Você está no conteúdo aberto da Dermato Prática. Conheça os planos →
← Doenças

Dermatite fototóxica e fotoalérgica

FarmacodermiaPadrão inflamatório(fotossensibilidade induzida por drogas, reações de fotossensibilidade exógena, fotodermatite exógena, dermatite fotoalérgica de contato, reação fototóxica, reação fotoalérgica, fotodermatose exógena)

Conceito

Reações de fotossensibilidade exógena decorrem da interação entre radiação ultravioleta, predominantemente UVA (315-400 nm), ou luz visível e um agente fotossensibilizante externo, seja fármaco sistêmico ou tópico, cosmético ou substância vegetal.

Dividem-se em reação fototóxica e reação fotoalérgica, com mecanismos, epidemiologia e evolução distintos.

A reação fototóxica resulta de dano celular direto, é não imune, dose-dependente e pode ocorrer em qualquer indivíduo que receba dose suficiente do agente e de radiação, já na primeira exposição.

A reação fotoalérgica é uma hipersensibilidade celular do tipo IV, idiossincrásica, dose-independente, que só ocorre em indivíduos previamente sensibilizados.

O agente absorve fótons e passa a um estado excitado (estado tripleto) instável, gerando radicais livres e oxigênio singleto que lesam componentes celulares na fototoxicidade, ou sofre alteração estrutural formando um fotoalérgeno na fotoalergia.

O vidro comum filtra o UVB, mas não o UVA, de modo que as reações podem ocorrer mesmo atrás de vidro e em qualquer época do ano.

As lesões concentram-se em áreas fotoexpostas, poupando nitidamente as áreas fotoprotegidas.

Epidemiologia

A fotossensibilidade induzida por drogas responde por até 8% das reações adversas cutâneas a medicamentos.

A reação fototóxica é comum e muito mais frequente que a fotoalérgica.

A reação fotoalérgica é rara: entre 245 casos de fotossensibilidade por drogas diagnosticados na Unidade de Fotobiologia de Dundee, apenas 1 (0,04%) foi confirmado como fotoalergia.

Indivíduos de pele clara são mais suscetíveis às reações fototóxicas; o maior conteúdo de melanina dos fototipos altos confere alguma proteção, o que não se observa nas reações fotoalérgicas por sua natureza imune.

Cerca de 393 fármacos ou compostos têm potencial fotossensibilizante descrito.

Em série brasileira de teste fotoepicutâneo, a fotodermatite alérgica de contato foi diagnosticada em 62% dos pacientes investigados por lesões eczematosas fotoexpostas, e a dermatite alérgica de contato em 32%.

A incidência da fotodermatite alérgica de contato é desconhecida, estimada entre 2% e 10% dos pacientes encaminhados para investigação de fotodermatoses.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Exposição a radiação ultravioleta (solar, câmaras de bronzeamento, fototerapia, LEDs, lasers)
  • Fototipos claros (maior risco de reação fototóxica)
  • Sensibilização prévia ao fotoalérgeno (fotoalergia)
  • Contato com plantas contendo furocumarinas (fitofotodermatite)
  • Uso de filtros solares com oxibenzona (benzofenona-3) e de fragrâncias (fotoalergia de contato)
  • Polifarmácia, sobretudo em idosos
  • Exposição ocupacional (jardinagem, colheita, construção civil)
  • Uso de cosméticos e colônias com óleo de bergamota
  • Fitofotodermatite por furocumarinas (salsa, aipo, limão, figo, funcho, pastinaca, cenoura)
  • Dermatite de berloque por óleo de bergamota (5-metoxipsoraleno)
  • Lúpus eritematoso cutâneo subagudo induzido por droga
  • Reação pelagroide induzida por droga

Medicamentos associados

Agentes fototóxicos

  • Tetraciclinas
  • Tiazídicos
  • Quinolonas
  • Amiodarona
  • Voriconazol

Agentes fotoalérgicos

  • Anti-inflamatórios não esteroides tópicos (cetoprofeno, piroxicam, diclofenaco)
  • Fenotiazinas (clorpromazina, prometazina), como fotossensibilizantes

Patogênese

Os estágios iniciais são comuns aos dois tipos: o cromóforo, fármaco ou seu metabólito, absorve fótons de ultravioleta e passa a estado excitado tripleto, quimicamente instável.

Na fototoxicidade, a energia é liberada na pele por transferência a biomoléculas ou ao oxigênio molecular, gerando oxigênio singleto e espécies reativas de oxigênio; os radicais livres oxidam lipídios, proteínas e DNA, causando dano celular direto e morte de queratinócitos.

A reação fototóxica é dose-dependente tanto em relação ao fármaco quanto à radiação e ocorre apenas nas áreas que recebem luz, com a sombra das roupas delimitando as lesões.

Na fotoalergia, o ultravioleta, sobretudo UVA, altera estruturalmente o fármaco, que se liga a uma proteína dérmica ou epidérmica formando um antígeno completo (haptenização).

As células de Langerhans processam o antígeno e o apresentam via MHC II aos linfócitos T; segue-se o retorno de linfócitos T ativados para a pele, caracterizando reação de hipersensibilidade tardia tipo IV.

A fotoalergia exige sensibilização prévia com período de incubação de 7 a 10 dias, é dose-independente e tem limiar baixo, semelhante ao das reações de hipersensibilidade de contato não fotoinduzidas.

A maioria dos fármacos fototóxicos tem baixo peso molecular (200 a 500 Da) e configuração planar, tricíclica ou policíclica.

A maioria das reações resulta de exposição ao UVA; alguns fármacos respondem também ao UVB ou à luz visível.

Na fitofotodermatite, furocumarinas (psoralenos) presentes em plantas atuam como fotossensibilizantes potentes ativados pelo UVA.

Clínica

  • Erupção limitada a áreas fotoexpostas: face, "V" do decote e pescoço, dorso das mãos, antebraços extensores
  • Áreas fotoprotegidas nitidamente poupadas: pálpebras superiores, prega retroauricular, região submentoniana, base das dobras e sulcos nasolabiais

Fototóxica

  • Eritema doloroso e ardente tipo queimadura solar exagerada, edema, vesículas e bolhas
  • Início 30 minutos a 24 horas após a exposição, desencadeada já na primeira exposição
  • Pico em 24-48 horas com declínio gradual (padrão decrescendo); cura com hiperpigmentação

Fotoalérgica

  • Erupção eczematosa pruriginosa, por vezes liquenoide
  • Início 24 a 72 horas após a exposição, com aumento progressivo das lesões (padrão crescendo)
  • Pode disseminar-se para áreas não expostas e persistir após a suspensão do agente
  • Bordas menos nítidas que as da fototóxica e menor tendência a formar bolhas
  • Fitofotodermatite: eritema e/ou bolhas 24-72 horas após o contato, em estrias lineares, seguidos de hiperpigmentação 1 a 2 semanas depois
  • Dermatite de berloque: hiperpigmentação em pescoço, tronco e braços por colônia com óleo de bergamota
  • Subtipos: pseudoporfiria, foto-onicólise, hiperpigmentação e discromia cinza-ardósia, erupção fotoliquenoide, telangiectasia fotodistribuída, reação pelagroide, eritema multiforme fotodistribuído

Classificação

  • Fototóxica: dano celular direto, não imune, dose-dependente, sem sensibilização prévia, ocorre na primeira exposição, comum
  • Fotoalérgica: hipersensibilidade tardia tipo IV, imune, dose-independente, requer sensibilização prévia, rara
  • Por via do agente: sistêmica (predomina a fototóxica) ou tópica/de contato (predomina a fotoalérgica)
  • Subtipos fototóxicos: queimadura exagerada, pseudoporfiria, foto-onicólise, hiperpigmentação e discromia, telangiectasia fotodistribuída, reação pelagroide, fitofotodermatite, dermatite de berloque
  • Subtipos fotoalérgicos: dermatite eczematosa, reação liquenoide, eritema multiforme fotodistribuído, lúpus eritematoso cutâneo subagudo ou crônico induzido por droga

Histopatologia Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Diagnósticos diferenciais Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Manejo Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Procedimentos relacionados Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Complicações e cuidados

  • Hiperpigmentação pós-inflamatória residual
  • Foto-onicólise e onicodistrofia
  • Pseudoporfiria com fragilidade cutânea, bolhas, milia e cicatrizes
  • Persistência crônica e disseminação da dermatite fotoalérgica
  • Evolução para dermatite actínica crônica
  • Maior risco de melanoma e carcinoma espinocelular em locais de fototoxicidade prévia (ex.: voriconazol)
  • Fotoenvelhecimento precoce

Prognóstico

A reação fototóxica costuma resolver-se em poucos dias após o afastamento do agente e da luz, deixando hiperpigmentação transitória.

A reação fotoalérgica tende a ser mais crônica e pode persistir por meses mesmo após a suspensão do agente.

Alguns casos de fotoalergia evoluem para dermatite actínica crônica.

O prognóstico é bom com identificação e afastamento do agente e fotoproteção adequada.

Pérola clínica Assinante

Conteúdo para assinantes. Assinar →

Referências

  1. Drug-Induced Photosensitivity: Clinical Types of Phototoxicity and Photoallergy and Pathogenetic Mechanisms. Frontiers in Allergy. 2022.
  2. Drug-induced photosensitivity: culprit drugs, potential mechanisms and clinical consequences. Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft. 2021.
  3. Drug-Induced Photosensitivity - An Update: Culprit Drugs, Prevention and Management. Drug Safety. 2019.
  4. Testes fotoepicutâneos: série de 37 pacientes brasileiros. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2020.
  5. Chronic actinic dermatitis: a retrospective study of epicutaneous and photo epicutaneous tests between 2007-2023. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2025.

Achados (clique para explorar)

Médico ou estudante
Acesso completo

Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.

Aprenda comigo →
Paciente
Consulte com o Dr. Caio Formiga

Atendimento dermatológico em Palmas, TO: caioformiga.com.

Consulte comigo →