dos casos
  • O diagnóstico clínico raramente é feito: em 15 carcinomas sebáceos extraoculares, apenas 1 foi suspeitado antes da biópsia; as hipóteses mais frequentes foram carcinoma espinocelular (40%) e carcinoma basocelular (20%)

Periocular

  • Origina-se das glândulas de Meibômio e de Zeis da pálpebra
  • Corresponde a 31% dos casos e tem maior potencial metastático
  • A disseminação intraepitelial (pagetoide ou in situ) é mais frequente nesta topografia e não é visível a olho nu

Extraocular

  • Corresponde a 69% dos casos, com predomínio em cabeça e pescoço (68%) e face (51%)
  • Também ocorre em couro cabeludo, pescoço, tronco, membros e genitália
  • Tronco é a topografia extraocular mais associada à deficiência de reparo (45% dos tumores deficientes, contra 6% dos proficientes)

Classificação

  • Por sítio anatômico: periocular (pálpebra) e extraocular
  • Por grau de diferenciação (classificação de Font): bem diferenciado, moderadamente diferenciado e pouco diferenciado
  • Por padrão celular infiltrativo: basaloide e escamoide
  • Por padrão de disseminação intraepitelial: carcinoma in situ, disseminação pagetoide ou ausente

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Complicações e cuidados

  • Invasão local e recidiva
  • Metástase, com maior potencial no tumor periocular
  • Segunda neoplasia do espectro Lynch em 19% dos pacientes; 29% dos cânceres associados surgiram após o carcinoma sebáceo, com latência mediana de 2,3 anos
  • Morte por outra neoplasia: entre os óbitos com causa conhecida, 32% foram por outro câncer e apenas 3% pelo próprio carcinoma sebáceo
  • Perda visual e morbidade ocular nos tumores perioculares avançados

Prognóstico

A sobrevida em 5 anos na Inglaterra foi de 78,2% (intervalo de confiança de 95%: 64,7 a 91,7).

A maioria dos tumores é de baixo estádio: 49% eram pT1.

A sobrevida global mediana foi de 6,8 anos nos homens e de 7,4 anos nas mulheres, abaixo da esperada para a idade (11,4 e 10,4 anos, respectivamente), o que se deve em parte às neoplasias associadas à síndrome de Lynch não diagnosticada.

O carcinoma sebáceo periocular tem maior potencial metastático que o extraocular.

A profundidade de invasão maior que 6 mm é fator de alto risco no estadiamento.

O diagnóstico precoce das neoplasias viscerais pela vigilância muda o prognóstico do paciente e da família.

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Referências

  1. Sebaceous carcinoma epidemiology, associated malignancies and Lynch/Muir-Torre syndrome screening in England from 2008 to 2018. Journal of the American Academy of Dermatology. 2023.
  2. Muir-Torre syndrome: a case report and a literature review of genetic insights and cancer surveillance. Cureus. 2024.
  3. Dermoscopic features and differential diagnosis of sebaceous carcinoma. The Journal of Dermatology. 2020.
  4. Dermoscopy of cutaneous adnexal tumours: a systematic review of the literature. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2022.

Achados (clique para explorar)

carcinoma sebáceosíndrome de Muir-Torresíndrome de Lynchinstabilidade de microssatélitesdeficiência de reparo de erros de pareamentoMSH2MSH6MLH1PMS2comedonecroseadipofilinaárea amarela sem estruturavasos polimorfosglóbulos purpúricoscirurgia micrográfica de Mohscarcinoma colorretalcarcinoma urotelialglândula de Meibômiodisseminação pagetoidetumor anexial
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