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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Dermatite de contato

Padrão inflamatório(Dermatite de contato irritativa, Dermatite alérgica de contato)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em junho de 2026

ImagensConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Imagens

Conceito

Dermatite de contato é a reação inflamatória da pele causada pelo contato direto com agentes externos.

Pode ser irritativa, por dano direto à barreira cutânea e aos queratinócitos, sem sensibilização prévia, ou alérgica, uma reação de hipersensibilidade tardia mediada por linfócitos T que depende de sensibilização prévia ao alérgeno.

Na prática, as duas formas coexistem: a dermatite irritativa compromete a barreira, facilita a penetração de alérgenos e aumenta o risco de dermatite alérgica de contato.

Há ainda formas especiais: dermatite de contato aerotransportada, fotodermatite alérgica de contato, fitofotodermatite, dermatite sistêmica de contato, urticária de contato e dermatite de contato por proteínas.

Epidemiologia

A dermatite de contato irritativa é a forma mais comum, com cerca de 80% dos casos; a alérgica responde por cerca de 20%.

É uma das principais dermatoses ocupacionais, e no ambiente de trabalho a forma irritativa predomina.

A dermatite alérgica de contato ganha peso nos eczemas crônicos, recalcitrantes, ocupacionais ou com distribuição sugestiva de exposição específica; entre os pacientes encaminhados para teste de contato, a positividade é alta.

Os alérgenos mais frequentes variam conforme região, hábitos, profissão, idade, sexo, exposições ambientais e produtos usados.

O níquel permanece entre os mais comuns, seguido de metilisotiazolinona, metilcloroisotiazolinona/metilisotiazolinona, hidroperóxidos de linalol e de limoneno, cobalto, ouro, fragrâncias, bálsamo do Peru, benzisotiazolinona, formaldeído, bacitracina, parafenilenodiamina e neomicina.

Setores ocupacionais de risco: indústria petroquímica, borracha, plástico, metalurgia, mineração, agricultura, construção civil, saúde, limpeza, cabeleireiros, estética, mecânica, indústria automotiva e manipulação de óleos de corte ou fluidos industriais.

Lactentes, idosos e pacientes com dermatite atópica têm maior risco, por barreira cutânea mais vulnerável e maior penetração de irritantes e alérgenos.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Causas comuns de dermatite irritativa ocupacional: sabões, detergentes, trabalho úmido, produtos derivados de petróleo, óleos de corte, fluidos de resfriamento, solventes, desinfetantes, fricção e uso prolongado de luvas
  • Frio e baixa umidade, que pioram a função de barreira e aumentam a permeabilidade a irritantes
  • Oclusão, maceração e umidade elevada, que aumentam a penetração de substâncias hidrossolúveis
  • Exposições a pesquisar: profissão, hobbies, cosméticos, produtos capilares, esmaltes, fragrâncias, medicamentos tópicos, curativos, adesivos, luvas, calçados, roupas, metais, produtos de limpeza, plantas, produtos industriais e substâncias manipuladas no trabalho
  • Idade extrema e barreira cutânea comprometida
  • Dermatite atópica, que também aumenta o risco de dermatite de contato
  • Eczema crônico das mãos
  • Dermatite ocupacional, por cosméticos, por medicamentos tópicos, por calçados, por roupas e em úlceras crônicas
  • Reações cruzadas e correatividade, que dificultam a interpretação clínica:
  • Reação cruzada: a sensibilização a uma substância leva à reação a outra substância estruturalmente semelhante, como Toxicodendron e casca de manga, ou neomicina e gentamicina
  • Correatividade: o paciente se sensibiliza a substâncias diferentes porque elas são frequentemente usadas ou encontradas juntas, como níquel e cobalto, ou neomicina e bacitracina

Patogênese

A dermatite de contato irritativa decorre de dano direto à pele, sem reação imune específica e sem sensibilização prévia: pode surgir no primeiro contato com irritante forte ou após exposições repetidas a irritantes fracos.

Na forma aguda, ácidos, bases fortes, solventes e substâncias corrosivas causam dano citotóxico direto aos queratinócitos.

Na forma crônica, exposições repetidas a irritantes leves removem lipídios e componentes retentores de água do estrato córneo, o que aumenta a perda transepidérmica de água, compromete a barreira, aumenta a penetração de irritantes e mantém a inflamação.

Além do dano de barreira, há ativação da imunidade inata, liberação de citocinas pelos queratinócitos e recrutamento inflamatório; sabão, água, detergentes, álcool, solventes, fricção, oclusão, maceração e microtraumas repetidos são as causas mais frequentes.

A dermatite alérgica de contato é uma reação de hipersensibilidade tardia tipo IV, dependente de sensibilização prévia.

Na sensibilização, o alérgeno penetra na pele, liga-se a proteínas cutâneas e forma um complexo antigênico; os queratinócitos liberam mediadores inflamatórios (IL-1, TNF-alfa, IL-8, IL-18 e GM-CSF), as células apresentadoras de antígeno capturam o alérgeno e migram para os linfonodos regionais, onde linfócitos T específicos são ativados, proliferam e formam células efetoras e de memória.

Na reexposição vem a elicitação: os linfócitos T específicos reconhecem o alérgeno e desencadeiam resposta inflamatória cutânea, com citocinas como IFN-gama, IL-2 e IL-17 e recrutamento celular para a pele.

O eczema surge em 24 a 72 horas após a reexposição.

A resposta varia com o alérgeno: o níquel ativa vias Th1 e Th17, enquanto fragrâncias e borrachas induzem resposta com maior participação Th2.

Clínica

  • A apresentação depende do tipo de dermatite, da intensidade e da duração da exposição, do local acometido, da barreira cutânea e do agente
  • A distribuição das lesões é a pista essencial

Fases

  • Aguda: eritema, edema, pápulas, vesículas, bolhas, exsudação e crostas
  • Subaguda: menos vesiculação, mais descamação e crostas
  • Crônica: liquenificação, fissuras, descamação, hiperceratose, escoriações e limites menos nítidos

Dermatite de contato irritativa

  • Ardor, queimação, dor e sensação de picada podem superar o prurido
  • As mãos são o local mais acometido; a face vem em seguida, sobretudo por cosméticos, produtos de limpeza, máscaras, aerossóis e irritantes ambientais
  • Forma aguda por irritante forte: limites bem definidos e relação temporal evidente com a exposição, com eritema, edema, vesiculação, bolhas, erosão, necrose ou ulceração
  • Forma crônica: ressecamento, descamação, fissuras, liquenificação e dor

Dermatite alérgica de contato

  • Aguda: eritema, edema, pápulas, vesículas, exsudação e crostas, com prurido importante
  • Demarcação nítida entre pele acometida e pele normal, embora as lesões possam ultrapassar a área exata de contato
  • Crônica: liquenificação, fissuras, descamação e limites menos definidos

Topografia e agentes sugeridos

  • Lesões lineares nas extremidades: contato com plantas
  • Pálpebras e região periocular: cosméticos, maquiagem, esmaltes, unhas artificiais, colas de cílios, acrilatos, formaldeído, resinas, fragrâncias, conservantes, medicamentos oftálmicos, metais e produtos manipulados pelas mãos
  • Lábios: galatos, corantes, flavorizantes, filtros solares, própolis, cosméticos labiais, pasta dental e medicamentos tópicos
  • Lóbulo da orelha: níquel
  • Pescoço: fragrâncias, perfumes, produtos capilares, bijuterias e metais
  • Mãos: luvas, látex, aceleradores da borracha, tiurams, carbamatos, acrilatos, metais, detergentes, trabalho úmido e medicamentos tópicos
  • Roupas: poupa as dobras profundas, como a cúpula axilar, e se acentua onde a roupa aperta, na cintura, nos elásticos, nas coxas e nas áreas de atrito
  • Calçados: dorso dos pés, começando com frequência na base do hálux e poupando espaços interdigitais e plantas

Formas especiais

  • Fitofotodermatite: surge 24 a 72 horas após contato com furocumarinas e exposição à radiação UVA, com eritema, edema, vesículas ou bolhas e hiperpigmentação residual, em padrão linear, em respingos ou de escorrimento
  • Dermatite de berloque: hiperpigmentação em pescoço, tronco ou braços, nas áreas de aplicação de perfumes ou colônias com óleo de bergamota seguidas de exposição solar
  • Dermatite de contato aerotransportada: face, pálpebras, pescoço, decote, mãos, punhos, braços, região retroauricular, região submentoniana e fossas antecubitais, por vezes com lacrimejamento, fotofobia e hiperemia conjuntival
  • Fotodermatite alérgica de contato: lesões eczematosas muito pruriginosas nas áreas fotoexpostas, que podem disseminar além delas
  • Dermatite sistêmica de contato: dermatite difusa, exacerbação de eczema prévio, acometimento flexural ou padrão semelhante à síndrome do babuíno

Classificação

  • Dermatite de contato irritativa
  • Dermatite alérgica de contato
  • Dermatite de contato aerotransportada
  • Fotodermatite alérgica de contato
  • Fitofotodermatite
  • Dermatite de berloque
  • Dermatite sistêmica de contato
  • Urticária de contato
  • Dermatite de contato por proteínas
  • Formas não eczematosas da dermatite alérgica de contato: numular, bolhosa, pigmentada, purpúrica, liquenoide, linfomatoide, pustulosa e granulomatosa

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Complicações e cuidados

  • Cronificação quando a causa não é identificada ou a exposição continua, com liquenificação, fissuras, dor, prurido persistente e prejuízo funcional
  • Erosão, ulceração, necrose e queimadura química nas exposições corrosivas
  • Dermatite crônica das mãos, com impacto no trabalho e nas atividades diárias
  • Infecção secundária em lesões exsudativas, fissuradas ou escoriadas
  • Rebote após curso muito curto de corticosteroide sistêmico, sobretudo na dermatite por Toxicodendron

Prognóstico

O prognóstico depende de identificar e remover o agente causal.

A dermatite irritativa melhora com restauração da barreira e redução da exposição; alguns pacientes desenvolvem tolerância parcial, mas a manutenção dos irritantes perpetua o quadro.

A dermatite alérgica de contato recidiva a cada reexposição, porque a sensibilização costuma ser persistente; a evitação adequada leva a melhora importante ou à resolução.

Casos crônicos, ocupacionais, com exposição inevitável, dermatite atópica associada ou múltiplas sensibilizações são mais difíceis de controlar.

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Referências

  1. European Society of Contact Dermatitis guideline for diagnostic patch testing: recommendations on best practice. Contact Dermatitis. 2015.
  2. North American Contact Dermatitis Group Patch Test Results: 2021 a 2022. Dermatitis. 2025.
  3. Advancing the understanding of allergic contact dermatitis: from pathophysiology to novel therapeutic approaches. Front Med. 2023.
  4. Standardization of dermoscopic terminology and basic dermoscopic parameters to evaluate in general dermatology (non-neoplastic dermatoses): an expert consensus on behalf of the International Dermoscopy Society. British Journal of Dermatology. 2020.
  5. Dermoscopy of inflammatory dermatoses (inflammoscopy): an up-to-date overview. Dermatology Practical and Conceptual. 2019.

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eritemavesículaexsudaçãopruridoardordorso das mãoslesão linearliquenificaçãofissura

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