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Dermatite asteatótica

Padrão inflamatórioEpiderme(Eczema craquelé, Eczema asteatótico, Dermatite asteatósica)

Conceito

Dermatite asteatósica, também chamada eczema craquelé ou eczema asteatótico, é uma dermatite eczematosa relacionada à xerose cutânea intensa.

Caracteriza se por pele seca, áspera, descamativa e fissurada.

O aspecto clássico lembra porcelana rachada ou leito de rio seco.

A doença ocorre quando a pele perde capacidade de reter água e manter sua barreira hidrolipídica.

Com a barreira comprometida, surgem descamação, fissuras, prurido e inflamação eczematosa.

É uma condição comum, especialmente em idosos, e tende a piorar no inverno.

Epidemiologia

Acomete principalmente pessoas acima de 60 anos.

É mais frequente ou mais intensa em períodos frios e secos.

A baixa umidade ambiental, o aquecimento artificial e banhos quentes favorecem perda de água e piora da xerose.

Acomete preferencialmente as pernas, sobretudo a região pré tibial.

Também pode acometer antebraços, mãos, pés e tronco.

A forma localizada e associada à xerose comum é a apresentação habitual.

Formas extensas, inflamatórias, recalcitrantes ou generalizadas exigem maior atenção.

Fatores de risco

  • Os principais fatores agravantes são frio, baixa umidade, vento, aquecimento artificial e ambientes muito secos.
  • Banhos quentes e prolongados são desencadeantes frequentes.
  • Sabonetes alcalinos, detergentes, limpeza excessiva, esfoliação e produtos perfumados removem lipídios da superfície cutânea e pioram a barreira.
  • Trabalho úmido, contato ocupacional com irritantes, fricção por roupas, lã, roupas apertadas e exposição solar intensa também podem contribuir.
  • A idade avançada é fator de risco importante.
  • Atopia, ictiose, diabetes mellitus, doença renal crônica, hepatopatias colestáticas, hipotireoidismo, desidratação, deficiências nutricionais e doenças hematológicas ou linfoproliferativas podem estar associadas à xerose.
  • Medicamentos também podem contribuir, incluindo retinoides, diuréticos, hipolipemiantes, betabloqueadores, antagonistas do cálcio, antiandrógenos, citostáticos e uso prolongado de corticosteroides tópicos.

Doenças associadas

  • A dermatite asteatósica costuma estar associada à xerose cutânea intensa, idade avançada, baixa umidade, frio, banhos quentes e uso de produtos irritantes.
  • Pode coexistir com atopia, ictiose, diabetes mellitus, doença renal crônica, hepatopatias colestáticas, hipotireoidismo, desidratação, deficiências nutricionais e doenças hematológicas ou linfoproliferativas.
  • A forma generalizada, inflamatória, recalcitrante e de início recente pode ocorrer como manifestação paraneoplásica, especialmente em associação com linfomas.
  • Os linfomas descritos incluem linfomas de células T, linfoma de Hodgkin, linfoma anaplásico de grandes células e linfoma de células B.

Patogênese

A dermatite asteatósica ocorre sobre pele intensamente xerótica.

A xerose cutânea resulta de deficiência de hidrolipídios na pele.

Essa deficiência pode envolver redução da quantidade ou da qualidade dos lipídios epidérmicos e dos componentes hidrofílicos do estrato córneo, especialmente o fator natural de hidratação.

Em idosos, há redução progressiva da capacidade de retenção de água no estrato córneo.

Também há menor atividade sebácea, menor sudorese, alteração da matriz lipídica intercelular e redução da elasticidade cutânea.

O estrato córneo normal depende de corneócitos bem organizados, ricos em fator natural de hidratação, e matriz lipídica intercelular adequada.

Quando esses componentes falham, a pele perde água com mais facilidade.

A pele desidrata, torna se áspera, opaca, descamativa e menos elástica.

Com o ressecamento progressivo, surgem fissuras finas, rachaduras e inflamação.

A fissuração do estrato córneo favorece ardor, dor, prurido, escoriações, exsudação e crostas.

A barreira cutânea alterada também aumenta a sensibilidade a irritantes, alérgenos e patógenos.

O prurido leva à coçadura.

A coçadura piora a barreira, aprofunda fissuras e perpetua o eczema.

Clínica

  • A dermatite asteatósica apresenta pele seca, áspera, descamativa e fissurada.
  • As fissuras são finas, lineares e superficiais.
  • O padrão típico é craquelado, lembrando porcelana rachada.
  • Pode haver eritema, descamação, exsudação, crostas e escoriações.
  • Em casos mais intensos, as fissuras podem ter sangramento linear.
  • O prurido é frequente.
  • Alguns pacientes também relatam ardor, dor, sensação de repuxamento ou queimação.
  • Acomete preferencialmente as pernas, especialmente a região pré tibial.
  • As lesões costumam piorar no inverno e em ambientes secos.
  • O quadro pode ser recorrente se a xerose não for controlada.
  • A forma clássica é localizada.
  • Quando o eczema craquelé é generalizado, muito inflamatório ou resistente ao tratamento habitual, deve se investigar causas associadas.
  • A forma generalizada, inflamatória, recalcitrante e de início recente deve chamar atenção.
  • Eczema craquelé disseminado pode ocorrer como manifestação paraneoplásica, especialmente em associação com linfomas.
  • A suspeita deve aumentar quando o quadro surge abruptamente em adulto ou idoso, especialmente homem, sem história prévia de eczema ou xerose importante.
  • Também são sinais de alerta acometimento extenso do tronco e das cinturas, inflamação exuberante, prurido intenso, sintomas constitucionais, linfonodomegalias, ausência de fatores desencadeantes claros e má resposta a emolientes e corticosteroides tópicos.
  • O padrão paraneoplásico tende a acompanhar a atividade da neoplasia.
  • Pode melhorar com a remissão do linfoma e recidivar com a recaída da doença hematológica.

Classificação

  • Forma localizada associada à xerose comum: apresentação habitual, especialmente nas pernas de idosos.
  • Forma generalizada, inflamatória, recalcitrante ou de início recente: exige maior atenção e investigação de causas associadas.
  • Forma paraneoplásica: rara, mas descrita especialmente em associação com linfomas.

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Complicações e cuidados

  • Com o ressecamento progressivo, podem surgir fissuras finas, rachaduras e inflamação.
  • A fissuração do estrato córneo favorece ardor, dor, prurido, escoriações, exsudação e crostas.
  • A barreira cutânea alterada aumenta a sensibilidade a irritantes, alérgenos e patógenos.
  • O prurido leva à coçadura, que piora a barreira, aprofunda fissuras e perpetua o eczema.
  • A forma generalizada, inflamatória e recalcitrante pode estar associada a doença sistêmica ou neoplasia, especialmente linfoma.

Prognóstico

A dermatite asteatósica é benigna na maioria dos casos.

O curso tende a ser recorrente quando a xerose persiste ou quando o paciente mantém exposição a fatores agravantes.

Recidivas são mais comuns no inverno e em períodos secos.

A resposta costuma ser boa quando há correção adequada da xerose, uso regular de emolientes, reparo da barreira e redução de irritantes.

A melhora pode ser rápida nas crises leves, mas a prevenção de recorrências exige manutenção contínua dos cuidados de barreira.

A forma localizada nas pernas de idosos geralmente tem bom prognóstico.

A forma generalizada, inflamatória e recalcitrante exige investigação de causas associadas.

Quando relacionada a neoplasia, especialmente linfoma, o curso pode acompanhar a atividade da doença sistêmica.

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Referências

  1. Diagnosis and treatment of xerosis cutis: a position paper. J Dtsch Dermatol Ges. 2019.
  2. Moisturizers versus Current and Next Generation Barrier Repair Therapy for the Management of Atopic Dermatitis. Skin Pharmacol Physiol. 2019.
  3. Generalized Eczema Craquele as a Presenting Feature of Systemic Lymphoma: Report of Seven Cases. Acta Derm Venereol. 2005.

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