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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Dermatofibrossarcoma protuberans

malignaderme(DFSP, Dermatofibrossarcoma protuberante)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

Tumor fibroblástico cutâneo, sarcoma de baixo grau e de potencial maligno intermediário, formado por proliferação fusocelular dérmica e subcutânea que expressa CD34, marcador dos dendrócitos dérmicos da derme reticular.

Caracteriza-se pela translocação cromossômica t(17;22) (17q22;22q13), presente em mais de 90% dos casos, que funde os genes COL1A1 e PDGFB e gera a proteína de fusão COL1A1-PDGFB, com ativação constitutiva da via do receptor do fator de crescimento derivado de plaquetas.

O comportamento é o de um tumor localmente agressivo: infiltra amplamente o subcutâneo, apresenta extensões horizontais subclínicas assimétricas em dedos de luva, que podem ser muito longas, invade estruturas profundas e recidiva quando a exérese é incompleta, mas raramente produz metástases.

O diagnóstico é frequentemente tardio e os pacientes podem chegar com tumores grandes. Toda placa endurecida persistente do tronco, sobretudo sem trauma que a justifique, exige biópsia com confirmação histopatológica antes de qualquer cirurgia definitiva.

O tratamento é cirúrgico, com controle completo das margens, de preferência por cirurgia micrográfica de Mohs ou técnicas relacionadas.

Epidemiologia

Tumor raro, com taxas ajustadas por idade inferiores a 1 caso por 100.000 habitantes por ano nos estudos de base populacional.

O aumento recente da incidência é atribuído ao maior conhecimento do tumor entre os patologistas.

Com a queda da incidência do sarcoma de Kaposi associado ao HIV nos países desenvolvidos, o dermatofibrossarcoma protuberans é hoje, em alguns países, a forma mais comum de sarcoma cutâneo.

A idade ao diagnóstico situa-se entre 20 e 59 anos na maioria dos pacientes. O tumor ocorre de modo infrequente na infância ou como neoplasia congênita.

A razão entre homens e mulheres é de aproximadamente 1.

A topografia preferencial é o tronco, seguido das extremidades proximais e da virilha; a cabeça e o pescoço são acometidos com menor frequência.

A sobrevida relativa em cinco anos é alta, de 98% a 100%.

A transformação fibrossarcomatosa é evento raro, descrito em 9% a 20% dos casos, e é mais comum nas lesões recidivadas.

O fibroblastoma de células gigantes, variante pediátrica, surge na primeira infância e predomina em meninos.

Patogênese

A alteração genética definidora é a translocação cromossômica t(17;22), encontrada em mais de 90% dos casos, que envolve 17q22 e 22q13 e funde o gene COL1A1 ao gene PDGFB.

A translocação costuma vir acompanhada da formação de cromossomos em anel, mais comumente derivados do cromossomo 22.

A proteína de fusão COL1A1-PDGFB liga-se ao receptor do fator de crescimento derivado de plaquetas, expresso de forma constitutiva, e age como fator autócrino que estimula o crescimento das células do tumor.

Essa via explica a resposta ao imatinibe, inibidor de tirosinoquinase seletivo do receptor de PDGF.

A mesma translocação está presente no fibroblastoma de células gigantes, hoje considerado variante do dermatofibrossarcoma protuberans.

Na transformação fibrossarcomatosa, as células transformadas podem ou não conservar a translocação característica.

A disseminação sistêmica está fortemente associada a recidiva tumoral prévia.

A translocação e o transcrito do gene de fusão são detectáveis por FISH ou RT-PCR multiplex e servem como confirmação nos casos morfologicamente duvidosos.

Clínica

  • Tumor de crescimento muito lento, da cor da pele ou levemente amarelo-acastanhado, sem invasão epidérmica, com disseminação intracutânea e subcutânea
  • Por vezes se apresenta como lesão avermelhada, plana e elevada, firme, de bordas irregulares ou de aspecto multinodular
  • Placa firme, endurecida, de limites mal definidos, aderida aos planos profundos, que pode permanecer aparentemente estável por anos antes da fase nodular
  • Expansão progressiva da placa com surgimento de nódulos, que conferem o aspecto multinodular e protuberante que dá nome ao tumor
  • Superfície com atrofia, telangiectasias e aspecto cicatricial, sobretudo nas lesões de longa evolução
  • Aspecto que imita queloide ou cicatriz hipertrófica, uma das razões do atraso diagnóstico
  • Extensões horizontais subclínicas, assimétricas, em dedos de luva, que podem ser muito longas e ultrapassar amplamente os limites clínicos aparentes da lesão
  • Modificação recente e rápida da lesão sugere transformação fibrossarcomatosa
  • Localização preferencial no tronco, nas extremidades proximais e na virilha

Formas especiais

  • Forma congênita: presente já ao nascimento ou na infância, combinando placas, nódulos, atrofia, telangiectasias e alterações cicatriciais na mesma lesão
  • Fibroblastoma de células gigantes: variante da primeira infância, mais comum em meninos, com preferência por cabeça e pescoço, tronco e virilha

Classificação

  • Sarcoma cutâneo fibroblástico de potencial maligno intermediário, subclassificado pela morfologia e pela presença de transformação

Variantes

  • Convencional, com células fusiformes monomorfas em padrão storiforme
  • Pigmentada, ou tumor de Bednar, forma infrequente, com células contendo melanina em um dermatofibrossarcoma protuberans por outro lado típico
  • Fibrossarcomatosa, com maior celularidade, atipia citológica, aumento das mitoses e comportamento mais agressivo
  • Fibroblastoma de células gigantes, variante pediátrica com a mesma translocação COL1A1-PDGFB

Estadiamento

  • Não existe sistema de estadiamento padronizado para o dermatofibrossarcoma protuberans
  • Em geral considera-se o tumor primário como estádio I, a metástase linfonodal como estádio II e a metástase a distância como estádio III

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Complicações e cuidados

  • Recidiva local, a complicação mais frequente
  • Destruição local com invasão de estruturas profundas e morbidade importante
  • Transformação fibrossarcomatosa, mais provável nas lesões recidivadas
  • Metástase, muito rara na forma convencional e mais frequente nas lesões com transformação fibrossarcomatosa
  • Resistência primária ou secundária ao imatinibe
  • Prejuízo do controle histológico de margens por alterações citológicas induzidas pelo imatinibe

Prognóstico

A propensão é para a recidiva local, e a taxa depende da técnica cirúrgica: as séries relatam recidiva entre 0% e 40%, com taxas menores nos estudos mais recentes.

Após cirurgia micrográfica de Mohs e técnicas relacionadas com controle tridimensional de margens, a recidiva é de cerca de 1%, contra cerca de 6% após excisão local ampla.

Metástases linfonodais e a distância são muito raras nas séries recentes, e a sobrevida relativa em cinco anos é de 98% a 100%.

A transformação fibrossarcomatosa piora o prognóstico, com maior taxa de recidiva e ocorrência de metástases a distância.

A disseminação sistêmica está fortemente associada a recidiva tumoral prévia, de modo que lesões que recidivam repetidamente acumulam risco de transformação e de metástase.

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Referências

  1. Diagnosis and treatment of dermatofibrosarcoma protuberans. European consensus-based interdisciplinary guideline. European Journal of Cancer. 2015.
  2. Escobar GF, Ribeiro CK, Leite LL, Barone CR, Cartell A. Dermoscopy of dermatofibrosarcoma protuberans: what do we know? Dermatology Practical & Conceptual. 2019.
  3. Clinical and dermoscopic characteristics of cutaneous sarcomas: a literature review. Diagnostics. 2023.
  4. Dermoscopy of cutaneous neoplasms in skin of color: a systematic review by the International Dermoscopy Society Imaging in Skin of Color Task Force. Dermatology Practical & Conceptual. 2023.

Achados (clique para explorar)

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