Pular para o conteúdo
Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

Conteúdo

  • Assista
  • Explore
  • Assinar

Contato

  • Sou paciente: agendar consulta
  • WhatsApp
  • Instagram
© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
Dermato Prática
AssistaExploreSobreEntrarAssinar
Você está no conteúdo aberto da Dermato Prática. Conheça os planos →
← Doenças

Dermatite atópica

Padrão inflamatório(Eczema atópico)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em junho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Conceito

Dermatite atópica, ou eczema atópico, é uma dermatose inflamatória crônica, recidivante e pruriginosa.

Faz parte da tríade atópica, com rinite alérgica e asma, e costuma ser a primeira manifestação da marcha atópica.

Resulta da interação entre disfunção da barreira epidérmica, inflamação imune, predisposição genética, alteração do microbioma, prurido, fatores ambientais e exposições irritativas ou alergênicas.

O curso alterna períodos de melhora e exacerbação.

A intensidade vai de xerose com eczema leve localizado até doença extensa e persistente, com prurido intenso, distúrbio do sono, infecções recorrentes e grande impacto na qualidade de vida.

Epidemiologia

Acomete cerca de 25% das crianças e cerca de 3% dos adultos, com prevalência em aumento.

É mais comum em áreas urbanas e de alta renda; a exposição a poluentes, a menor exposição a agentes infecciosos e as mudanças ambientais podem contribuir para o aumento da prevalência.

O início costuma ocorrer na infância: 50% a 60% dos casos começam no primeiro ano de vida, com frequência entre 3 e 6 meses, e 90% a 95% até os 5 anos.

A forma de início precoce, até 1 a 2 anos de idade, é a mais comum; parte desses pacientes tem anticorpos IgE específicos para alérgenos.

Muitos melhoram ao longo da infância, mas uma proporção importante mantém doença persistente ou recorrente na adolescência e na vida adulta.

A forma de início tardio surge após a puberdade e a forma senil, após os 60 anos.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Filagrina alterada e xerose
  • História familiar de dermatite atópica, rinite alérgica ou asma
  • Clima seco, frio, calor, suor, lã, sabonetes agressivos, detergentes, fragrâncias, saliva, fumaça e poluição
  • Aeroalérgenos: ácaros, pólens, pelos de animais e fungos
  • Infecções, estresse e privação de sono
  • Alimentos, em subgrupos específicos, principalmente crianças com doença grave, refratária e história compatível; a exclusão alimentar indiscriminada não deve ser feita sem correlação clínica adequada
  • Tríade atópica, com asma e rinite alérgica
  • Alergias alimentares
  • Alopecia areata
  • Urticária
  • Depressão e ansiedade
  • Osteoporose e fraturas ósseas
  • Infecções cutâneas
  • Distúrbio do sono, frequente e de grande impacto funcional
  • Em crianças, prurido e sono ruim podem afetar desempenho escolar, comportamento e qualidade de vida familiar
  • Em adultos, a doença pode comprometer trabalho, produtividade, relações sociais, sexualidade e saúde mental
  • Maior incidência, nas crianças, de pitiríase alba, líquen espinuloso, dermatite numular, eczema disidrótico e dermatose plantar juvenil

Patogênese

A dermatite atópica combina defeito da barreira cutânea e inflamação imune, em pesos variáveis conforme o paciente.

Em alguns, o processo parece começar pelo defeito de barreira, que permite maior penetração de irritantes, alérgenos, haptenos e microrganismos; em outros, a inflamação tipo 2 reduz proteínas estruturais da epiderme e compromete a barreira de forma secundária.

Na prática, os mecanismos se retroalimentam: a barreira alterada facilita a inflamação, a inflamação piora a barreira, o prurido leva à coçadura, e a coçadura causa microtrauma, aumenta a perda transepidérmica de água, facilita a colonização microbiana e perpetua a inflamação.

A disfunção de barreira se traduz em aumento da perda transepidérmica de água, aumento do pH do estrato córneo e redução da hidratação cutânea, com alteração da matriz lipídica (ceramidas, ácidos graxos e organização lipídica epidérmica).

Mutações de perda de função em FLG, o gene da filagrina, são um dos principais fatores genéticos de risco: a deficiência de filagrina prejudica a diferenciação terminal dos queratinócitos, reduz os fatores naturais de hidratação, eleva o pH cutâneo, reduz a retenção de água e aumenta a permeabilidade do estrato córneo.

Nem todo paciente tem mutação em filagrina; inflamação, alterações epigenéticas e enzimas que degradam a filagrina também reduzem a função dessa via.

Outras proteínas de barreira podem estar reduzidas ou disfuncionais, entre elas loricrina, involucrina, desmogleína 1, desmocolina 1, claudinas e ocludinas.

Mutações em SPINK5, que codifica o inibidor de serina protease LEKTI, também causam alteração de barreira, por degradação da desmogleína 1, e o aumento da atividade de proteases, como as calicreínas, degrada estruturas de adesão intercelular e piora a permeabilidade epidérmica.

A inflamação é dominada pela resposta tipo 2, sobretudo nas fases iniciais e agudas: IL-4 e IL-13 são as citocinas centrais, reduzem proteínas de diferenciação epidérmica (filagrina, loricrina, involucrina) e peptídeos antimicrobianos, o que favorece colonização e infecção; IL-5 participa da resposta eosinofílica e IL-31 tem papel importante no prurido.

Na fase aguda predomina a resposta Th2, com eosinofilia, aumento de IgE em parte dos pacientes e redução dos peptídeos antimicrobianos cutâneos; na fase crônica participam também Th1, Th17 e Th22, com aumento de IL-1 e interferon gama, o que ajuda a explicar a heterogeneidade clínica.

A pele atópica tem maior risco de disbiose: nas exacerbações, a diversidade microbiana cai e há aumento relativo de Staphylococcus aureus, que lesa a barreira, estimula inflamação, produz toxinas, aumenta o prurido e favorece a impetiginização; a melhora clínica costuma vir com recuperação parcial da diversidade microbiana.

Colonização não é sinônimo de infecção ativa, e os antibióticos ficam reservados à infecção clinicamente evidente.

O prurido é o sintoma essencial, piora à noite e é agravado por calor, suor, lã, estresse, xerose, irritantes e contato com alérgenos relevantes.

A histamina não parece ser o principal mediador: neuropeptídeos, proteases, cininas e citocinas, em especial a IL-31, têm papel maior.

O ciclo prurido-coçadura leva a escoriações, liquenificação, piora da barreira, infecção secundária e perpetuação da inflamação.

Clínica

  • Prurido é o achado essencial
  • Pelo menos três dos seguintes favorecem o diagnóstico: história de xerose, história pessoal de rinite alérgica ou asma, início antes dos 2 anos, história de acometimento de dobras e dermatite flexural visível
  • Xerose muito frequente, por vezes difusa

Estágios evolutivos

  • Aguda: eritema, edema, vesículas, exsudação e crostas
  • Subaguda: eritema, descamação, pápulas, escoriações e menor exsudação
  • Crônica: liquenificação, espessamento da pele, pápulas, nódulos, escoriações, fissuras e hiperpigmentação ou hipopigmentação residual

Lactente

  • Começa nos primeiros meses de vida, com quadro mais agudo
  • Face, couro cabeludo e superfícies extensoras, com eritema, vesículas, exsudação, crostas e prurido intenso
  • A área das fraldas costuma ser poupada, embora possa haver dermatite irritativa associada
  • Pode haver sobreposição clínica com dermatite seborreica

Infância, dos 2 anos à puberdade

  • Manifestações mais crônicas, com surtos agudos
  • Predileção por flexuras: fossas antecubitais, fossas poplíteas, punhos, tornozelos e pescoço
  • Xerose difusa mais proeminente
  • Escoriações, liquenificação e hiperpigmentação pós-inflamatória com a cronicidade

Adolescente e adulto

  • Predomínio de placas liquenificadas sobre lesões eczematosas exsudativas
  • Flexuras, face, pescoço, região retroauricular, braços, dorso e áreas acras
  • A doença que começa na infância e persiste na vida adulta tende a ser mais grave e mais resistente ao tratamento
  • Pode se manifestar como prurigo nodular, dermatite das mãos, dermatite palpebral, dermatite de cabeça e pescoço ou eczema crônico recorrente

Senil, após os 60 anos

  • Predominam xerose acentuada e prurido difuso, mais do que as lesões típicas
  • No idoso, atenção a xerose simples, escabiose, farmacodermia, dermatite de contato, penfigoide bolhoso inicial e linfoma cutâneo de células T
  • Achados associados: ictiose vulgar, ceratose pilar, hiperlinearidade palmoplantar, linhas de Dennie-Morgan, escurecimento periorbital, palidez perioral, pregas cervicais anteriores, sinal de Hertoghe (rarefação da porção lateral das sobrancelhas), dermografismo branco, proeminência folicular (mais evidente em fototipos altos) e olheiras alérgicas
  • Prega nasal transversa exagerada pelo hábito de friccionar ou elevar o nariz (saudação alérgica)

Classificação

Por idade de início

  • Início precoce: até 1 a 2 anos de idade, forma mais comum
  • Início tardio: após a puberdade
  • Senil: após os 60 anos

Por faixa etária de apresentação

  • Lactente: face, couro cabeludo e superfícies extensoras
  • Infância: predomínio flexural
  • Adolescente e adulto: placas liquenificadas, com flexuras, face, pescoço, região retroauricular, braços, dorso e áreas acras
  • Por estágio evolutivo: formas aguda, subaguda e crônica

Dermatoscopia Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Histopatologia Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Diagnósticos diferenciais Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Manejo Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Procedimentos relacionados Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Complicações e cuidados

  • Impetiginização, mais por Staphylococcus aureus que por Streptococcus pyogenes, com crostas melicéricas, exsudação, piora súbita do eczema, dor, pústulas, erosões e linfadenopatia regional
  • Eczema herpético: suspeitar diante de piora aguda, lesões monomórficas, vesículas, erosões arredondadas, dor, febre ou mal-estar; é potencialmente grave e exige tratamento antiviral imediato
  • Dermatite por molusco contagioso
  • Eczema vacinatum, no contexto de vacinação contra varíola
  • Complicações oculares: ceratoconjuntivite atópica, ceratoconjuntivite vernal, catarata subcapsular posterior, ceratocone e descolamento de retina
  • Dor ocular, fotofobia, secreção, redução visual, vermelhidão persistente ou conjuntivite refratária motivam avaliação oftalmológica

Prognóstico

A dermatite atópica melhora em muitas crianças até a puberdade.

O ensino clássico é que grande parte melhora até a adolescência, mas estudos mais recentes mostram que uma proporção importante mantém sintomas, recidivas ou necessidade de tratamento até o início da vida adulta.

Quando persiste além da infância, o curso é crônico, e a doença que se iniciou na infância e persistiu no adulto tende a ser mais grave, recorrente e resistente ao tratamento.

Doença de início precoce, mutações em filagrina, doença extensa, alergia alimentar, dermatite das mãos, prurido intenso, infecções recorrentes e comorbidades atópicas associam-se a maior persistência ou gravidade.

O controle da barreira cutânea, dos fatores desencadeantes, do prurido e da inflamação reduz surtos, complicações infecciosas e impacto na qualidade de vida.

Pérola clínica Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Referências

  1. Atopic Dermatitis: Inside Out or Outside In? Philadelphia: Elsevier; 2023.
  2. European Guideline on atopic eczema: Living update. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2025.
  3. Guidelines of care for the management of atopic dermatitis in adults with phototherapy and systemic therapies. J Am Acad Dermatol. 2024.
  4. Focused update: Guidelines of care for the management of atopic dermatitis in adults. J Am Acad Dermatol. 2025.
  5. Systemic Immunomodulatory Treatments for Atopic Dermatitis: Update of a Living Systematic Review and Network Meta analysis. JAMA Dermatol. 2022.
  6. Treat to Target in Atopic Dermatitis: An International Consensus on a Set of Core Decision Points for Systemic Therapies. Acta Derm Venereol. 2021.
  7. Standardization of dermoscopic terminology and basic dermoscopic parameters to evaluate in general dermatology (non-neoplastic dermatoses): an expert consensus on behalf of the International Dermoscopy Society. British Journal of Dermatology. 2020.
  8. Dermoscopy of inflammatory dermatoses (inflammoscopy): an up-to-date overview. Dermatology Practical and Conceptual. 2019.

Achados (clique para explorar)

prurido intensoáreas flexuraisliquenificaçãoescoriaçãoeritemaexsudaçãofacecurso crônico e recorrentexerose

Veja também

Infecções superficiais e infestações da epiderme
Médico ou estudante
Acesso completo

Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.

Aprenda comigo →
Paciente
Consulte com o Dr. Caio Formiga

Atendimento dermatológico em Palmas, TO: caioformiga.com.

Consulte comigo →