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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Doença enxerto contra hospedeiro

Padrão inflamatório(DECH, Doença do enxerto contra o hospedeiro, Doença enxerto contra hospedeiro aguda, Doença enxerto contra hospedeiro crônica)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em junho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

A doença enxerto contra hospedeiro é uma complicação inflamatória grave e frequente do transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas, em que as células do doador atacam os tecidos do hospedeiro.

A pele é o órgão mais acometido em todas as formas da doença e costuma ser o primeiro sítio de suspeita clínica.

Também pode ocorrer, com menor frequência, após transfusão de hemoderivados não irradiados em hospedeiros imunocomprometidos, por transmissão materno-fetal ou após transplante de órgãos sólidos.

Manifesta-se como forma aguda, com exantema morbiliforme e possível evolução bolhosa grave, ou como forma crônica, com padrões liquenoides, poiquilodérmicos, escleróticos, mucosos e anexiais.

Epidemiologia

Ocorre em mais de 50% dos transplantes alogênicos de células-tronco hematopoiéticas.

A pele é acometida em cerca de 80% dos casos de doença aguda.

O aumento da frequência nas últimas décadas acompanha o maior uso de transplantes de doadores não aparentados compatíveis, em que as incompatibilidades HLA menores são mais frequentes do que nos doadores aparentados compatíveis.

Após transplante de órgãos sólidos, o risco é maior no transplante de intestino delgado, seguido por fígado, rim e coração.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Incompatibilidade HLA, o preditor isolado mais importante
  • Doador não aparentado
  • Doadora feminina para receptor masculino, sobretudo mulheres multíparas
  • Idade avançada
  • Fonte de células-tronco: sangue periférico tem maior risco, seguido por medula óssea e, por último, sangue de cordão umbilical
  • Regimes de condicionamento mieloablativos, que causam maior dano tecidual e aumentam o risco de doença aguda
  • Regimes não mieloablativos ou de intensidade reduzida, que diminuem a toxicidade inicial e o risco agudo, mas podem atrasar o início dos sintomas para além do período clássico de 100 dias

Doença aguda

  • Acomete principalmente pele, trato gastrointestinal e fígado
  • Gravidade cutânea avaliada pela porcentagem de superfície corporal acometida
  • Gravidade gastrointestinal avaliada pelo volume de diarreia e pela dor abdominal
  • Gravidade hepática avaliada pela elevação da bilirrubina

Doença crônica

  • Acomete pele, mucosa oral, mucosa genital, olhos, anexos, pulmões, rins, trato gastrointestinal e fígado
  • Mucosite oral liquenoide
  • Cicatrizes vaginais
  • Pterígio dorsal e anoníquia
  • Bronquiolite obliterante constritiva
  • Nefropatia membranosa e doença de lesões mínimas

Patogênese

Na doença aguda, o regime de condicionamento danifica os tecidos do hospedeiro e ativa as células apresentadoras de antígenos locais, que apresentam proteínas alteradas ou neoantígenos aos linfócitos do doador.

Os linfócitos do doador reconhecem esses complexos, proliferam e atacam os tecidos do hospedeiro, sobretudo pele, trato gastrointestinal e fígado.

Na doença crônica, a patogênese molecular é menos definida e envolve interação aberrante entre células B e células T.

As fases precoces cursam com aumento de IFN-gama, IL-2Ra e células T reguladoras; as fases tardias envolvem ativação de células B e elevação de TLR9.

As formas liquenoides crônicas mostram perfil Th1/Th17, e a utilidade do rituximabe em alguns casos reforça a participação da linhagem B.

Clínica

Forma aguda

  • Surge entre 2 e 6 semanas após o transplante, com pico em torno do dia 30; o limite de 100 dias é tradicional, mas não é obrigatório para o diagnóstico clínico
  • Erupção morbiliforme eritematosa, que começa em áreas acrais (mãos, pés e orelhas) e no tronco superior
  • Pistas precoces: eritema acral, coloração violácea nas orelhas e eritema folicular ou periecrino
  • Pápulas foliculares pontilhadas mais escuras ajudam a separar da farmacodermia morbiliforme inespecífica
  • Pode evoluir para placas eritematosas confluentes e, nos casos graves, simular síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica, em geral com envolvimento gastrointestinal e hepático

Forma crônica

  • Começa após 100 dias do transplante, com média em torno de 120 dias, precedida pela forma aguda ou de novo
  • A fase não esclerótica em geral precede a esclerótica
  • Padrão liquenoide, o mais comum: pápulas eritematovioláceas, levemente descamativas e coalescentes, em padrão reticulado, no dorso das mãos e dos pés, nos antebraços e no tronco
  • Outras morfologias não escleróticas: atopiforme, psoriasiforme, poiquilodérmica, lúpus símile e ceratose pilar símile
  • Formas escleróticas: líquen escleroso símile, placas esclerodermiformes ou morfeiformes e padrão fascite eosinofílica símile
  • As placas morfeiformes surgem em áreas de pressão ou trauma prévio, poupam a face e têm distribuição mais em placas do que a esclerodermia sistêmica

Classificação

  • Forma aguda: início nos primeiros 100 dias após o transplante, limite tradicional e arbitrário; pode haver início tardio, sobretudo após regimes não mieloablativos ou de intensidade reduzida
  • Forma crônica: início após 100 dias do transplante, precedida ou não pela doença aguda
  • Formas crônicas não escleróticas: liquenoide, atopiforme, psoriasiforme, poiquilodérmica, lúpus símile e ceratose pilar símile
  • Formas crônicas escleróticas: líquen escleroso símile, morfeiforme ou esclerodermiforme e fascite eosinofílica símile
  • Conclusão do laudo histopatológico, em três categorias: não é doença enxerto contra hospedeiro; doença enxerto contra hospedeiro possível; doença enxerto contra hospedeiro provável

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Complicações e cuidados

  • Doença aguda moderada a grave: acometimento cutâneo extenso, envolvimento gastrointestinal, elevação da bilirrubina, desidratação, distúrbios metabólicos, infecções, falência de órgãos e morte
  • Doença crônica: morbidade cutânea intensa, esclerose e restrição funcional
  • Mucosite oral liquenoide, cicatrizes genitais e alterações ungueais (pterígio dorsal, anoníquia)
  • Bronquiolite obliterante constritiva
  • Nefropatia membranosa e doença de lesões mínimas
  • Infecções intercorrentes pela imunossupressão prolongada, causa importante de mortalidade na doença crônica

Prognóstico

Na doença aguda moderada a grave, a mortalidade fica entre 30% e 50%.

Nos casos refratários a esteroides, sem terapia de salvamento eficaz, a mortalidade ultrapassa 70%.

Na doença crônica, a principal causa de óbito não é a atividade inflamatória direta, mas as complicações infecciosas da imunossupressão prolongada e profunda.

O prognóstico depende da extensão cutânea, do acometimento gastrointestinal e hepático, da resposta aos corticosteroides, da refratariedade, das infecções associadas e da gravidade sistêmica.

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Referências

  1. NIH Consensus Development Project on Criteria for Clinical Trials in Chronic Graft Versus Host Disease: II. The 2014 Pathology Working Group Report. Biol Blood Marrow Transplant. 2015.

Achados (clique para explorar)

eritemamáculapápulapavilhão auricularpalmas e plantaseritema violáceolesão reticuladaesclerosepoiquilodermiaacometimento de mucosas
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