Doença inflamatória crônica e recorrente do couro cabeludo, classificada como alopecia cicatricial (cicatrizante) primária de padrão predominantemente neutrofílico.
É uma doença folicular oclusiva, considerada parte da tétrade de oclusão folicular, ao lado da hidradenite supurativa, da acne conglobata e do cisto pilonidal, com as quais compartilha mecanismo patogênico.
Caracteriza-se por nódulos inflamatórios flutuantes, abscessos e trajetos fistulosos (sinusais) interconectados com drenagem purulenta, que evoluem para alopecia cicatricial.
Acomete de forma preferencial o vértice e a região occipital do couro cabeludo.
É frequentemente refratária ao tratamento, o que torna o manejo desafiador.
Provoca impacto acentuado na qualidade de vida pela cronicidade, recorrência, dor e comprometimento da autoimagem.
Doença rara, com prevalência estimada em torno de 0,7% e correspondendo a cerca de 1% a 2% das alopecias cicatriciais neutrofílicas.
Afeta predominantemente homens jovens afrodescendentes (negros), tipicamente entre a 2ª e a 4ª décadas de vida.
Há forte predomínio masculino, com relatos de 94,9% de homens em revisão sistemática e de 95,5% em série brasileira de 66 pacientes.
Também foi descrita em pessoas brancas e em mulheres, estas últimas com predomínio de fototipos claros em estudo multicêntrico.
Comorbidades mais relatadas incluem acne e hidradenite supurativa.
Em série brasileira, a idade média foi de 30 anos (14 a 62), o índice de massa corporal médio foi de 28,4 e predominaram os fototipos III a IV.
Em estudo com mais de 5000 pacientes com hidradenite supurativa, a prevalência de celulite dissecante foi de 9,2%, contra 0,7% nos controles, com risco 13,38 vezes maior.
Fatores de risco e doenças associadas
A patogênese permanece pouco esclarecida, mas a oclusão folicular é considerada o evento central.
O processo se inicia por hiperceratose e bloqueio do infundíbulo pilar, com retenção de conteúdo folicular e ruptura do folículo, o que desencadeia resposta inflamatória intensa em torno do bulbo.
A ruptura folicular propaga uma resposta inflamatória desregulada, com formação de nódulos e abscessos, seguidos de fístulas e cicatrizes.
Compartilha semelhanças genéticas, ambientais, hormonais e imunológicas com a hidradenite supurativa, e alguns autores a consideram variante localizada da mesma doença.
Há elevação de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-alfa, IL-1 beta, IL-17, IL-23 e IL-10, com participação da via de sinalização JAK/STAT.
O predomínio em homens jovens reforça a oclusão folicular como característica-chave, enquanto o relato de predomínio de pele clara em mulheres sugere possível diversidade de mecanismo, com desregulação imune.
A propagação bacteriana e os biofilmes podem ter papel secundário; as culturas frequentemente não demonstram patógeno primário, e os abscessos são estéreis nas fases iniciais.
Classificação
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Doença crônica, recorrente e frequentemente refratária, de curso flutuante.
O diagnóstico e o tratamento precoces, ainda na fase não cicatricial, podem prevenir a alopecia cicatricial e reduzir o impacto na qualidade de vida.
A alopecia cicatricial estabelecida é permanente e o recrescimento capilar em áreas fibrosadas é incerto, mesmo com imunobiológicos.
Os antagonistas de TNF-alfa associam-se a menores taxas de recidiva em comparação com as opções convencionais.
O impacto na qualidade de vida é acentuado, por vezes superior ao de outras dermatoses inflamatórias, como a psoríase.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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