O cisto triquilemal, também chamado cisto pilar, é uma cavidade dérmica benigna revestida por epitélio escamoso estratificado derivado da bainha radicular externa do folículo piloso, na altura do istmo, entre a glândula sebácea e o músculo eretor do pelo.
É o segundo cisto cutâneo mais frequente e o cisto mais comum do couro cabeludo, onde se localizam cerca de 90% dos casos.
O conteúdo é queratina densa, produzida por queratinização triquilemal, isto é, sem camada granulosa interposta.
Uma parcela dos pacientes tem herança autossômica dominante, com lesões múltiplas e início mais precoce.
Do ponto de vista prático, é lesão benigna, de crescimento lento, que não precisa ser tratada quando assintomática, e é bem encapsulada, o que permite a enucleação com o cisto íntegro.
Nódulo de couro cabeludo que cresce rápido, ulcera ou se torna volumoso pode ser um tumor triquilemal proliferante, com potencial de malignização. Biopsiar, em vez de enuclear às cegas.
Na nomenclatura da dermatopatologia, o nome mais preciso é cisto ístmico-catagênico, porque a diferenciação da parede reproduz o istmo folicular ou a porção inferior do folículo em catágeno, e não o triquilema verdadeiro (a bainha externa pálida e rica em glicogênio do folículo anágeno).
Ocorre em menos de 10% da população.
É o cisto mais comum do couro cabeludo e o segundo cisto cutâneo mais frequente, depois do cisto epidermoide.
Cerca de 90% das lesões estão no couro cabeludo.
São múltiplos em aproximadamente 70% dos casos.
Predomina em mulheres e afeta sobretudo indivíduos jovens.
Não há predileção descrita por fototipo.
Um subgrupo tem herança autossômica dominante: nesses pacientes as lesões costumam ser múltiplas e surgir mais cedo, e a história familiar é positiva.
O tumor triquilemal proliferante ocorre em menos de 3% dos cistos triquilemais e afeta tipicamente mulheres idosas, também com predomínio no couro cabeludo (90%).
Fatores de risco e doenças associadas
O cisto origina-se do epitélio folicular situado entre a glândula sebácea e a inserção do músculo eretor do pelo, ou seja, o istmo, cuja bainha radicular externa é a matriz da parede cística.
Esse epitélio queratiniza de modo triquilemal: a transição de células nucleadas para células anucleadas é abrupta e não passa por camada granulosa, o que produz uma queratina compacta e eosinofílica, diferente da queratina laminada e frouxa do cisto epidermoide.
A queratina e seus produtos de degradação se acumulam na cavidade e o cisto cresce muito lentamente, levando anos para atingir grandes dimensões.
A alta densidade de folículos pilosos do couro cabeludo explica a topografia preferencial.
A calcificação do conteúdo é frequente e decorre da própria degeneração da queratina retida.
Quando a parede se rompe, o conteúdo extravasa para a derme e desencadeia reação inflamatória de corpo estranho contra a queratina, com dor local.
O tumor triquilemal proliferante deriva da mesma bainha radicular externa e pode surgir de um cisto triquilemal preexistente, em geral após trauma ou inflamação da lesão.
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Conteúdo para assinantes. Assinar →
O prognóstico do cisto triquilemal é bom, mesmo quando há complicações.
A remoção completa da cápsula é curativa; a remoção incompleta leva a recidiva com alta frequência.
O tumor triquilemal proliferante é benigno na maioria dos casos e evolui bem após a excisão completa, mas pode recidivar localmente, invadir tecidos adjacentes e, raramente, dar metástases a distância, inclusive anos depois da excisão do tumor primário, o que exige seguimento próximo.
A orientação familiar é importante, pois a doença pode ser transmitida de modo autossômico dominante.
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
Aprenda comigo →Atendimento dermatológico em Palmas, TO: caioformiga.com.
Consulte comigo →