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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Celulite dissecante do couro cabeludo

Padrão inflamatório(Perifoliculite abscedante e supurativa da cabeça, Perifolliculitis capitis abscedens et suffodiens, Doença de Hoffman, Foliculite dissecante do couro cabeludo)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

Doença inflamatória crônica e recorrente do couro cabeludo, classificada como alopecia cicatricial (cicatrizante) primária de padrão predominantemente neutrofílico.

É uma doença folicular oclusiva, considerada parte da tétrade de oclusão folicular, ao lado da hidradenite supurativa, da acne conglobata e do cisto pilonidal, com as quais compartilha mecanismo patogênico.

Caracteriza-se por nódulos inflamatórios flutuantes, abscessos e trajetos fistulosos (sinusais) interconectados com drenagem purulenta, que evoluem para alopecia cicatricial.

Acomete de forma preferencial o vértice e a região occipital do couro cabeludo.

É frequentemente refratária ao tratamento, o que torna o manejo desafiador.

Provoca impacto acentuado na qualidade de vida pela cronicidade, recorrência, dor e comprometimento da autoimagem.

Epidemiologia

Doença rara, com prevalência estimada em torno de 0,7% e correspondendo a cerca de 1% a 2% das alopecias cicatriciais neutrofílicas.

Afeta predominantemente homens jovens afrodescendentes (negros), tipicamente entre a 2ª e a 4ª décadas de vida.

Há forte predomínio masculino, com relatos de 94,9% de homens em revisão sistemática e de 95,5% em série brasileira de 66 pacientes.

Também foi descrita em pessoas brancas e em mulheres, estas últimas com predomínio de fototipos claros em estudo multicêntrico.

Comorbidades mais relatadas incluem acne e hidradenite supurativa.

Em série brasileira, a idade média foi de 30 anos (14 a 62), o índice de massa corporal médio foi de 28,4 e predominaram os fototipos III a IV.

Em estudo com mais de 5000 pacientes com hidradenite supurativa, a prevalência de celulite dissecante foi de 9,2%, contra 0,7% nos controles, com risco 13,38 vezes maior.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Sexo masculino
  • Ascendência africana
  • Adulto jovem (segunda a quarta décadas de vida)
  • Oclusão e hiperceratose folicular
  • Sobrepeso e obesidade
  • Tétrade de oclusão folicular (hidradenite supurativa, acne conglobata e cisto pilonidal), cuja coexistência também predispõe à doença
  • Hidradenite supurativa, a comorbidade mais frequente (cerca de 45% dos casos)
  • Acne conglobata
  • Acne
  • Síndrome SAPHO e demais doenças de oclusão folicular

Patogênese

A patogênese permanece pouco esclarecida, mas a oclusão folicular é considerada o evento central.

O processo se inicia por hiperceratose e bloqueio do infundíbulo pilar, com retenção de conteúdo folicular e ruptura do folículo, o que desencadeia resposta inflamatória intensa em torno do bulbo.

A ruptura folicular propaga uma resposta inflamatória desregulada, com formação de nódulos e abscessos, seguidos de fístulas e cicatrizes.

Compartilha semelhanças genéticas, ambientais, hormonais e imunológicas com a hidradenite supurativa, e alguns autores a consideram variante localizada da mesma doença.

Há elevação de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-alfa, IL-1 beta, IL-17, IL-23 e IL-10, com participação da via de sinalização JAK/STAT.

O predomínio em homens jovens reforça a oclusão folicular como característica-chave, enquanto o relato de predomínio de pele clara em mulheres sugere possível diversidade de mecanismo, com desregulação imune.

A propagação bacteriana e os biofilmes podem ter papel secundário; as culturas frequentemente não demonstram patógeno primário, e os abscessos são estéreis nas fases iniciais.

Clínica

  • Lesões iniciais semelhantes a comedões, com pústulas perifoliculares
  • Nódulos inflamatórios flutuantes e amolecidos
  • Abscessos, frequentemente estéreis nas fases iniciais
  • Distribuição focal (em placas) ou difusa no couro cabeludo
  • Trajetos fistulosos (sinusais) interconectados
  • Drenagem purulenta
  • Sinal de flutuação, com pus que migra à pressão devido à interconexão dos trajetos
  • Predileção pelo vértice e pela região occipital do couro cabeludo
  • Alopecia cicatricial sobrejacente
  • Dor local
  • Fototipos III a VI predominantes

Classificação

  • Alopecia cicatricial (cicatrizante) primária de padrão neutrofílico
  • Componente da tétrade de oclusão folicular (com hidradenite supurativa, acne conglobata e cisto pilonidal)
  • Estágio inicial (não cicatricial): pústulas, nódulos flutuantes e abscessos, com potencial de recrescimento capilar
  • Estágio tardio (cicatricial): nódulos supurativos, trajetos sinusais interconectados e alopecia cicatricial definitiva

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Complicações e cuidados

  • Alopecia cicatricial permanente
  • Cicatrizes queloidianas
  • Doença refratária e recorrente
  • Dor crônica, drenagem purulenta e odor
  • Comprometimento acentuado da qualidade de vida (DLQI médio de 10, chegando a 17,5 nos pacientes com tétrade de oclusão folicular)
  • Isolamento social, ansiedade e depressão
  • Incerteza quanto ao recrescimento capilar em áreas cicatrizadas

Prognóstico

Doença crônica, recorrente e frequentemente refratária, de curso flutuante.

O diagnóstico e o tratamento precoces, ainda na fase não cicatricial, podem prevenir a alopecia cicatricial e reduzir o impacto na qualidade de vida.

A alopecia cicatricial estabelecida é permanente e o recrescimento capilar em áreas fibrosadas é incerto, mesmo com imunobiológicos.

Os antagonistas de TNF-alfa associam-se a menores taxas de recidiva em comparação com as opções convencionais.

O impacto na qualidade de vida é acentuado, por vezes superior ao de outras dermatoses inflamatórias, como a psoríase.

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Referências

  1. Treatments for Dissecting Cellulitis of the Scalp: A Systematic Review and Treatment Algorithm. Dermatology and Therapy. 2023.
  2. A systematic review of tumor necrosis factor-alpha blockers, anti-interleukins, and small molecule inhibitors for dissecting cellulitis of the scalp treatment. Orphanet Journal of Rare Diseases. 2025.
  3. Dissecting cellulitis of the scalp: clinical characteristics and impact on quality of life of 66 Brazilian patients. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2025.

Achados (clique para explorar)

nóduloabscessopústulacomedãocouro cabeludoalopecia cicatricialdorcurso crônico e recorrenteausência de óstios foliculares
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