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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Cisto triquilemal

benignaderme(cisto pilar, cisto ístmico-catagênico, wen, trichilemmal cyst, pilar cyst)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosAulasVeja também

Conceito

O cisto triquilemal, também chamado cisto pilar, é uma cavidade dérmica benigna revestida por epitélio escamoso estratificado derivado da bainha radicular externa do folículo piloso, na altura do istmo, entre a glândula sebácea e o músculo eretor do pelo.

É o segundo cisto cutâneo mais frequente e o cisto mais comum do couro cabeludo, onde se localizam cerca de 90% dos casos.

O conteúdo é queratina densa, produzida por queratinização triquilemal, isto é, sem camada granulosa interposta.

Uma parcela dos pacientes tem herança autossômica dominante, com lesões múltiplas e início mais precoce.

Do ponto de vista prático, é lesão benigna, de crescimento lento, que não precisa ser tratada quando assintomática, e é bem encapsulada, o que permite a enucleação com o cisto íntegro.

Nódulo de couro cabeludo que cresce rápido, ulcera ou se torna volumoso pode ser um tumor triquilemal proliferante, com potencial de malignização. Biopsiar, em vez de enuclear às cegas.

Na nomenclatura da dermatopatologia, o nome mais preciso é cisto ístmico-catagênico, porque a diferenciação da parede reproduz o istmo folicular ou a porção inferior do folículo em catágeno, e não o triquilema verdadeiro (a bainha externa pálida e rica em glicogênio do folículo anágeno).

Epidemiologia

Ocorre em menos de 10% da população.

É o cisto mais comum do couro cabeludo e o segundo cisto cutâneo mais frequente, depois do cisto epidermoide.

Cerca de 90% das lesões estão no couro cabeludo.

São múltiplos em aproximadamente 70% dos casos.

Predomina em mulheres e afeta sobretudo indivíduos jovens.

Não há predileção descrita por fototipo.

Um subgrupo tem herança autossômica dominante: nesses pacientes as lesões costumam ser múltiplas e surgir mais cedo, e a história familiar é positiva.

O tumor triquilemal proliferante ocorre em menos de 3% dos cistos triquilemais e afeta tipicamente mulheres idosas, também com predomínio no couro cabeludo (90%).

Fatores de risco e doenças associadas

  • História familiar de cistos pilares, com herança autossômica dominante em subgrupo de pacientes (cistos múltiplos e início precoce)
  • Sexo feminino
  • Couro cabeludo e outras áreas com alta densidade folicular
  • Trauma ou inflamação de um cisto triquilemal preexistente, no caso do tumor triquilemal proliferante
  • Carcinoma de células de Merkel pode, raramente, originar-se de um cisto pilar

Patogênese

O cisto origina-se do epitélio folicular situado entre a glândula sebácea e a inserção do músculo eretor do pelo, ou seja, o istmo, cuja bainha radicular externa é a matriz da parede cística.

Esse epitélio queratiniza de modo triquilemal: a transição de células nucleadas para células anucleadas é abrupta e não passa por camada granulosa, o que produz uma queratina compacta e eosinofílica, diferente da queratina laminada e frouxa do cisto epidermoide.

A queratina e seus produtos de degradação se acumulam na cavidade e o cisto cresce muito lentamente, levando anos para atingir grandes dimensões.

A alta densidade de folículos pilosos do couro cabeludo explica a topografia preferencial.

A calcificação do conteúdo é frequente e decorre da própria degeneração da queratina retida.

Quando a parede se rompe, o conteúdo extravasa para a derme e desencadeia reação inflamatória de corpo estranho contra a queratina, com dor local.

O tumor triquilemal proliferante deriva da mesma bainha radicular externa e pode surgir de um cisto triquilemal preexistente, em geral após trauma ou inflamação da lesão.

Clínica

  • Nódulo dérmico firme, liso, bem circunscrito, móvel, recoberto por pele de coloração normal
  • Ausência de ponto central (punctum), diferença semiológica capital em relação ao cisto epidermoide
  • Pode haver discreta alopecia sobre a lesão, por atrofia por pressão do couro cabeludo suprajacente
  • Crescimento muito lento, ao longo de anos
  • Múltiplo em cerca de 70% dos casos, com história familiar frequente
  • Assintomático, exceto quando calcifica, quando se rompe ou quando comprime proeminência óssea, situações em que dói

Topografia

  • Couro cabeludo em cerca de 90% dos casos
  • Face, cabeça e pescoço nas demais localizações
  • Descritos ainda em tronco, virilha, região púbica, vulva, região glútea e base do crânio

Sinais de alerta

  • Aumento rápido de volume em lesão antes estável
  • Ulceração, aspecto tumoral ou lesão exofítica e pedunculada
  • Lesão volumosa (o tumor triquilemal proliferante mede em geral de 1 cm a 10 cm)
  • Dor persistente ou área de alopecia associada à massa
  • Esses achados sugerem tumor triquilemal proliferante, infecção ou transformação maligna, e indicam biópsia

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Complicações e cuidados

  • Dor, sobretudo em áreas de pressão ou sobre proeminências ósseas
  • Inflamação e infecção secundária
  • Ruptura com reação inflamatória de corpo estranho
  • Calcificação do conteúdo
  • Recidiva quando a cápsula não é removida por completo
  • Alopecia sobre a lesão e prejuízo estético
  • Evolução para tumor triquilemal proliferante, em menos de 3% dos casos, com ulceração e agressividade local
  • Transformação maligna (tumor triquilemal proliferante maligno), rara, com invasão de tecidos adjacentes, recidiva local e metástases a distância, que podem surgir anos após a excisão do tumor primário
  • Sangramento, dor, infecção e cicatriz decorrentes da cirurgia

Prognóstico

O prognóstico do cisto triquilemal é bom, mesmo quando há complicações.

A remoção completa da cápsula é curativa; a remoção incompleta leva a recidiva com alta frequência.

O tumor triquilemal proliferante é benigno na maioria dos casos e evolui bem após a excisão completa, mas pode recidivar localmente, invadir tecidos adjacentes e, raramente, dar metástases a distância, inclusive anos depois da excisão do tumor primário, o que exige seguimento próximo.

A orientação familiar é importante, pois a doença pode ser transmitida de modo autossômico dominante.

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Referências

  1. Pilar Cyst. StatPearls [Internet]. Treasure Island: StatPearls Publishing; 2023.
  2. Proliferating trichilemmal tumor. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2023.

Achados (clique para explorar)

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