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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Dermatite de estase

Padrão inflamatório(Eczema de estase, Dermatite varicosa, Dermatite gravitacional)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em junho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

Dermatite de estase é uma dermatite eczematosa associada à insuficiência venosa crônica dos membros inferiores.

Decorre de hipertensão venosa, edema persistente, extravasamento de plasma e hemácias, inflamação crônica e alterações progressivas da pele e do subcutâneo.

Acomete sobretudo o terço distal das pernas, com alterações mais evidentes ao redor do tornozelo medial.

Pode evoluir com hiperpigmentação por hemossiderina, fibrose, liquenificação, lipodermatoesclerose, atrofia branca e úlcera venosa.

É manifestação cutânea de doença venosa crônica: tratar apenas o eczema, sem controlar a hipertensão venosa, não resolve o quadro.

Epidemiologia

É mais comum em idosos e tende a ficar mais frequente com o envelhecimento populacional.

Ocorre em pacientes com varizes, edema crônico, refluxo venoso, trombose venosa prévia, obstrução venosa ou falha da bomba muscular da panturrilha.

Pode preceder, acompanhar ou agravar a úlcera venosa.

Lipodermatoesclerose, atrofia branca e úlcera venosa indicam doença venosa mais avançada.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Idade avançada
  • Permanência prolongada em pé ou sentada
  • Sexo feminino
  • Gestação
  • Obesidade
  • Predisposição familiar
  • Irritação local, maceração, trauma, coçadura, curativos inadequados e uso repetido de produtos tópicos, que agravam o quadro
  • Infecção secundária
  • Insuficiência venosa crônica, com varizes, edema crônico, refluxo venoso, obstrução venosa e falha da bomba muscular da panturrilha, que também são o principal fator de risco
  • Trombose venosa profunda prévia
  • Dermatite de contato irritativa ou alérgica, que pode coexistir; a sensibilização de contato é comum em pacientes com úlcera venosa crônica
  • Alérgenos relevantes: antibióticos tópicos (neomicina é o exemplo clássico e deve ser evitada sempre que possível), antissépticos, fragrâncias, bálsamo do Peru, lanolina, colofônia, conservantes, componentes de curativos, aceleradores da borracha e corticosteroides tópicos
  • Lipodermatoesclerose, atrofia branca e úlcera venosa, que indicam doença venosa crônica mais avançada

Patogênese

A dermatite de estase resulta de hipertensão venosa crônica, por incompetência ou destruição valvar, obstrução venosa ou falha da bomba muscular da panturrilha.

O refluxo pode ocorrer no sistema venoso superficial, no profundo ou em ambos: a incompetência valvar permite fluxo retrógrado e eleva a pressão venosa nos membros inferiores, sobretudo em ortostatismo.

A hipertensão venosa causa estase, distensão capilar e aumento da permeabilidade vascular, com extravasamento de líquido, proteínas plasmáticas e eritrócitos para a derme e o subcutâneo.

A degradação dos eritrócitos deposita hemossiderina, responsável pela hiperpigmentação acastanhada típica.

A hipertensão venosa também favorece acúmulo de leucócitos, ativação inflamatória, recrutamento de linfócitos T, mastócitos e macrófagos, e dano microvascular.

Macrófagos e outras células inflamatórias produzem metaloproteinases de matriz, cuja atividade aumentada degrada a matriz extracelular e leva a alteração da arquitetura dérmica, proliferação vascular, fibrose e dificuldade de cicatrização; íons férricos dos eritrócitos extravasados estimulam estresse oxidativo e ativam essas enzimas.

Esse conjunto explica o eczema, a hiperpigmentação, a fibrose, a lipodermatoesclerose e a tendência à ulceração.

Clínica

  • Acomete sobretudo o terço distal das pernas, com início ao redor do tornozelo medial
  • Quadro típico: edema, eritema mal delimitado, descamação, prurido, sensibilidade local e hiperpigmentação acastanhada por hemossiderina
  • Edema depressível, principalmente nas fases iniciais
  • Pele seca, eczematosa, descamativa e inflamada
  • Prurido, ardor, dor em peso, câimbras, inquietação nas pernas, formigamento e sensação de edema
  • Escoriações e liquenificação pela coçadura e pelo atrito
  • Curso crônico, recorrente e em geral bilateral, ainda que assimétrico
  • Dor ou sensibilidade sobretudo com inflamação intensa, edema importante, lipodermatoesclerose ou ulceração
  • Sem tratamento, evolui com fibrose, induração, atrofia branca, lipodermatoesclerose e úlcera venosa

Lipodermatoesclerose

  • Inflamação crônica e fibrose da pele, do subcutâneo e dos septos fibrosos
  • Aspecto de garrafa invertida, com estreitamento e endurecimento circular no terço distal da perna
  • Pele endurecida, aderida, brilhante e dolorosa, com hiperpigmentação acastanhada e menor mobilidade sobre os planos profundos
  • Atrofia branca: áreas esbranquiçadas, atróficas e cicatriciais, com telangiectasias e hiperpigmentação ao redor
  • Úlcera venosa: região supramaleolar medial, de bordas irregulares, exsudato variável, base fibrinosa ou granulante, com edema, hiperpigmentação e lipodermatoesclerose associados

Classificação

  • Dermatite de estase associada à insuficiência venosa crônica
  • Dermatite de estase com lipodermatoesclerose
  • Dermatite de estase com atrofia branca
  • Dermatite de estase com úlcera venosa
  • Dermatite de estase associada a dermatite de contato

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Complicações e cuidados

  • Hiperpigmentação por hemossiderina, que pode persistir mesmo após a melhora do edema e da inflamação
  • Fibrose, liquenificação, lipodermatoesclerose e atrofia branca
  • Úlcera venosa, de cicatrização lenta e recidivante enquanto a hipertensão venosa não é controlada
  • Dermatite de contato irritativa ou alérgica associada: a sensibilização é comum no paciente com úlcera venosa crônica
  • Infecção secundária
  • Irritação local, maceração e trauma por coçadura, curativos inadequados e uso repetido de produtos tópicos

Prognóstico

O curso é crônico e recorrente enquanto a insuficiência venosa persiste.

A melhora depende do controle da hipertensão venosa, da redução do edema, da compressão adequada e do cuidado regular da barreira cutânea.

As recidivas são comuns quando a compressão é irregular ou quando se mantém a exposição a irritantes e sensibilizantes tópicos.

Lipodermatoesclerose, atrofia branca e úlcera venosa marcam doença venosa mais avançada, e a úlcera cicatriza lentamente e recidiva se a hipertensão venosa não for corrigida.

Nos casos recalcitrantes ou que pioram com tópicos, lembrar da dermatite de contato associada.

Com manejo venoso, compressão e evitação de sensibilizantes, o eczema melhora, mas a manutenção é o que reduz recorrências.

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Referências

  1. A high prevalence of sensitization still persists in leg ulcer patients: a retrospective series of 106 patients tested between 2001 and 2002 and a meta analysis of 1975 a 2003 data. Br J Dermatol. 2004.
  2. Stasis Dermatitis: Pathophysiology, Evaluation, and Management. Am J Clin Dermatol. 2017.
  3. The 2022 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part I. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2023.
  4. The 2023 guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part II. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2024.

Achados (clique para explorar)

membros inferioreslesão acastanhadaeritemaescamapruridoescleroseúlceraatrofiacurso crônico e recorrenteedemaxerose
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