O cisto epidermoide é o cisto cutâneo mais comum.
Corresponde a uma cavidade situada na derme, revestida por epitélio escamoso estratificado semelhante ao da epiderme e preenchida por lamelas de queratina.
A parede deriva do epitélio do infundíbulo folicular, e é por isso que o termo cisto sebáceo é incorreto e deve ser desencorajado: não existe diferenciação sebácea na parede do cisto, e o conteúdo é queratina, não sebo.
Os nomes adequados são cisto epidermoide, cisto de inclusão epidérmica, cisto epidérmico, cisto infundibular e cisto de queratina.
É uma proliferação cística benigna, de crescimento lento, que pode permanecer estável por anos.
A maioria é assintomática e não precisa ser tratada.
Duas situações mudam a conduta: a ruptura da parede, que desencadeia reação inflamatória de corpo estranho contra a queratina e simula abscesso, e a presença de cistos múltiplos, precoces ou em topografia atípica, que transforma a lesão em marcador cutâneo de síndrome de Gardner e obriga a investigar polipose intestinal.
É o cisto cutâneo mais frequente e surge em qualquer parte do corpo.
Predomina em homens, com proporção aproximada de 2 homens para 1 mulher, e a maior parte dos casos aparece entre a terceira e a quarta décadas de vida.
Em série de 217 casos avaliados por punção aspirativa, a idade variou de 2 a 78 anos, com média de 36 anos, pico entre 21 e 30 anos e proporção de 1,6 homem para cada mulher.
Nessa mesma série, a cabeça e o pescoço concentraram 62,2% dos casos, seguidos por dorso (10,1%), membros inferiores (9,6%) e membros superiores (5,07%).
O diâmetro médio foi de 2,3 cm, variando de 0,5 cm a 10 cm.
É raro antes da puberdade, e o aparecimento nessa faixa etária ou em locais incomuns levanta a suspeita de síndrome genética.
No período neonatal, a forma diminuta do cisto epidermoide é o milium, presente em cerca de metade dos recém-nascidos.
Idosos com dano actínico crônico têm maior probabilidade de desenvolver cistos epidermoides.
A transformação maligna ocorre em menos de 1% dos casos, mais frequentemente em carcinoma espinocelular e, em seguida, em carcinoma basocelular.
Fatores de risco e doenças associadas
O cisto epidermoide primário origina-se diretamente do infundíbulo folicular: a oclusão do óstio folicular aprisiona a queratina produzida pelo epitélio infundibular e a cavidade se expande progressivamente.
Como a cavidade mantém comunicação com a superfície por esse óstio, forma-se o ponto central escurecido (punctum), tampão de queratina que ancora o cisto à epiderme suprajacente.
Pacientes com acne vulgar têm maior taxa de ruptura folicular e de obstrução do óstio, e podem desenvolver cistos epidermoides a partir de comedões preexistentes.
O cisto epidermoide secundário, ou cisto de inclusão epidérmica propriamente dito, resulta da implantação de epitélio folicular ou epidérmico na derme após trauma penetrante ou cirurgia, o que explica o aparecimento em áreas sem folículos pilosos, como palmas, plantas e polpas digitais.
A exposição crônica à radiação ultravioleta e a infecção pelo papilomavírus humano também foram implicadas na formação dos cistos.
O evento crítico da história natural é a ruptura da parede: a queratina extravasa para a derme, é reconhecida como corpo estranho e desencadeia reação granulomatosa supurativa, com células gigantes multinucleadas do tipo corpo estranho e neutrófilos.
Esse quadro é inflamatório, e não necessariamente infeccioso, embora possa haver contaminação secundária pela flora cutânea, sobretudo Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis.
Na síndrome de Gardner, a mutação autossômica dominante do gene APC (regulador da beta-catenina) produz cistos epidermoides múltiplos, com frequência híbridos e com áreas de diferenciação pilomatricial.
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O prognóstico é excelente após a excisão completa do conteúdo e da parede cística.
A recidiva é a complicação mais frequente na prática e decorre quase sempre de remoção incompleta da cápsula.
Lesões negligenciadas e cistos rompidos exigem tratamento mais prolongado e deixam sequela estética maior.
A transformação maligna é rara, ocorrendo em menos de 1% dos casos.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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