O dermatofibroma é uma proliferação fibro-histiocítica dérmica benigna, composta por células fusiformes de aspecto fibroblástico e por células histiocitoides, e é um dos tumores cutâneos benignos de partes moles mais frequentes na prática clínica.
Sua natureza ainda é discutida: parte dos dados sustenta um processo reacional (resposta fibro-histiocítica a trauma mínimo ou a picada de inseto), parte sustenta uma neoplasia verdadeira.
A lesão é dérmica: pode encostar na parte superior da gordura, mas não a infiltra em profundidade, e essa é a característica que a separa das proliferações fibro-histiocíticas agressivas.
É lesão benigna, que não precisa ser tratada quando o diagnóstico é seguro, mas imita lesões graves. A dúvida diagnóstica se resolve com biópsia, e não com destruição às cegas.
Em cerca de 15% a 20% dos casos avaliados histopatologicamente, trata-se de uma variante rara e não do dermatofibroma comum, e são justamente essas variantes que geram confusão clínica e histológica.
É uma lesão comum, que predomina em adultos.
Predomina no sexo feminino: em série de 239 lesões (232 pacientes), 61,2% eram mulheres e 38,7% homens.
A idade média nessa série foi de 40,7 anos (variação de 12 a 72 anos).
A topografia preferencial é o membro inferior: 50,8% dos casos, seguido de membro superior (35,2%), tronco (12,1%) e face (1,6%).
O tamanho médio das lesões foi de 7 mm (mediana de 5 mm; variação de 2 a 45 mm).
As variantes raras corresponderam a cerca de 15% dos casos: atrófica (7,5%), celular (4,6%), lipidizada (1,6%), aneurismática (0,8%) e esclerótica (0,4%); o dermatofibroma comum respondeu por 84,9%.
O dermatofibroma foi a primeira hipótese clínica em 87,4% dos casos, mas não figurou entre as hipóteses iniciais em 12,5%, o que mostra que a lesão engana com frequência não desprezível.
Os pacientes em que o dermatofibroma não foi cogitado eram significativamente mais velhos (média de 47,2 anos contra 39,9 anos) e tinham lesões menores.
Fatores de risco e doenças associadas
A patogênese permanece incerta.
Há associação relatada com trauma prévio e com picada de inseto, o que sustenta a hipótese de proliferação reacional a uma agressão dérmica.
A proliferação é composta por fibroblastos fusiformes uniformes e por células histiocitoides na derme, com aprisionamento do colágeno adjacente nas bordas da lesão.
As células dendríticas dérmicas do tipo I, positivas para fator XIIIa, residem na derme papilar e são abundantes no dermatofibroma, o que explica a marcação difusa por fator XIIIa e sustenta a natureza fibro-histiocítica da lesão.
A hiperplasia epidérmica e a hiperpigmentação da camada basal sobre o tumor (fenômeno de indução epidérmica) explicam o aspecto clínico: são elas que dão à lesão a cor castanha e o discreto espessamento da superfície, mesmo sendo o tumor inteiramente dérmico.
A retração do tumor sobre os septos fibrosos que o ancoram ao tecido subjacente explica o sinal da covinha.
Na variante aneurismática, a trombose focal e a quantidade de hemossiderina depositada determinam a cor da lesão, que pode ficar francamente escura ou enegrecida.
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Conteúdo para assinantes. Assinar →
O prognóstico é excelente: trata-se de lesão benigna, que não sofre transformação maligna e não regride espontaneamente.
As lesões tendem a persistir por anos, estáveis, sem repercussão sistêmica.
Após excisão completa, a recidiva é incomum no dermatofibroma comum.
As variantes celular, aneurismática e atípica têm risco aumentado de recidiva local e merecem reexcisão quando as margens são comprometidas.
O desfecho adverso relevante não é a lesão em si, mas o erro diagnóstico: uma lesão maligna tratada como dermatofibroma.
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
Aprenda comigo →Atendimento dermatológico em Palmas, TO: caioformiga.com.
Consulte comigo →