A ceratose liquenoide benigna é a regressão inflamatória de uma lesão epidérmica preexistente, na maioria das vezes um lentigo solar ou uma ceratose seborreica, e por vezes uma ceratose actínica.
Trata-se de lesão preexistente sendo destruída por um infiltrado linfocitário liquenoide, mediado imunologicamente, e não de neoplasia nova.
O processo de involução faz a lesão imitar malignidade: ela muda de cor, fica rósea ou acinzentada, torna-se assimétrica e ganha os sinais dermatoscópicos de regressão, que são os mesmos do melanoma em regressão.
Por isso a ceratose liquenoide benigna quase nunca é diagnosticada clinicamente: cerca de 2% de todas as biópsias cutâneas correspondem a ela, e em aproximadamente 90% dos casos a impressão clínica que motivou a biópsia era de carcinoma queratinocítico.
A lesão é benigna, não tem potencial de transformação e não exige tratamento em si.
O risco prático está no erro diagnóstico nos dois sentidos: destruir às cegas o que era melanoma em regressão, ou rotular como melanoma o que era ceratose liquenoide.
A lesão suspeita deve ser removida por biópsia excisional adequada, e não destruída por crioterapia, shave superficial ou laser.
Cerca de 85% dos casos ocorrem entre os 35 e os 65 anos de idade.
Mais frequente em mulheres do que em homens.
Corresponde a aproximadamente 2% de todas as biópsias cutâneas em uma grande casuística norte-americana.
Em série de lesões biopsiadas, os pacientes tinham em média 65 anos, a maioria era do sexo feminino (61,2%) e branca (89,4%).
As lesões biopsiadas ocorreram predominantemente sobre pele com dano solar crônico (69,6%) e no tronco (52,1%).
A maioria das lesões biopsiadas era não pigmentada (61,7%) e plana (58,6%).
Fatores de risco e doenças associadas
Trata-se de involução imunologicamente mediada de uma lesão epidérmica precursora: lentigo solar, ceratose seborreica ou ceratose actínica.
Um infiltrado linfocitário em faixa ataca a interface dermoepidérmica, produzindo apoptose de queratinócitos (corpos coloides ou corpos de Civatte) e incontinência pigmentar.
A liberação de melanina para a derme e sua captação por melanófagos é o que gera, clinicamente, a cor acinzentada e, na dermatoscopia, o padrão granular ("peppering").
Por isso a lesão em regressão é indistinguível, à primeira vista, de um melanoma em regressão, que produz exatamente os mesmos fenômenos.
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Lesão benigna, sem risco de transformação maligna.
O prognóstico é excelente e a lesão em geral já foi removida pelo próprio procedimento diagnóstico.
Não há necessidade de tratamento nem de seguimento específico da lesão.
O risco residual do paciente é o do erro diagnóstico e o do dano actínico de base, que justifica fotoproteção e vigilância cutânea periódica.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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