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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Ceratose liquenoide crônica

Padrão inflamatório(Doença de Nekam, Keratosis lichenoides chronica)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em junho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

A ceratose liquenoide crônica, também chamada doença de Nekam, é uma dermatose inflamatória rara, de curso crônico e geralmente prolongado.

Tem semelhanças clínicas e histopatológicas com outras dermatoses liquenoides, especialmente o líquen plano, mas é entidade clínico-patológica própria quando o padrão clínico é típico.

O diagnóstico não pode ser feito apenas pela presença de dermatite liquenoide na biópsia: a correlação clínico-patológica é essencial.

O padrão mais característico combina pápulas ceratóticas, frequentemente violáceas ou eritemato-violáceas, com tendência a coalescer em arranjos lineares, arciformes ou reticulados, e placas faciais de aspecto sebopsoriasiforme.

Epidemiologia

A ceratose liquenoide crônica é extremamente rara.

Acomete adultos e crianças: embora seja classicamente descrita em adultos, os casos pediátricos representam parcela relevante dos relatos publicados.

Há discreto predomínio masculino nas séries compiladas.

O diagnóstico costuma ser tardio, muitas vezes após anos de evolução, pela raridade da doença e pela semelhança com outras dermatoses liquenoides, papuloescamosas ou foliculocêntricas.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Etiologia desconhecida, sem fator de risco nem mecanismo patogênico bem estabelecido
  • Associações descritas apenas em relatos isolados, sem causalidade comprovada de forma consistente: doenças hematológicas, distúrbios tireoidianos, doenças hepáticas, doenças cardiovasculares, infecções, trauma mecânico e exposição a medicamentos
  • Ceratodermia palmoplantar
  • Alterações ungueais
  • Acometimento oral: úlceras recorrentes, gengivoestomatite e outras lesões mucosas
  • Acometimento genital: pápulas ceratóticas no pênis ou escroto, balanite crônica e fimose
  • Acometimento ocular: blefarite, conjuntivite, ceratoconjuntivite, uveíte anterior e iridociclite
  • Acometimento do couro cabeludo, com alopecia; alopecia cicatricial franca deve levantar diagnósticos diferenciais como líquen planopilar ou lúpus eritematoso

Patogênese

A patogênese é desconhecida.

A doença parece envolver reação inflamatória liquenoide crônica, com dano de interface e resposta inflamatória epidérmica, folicular ou acrossiringial em alguns casos.

A ausência de mecanismo específico estabelecido reforça a necessidade de correlação clínico-patológica e de exclusão das dermatoses mais comuns que simulam o quadro.

Clínica

  • Erupção crônica, geralmente simétrica, de pápulas e placas espessas, ásperas, descamativas e ceratóticas
  • Acometimento principal de membros superiores, membros inferiores e tronco
  • Disposição linear, arciforme ou reticulada, uma das principais pistas clínicas, resultante da coalescência das pápulas
  • Pápulas violáceas, eritemato-violáceas, eritematosas ou hiperpigmentadas, conforme fototipo, localização e fase da lesão
  • Algumas lesões com centro atrófico, pequenas erosões, crostas ou tampões córneos, às vezes com aspecto comedoniano

Face frequentemente acometida

  • Placas eritematosas, infiltradas, descamativas ou hiperceratóticas nas áreas convexas, que lembram dermatite seborreica, sebopsoríase ou rosácea
  • Ao contrário da dermatite seborreica, as lesões faciais tendem a ser mais papulosas ou infiltradas, com escama ceratótica variável, e podem poupar as pregas nasolabiais
  • Prurido variável: ausente, leve ou persistente
  • Regiões acras podem ser particularmente acometidas

Outros sítios

  • Ceratodermia palmoplantar
  • Distrofia ungueal, alteração de cor das unhas, estrias, espessamento da lâmina e hiperceratose subungueal
  • Úlceras orais recorrentes e gengivoestomatite
  • Pápulas ceratóticas genitais, balanite crônica e fimose
  • Blefarite, conjuntivite, uveíte e iridociclite
  • Alopecia

Classificação

  • Entidade clínico-patológica própria, dentro do espectro das dermatoses liquenoides raras
  • Reconhecida pelo conjunto de pápulas ceratóticas crônicas, arranjo linear, arciforme ou reticulado, acometimento de tronco e extremidades e placas faciais sebopsoriasiformes
  • Não deve ser classificada apenas pelo padrão histológico liquenoide: muitos casos historicamente descritos provavelmente correspondiam a líquen plano, líquen simples crônico, lúpus eritematoso, psoríase, pitiríase rubra pilar, pitiríase liquenoide ou micose fungoide

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Complicações e cuidados

  • Curso crônico prolongado, com prurido persistente, impacto estético e atraso diagnóstico
  • Ceratodermia palmoplantar
  • Alterações ungueais
  • Lesões orais
  • Lesões genitais, balanite crônica e fimose
  • Blefarite, conjuntivite, uveíte e iridociclite
  • Alopecia; a alopecia cicatricial franca levanta a possibilidade de líquen planopilar ou lúpus eritematoso
  • Erro diagnóstico com dermatoses mais comuns ou potencialmente graves, como micose fungoide, lúpus eritematoso ou líquen plano hipertrófico

Prognóstico

O curso costuma ser crônico, protraído e persistente, e o diagnóstico pode demorar anos.

A resolução completa é incomum, mas pode haver melhora parcial ou completa em alguns pacientes, sobretudo com retinoides sistêmicos, fototerapia ou a combinação das duas estratégias.

A resposta terapêutica é variável e a recidiva pode ocorrer.

O acompanhamento monitora extensão cutânea, sintomas, resposta ao tratamento, acometimento ocular, mucoso, genital e ungueal, e eventuais doenças associadas.

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Referências

  1. Keratosis lichenoides chronica: proposal of a concept. Am J Dermatopathol. 2006.
  2. Keratosis lichenoides chronica: Case based review of treatment options. J Dermatolog Treat. 2016.
  3. Queratose liquenoide crônica: relato de caso. An Bras Dermatol. 2011.

Achados (clique para explorar)

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