Carcinoma espinocelular
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Conceito
Neoplasia maligna derivada dos queratinócitos da epiderme, com capacidade de invadir a derme, recidivar localmente e metastatizar.
É o segundo câncer de pele mais comum, atrás apenas do carcinoma basocelular, e faz parte do grupo dos carcinomas queratinocíticos (câncer de pele não melanoma).
A incidência aumentou cerca de 263% desde a década de 1970 e a razão entre carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular hoje se aproxima de 1:1.
O ensino tradicional de que o carcinoma espinocelular seria pouco letal foi superado: a mortalidade da doença já se aproxima da do melanoma em algumas regiões.
A maioria dos casos é curada com tratamento cirúrgico ambulatorial, mas existe um subgrupo de alto risco que concentra praticamente todas as metástases e mortes, o que torna a estratificação de risco a decisão central da conduta.
A doença é o extremo de um espectro que começa na ceratose actínica, passa pelo carcinoma espinocelular in situ (doença de Bowen) e chega ao tumor invasivo.
A ceratose actínica típica pode ser tratada de forma destrutiva sem biópsia prévia. A biópsia é obrigatória diante de sinais que sugerem carcinoma espinocelular: dor, endurecimento, crescimento rápido, sangramento, ulceração, diâmetro maior que 1 cm ou refratariedade ao tratamento, e sempre que houver dúvida, sobretudo no imunossuprimido.
Epidemiologia
É o segundo câncer de pele mais frequente e o segundo carcinoma queratinocítico mais frequente, depois do carcinoma basocelular.
A incidência anual estimada nos Estados Unidos ultrapassa um milhão de casos, com pelo menos 200.000 a 400.000 casos novos por ano segundo estimativas mais conservadoras, e mais de 3.000 mortes anuais atribuídas à doença.
O risco de desenvolver a doença ao longo da vida foi estimado em 9% a 14% nos homens e 4% a 9% nas mulheres.
Predomina em homens, com razão aproximada de 3 homens para cada 1 mulher, e em idosos.
Estudos europeus projetam aumento anual da incidência entre 2,4% e 5,7%.
Um estudo canadense documentou aumento de mais de 200% na incidência anual entre 1960 e 2000, em ambos os sexos.
Não há registro nacional padronizado da doença nos Estados Unidos, o que torna imprecisas as estimativas de incidência e mortalidade.
Os fototipos baixos (I e II) concentram a maior parte dos casos, com predileção por áreas fotoexpostas (cabeça, pescoço e dorso das mãos e antebraços).
Nas categorias autodeclaradas dos estudos norte-americanos, os casos ocorrem majoritariamente entre pessoas brancas, mas em pessoas negras o carcinoma espinocelular é o câncer de pele mais frequente e tem letalidade muito maior: mortalidade relatada de 18,4%, contra cerca de 4% na população geral, atribuída principalmente ao diagnóstico tardio.
Na pele negra, os tumores tendem a surgir em áreas não fotoexpostas ou em áreas de inflamação crônica, cicatriz e úlcera.
A distribuição anatômica difere por sexo: homens têm mais tumores em cabeça e pescoço e mulheres têm mais tumores em membros inferiores.
Entre todos os pacientes com carcinoma espinocelular, a taxa global de metástase é de aproximadamente 4% a 5% e a de mortalidade é de aproximadamente 3,5%.
Cerca de 3% dos pacientes desenvolvem metástase nodal.
Após um primeiro câncer de pele não melanoma, a probabilidade de um segundo em 5 anos é de 40,7% e em 10 anos de 59,6%; para quem já teve mais de um, essas probabilidades sobem para 82% e 91,2%.
Fatores de risco e doenças associadas
- Radiação ultravioleta cumulativa (exposição solar crônica, sobretudo na infância e na juventude, e câmaras de bronzeamento)
- Fototipos de Fitzpatrick I e II, olhos claros e história familiar de câncer de pele
- Idade avançada
- Sexo masculino (cerca de 3 homens para cada 1 mulher)
- Ceratose actínica e carcinoma espinocelular in situ preexistentes (lesões precursoras)
- História pessoal de carcinoma espinocelular prévio ou de tumor recidivado
Imunossupressão
- Grau e duração da imunossupressão aumentam proporcionalmente o risco
- Transplante de órgão sólido, com incidência 65 a 250 vezes maior que na população geral (coração e pulmão mais que fígado, mais que rim); o tumor é o câncer de pele mais comum nesse grupo e tem curso agressivo, com maior risco de recidiva locorregional e de metástase nodal; a sobrevida em 5 anos do imunossuprimido com doença metastática é de 50% a 83%
- Leucemia linfocítica crônica, que aumenta a incidência e a gravidade da doença, com mortalidade associada de 11,5%
- Infecção pelo HIV, com aumento de 2,6 vezes na incidência e maior risco de recidiva locorregional
Fármacos
- Azatioprina, micofenolato de mofetila, ciclosporina A e ciclofosfamida
- Inibidores do fator de necrose tumoral alfa e imunossupressão em pacientes com artrite reumatoide
- Voriconazol em uso prolongado, com relação dose-resposta em transplantados de pulmão e de medula
- Vemurafenibe e demais inibidores de BRAF, com carcinoma espinocelular em 19% a 26% dos tratados, frequentemente com aspecto verrucoso (a associação com inibidor de MEK reduz esse risco)
- Vismodegibe, com relato de aumento de até 8 vezes no risco (achado não reproduzido em estudos recentes)
- Ruxolitinibe e outros inibidores de Janus quinase
- Hidroclorotiazida
- Infecção pelo papilomavírus humano, sobretudo HPV-16 e HPV-18; HPV-16 é detectado em 74% dos carcinomas espinocelulares ungueais; os tipos beta 5, 8, 17, 20 e 38 aumentam o risco em imunocompetentes e os tipos 8, 9 e 15 são comuns em transplantados
- Ferida crônica que não cicatriza e cicatriz de queimadura (úlcera de Marjolin), com taxa de metástase de 25%
- Radiação ionizante e radiodermite, com curso mais agressivo, maior recidiva e taxa de metástase de 10% a 30%
- Arsênico (pesticidas, água de poço, preparações fitoterápicas asiáticas)
- Tabagismo
- Outros poluentes e exposições ocupacionais: radônio, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, militares, carteiros e agentes de segurança pública
- Lúpus eritematoso discoide hipertrófico e líquen plano hipertrófico
- Líquen escleroso genital de longa data
- Inflamação crônica e sítio de radioterapia prévia
Genodermatoses e síndromes genéticas
- Xeroderma pigmentoso
- Albinismo oculocutâneo
- Epidermólise bolhosa distrófica, na qual o carcinoma espinocelular é a principal causa de morte
- Epidermodisplasia verruciforme, com mais de 30% dos pacientes desenvolvendo carcinoma espinocelular (HPV-5 e HPV-8)
- Disceratose congênita
- Poroceratose linear (subtipo de maior risco de transformação)
- Síndrome KID (ceratite, ictiose e surdez)
- Síndrome de Rothmund-Thomson
- Síndrome de Werner
- Síndrome de Bloom
- Síndrome de Kindler
- Candidíase mucocutânea crônica
- Ceratose actínica e campo de cancerização (rastrear e tratar o campo, não só a lesão)
- Carcinoma basocelular e melanoma: após um carcinoma queratinocítico, o risco relativo de melanoma é de 1,99 nos homens e de 2,58 nas mulheres (3,62 após carcinoma espinocelular em outro estudo), o que obriga o rastreamento anual de pele completa
- Queilite actínica (precursora do carcinoma espinocelular de lábio)
- Síndrome de Muir-Torre (ceratoacantomas, sobretudo com diferenciação sebácea, e neoplasia visceral)
- Leucemia linfocítica crônica e outras neoplasias hematológicas
- Transplante de órgão sólido (o carcinoma espinocelular é o câncer de pele mais comum nesse grupo e obriga vigilância dermatológica periódica)
Patogênese
A radiação ultravioleta B é o principal agente carcinogênico: induz dímeros de timidina com mutações-assinatura (C para T e CC para TT).
A mutação mais frequente é a de TP53, o gene supressor tumoral mais alterado na doença, seguida de CDKN2A, RAS e NOTCH1; TP53 e RAS já estão presentes na ceratose actínica, o que caracteriza a lesão como precursora.
A perda de função de p53 impede a apoptose do queratinócito lesado pela radiação ultravioleta e permite a expansão clonal.
O sequenciamento mostra expansão clonal persistente em NOTCH1 e NOTCH2, CDKN2A, HRAS, TP53 e TGF-beta-R1, indicando que essas alterações são precoces.
Mutações em COL11A1 produzem colágeno com efeito dominante-negativo, desorganizam a matriz extracelular e facilitam a invasão através da membrana basal.
A carga mutacional do carcinoma espinocelular cutâneo é uma das mais altas de toda a oncologia, cerca de 5 vezes maior que a do câncer de pulmão e a do melanoma, o que explica a alta imunogenicidade e a boa resposta aos inibidores de checkpoint.
O conceito de campo de cancerização explica o surgimento de múltiplos tumores em pele cronicamente fotoexposta: o acúmulo de mutações ocorre em toda a área, não apenas na lesão visível.
O microambiente tumoral dos tumores avançados mostra aumento de TGF-beta, de interleucina 10 e de linfócitos T reguladores, além de redução de células dendríticas plasmocitoides, configurando um ambiente imunossupressor local que favorece a progressão.
A deleção da proteína FAT1 promove transição epitélio-mesênquima, aumenta a plasticidade tumoral e contribui para resistência a múltiplos fármacos e para o potencial metastático.
A imunossupressão retira a vigilância imunológica sobre o queratinócito transformado, o que explica a incidência muito aumentada e o comportamento agressivo no transplantado.
O papilomavírus humano atua como catalisador nas fases iniciais da carcinogênese: os oncogenes E6 e E7 (tipos 16 e 18) inativam vias supressoras, mas o vírus não permanece transcricionalmente ativo no tumor estabelecido.
Clínica
- Pápula, nódulo ou placa eritematosa, ceratótica e áspera ao tato, frequentemente com crosta, erosão ou ulceração central
- Superfície firme e indurada; a lesão pode ser dolorosa e sangrar ao trauma mínimo
- Crescimento em semanas a meses, mais rápido que o do carcinoma basocelular
- Topografia preferencial: cabeça e pescoço e face extensora (dorso) dos membros superiores, ou seja, áreas cronicamente fotoexpostas
- Pele adjacente com dano actínico: elastose, lentigos solares e múltiplas ceratoses actínicas (campo de cancerização)
- Sintomas neurológicos (dor, parestesia, anestesia ou paralisia local) sugerem invasão perineural e são sinal de alto risco
Ceratose actínica
- Pápula ou placa eritematosa, com escama aderente e áspera, em área de dano solar
- Representa o início do espectro, com atipia restrita à porção inferior da epiderme
- Risco de transformação em carcinoma espinocelular invasivo de 0,075% a 0,096% por lesão por ano
Carcinoma espinocelular in situ (doença de Bowen)
- Placa ou mácula eritematosa, hiperceratótica, de limites nítidos e crescimento lento
- Pode surgir em qualquer sítio, inclusive em áreas não fotoexpostas
- Pode evoluir de ceratose actínica ou surgir de novo
- Variantes: pigmentada, pagetoide e verrucosa
Eritroplasia de Queyrat
- Placa vermelho-viva, brilhante, aveludada e erosiva na glande ou na vulva (mucosa glabra)
- Corresponde a carcinoma espinocelular in situ de mucosa genital, associado a HPV de alto risco, com HPV-16 como causa principal
- Mais de 30% progridem para carcinoma espinocelular invasivo, o índice mais alto entre as lesões in situ genitais
Papulose bowenoide
- Múltiplas pápulas acastanhadas ou placas lisas em genitália, períneo e região perianal
- Histologicamente é lesão intraepitelial de alto grau ou carcinoma in situ, associada a HPV-16 e HPV-18
- Cerca de 2% progridem para carcinoma espinocelular invasivo
Ceratoacantoma
- Nódulo cupuliforme, de crescimento rápido em semanas, com cratera central preenchida por rolha ceratótica
- Involui espontaneamente ao longo de meses, exceto o ceratoacantoma subungueal, que não regride
- Variantes: solitário, múltiplo, gigante, intraoral, subungueal e ceratoacantoma centrífugo marginado (pode atingir vários centímetros)
- Síndrome de Ferguson-Smith: herança autossômica dominante, surgimento rápido de múltiplos ceratoacantomas na terceira década, em áreas fotoexpostas, com resolução espontânea
- Síndrome de Grzybowski: esporádica, milhares de ceratoacantomas miliariformes na vida adulta tardia, podendo acometer a via aérea, com cicatrizes, ectrópio e fácies em máscara
- Associa-se ainda à síndrome de Muir-Torre (ceratoacantomas clássicos ou com diferenciação sebácea), à imunossupressão e ao HPV
- É considerado subtipo bem diferenciado, de baixo potencial metastático
Carcinoma verrucoso
- Carcinoma espinocelular de baixo grau, localmente destrutivo, associado a HPV-6 e HPV-11
- Nódulo exo-endofítico grande, de crescimento lento, muitas vezes tratado por anos como verruga antes do diagnóstico
- Epitelioma cuniculatum: massa de crescimento lento na região plantar (HPV-2, HPV-11 e HPV-16)
- Tumor de Buschke-Löwenstein (condiloma gigante): tumoração exuberante, em couve-flor, anogenital, que infiltra profundamente
- Papilomatose oral florida: lesões orais difusas (HPV-6 e HPV-11; fatores de risco: tabagismo, radiação e inflamação)
- Baixo potencial metastático, mas grande morbidade local
Carcinoma espinocelular do lábio
- Acomete o vermelhão, sobretudo o lábio inferior, tipicamente sobre queilite actínica
- Sítio de alto risco, com maior taxa de metástase que o carcinoma espinocelular cutâneo comum
- O prognóstico do carcinoma espinocelular de mucosa oral é pior que o do lábio, que por sua vez é pior que o do carcinoma espinocelular cutâneo
- Carcinoma espinocelular oral: sítios mais acometidos são a borda lateral posterior da língua, depois o assoalho da boca e o palato mole
Carcinoma espinocelular periungueal e ungueal
- Lesão verrucosa, ceratótica, fissurada ou erosiva no leito ou na dobra ungueal, com onicólise ou distrofia da lâmina
- Fortemente associado ao HPV-16, detectado em 74% dos casos
- Frequentemente confundido e tratado por anos como verruga vulgar, o que atrasa o diagnóstico
Carcinoma espinocelular de novo
- Surge em pele sem ceratose actínica prévia nem dano actínico evidente
- Deve levantar suspeita de imunossupressão, inflamação crônica, cicatriz, radiodermite ou exposição a arsênico
Úlcera de Marjolin
- Carcinoma espinocelular que surge em úlcera crônica, ferida que não cicatriza ou cicatriz de queimadura
- Manifesta-se como área de crescimento exofítico, endurecimento ou de nova ulceração nas bordas da lesão crônica
- Comportamento agressivo, com taxa de metástase de 25%
Classificação
Espectro evolutivo
- Ceratose actínica (carcinoma espinocelular in situ incipiente; atipia restrita ao terço inferior da epiderme)
- Carcinoma espinocelular in situ ou doença de Bowen (atipia em toda a espessura da epiderme, sem invasão)
- Carcinoma espinocelular invasivo (ruptura da membrana basal e invasão dérmica)
Subtipos histológicos de alto risco
- Desmoplásico (metastatiza cerca de 6 vezes mais que as demais variantes)
- Pouco diferenciado ou indiferenciado
- Adenoide ou acantolítico
- Adenoescamoso (com produção de mucina), de alta recidiva e metástase
- Sarcomatoide, metaplásico ou carcinossarcomatoso
- Fusocelular
Subtipos histológicos de baixo risco
- Carcinoma verrucoso
- Ceratoacantoma
- Graduação de Broders: baseia-se na proporção de células indiferenciadas em relação às células diferenciadas do tumor, classificando de bem diferenciado a indiferenciado; a diferenciação é um dos quatro fatores de alto risco do sistema de Brigham and Women's Hospital
- Estadiamento AJCC (8ª edição), aplicável apenas a tumores de cabeça, pescoço e vermelhão do lábio, exige as três categorias TNM:
- T1: tumor menor que 2 cm no maior diâmetro
- T2: tumor maior ou igual a 2 cm e menor que 4 cm
- T3: tumor maior ou igual a 4 cm, ou erosão óssea mínima, ou invasão perineural (nervo de calibre maior ou igual a 0,1 mm, ou nervo abaixo da derme, ou nervo nomeado com acometimento clínico ou radiológico), ou invasão profunda (mais de 6 mm medidos da camada granulosa da epiderme normal adjacente até a base do tumor, ou invasão além da gordura subcutânea)
- T4a: invasão óssea cortical ou medular macroscópica
- T4b: invasão da base do crânio ou de forame da base do crânio
- N: de N0 (sem metástase nodal) a N3, graduado pelo tamanho do linfonodo, pela lateralidade e pela extensão extranodal
- M0: sem metástase a distância; M1: metástase a distância
- Estadiamento de Brigham and Women's Hospital, apenas categoria T, aplicável a qualquer sítio e de uso simples pelo dermatologista; quatro fatores de alto risco, cada um valendo 1 ponto: diâmetro maior ou igual a 2 cm, histologia pouco diferenciada, invasão perineural de nervo com calibre maior ou igual a 0,1 mm e invasão além da gordura subcutânea:
- T1: nenhum fator de risco
- T2a: um fator de risco
- T2b: dois a três fatores de risco
- T3: quatro fatores de risco ou invasão óssea (a invasão óssea eleva automaticamente para T3)
- Estratificação de risco do NCCN (guia a conduta terapêutica), com parâmetros clínicos e patológicos:
- Localização e tamanho: área L (tronco e membros, excluídos mãos, pés, unidades ungueais, pré-tíbia e tornozelos) é de alto risco se maior ou igual a 20 mm; área M (bochechas, fronte, couro cabeludo, pescoço e pré-tíbia) é de alto risco se maior ou igual a 10 mm; área H (face central, pálpebras, sobrancelhas, pele periorbitária, nariz, lábios, mento, mandíbula, pele e sulcos pré-auriculares e retroauriculares, têmpora, orelha, genitália, mãos e pés) é de alto risco independentemente do tamanho
- Bordas mal definidas, tumor recidivado, imunossupressão, sítio de radioterapia prévia ou de processo inflamatório crônico, crescimento rápido e sintomas neurológicos são critérios clínicos de alto risco
- Diferenciação pobre, subtipo histológico de alto risco, espessura maior ou igual a 2 mm ou nível de Clark IV ou V, e invasão perineural, linfática ou vascular são critérios patológicos de alto risco
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Complicações e cuidados
- Recidiva local
- Extensão subclínica assimétrica além do limite clinicamente visível
- Invasão perineural, com dor, parestesia, anestesia ou paralisia
- Invasão de fáscia, músculo, cartilagem e osso
- Metástase em trânsito e metástase linfonodal regional
- Metástase a distância
- Morte por progressão da doença
- Destruição local extensa e deformidade, sobretudo nos carcinomas verrucosos e nos tumores negligenciados
- Segundo câncer de pele (carcinoma basocelular, novo carcinoma espinocelular e melanoma)
- Rejeição do enxerto em transplantados tratados com inibidores de checkpoint
Prognóstico
A grande maioria dos casos é curada com cirurgia: mais de 95% dos pacientes têm cura com o tratamento cirúrgico do sítio primário.
A taxa global de metástase entre todos os pacientes é de aproximadamente 4% a 5% e a mortalidade global é de aproximadamente 3,5%.
Nos imunossuprimidos, sobretudo transplantados de órgão sólido, o risco de metástase é 2 a 3 vezes maior, e a sobrevida em 5 anos na doença metastática é de 50% a 83%.
Estratificação pela espessura (Breslow): espessura menor que 2 mm tem taxa de metástase praticamente nula; de 2,1 a 6,0 mm, cerca de 4%; e acima de 6,0 mm, cerca de 16%.
A extensão além da gordura subcutânea associa-se a 28% de recidiva local e a 27% de metástase nodal, e é o fator com maior risco de recidiva local e de morte específica pela doença.
A invasão perineural é o fator com maior risco de metástase a distância; quando é clinicamente ou radiologicamente evidente, o prognóstico é pior do que quando é achado incidental de biópsia.
Estádios altos (Brigham and Women's Hospital T2b e T3) têm risco de metástase nodal superior a 20% e chegam a 30% ou mais de metástase; T2b tem taxa de metástase de cerca de 35% e mortalidade de cerca de 20%.
Apenas 5% dos tumores são T2b, mas concentram 72% das metástases nodais e 83% das mortes pela doença.
Fatores associados a maior risco de metástase: imunossupressão, localização no lábio ou na orelha, diâmetro maior que 2 cm, espessura maior que 2 mm, extensão além da gordura subcutânea, tumor em queimadura ou cicatriz (úlcera de Marjolin), invasão perineural de nervo com calibre maior ou igual a 0,1 mm e histologia pouco diferenciada.
Subtipos histológicos: o desmoplásico metastatiza cerca de 6 vezes mais que as demais variantes e o adenoescamoso tem altas taxas de recidiva e metástase; o carcinoma verrucoso e o ceratoacantoma são bem diferenciados e de baixo potencial metastático.
As metástases linfonodais de carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço têm alta taxa de cura quando identificadas e tratadas precocemente.
O carcinoma espinocelular de mucosa oral tem prognóstico pior que o de lábio, que por sua vez tem prognóstico pior que o carcinoma espinocelular cutâneo comum.
Em pessoas negras a mortalidade é muito maior (18,4%), principalmente pelo diagnóstico tardio.
Seguimento: rastreamento dermatológico de corpo inteiro para novos cânceres de pele (carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma) pelo menos uma vez por ano, com frequência ajustada ao risco individual; exame clínico das cadeias linfonodais regionais nos tumores de alto risco; orientação de autoexame e de fotoproteção.
Após um primeiro câncer de pele não melanoma, a chance de outro em 5 anos é de 40,7% e em 10 anos de 59,6%; em quem já teve mais de um, sobe para 82% em 5 anos e 91,2% em 10 anos.
Pérola clínica Assinante
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Referências
- Guidelines of care for the management of cutaneous squamous cell carcinoma. Journal of the American Academy of Dermatology. 2018.
- Cutaneous squamous cell carcinoma: an updated review. Cancers. 2024.
- PD-1 blockade with cemiplimab in advanced cutaneous squamous-cell carcinoma. The New England Journal of Medicine. 2018.
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