Neoplasia maligna anexial derivada das glândulas sebáceas.
Divide-se por sítio em periocular (glândulas de Meibômio e de Zeis da pálpebra) e extraocular (glândulas sebáceas do restante da pele), com maior potencial metastático no periocular.
É localmente invasivo e pode metastatizar.
O diagnóstico obriga a pensar além da pele: a deficiência de reparo de erros de pareamento do DNA no tumor pode ser a primeira manifestação da síndrome de Muir-Torre, variante da síndrome de Lynch, com risco elevado de carcinoma colorretal, endometrial e urotelial no paciente e nos familiares.
Tumor raro: representa 0,2% a 4,6% dos cânceres de pele.
Em estudo populacional na Inglaterra (2008 a 2018, 1077 casos), a taxa de incidência padronizada por idade foi de 2,11 por milhão de pessoas-ano, maior em homens (2,74) do que em mulheres (1,47), com razão de 1,4 homem para 1 mulher.
A idade mediana ao diagnóstico foi de 76 anos (intervalo interquartil de 17 anos); nenhum caso abaixo de 20 anos.
Os tumores extraoculares corresponderam a 69% dos casos (739 de 1077) e os perioculares a 31% (338 de 1077).
Entre os extraoculares, 68% localizavam-se em cabeça e pescoço e 51% na face.
A etnia foi autodeclarada: 94% dos pacientes eram brancos.
Dos pacientes, 19% (210 de 1077) desenvolveram pelo menos uma neoplasia do espectro Lynch.
A imuno-histoquímica para proteínas de reparo foi realizada em apenas 20% dos tumores (220 de 1077) e, entre os testados, 32% (70 de 219) eram deficientes.
A síndrome de Muir-Torre responde por cerca de 3% dos carcinomas colorretais e endometriais e por cerca de 9% dos casos de síndrome de Lynch, com predomínio masculino (3 homens para 2 mulheres) e idade mediana ao diagnóstico de 53 anos.
Fatores de risco e doenças associadas
A radiação ultravioleta e a imunossupressão pós-transplante participam da gênese do carcinoma sebáceo esporádico.
Na síndrome de Muir-Torre, variantes patogênicas germinativas em genes de reparo de erros de pareamento do DNA (MLH1, MSH2, MSH6, PMS2) ou deleções de EPCAM que inativam MSH2 comprometem a correção dos erros de replicação e produzem instabilidade de microssatélites, com aumento da taxa de mutação e do risco de tumores cutâneos e viscerais.
A herança é autossômica dominante, com risco de 50% de transmissão aos filhos.
Os padrões de perda proteica detectados por imuno-histoquímica nos tumores deficientes foram: perda conjunta de MSH2 e MSH6 em 74,3%, de MLH1 e PMS2 em 21,4%, de MSH6 isolado em 2,9% e de PMS2 isolado em 1,4%.
Entre os pacientes com teste germinativo positivo, a variante mais frequente foi em MSH2 (80%, 24 de 30), seguida de MSH6 e MLH1 (10% cada).
A deficiência de reparo detectada no tumor nem sempre implica defeito germinativo: pode ser somática ou resultado falso-positivo do ensaio.
Classificação
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A sobrevida em 5 anos na Inglaterra foi de 78,2% (intervalo de confiança de 95%: 64,7 a 91,7).
A maioria dos tumores é de baixo estádio: 49% eram pT1.
A sobrevida global mediana foi de 6,8 anos nos homens e de 7,4 anos nas mulheres, abaixo da esperada para a idade (11,4 e 10,4 anos, respectivamente), o que se deve em parte às neoplasias associadas à síndrome de Lynch não diagnosticada.
O carcinoma sebáceo periocular tem maior potencial metastático que o extraocular.
A profundidade de invasão maior que 6 mm é fator de alto risco no estadiamento.
O diagnóstico precoce das neoplasias viscerais pela vigilância muda o prognóstico do paciente e da família.
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