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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Ceratose liquenoide benigna

benignaepiderme e derme(Ceratose liquenoide, Ceratose tipo líquen plano, Lichen planus-like keratosis, Benign lichenoid keratosis, LPLK, BLK)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Conceito

A ceratose liquenoide benigna é a regressão inflamatória de uma lesão epidérmica preexistente, na maioria das vezes um lentigo solar ou uma ceratose seborreica, e por vezes uma ceratose actínica.

Trata-se de lesão preexistente sendo destruída por um infiltrado linfocitário liquenoide, mediado imunologicamente, e não de neoplasia nova.

O processo de involução faz a lesão imitar malignidade: ela muda de cor, fica rósea ou acinzentada, torna-se assimétrica e ganha os sinais dermatoscópicos de regressão, que são os mesmos do melanoma em regressão.

Por isso a ceratose liquenoide benigna quase nunca é diagnosticada clinicamente: cerca de 2% de todas as biópsias cutâneas correspondem a ela, e em aproximadamente 90% dos casos a impressão clínica que motivou a biópsia era de carcinoma queratinocítico.

A lesão é benigna, não tem potencial de transformação e não exige tratamento em si.

O risco prático está no erro diagnóstico nos dois sentidos: destruir às cegas o que era melanoma em regressão, ou rotular como melanoma o que era ceratose liquenoide.

A lesão suspeita deve ser removida por biópsia excisional adequada, e não destruída por crioterapia, shave superficial ou laser.

Epidemiologia

Cerca de 85% dos casos ocorrem entre os 35 e os 65 anos de idade.

Mais frequente em mulheres do que em homens.

Corresponde a aproximadamente 2% de todas as biópsias cutâneas em uma grande casuística norte-americana.

Em série de lesões biopsiadas, os pacientes tinham em média 65 anos, a maioria era do sexo feminino (61,2%) e branca (89,4%).

As lesões biopsiadas ocorreram predominantemente sobre pele com dano solar crônico (69,6%) e no tronco (52,1%).

A maioria das lesões biopsiadas era não pigmentada (61,7%) e plana (58,6%).

Fatores de risco e doenças associadas

  • Dano solar crônico e fotoenvelhecimento
  • Idade entre a quarta e a sétima décadas
  • Sexo feminino
  • Lentigo solar (lesão precursora mais comum)
  • Ceratose seborreica (lesão precursora)
  • Ceratose actínica (lesão precursora)

Patogênese

Trata-se de involução imunologicamente mediada de uma lesão epidérmica precursora: lentigo solar, ceratose seborreica ou ceratose actínica.

Um infiltrado linfocitário em faixa ataca a interface dermoepidérmica, produzindo apoptose de queratinócitos (corpos coloides ou corpos de Civatte) e incontinência pigmentar.

A liberação de melanina para a derme e sua captação por melanófagos é o que gera, clinicamente, a cor acinzentada e, na dermatoscopia, o padrão granular ("peppering").

Por isso a lesão em regressão é indistinguível, à primeira vista, de um melanoma em regressão, que produz exatamente os mesmos fenômenos.

Clínica

  • Lesão solitária, o que já a separa do líquen plano, que é múltiplo
  • Pápula ou pequena placa, rósea, eritematosa, castanho-avermelhada, violácea ou hiperpigmentada
  • Tamanho habitual de 0,5 a 1,5 cm, podendo chegar a cerca de 2 cm
  • Superfície descamativa ou ceratótica, lisa ou discretamente verrucosa
  • Instalação relativamente rápida; assintomática ou levemente pruriginosa
  • Sítios mais comuns: antebraço e tórax superior, seguidos das pernas (em mulheres) e de outras áreas fotoexpostas; nas séries de lesões biopsiadas, o tronco predominou
  • Surge sobre pele com sinais de fotodano (telangiectasias e lentigos ao redor)

Fase inicial ou recente

  • Lesão eritematosa ou rósea, muitas vezes não pigmentada, confundida com carcinoma basocelular superficial ou doença de Bowen

Fase subaguda

  • Lesão eritematosa a violácea, descamativa

Fase tardia, atrófica ou regredida

  • Mácula hiperpigmentada, por vezes de contorno irregular; é a apresentação que mais simula melanoma em regressão

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Complicações e cuidados

  • Erro diagnóstico com atraso no diagnóstico de melanoma em regressão (cerca de 1% dos casos rotulados como ceratose liquenoide benigna revelam melanoma in situ em cortes profundos)
  • Erro diagnóstico com atraso no diagnóstico de carcinoma basocelular (5% dos casos em cortes seriados de blocos consecutivos)
  • Diagnóstico histopatológico equivocado de micose fungoide na variante com linfócitos atípicos
  • Destruição da lesão por crioterapia, shave ou laser antes do diagnóstico, com perda definitiva do material para exame
  • Hiperpigmentação pós-inflamatória residual, sobretudo em fototipos altos
  • Cicatriz decorrente da excisão

Prognóstico

Lesão benigna, sem risco de transformação maligna.

O prognóstico é excelente e a lesão em geral já foi removida pelo próprio procedimento diagnóstico.

Não há necessidade de tratamento nem de seguimento específico da lesão.

O risco residual do paciente é o do erro diagnóstico e o do dano actínico de base, que justifica fotoproteção e vigilância cutânea periódica.

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Referências

  1. Clinical and dermoscopic features associated with lichen planus-like keratoses that undergo skin biopsy: a single-centre, observational study. Australasian Journal of Dermatology. 2019.
  2. Benign lichenoid keratosis: a clinical and pathologic reappraisal of 1040 cases. American Journal of Dermatopathology. 2005.

Achados (clique para explorar)

pápulalesão eritematoacastanhadalesão hipercrômicaescamalesão em placa únicatroncoáreas fotoexpostaslesão assintomática

Veja também

Proliferações epidérmicasProliferações melanocíticas
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