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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Cisto mucoso digital

benignaderme(Cisto mixoide, Pseudocisto mucoso digital, Cisto sinovial digital, Cisto mucoide digital)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

Pseudocisto benigno dos dedos, situado na face dorsal ou lateral da articulação interfalângica distal ou sobre a prega ungueal proximal.

Não é um cisto verdadeiro: não tem revestimento epitelial nem parede própria. Forma-se por herniação da cápsula articular, e o revestimento é constituído por fibroblastos cercados de tecido conjuntivo comprimido.

A comunicação com o espaço articular interfalângico distal e a osteoartrose dessa articulação (com osteófitos e aumento do líquido sinovial) são o que sustenta a lesão e o que explica a recidiva quando o tratamento não trata o pedículo nem o osteófito.

Quando comprime a matriz ungueal, produz um sulco longitudinal na lâmina, que pode preceder o aparecimento do cisto em até 6 meses.

Epidemiologia

É o tumor ungueal mais comum.

Idade média de 60,5 anos (variação de 13 a 89 anos) em revisão sistemática de 1.364 lesões; predomina entre 50 e 70 anos.

Predomínio feminino: 31,8% dos pacientes eram do sexo masculino nessa revisão (em outras séries, cerca de 47%).

Localização: 94% nas mãos e 6% nos pés; 61% à direita e 39% à esquerda.

Nos dedos da mão: terceiro dedo em 38%, segundo em 26%, polegar em 18%, quarto em 9% e quinto em 8%.

A prevalência de cisto mucoso entre os portadores de osteoartrose varia de 64% a 93%.

Tempo médio entre o início dos sintomas e a procura por tratamento: 13 meses.

Cisto mucoso subungueal e lesões múltiplas são raros.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Osteoartrose da articulação interfalângica distal (nódulos de Heberden)
  • Osteófito na articulação interfalângica distal
  • Idade acima de 50 anos
  • Sexo feminino
  • Trauma prévio no dedo (minoria dos casos)
  • Osteoartrose da articulação interfalângica distal
  • Osteófito articular
  • Nódulos de Heberden

Patogênese

Herniação da cápsula articular da interfalângica distal, com formação de pseudocisto contendo estroma mixomatoso e fibroblastos esparsos, sem revestimento epitelial.

A comunicação entre o cisto e o espaço articular adjacente foi demonstrada.

As alterações degenerativas da cápsula fibrosa e do tecido sinovial, o desenvolvimento de osteófitos e o aumento do líquido sinovial na osteoartrose contribuem para a formação do cisto: é o pedículo articular que realimenta a lesão.

Degeneração mucoide do tecido conjuntivo, com acúmulo de mucina (mucopolissacarídeos ácidos, corados pelo azul de Alcian).

O acúmulo de mucina comprime a derme suprajacente, achata o plexo vascular e adelgaça a epiderme, o que explica o padrão dermatoscópico da lesão.

História de trauma existe em uma minoria dos casos.

Clínica

  • Nódulo ou pápula solitária, arredondada a oval, cupuliforme, firme a flutuante, de 1 a 10 mm (habitualmente 3 a 10 mm).
  • Superfície translúcida: a pele que recobre varia de muito fina a moderadamente espessa; o conteúdo é líquido viscoso e gelatinoso, claro ou amarelado.
  • Pode surgir de forma súbita ou desenvolver-se ao longo de meses.
  • Sulco (goteira) longitudinal na lâmina ungueal, distal à lesão, quando o cisto comprime a matriz; o sulco pode preceder a manifestação clínica do cisto em até 6 meses.
  • Muitas vezes assintomático; quando sintomático, associa-se a dor, sensibilidade, redução da amplitude de movimento da articulação, deformidade ungueal e drenagem espontânea periódica de conteúdo gelatinoso.
  • Sintomas mais relatados antes do tratamento: dor, osteoartrose e deformidade ungueal.
  • Regressão espontânea é possível, mas rara; a maioria dos casos precisa de tratamento.

Dois tipos, conforme a topografia

  • tipo mixomatoso (superficial): situa-se junto à prega ungueal proximal, tende a ser flutuante e assemelha-se à mucinose focal
  • tipo ganglionar (profundo): situa-se no dorso do dedo, junto à articulação interfalângica distal, e é análogo ao gânglio sinovial

Classificação

  • Tipo mixomatoso (superficial): junto à prega ungueal proximal; assemelha-se à mucinose focal
  • Tipo ganglionar (profundo): no dorso do dedo, sobre a articulação interfalângica distal; análogo ao gânglio sinovial

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Complicações e cuidados

  • Recidiva (a lesão é altamente recidivante quando o pedículo articular não é tratado)
  • Sulco ungueal longitudinal e deformidade da lâmina por compressão da matriz
  • Drenagem espontânea recorrente de material gelatinoso
  • Redução da amplitude de movimento e rigidez articular
  • Após cirurgia: rigidez articular, deformidade ungueal, sangramento, infecção, dor e sensibilidade, lesão de tendão
  • Após escleroterapia: dor, necrose superficial, rigidez articular, inflamação e eritema
  • Após criocirurgia: dor, desconforto e bolha hemorrágica
  • Após infiltração de corticoide: infecção e rigidez
  • Após laser de CO2 e coagulação com infravermelho: cicatriz, dor, eritema, bolha e infecção

Prognóstico

Lesão benigna, sem potencial maligno.

Altamente recidivante: a taxa de cura global de todas as técnicas somadas é de 83%, e nenhum tratamento tem sucesso consistente.

A cirurgia com tratamento do osteófito atinge cura de até 98%, com o menor número de recidivas.

A regressão espontânea existe, mas é rara, e a maioria dos pacientes precisa de tratamento.

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Referências

  1. Management of digital mucous cysts: a systematic review and treatment algorithm. International Journal of Dermatology. 2017.
  2. Dermatoscopic pattern of digital mucous cyst: report of three cases. Dermatology Practical and Conceptual. 2014.
  3. Images in clinical medicine. Digital mucous cyst. New England Journal of Medicine. 2012.
  4. Ganglion of the distal interphalangeal joint (myxoid cyst): therapy by identification and repair of the leak of joint fluid. Archives of Dermatology. 2001.
  5. Skin excision and osteophyte removal is not required in the surgical treatment of digital myxoid cysts. Archives of Dermatology. 2005.
  6. Treatment of 63 subjects with digital mucous cysts with percutaneous sclerotherapy using polidocanol. Dermatologic Surgery. 2016.
  7. Digital mucoid cyst: the ganglion type. International Journal of Dermatology. 1999.

Achados (clique para explorar)

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