Dermatite asteatósica, também chamada eczema craquelé ou eczema asteatótico, é uma dermatite eczematosa que se instala sobre xerose cutânea intensa.
Caracteriza-se por pele seca, áspera, descamativa e fissurada, com aspecto que lembra porcelana rachada ou leito de rio seco.
Surge quando a pele perde a capacidade de reter água e de manter a barreira hidrolipídica; com a barreira comprometida, aparecem descamação, fissuras, prurido e inflamação eczematosa.
É frequente, sobretudo em idosos, e piora no inverno.
Acomete principalmente pessoas acima de 60 anos.
É mais frequente e mais intensa em períodos frios e secos.
A baixa umidade ambiental, o aquecimento artificial e os banhos quentes favorecem a perda de água e a piora da xerose.
Acomete preferencialmente as pernas, sobretudo a região pré-tibial, e ainda antebraços, mãos, pés e tronco.
Fatores de risco e doenças associadas
A dermatite asteatósica ocorre sobre pele intensamente xerótica.
A xerose resulta de deficiência de hidrolipídios: redução da quantidade ou da qualidade dos lipídios epidérmicos e dos componentes hidrofílicos do estrato córneo, especialmente o fator natural de hidratação.
No idoso, há redução progressiva da capacidade de retenção de água no estrato córneo, menor atividade sebácea, menor sudorese, alteração da matriz lipídica intercelular e perda de elasticidade cutânea.
O estrato córneo normal depende de corneócitos bem organizados, ricos em fator natural de hidratação, e de matriz lipídica intercelular adequada; quando esses componentes falham, a pele perde água com mais facilidade.
A pele desidratada torna-se áspera, opaca, descamativa e menos elástica, e o ressecamento progressivo abre fissuras finas e inflamação.
A fissuração do estrato córneo favorece ardor, dor, prurido, escoriações, exsudação e crostas, e a barreira alterada aumenta a sensibilidade a irritantes, alérgenos e patógenos.
O prurido leva à coçadura, que piora a barreira, aprofunda as fissuras e perpetua o eczema.
Classificação
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A dermatite asteatósica é benigna na maioria dos casos.
O curso é recorrente enquanto a xerose persiste ou enquanto o paciente se mantém exposto aos fatores agravantes, com recidivas mais comuns no inverno e em períodos secos.
A resposta costuma ser boa com correção da xerose, uso regular de emolientes, reparo da barreira e redução de irritantes; a melhora é rápida nas crises leves, mas a prevenção de recorrências exige cuidado contínuo com a barreira.
A forma localizada nas pernas de idosos tem bom prognóstico.
A forma generalizada, inflamatória e recalcitrante exige investigação de causas associadas; quando relacionada a neoplasia, sobretudo linfoma, o curso acompanha a atividade da doença sistêmica.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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