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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Dermatite asteatótica

Padrão inflamatório(Eczema craquelé, Eczema asteatótico, Dermatite asteatósica)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em junho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

Dermatite asteatósica, também chamada eczema craquelé ou eczema asteatótico, é uma dermatite eczematosa que se instala sobre xerose cutânea intensa.

Caracteriza-se por pele seca, áspera, descamativa e fissurada, com aspecto que lembra porcelana rachada ou leito de rio seco.

Surge quando a pele perde a capacidade de reter água e de manter a barreira hidrolipídica; com a barreira comprometida, aparecem descamação, fissuras, prurido e inflamação eczematosa.

É frequente, sobretudo em idosos, e piora no inverno.

Epidemiologia

Acomete principalmente pessoas acima de 60 anos.

É mais frequente e mais intensa em períodos frios e secos.

A baixa umidade ambiental, o aquecimento artificial e os banhos quentes favorecem a perda de água e a piora da xerose.

Acomete preferencialmente as pernas, sobretudo a região pré-tibial, e ainda antebraços, mãos, pés e tronco.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Frio, baixa umidade, vento, aquecimento artificial e ambientes muito secos
  • Banhos quentes e prolongados
  • Sabonetes alcalinos, detergentes, limpeza excessiva, esfoliação e produtos perfumados, que removem lipídios da superfície cutânea e pioram a barreira
  • Trabalho úmido, contato ocupacional com irritantes, fricção por roupas, lã, roupas apertadas e exposição solar intensa
  • Idade avançada
  • Medicamentos: retinoides, diuréticos, hipolipemiantes, betabloqueadores, antagonistas do cálcio, antiandrógenos, citostáticos e uso prolongado de corticosteroides tópicos
  • Xerose cutânea intensa
  • Atopia e ictiose
  • Diabetes mellitus
  • Doença renal crônica
  • Hepatopatias colestáticas
  • Hipotireoidismo
  • Desidratação e deficiências nutricionais
  • Doenças hematológicas ou linfoproliferativas
  • Manifestação paraneoplásica na forma generalizada, inflamatória, recalcitrante e de início recente, sobretudo com linfomas: linfomas de células T, linfoma de Hodgkin, linfoma anaplásico de grandes células e linfoma de células B

Patogênese

A dermatite asteatósica ocorre sobre pele intensamente xerótica.

A xerose resulta de deficiência de hidrolipídios: redução da quantidade ou da qualidade dos lipídios epidérmicos e dos componentes hidrofílicos do estrato córneo, especialmente o fator natural de hidratação.

No idoso, há redução progressiva da capacidade de retenção de água no estrato córneo, menor atividade sebácea, menor sudorese, alteração da matriz lipídica intercelular e perda de elasticidade cutânea.

O estrato córneo normal depende de corneócitos bem organizados, ricos em fator natural de hidratação, e de matriz lipídica intercelular adequada; quando esses componentes falham, a pele perde água com mais facilidade.

A pele desidratada torna-se áspera, opaca, descamativa e menos elástica, e o ressecamento progressivo abre fissuras finas e inflamação.

A fissuração do estrato córneo favorece ardor, dor, prurido, escoriações, exsudação e crostas, e a barreira alterada aumenta a sensibilidade a irritantes, alérgenos e patógenos.

O prurido leva à coçadura, que piora a barreira, aprofunda as fissuras e perpetua o eczema.

Clínica

  • Pele seca, áspera, descamativa e fissurada
  • Fissuras finas, lineares e superficiais, em padrão craquelado, que lembra porcelana rachada
  • Eritema, descamação, exsudação, crostas e escoriações
  • Sangramento linear das fissuras nos casos mais intensos
  • Prurido frequente; alguns pacientes relatam ardor, dor, repuxamento ou queimação
  • Acomete preferencialmente as pernas, sobretudo a região pré-tibial
  • Piora no inverno e em ambientes secos, com recorrência enquanto a xerose não é controlada

Sinais de alerta para eczema craquelé paraneoplásico

  • Quadro generalizado, muito inflamatório ou resistente ao tratamento habitual
  • Início abrupto em adulto ou idoso, sobretudo homem, sem história prévia de eczema ou xerose importante
  • Acometimento extenso do tronco e das cinturas
  • Prurido intenso, sintomas constitucionais e linfonodomegalias
  • Ausência de fatores desencadeantes claros e má resposta a emolientes e corticosteroides tópicos
  • O quadro tende a acompanhar a atividade da neoplasia: melhora com a remissão do linfoma e recidiva com a recaída da doença hematológica

Classificação

  • Forma localizada, associada à xerose comum: apresentação habitual, sobretudo nas pernas de idosos
  • Forma generalizada, inflamatória, recalcitrante ou de início recente: exige investigação de causas associadas
  • Forma paraneoplásica: rara, descrita sobretudo em associação com linfomas

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Complicações e cuidados

  • Fissuras profundas, com ardor, dor e sangramento linear
  • Escoriações, exsudação e crostas
  • Infecção secundária, favorecida pela quebra da barreira
  • Sensibilização a irritantes e alérgenos de contato
  • Perpetuação do eczema pelo ciclo prurido-coçadura
  • Doença sistêmica ou neoplasia subjacente, sobretudo linfoma, na forma generalizada, inflamatória e recalcitrante

Prognóstico

A dermatite asteatósica é benigna na maioria dos casos.

O curso é recorrente enquanto a xerose persiste ou enquanto o paciente se mantém exposto aos fatores agravantes, com recidivas mais comuns no inverno e em períodos secos.

A resposta costuma ser boa com correção da xerose, uso regular de emolientes, reparo da barreira e redução de irritantes; a melhora é rápida nas crises leves, mas a prevenção de recorrências exige cuidado contínuo com a barreira.

A forma localizada nas pernas de idosos tem bom prognóstico.

A forma generalizada, inflamatória e recalcitrante exige investigação de causas associadas; quando relacionada a neoplasia, sobretudo linfoma, o curso acompanha a atividade da doença sistêmica.

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Referências

  1. Diagnosis and treatment of xerosis cutis: a position paper. J Dtsch Dermatol Ges. 2019.
  2. Moisturizers versus Current and Next Generation Barrier Repair Therapy for the Management of Atopic Dermatitis. Skin Pharmacol Physiol. 2019.
  3. Generalized Eczema Craquele as a Presenting Feature of Systemic Lymphoma: Report of Seven Cases. Acta Derm Venereol. 2005.
  4. Standardization of dermoscopic terminology and basic dermoscopic parameters to evaluate in general dermatology (non-neoplastic dermatoses): an expert consensus on behalf of the International Dermoscopy Society. British Journal of Dermatology. 2020.
  5. Dermoscopy of inflammatory dermatoses (inflammoscopy): an up-to-date overview. Dermatology Practical and Conceptual. 2019.

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escamafissuralesão reticuladaeritemapruridomembros inferioresescoriaçãocurso crônico e recorrentexerose
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