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Dermatite de estase

Padrão inflamatórioEpiderme, derme e subcutâneo(Eczema de estase, Dermatite varicosa, Dermatite gravitacional)

Conceito

Dermatite de estase é uma dermatite eczematosa associada à insuficiência venosa crônica dos membros inferiores.

Ocorre por hipertensão venosa, edema persistente, extravasamento de plasma e hemácias, inflamação crônica e alterações progressivas da pele e do subcutâneo.

Acomete principalmente o terço distal das pernas.

As alterações costumam ser mais evidentes ao redor do tornozelo medial.

Pode evoluir com hiperpigmentação por hemossiderina, fibrose, liquenificação, lipodermatoesclerose, atrofia branca e úlcera venosa.

É uma manifestação cutânea de doença venosa crônica e não deve ser tratada apenas como eczema.

O controle da hipertensão venosa é parte central do manejo.

Epidemiologia

A dermatite de estase é mais comum em idosos.

É uma das manifestações cutâneas da insuficiência venosa crônica.

Com o envelhecimento populacional, tende a ser cada vez mais frequente na prática clínica.

Pode ocorrer em pacientes com varizes, edema crônico, refluxo venoso, trombose venosa prévia, obstrução venosa ou falha da bomba muscular da panturrilha.

A dermatite de estase é importante porque pode preceder, acompanhar ou agravar úlceras venosas.

A presença de lipodermatoesclerose, atrofia branca ou úlcera venosa indica doença venosa mais avançada.

Fatores de risco

  • Fatores de risco incluem idade avançada, permanência prolongada em pé ou sentada, sexo feminino, gestação, obesidade, trombose venosa profunda prévia e predisposição familiar.
  • Varizes, edema crônico, refluxo venoso, obstrução venosa e falha da bomba muscular da panturrilha aumentam o risco.
  • Dermatite de contato, irritação local, maceração, trauma, coçadura, curativos inadequados, infecção secundária e uso repetido de produtos tópicos podem agravar o quadro.

Doenças associadas

  • A dermatite de estase associa se à insuficiência venosa crônica, varizes, edema crônico, refluxo venoso, trombose venosa prévia, obstrução venosa e falha da bomba muscular da panturrilha.
  • Pode coexistir com dermatite de contato irritativa ou alérgica.
  • A sensibilização de contato é comum em pacientes com úlcera venosa crônica.
  • Alérgenos relevantes incluem antibióticos tópicos, antissépticos, fragrâncias, bálsamo do Peru, lanolina, colofônia, conservantes, componentes de curativos, aceleradores da borracha e corticosteroides tópicos.
  • Neomicina é um exemplo clássico e deve ser evitada sempre que possível.
  • A presença de lipodermatoesclerose, atrofia branca ou úlcera venosa indica doença venosa crônica mais avançada.

Patogênese

A dermatite de estase resulta de hipertensão venosa crônica.

As principais causas são refluxo por incompetência valvar, destruição valvar, obstrução venosa ou falha da bomba muscular da panturrilha.

O refluxo pode ocorrer no sistema venoso superficial, profundo ou em ambos.

A incompetência valvar permite fluxo retrógrado.

Com isso, há aumento da pressão venosa nos membros inferiores, principalmente durante ortostatismo.

A hipertensão venosa causa estase, distensão capilar e aumento da permeabilidade vascular.

Ocorre extravasamento de líquido, proteínas plasmáticas e eritrócitos para a derme e o tecido subcutâneo.

A degradação dos eritrócitos leva ao depósito de hemossiderina.

Esse depósito contribui para a hiperpigmentação acastanhada típica.

A hipertensão venosa favorece acúmulo de leucócitos, ativação inflamatória, recrutamento de linfócitos T, mastócitos e macrófagos, além de dano microvascular.

Macrófagos e outras células inflamatórias produzem metaloproteinases de matriz.

A atividade aumentada dessas enzimas contribui para degradação da matriz extracelular, alteração da arquitetura dérmica, proliferação vascular, fibrose e dificuldade de cicatrização.

Íons férricos derivados de eritrócitos extravasados podem estimular estresse oxidativo e ativação de metaloproteinases.

Esse conjunto de hipertensão venosa, extravasamento sanguíneo, inflamação, dano microvascular e remodelamento da matriz explica o eczema, a hiperpigmentação, a fibrose, a lipodermatoesclerose e a tendência à ulceração.

Clínica

  • A dermatite de estase acomete principalmente o terço distal das pernas.
  • As alterações frequentemente começam ao redor do tornozelo medial.
  • A apresentação típica combina edema, eritema mal delimitado, descamação, prurido, sensibilidade local e hiperpigmentação acastanhada.
  • O edema costuma ser depressível, principalmente nas fases iniciais.
  • A hiperpigmentação decorre do depósito de hemossiderina.
  • A pele pode ficar seca, eczematosa, descamativa e inflamada.
  • Pode haver prurido, ardor, dor em peso, câimbras, inquietação nas pernas, formigamento e sensação de edema.
  • Com a coçadura e o atrito, podem surgir escoriações e liquenificação.
  • A dermatite de estase costuma ser crônica, recorrente e bilateral, embora possa ser assimétrica.
  • A dor ou sensibilidade pode ocorrer, especialmente quando há inflamação intensa, edema importante, lipodermatoesclerose ou ulceração.
  • Quando não tratada, pode evoluir com fibrose, induração, atrofia branca, lipodermatoesclerose e úlcera venosa.
  • A lipodermatoesclerose decorre de inflamação crônica e fibrose da pele, do subcutâneo e dos septos fibrosos.
  • Clinicamente, pode produzir aspecto de garrafa invertida, com estreitamento e endurecimento circular no terço distal da perna.
  • A pele torna se endurecida, aderida, brilhante e dolorosa.
  • Pode haver hiperpigmentação acastanhada, inflamação e redução da mobilidade da pele sobre os planos profundos.
  • A atrofia branca aparece como áreas esbranquiçadas, atróficas, cicatriciais, frequentemente com telangiectasias e hiperpigmentação ao redor.
  • A úlcera venosa ocorre tipicamente na região supramaleolar medial.
  • Costuma ter bordas irregulares, exsudato variável, base fibrinosa ou granulante e associação com edema, hiperpigmentação e lipodermatoesclerose.

Classificação

  • Dermatite de estase associada à insuficiência venosa crônica.
  • Dermatite de estase com lipodermatoesclerose.
  • Dermatite de estase com atrofia branca.
  • Dermatite de estase com úlcera venosa.
  • Dermatite de estase associada a dermatite de contato.

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Complicações e cuidados

  • Pode evoluir com hiperpigmentação por hemossiderina, fibrose, liquenificação, lipodermatoesclerose, atrofia branca e úlcera venosa.
  • Dermatite de contato associada, irritação local, maceração, trauma, coçadura, curativos inadequados e infecção secundária podem complicar o quadro.
  • A sensibilização de contato é comum em pacientes com úlcera venosa crônica.
  • Úlceras venosas podem cicatrizar lentamente e recidivar se a hipertensão venosa não for controlada.
  • Lipodermatoesclerose, atrofia branca ou úlcera venosa indicam doença venosa mais avançada.

Prognóstico

A dermatite de estase tem curso crônico e recorrente quando a insuficiência venosa persiste.

A melhora depende do controle da hipertensão venosa, redução do edema, compressão adequada e cuidado regular da barreira cutânea.

Recidivas são comuns quando a compressão é irregular ou quando há exposição contínua a irritantes e sensibilizantes tópicos.

A presença de lipodermatoesclerose, atrofia branca ou úlcera venosa indica doença venosa mais avançada.

Úlceras venosas podem cicatrizar lentamente e recidivar se a hipertensão venosa não for controlada.

A hiperpigmentação por hemossiderina pode persistir mesmo após melhora do edema e da inflamação.

Dermatite de contato associada deve ser lembrada em casos recalcitrantes ou com piora após tratamentos tópicos.

Quando o manejo venoso, a compressão e a evitação de sensibilizantes são adequados, o eczema tende a melhorar, mas a manutenção é essencial para reduzir recorrências.

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Referências

  1. A high prevalence of sensitization still persists in leg ulcer patients: a retrospective series of 106 patients tested between 2001 and 2002 and a meta analysis of 1975 a 2003 data. Br J Dermatol. 2004.
  2. Stasis Dermatitis: Pathophysiology, Evaluation, and Management. Am J Clin Dermatol. 2017.
  3. The 2022 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part I. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2023.
  4. The 2023 guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part II. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2024.

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