Ceratose liquenoide benigna
Conceito
A ceratose liquenoide benigna é uma lesão cutânea benigna caracterizada por reação inflamatória liquenoide sobre uma lesão epidérmica preexistente.
Na maioria dos casos, representa regressão inflamatória de lentigo solar, ceratose seborreica ou ceratose actínica.
Apesar de benigna, é importante na prática porque pode simular neoplasias cutâneas, especialmente carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular, ceratose actínica, doença de Bowen e melanoma em regressão.
O diagnóstico deve integrar clínica, dermatoscopia e histopatologia, principalmente em lesões pigmentadas, assimétricas ou com sinais de regressão.
Epidemiologia
A ceratose liquenoide benigna acomete principalmente adultos de meia idade e idosos.
A maior parte dos casos ocorre entre 35 e 65 anos, com predomínio em mulheres.
Em grande série clinicopatológica, a média de idade foi próxima de 60 anos e houve predomínio feminino.
A maioria das lesões é solitária.
Lesões múltiplas podem ocorrer, mas são menos comuns. Quando numerosas, deve se considerar também líquen plano ou outras dermatoses liquenoides.
Acomete principalmente áreas com dano solar crônico, especialmente tronco e extremidades.
Fatores de risco
- Os principais fatores associados são idade adulta ou avançada, dano solar crônico e presença prévia de lesão epidérmica, como lentigo solar, ceratose seborreica ou ceratose actínica.
- A lesão costuma surgir em áreas fotoexpostas ou com dano solar acumulado, como tronco, extremidades, antebraços, região superior do tórax e pernas.
Doenças associadas
- A ceratose liquenoide benigna costuma estar associada à regressão imunomediada de lesão epidérmica preexistente.
- Os precursores mais importantes são lentigo solar, ceratose seborreica e ceratose actínica.
- Quando há remanescente periférico dessas lesões, o achado apoia a interpretação de processo inflamatório regressivo.
Patogênese
A ceratose liquenoide benigna parece representar uma regressão imunomediada da lesão epidérmica original.
O infiltrado inflamatório liquenoide promove dano na interface dermoepidérmica, apoptose de queratinócitos e regressão parcial ou completa da lesão inicial.
Remanescentes periféricos de lentigo solar, ceratose seborreica ou ceratose actínica ajudam a reconhecer a natureza regressiva do processo.
Clínica
- A apresentação típica é uma pápula ou pequena placa solitária, rósea, eritematosa, violácea, castanho avermelhada ou hiperpigmentada.
- O tamanho costuma variar de poucos milímetros até cerca de 2 cm. Muitas lesões medem entre 0,5 e 1,5 cm.
- A superfície pode ser lisa, descamativa, ceratótica ou discretamente verrucosa.
- A lesão pode surgir de forma relativamente rápida e ser assintomática ou levemente pruriginosa.
- Os locais mais comuns são tronco e extremidades, especialmente em áreas com dano solar. Também pode ocorrer em antebraços, região superior do tórax, pernas e outros sítios fotoexpostos.
- A cor e o aspecto clínico variam conforme a fase evolutiva. Lesões recentes tendem a ser eritematosas. Lesões subagudas podem ser eritematosas ou violáceas. Lesões antigas ou regredidas podem se apresentar como máculas hiperpigmentadas, às vezes irregulares.
- Clinicamente, a ceratose liquenoide benigna é frequentemente confundida com carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular, ceratose actínica, doença de Bowen, ceratose seborreica inflamada ou melanoma.
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Complicações e cuidados
- A ceratose liquenoide benigna não tem como principal risco a transformação maligna.
- O principal risco prático é erro diagnóstico, especialmente com carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular, ceratose actínica, doença de Bowen, nevo melanocítico inflamado e melanoma em regressão.
- Lesões pigmentadas, assimétricas ou com regressão extensa podem levar a atraso diagnóstico de melanoma se forem interpretadas de forma apressada como ceratose liquenoide benigna.
Prognóstico
A ceratose liquenoide benigna é uma lesão benigna.
Quando o diagnóstico é bem estabelecido e não há suspeita residual de neoplasia, o prognóstico é excelente.
A lesão pode regredir espontaneamente ou ser completamente removida no procedimento diagnóstico.
O acompanhamento depende do grau de certeza diagnóstica e da exclusão adequada de neoplasias simuladoras.
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Referências
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