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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Doenças das mucosas

Padrão inflamatório(Doenças da mucosa oral, Doenças da mucosa genital, Estomatologia, Líquen plano oral, Desordens orais potencialmente malignas, Leucoplasia oral, Eritroplasia oral, Candidose oral, Estomatite aftosa recorrente, Líquen escleroso genital)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

Grupo de doenças inflamatórias, infecciosas e potencialmente malignas que acometem a mucosa oral e a mucosa genital.

Reúne entidades que compartilham o mesmo terreno epitelial não queratinizado ou semiqueratinizado, dependem de exame direto da mucosa para o diagnóstico e frequentemente exigem biópsia para excluir displasia ou carcinoma.

Cinco entidades concentram a prática: líquen plano oral, desordens orais potencialmente malignas, candidose oral, estomatite aftosa recorrente e líquen escleroso genital.

Líquen plano oral é doença inflamatória crônica idiopática mediada por linfócitos T, com apresentação hiperceratótica (habitualmente assintomática) e apresentação erosiva (habitualmente sintomática), curso em surtos e remissões e risco baixo de transformação maligna.

Desordem oral potencialmente maligna é definida pelo grupo de trabalho da Organização Mundial da Saúde como qualquer anormalidade da mucosa oral associada a risco estatisticamente aumentado de desenvolver câncer de lábio ou de cavidade oral.

O termo "potencialmente maligno" indica potencial desconhecido para o surgimento futuro de tumor, ao contrário de "pré-maligno", que pressupõe inevitabilidade com tempo suficiente.

A lesão indica um campo de mucosa alterada em que o câncer é mais provável, mas o carcinoma não necessariamente surgirá exatamente no sítio da lesão visível, e pode surgir de mucosa clinicamente normal (conceito de cancerização de campo).

Candidose oral é a infecção fúngica mais comum da boca, oportunista, historicamente chamada de "doença dos doentes" porque não ocorre sem uma causa predisponente local ou sistêmica.

Estomatite aftosa recorrente é o processo inflamatório mais comum da mucosa oral, caracterizado por úlceras dolorosas recorrentes, autolimitadas, de etiologia multifatorial e desconhecida.

Líquen escleroso é dermatose inflamatória cicatricial com predileção pela pele genital de ambos os sexos; os termos antigos "balanite xerótica obliterante" e "kraurose vulvar" são sinônimos e não devem mais ser usados.

O sufixo "et atrophicus" foi abandonado porque parte dos casos cursa com epitélio hipertrófico, e não atrófico.

Epidemiologia

Líquen plano oral tem prevalência global estimada em 1,01%, com variação geográfica ampla: 0,49% na Índia e 1,43% na Europa.

A prevalência relatada é maior por estomatologistas (1,80%) do que por dentistas (0,61%) e dermatologistas (0,33%).

Predomina na quarta e quinta décadas de vida e é cerca de quatro vezes mais frequente em mulheres; é raro em crianças.

Na maioria dos casos (cerca de dois terços) ocorre como parte do líquen plano clássico; em até 25% ocorre isoladamente na boca.

Na maior casuística dermatológica brasileira (201 pacientes de serviço terciário de São Paulo, 2003-2021), 68,3% eram mulheres, a idade média foi de 55 anos e houve nítido predomínio acima dos 50 anos, com apenas dois casos abaixo de 20 anos.

Nessa série, o líquen plano era exclusivamente oral em 59,7%; havia acometimento cutâneo simultâneo em 23,3%, genital em 4,9%, ungueal em 2,5% e do couro cabeludo em 1%.

A mucosa jugal foi o sítio mais acometido (67,6%), seguida de língua (41,8%), gengiva (32,3%), lábio inferior (7,5%), lábio superior (1,5%) e palato (1%).

Leucoplasia (42%) e líquen plano oral (23%) são as duas desordens orais potencialmente malignas mais frequentes.

A maioria dos pacientes com desordens orais potencialmente malignas é de meia-idade ou idosa, com predomínio masculino.

Em populações ocidentais, mulheres idosas com leucoplasia de longa data e sem fatores de risco aparentes têm, paradoxalmente, risco significativo de progressão para câncer, o que sugere fator de risco endógeno.

Hábitos culturais determinam o padrão local: mascar noz de areca e betel é prevalente no sul da Ásia e eleva a prevalência de desordens orais potencialmente malignas; o fumo invertido (com a ponta acesa dentro da boca) é endêmico no litoral rural de Andhra Pradesh, na Índia, e ocorre também no Caribe, na América Latina, na Sardenha e nas Filipinas.

Candida albicans é isolada da cavidade oral em 30% a 50% da população geral saudável, 50% a 65% dos usuários de prótese dentária, 65% a 88% dos residentes de instituições de longa permanência e 90% a 95% das pessoas com infecção pelo HIV.

Candida albicans, C. tropicalis e C. glabrata respondem por mais de 80% das candidoses orais; junto com C. parapsilosis e C. krusei somam mais de 90% das candidoses orais e disseminadas.

Estomatite aftosa recorrente acomete entre 5% e 25% da população.

Aftas minor correspondem a 80% a 90% das lesões, as major a 10% a 15% e as herpetiformes a 5% a 10%.

A prevalência estimada de líquen escleroso é de até 3% em mulheres adultas e de 0,07% em homens.

O líquen escleroso genital feminino tem dois picos de idade: pré-puberal e pós-menopausa; nos homens também há apresentação bimodal, em meninos e em adultos.

A região anogenital concentra 85% dos casos de líquen escleroso; a forma extragenital responde por 15%.

História familiar é referida em 12% dos pacientes com líquen escleroso.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Tabagismo e etilismo (transformação maligna do líquen plano oral e leucoplasia)
  • Mascar tabaco, noz de areca ou betel
  • Fumo invertido, com a ponta acesa do cigarro dentro da boca
  • Infecção pelo vírus da hepatite C (líquen plano oral, em regiões específicas)
  • Papilomavírus humano de alto risco (leucoplasia e eritroplasia)
  • Exposição solar crônica ao vermelhão do lábio inferior (queilite actínica)
  • Fármacos indutores de reação liquenoide: dapsona, anti-inflamatórios não esteroidais, sulfonilureias, penicilamina, fenotiazinas, sais de ouro, betabloqueadores, hipoglicemiantes orais, antimaláricos, antiepilépticos, diuréticos, inibidores da enzima conversora de angiotensina, inibidores do fator de necrose tumoral alfa
  • Materiais restauradores dentários, especialmente amálgama, e acrílicos e compósitos dentários (lesões liquenoides de contato)
  • Cinamato e canela em alimentos e produtos de higiene oral
  • Estresse, ansiedade e depressão (desencadeiam e exacerbam o líquen plano oral e a estomatite aftosa)
  • Trauma mecânico da mucosa: dentes fraturados, próteses mal adaptadas, mordedura, escovação excessiva
  • Uso de prótese dentária, principalmente com má higiene e uso noturno
  • Xerostomia, síndrome de Sjögren, radioterapia de cabeça e pescoço e quimioterapia citotóxica
  • Corticosteroide inalatório sem bochecho após o uso
  • Antibióticos de amplo espectro, imunossupressores e corticosteroide sistêmico
  • Dieta rica em carboidratos e bebidas açucaradas
  • Extremos de idade (recém-nascidos e idosos)
  • Deficiência de ferro, de vitamina B12 e de folato
  • Diabetes mellitus e mau controle glicêmico
  • Imunodeficiência com contagem de linfócitos T CD4 baixa
  • Índice de massa corporal elevado e pênis sepultado (líquen escleroso masculino)
  • Ausência de circuncisão neonatal e ambiente úmido sob o prepúcio
  • Contato crônico com urina, hipospádia e correção de hipospádia
  • Trauma, cicatriz cirúrgica, radioterapia e queimadura solar (fenômeno de Koebner no líquen escleroso)
  • Vírus da hepatite C e outras hepatopatias crônicas (líquen plano oral)
  • Papilomavírus humano (líquen plano oral e carcinogênese)
  • Diabetes mellitus (associação confirmada em metanálise: 1,37% contra 0,75% nos controles)
  • Síndrome de Grinspan: tríade de líquen plano oral, diabetes mellitus e hipertensão arterial
  • Síndrome metabólica e dislipidemia, com índices aterogênicos mais altos no líquen plano oral do que no líquen plano cutâneo clássico
  • Doença tireoidiana autoimune, sobretudo hipotireoidismo e tireoidite de Hashimoto
  • Doenças gastrointestinais: doença celíaca, retocolite ulcerativa e doença de Crohn
  • Transtornos psiquiátricos, especialmente ansiedade e depressão
  • Deficiências hematínicas no líquen plano oral: hemoglobina baixa em 21,9%, ferro baixo em 13,6%, vitamina B12 baixa em 7,1% e ácido fólico baixo em 0,3% dos pacientes de uma série de 320 casos; homocisteína sérica elevada em 14,8%
  • Anemia ferropriva e outras deficiências hematínicas (candidose oral, glossite atrófica e queilite angular)
  • Síndrome de Plummer-Vinson (Paterson-Kelly): membranas esofágicas pós-cricoides, glossite atrófica, coiloníquia e disfagia por anemia microcítica hipocrômica
  • Câncer colorretal, encontrado em 12,5% dos pacientes com anemia ferropriva acima de 65 anos em uma casuística de candidose oral, o que obriga a investigar a origem da anemia
  • Infecção pelo HIV, leucopenia, linfopenia e neoplasias hematológicas (candidose oral como marcador)
  • Síndrome de Cushing, hipotireoidismo, hipoparatireoidismo e doença de Addison (candidose mucocutânea crônica associada a endocrinopatia)
  • Timoma com miastenia gravis (candidose mucocutânea crônica recorrente)
  • Anemia de Fanconi, com risco de carcinoma espinocelular oral 500 a 700 vezes maior e leucoplasia oral em 12% dos pacientes não transplantados de uma casuística brasileira
  • Disceratose congênita (síndrome de Zinsser-Cole-Engman): tríade de leucoplasia oral, hiperpigmentação reticulada da pele e distrofia ungueal
  • Síndrome de Behçet (estomatite aftosa recorrente)
  • Doença tireoidiana autoimune (15% das mulheres com líquen escleroso), anemia perniciosa, morfeia, psoríase, vitiligo e dermatite atópica em meninos
  • Obesidade, diabetes mellitus, doença arterial coronariana e tabagismo no líquen escleroso masculino
  • Língua geográfica associada a psoríase e atopia

Patogênese

No líquen plano, os dados disponíveis favorecem agressão aos queratinócitos basais mediada por linfócitos T do padrão Th1, com participação de células dendríticas plasmocitoides e mastócitos.

Antígenos próprios da camada basal são expostos e desencadeiam a resposta; células dendríticas plasmocitoides e queratinócitos estimulados liberam interferons do tipo 1 (interferon alfa), que ativam linfócitos T CD8 citotóxicos.

Na fase de indução, os queratinócitos basais lesados atraem mais linfócitos T CD8, gerando ciclo autoperpetuado que explica a cronicidade.

RANTES liberada pelos linfócitos T degranula mastócitos, que liberam fator de necrose tumoral alfa, o qual reestimula a secreção de RANTES em alça de retroalimentação positiva.

Na fase de evolução, a metaloproteinase de matriz 9, secretada por linfócitos T efetores, degrada a zona da membrana basal e facilita a entrada dos linfócitos T CD8 no epitélio.

Estão elevados na saliva de pacientes com líquen plano oral: interleucinas 4, 6, 8 e 17, interferon gama, fator de necrose tumoral alfa, cortisol e óxido nítrico.

Há resposta inflamatória de interferon do tipo II dependente de JAK2 e STAT1, o que fundamenta o uso de inibidores da JAK.

O eixo Th17/interleucina 17 está bem estabelecido, e a via Th9/interleucina 9 potencializa a citotoxicidade Th17 por indução de metaloproteinase 9.

Autoanticorpos estão elevados em 61% dos pacientes com líquen plano oral (antiqueratinócito, antinuclear, antidesmogleína 1 e 3, antimitocôndria, antitireoglobulina), mas nenhum antígeno desencadeante definitivo foi identificado.

Gatilhos externos do líquen plano incluem infecções virais (vírus da hepatite C, papilomavírus humano, vírus da hepatite B, herpes-vírus humanos 6 e 7, vírus varicela-zóster), fármacos, amálgama dentário, vacinas e estresse psicológico.

No Japão, no Oriente Médio e no sul da Europa a associação com o vírus da hepatite C é significativa: pacientes com líquen plano oral têm risco até seis vezes maior de infecção pelo vírus, e portadores do vírus têm risco duas a quatro vezes maior de desenvolver líquen plano oral.

Há agregação familiar em até 10% dos casos e associação com locos HLA específicos conforme a população.

Na transformação maligna do líquen plano oral participam metaloproteinases 1, 2 e 9, expressão aumentada de c-myc, cortisol salivar, óxido nítrico e interleucinas; alterações epigenéticas (metilação do DNA), e não alterações cromossômicas, são o achado característico das lesões que se transformam.

A inflamação crônica gera microambiente semelhante ao tumoral e é hoje considerada fator definido de transformação maligna, em paralelo ao que ocorre no câncer associado a colite.

Na candidose, Candida transita de comensal a patógeno quando as defesas do hospedeiro falham; a adesão à mucosa é o passo essencial da colonização e da infecção.

Candida detecta alterações do ambiente e responde com troca fenotípica de levedura para hifa ou pseudo-hifa; a hifa cresce de modo direcional (tigmotropismo) e invade ativamente as junções intercelulares.

Além da penetração ativa, Candida albicans invade por endocitose: enzimas líticas e invasinas expressas na hifa degradam a caderina E e outras proteínas juncionais, e o fungo é internalizado pela célula epitelial.

Aspartil-proteinases secretadas e fosfolipases degradam membrana basal, matriz extracelular e junções epiteliais, além de destruir imunoglobulinas e peptídeos antimicrobianos do hospedeiro.

A candidalisina, toxina peptídica citolítica secretada pela hifa, é essencial para o dano epitelial e para o desenvolvimento da candidose oral.

A faixa de pH que permite o crescimento de Candida é de 3,0 a 8,0, com ótimo entre 5,1 e 6,9; metabólitos ácidos (piruvato, acetato) têm potencial citopático e contribuem para a inflamação intensa da mucosa.

A defesa antifúngica da mucosa depende de imunidade celular: as células Th17 produzem interleucina 17 e interleucina 22, que recrutam neutrófilos; pacientes com HIV e depleção de CD4 e pacientes com deficiência de Th17 são muito suscetíveis.

A forma hereditária da candidose mucocutânea crônica decorre de defeitos de resposta de interleucina 17 e 22; a causa mais frequente são mutações autossômicas dominantes com ganho de função em STAT1; a síndrome de hiper-IgE por defeito de STAT3 também cursa com Th17 e Th22 deficientes.

Na estomatite aftosa recorrente, a inflamação é imunomediada e não infecciosa; a dor deriva do excesso de inflamação e da irritação química das terminações nervosas aferentes na junção das camadas epitelial e subepitelial.

No líquen escleroso, a etiologia é contestada; há evidência de mecanismo autoimune, com anticorpos tecido-específicos e associação a outras doenças autoimunes em mulheres, o que não se confirma em homens.

Autoanticorpos circulantes contra a proteína 1 da matriz extracelular estão presentes em ambos os sexos (em cerca de 80% dos pacientes na descrição clássica).

Nos homens o líquen escleroso associa-se a oclusão urinária por microincontinência decorrente do funcionamento defeituoso da fossa navicular e dos lábios do meato como válvula de baixa pressão; a doença é rara em meninos circuncidados ao nascimento, o que apoia o papel do ambiente úmido sob o prepúcio.

A associação com urostomia, ileostomia, hipospádia e correção de hipospádia reforça o papel da umidade, da irritação e do contato com urina.

Trauma predispõe ao líquen escleroso, que pode surgir em feridas cirúrgicas, cicatrizes de radioterapia e após queimadura solar (fenômeno de Koebner).

Há associações genéticas e com antígenos HLA de classe II em ambos os sexos; a participação da Borrelia permanece controversa e não há evidência de ligação no Reino Unido.

Clínica

LÍQUEN PLANO ORAL

  • Sintomas: odinofagia, disfagia, disgeusia e sensibilidade a alimentos quentes e condimentados
  • Lesões quase sempre bilaterais e mais ou menos simétricas, em mucosa jugal, língua, gengiva, lábios e palato, geralmente multifocais; a mucosa jugal é o sítio típico
  • Forma reticular: a mais comum e habitualmente assintomática; rede rendilhada de linhas branco-acinzentadas discretamente elevadas, as estrias de Wickham, entremeadas de pápulas e anéis
  • Estrias de Wickham são as linhas brancas rendilhadas produzidas pela hipergranulose focal do epitélio; na mucoscopia aparecem como estruturas branco-peroladas brilhantes, com véu branco-azulado na periferia
  • Forma papular: rara, pápulas brancas pequenas com estrias finas na periferia, normalmente acompanhada de outra variante
  • Forma em placa ou verrucosa: placa branca homogênea irregular, semelhante a leucoplasia, sobretudo no dorso da língua e na mucosa jugal
  • Forma atrófica ou eritematosa: lesões eritematosas difusas, com estrias brancas reticulares circundadas por área eritematosa
  • Forma erosiva: aspecto atrófico com áreas de ulceração, eritema e estrias brancas em rede, por vezes com pseudomembrana; é a forma recorrente e resistente e a de maior risco de transformação maligna
  • Sintomas da forma erosiva vão de ardência leve a dor incapacitante, com prejuízo da fala, da mastigação e da deglutição
  • Forma bolhosa: a mais rara; bolhas dolorosas que crescem e rompem, deixando ulceração; pode haver sinal de Nikolsky positivo (descolamento do epitélio à pressão tangencial sobre pele ou mucosa aparentemente sã)
  • Gengivite descamativa: gengiva eritematosa, erodida e descamativa, apresentação erosiva característica quando restrita à gengiva
  • A intensidade dos sintomas é proporcional ao grau de inflamação e ao eritema clínico: lesões minimamente inflamadas são indolores, as erosivas e ulcerativas são as mais dolorosas
  • Síndrome vulvovaginal-gengival: líquen plano de vulva, vagina e gengiva, em geral na forma erosiva
  • Síndrome penogengival: contraparte masculina, com envolvimento oral limitado à gengiva, sob a forma de gengivite descamativa, e erosões da glande, além de lesões reticulares e eritematosas
  • Em cerca de três quartos dos casos as lesões orais e genitais ocorrem simultaneamente
  • Até metade dos pacientes tem lesões cutâneas, cuja presença auxilia o diagnóstico em casos atípicos
  • Sequelas de longa evolução: atrofia da mucosa, depapilação lingual, cicatrizes leucoceratóticas e sinéquias no sulco gengival ou no freio lingual

LEUCOPLASIA

  • Placa predominantemente branca, de risco questionável, após exclusão de outras doenças que não conferem risco de câncer; não se destaca à raspagem e não desaparece ao estiramento da mucosa
  • Forma homogênea: mácula branca fina e uniforme, de superfície lisa, bem delimitada, com fissuras superficiais rasas; habitualmente assintomática
  • Forma não homogênea: bordas mais difusas, com componentes vermelhos ou nodulares; subtipos nodular (excrescências arredondadas ou polipoides), verrucosa (superfície elevada, enrugada ou corrugada) e eritroleucoplasia (mista, branca e vermelha, mantendo caráter predominantemente branco)
  • LEUCOPLASIA PROLIFERATIVA VERRUCOSA, leucoplasia multifocal, progressiva, persistente e irreversível, em mais de dois sítios orais, com área verrucosa; espalha-se e coalesce; frequente em gengiva, processo alveolar e palato; pode iniciar-se como lesão plana branca ou com aparência liquenoide
  • ERITROPLASIA, mácula vermelha viva, solitária, plana ou deprimida, bem delimitada, de superfície fosca; provoca desconforto, formigamento e sensibilidade ao toque, a bebidas quentes e a alimentos condimentados

FIBROSE SUBMUCOSA ORAL

  • Ardência da mucosa e intolerância a alimentos condimentados
  • Sinais iniciais: mucosa coriácea, palidez, perda das papilas linguais, petéquias e ocasionalmente vesículas
  • Com a progressão surgem bandas fibrosas em lábios, mucosa jugal e palato mole, que levam à limitação da abertura bucal; há ainda rigidez e limitação da mobilidade lingual, úvula encurtada ou deformada e bochechas encovadas

QUEILITE ACTÍNICA

  • Placas brancas descamativas localizadas ou difusas com áreas vermelhas entremeadas no vermelhão do lábio inferior; em casos muito leves, apenas ressecamento labial
  • A cor branca decorre da hiperceratose e a vermelha, da atrofia epitelial ou da erosão que deixa transparecer a vasculatura
  • LESÕES LIQUENOIDES ORAIS, linhas brancas reticulares, lineares ou anulares, pápulas e por vezes placas, com áreas vermelhas e erosivas com estrias brancas; caracteristicamente assimétricas, podendo ser unilaterais
  • LESÕES ORAIS DE DOENÇA DO ENXERTO CONTRA O HOSPEDEIRO, aspecto liquenoide, eritema, atrofia e ulceração, relatados em mais de 90% dos pacientes com a doença; a forma aguda é dolorosa, ulcerada, com desepitelização marcada, e a crônica cursa com placas hiperceratóticas esbranquiçadas
  • LESÕES PALATINAS DO FUMANTE INVERTIDO, placas brancas espessas do palato, nodularidade da mucosa, excrescências em torno dos orifícios das glândulas salivares menores, mácula amarelo-acastanhada, eritema e ulceração
  • LÚPUS ERITEMATOSO ORAL, zona circular central de mucosa atrófica com ulceração superficial, circundada por estrias esbranquiçadas, muitas vezes em configuração de alvo; mucosa jugal, palato e lábios são os sítios mais acometidos
  • CANDIDOSE PSEUDOMEMBRANOSA, placas ou pontos brancos aderentes, semelhantes a leite coalhado ou queijo cottage, que podem ser removidos deixando base eritematosa
  • CANDIDOSE ERITEMATOSA, mácula vermelha da mucosa; o nome atrófica foi abandonado porque mais de 60% dos casos mostram aumento, e não redução, da espessura epitelial
  • CANDIDOSE HIPERPLÁSICA, placa branca aderente, homogênea ou nodular (salpicada), que não se destaca à raspagem, habitualmente assintomática, mais comum na mucosa jugal anterior, nas comissuras e no dorso da língua
  • QUEILITE ANGULAR, eritema e fissuração das comissuras labiais, mais frequentemente bilateral; pode decorrer de infecção por Candida, de infecção sinérgica com Staphylococcus aureus ou de causa não infecciosa
  • GLOSSITE ROMBOIDE MEDIANA, área elíptica ou romboide de atrofia papilar e eritema na linha média do dorso posterior da língua, imediatamente anterior às papilas circunvaladas; é variante da candidose eritematosa e não anomalia do desenvolvimento
  • ESTOMATITE PROTÉTICA, eritema e edema crônicos de parte ou de toda a mucosa palatina e do rebordo alveolar em contato com a prótese; formas localizada (hiperemia puntiforme), difusa (eritematosa generalizada) e granular (hiperplasia papilar inflamatória)
  • GLOSSITE ATRÓFICA, atrofia das papilas com superfície lisa, por vezes dolorosa, sensível ou com ardência, podendo assumir aspecto vermelho vivo
  • QUEILOCANDIDOSE E CANDIDOSE JUXTAVERMELHÃO, placas eritematosas, pruriginosas, com crostas amareladas na pele justaposta ao vermelhão, com ou sem descamação do vermelhão, desencadeadas por lambedura habitual dos lábios ou microtrauma
  • CANDIDOSE OROFARÍNGEA, lesões no terço posterior da língua, palato mole, paredes laterais e posterior da faringe e tonsilas
  • CANDIDOSE SUPURATIVA, entidade rara, com mucosite ulcerativa necrosante, abscesso submucoso, infecção dérmica semelhante a celulite ou osteomielite dos maxilares
  • ÚLCERA ORAL CRÔNICA CANDIDÓSICA, mucosa erosiva difusa e sangrante, pequenas úlceras contínuas ou úlcera grande recoberta por placa espessa e brilhante, acinzentada ou amarelada, correspondente a biofilme organizado
  • AFTA MINOR, úlcera oval dolorosa menor que 1 cm, com fundo branco-acinzentado recoberto por pseudomembrana e halo eritematoso bem definido, em mucosa não queratinizada; cicatriza em 7 a 14 dias sem cicatriz
  • AFTA MAJOR, úlcera maior que 1 cm, mais profunda e mais duradoura, com cicatrização entre 20 e 30 dias e formação de cicatriz
  • AFTA HERPETIFORME, múltiplas úlceras pequenas agrupadas, de 1 a 3 mm, que coalescem em lesões maiores e podem levar até 15 dias para cicatrizar
  • LÍQUEN ESCLEROSO, lesões típicas: pápulas e placas brancas, de brilho porcelânico, muitas vezes com áreas de equimose; delling folicular (depressões puntiformes correspondentes aos óstios foliculares) pode ser proeminente e a hiperceratose é ocasional

LÍQUEN ESCLEROSO VULVAR

  • Prurido é o sintoma principal, muitas vezes pior à noite e capaz de perturbar o sono; dor ocorre quando há erosões ou fissuras; dispareunia ocorre com erosões, fissuras ou estreitamento do intróito
  • Sítios característicos: sulcos interlabiais, pequenos lábios, capuz do clitóris, clitóris e períneo; a lesão perianal ocorre em 30% das mulheres, podendo estender-se às nádegas e às pregas genitocrurais
  • Evolução cicatricial: reabsorção dos pequenos lábios, selamento do capuz do clitóris com recobrimento do clitóris e estreitamento do intróito
  • Vagina e colo do útero não são acometidos, ao contrário do líquen plano, salvo em prolapso vaginal significativo com mucosa queratinizada
  • LÍQUEN ESCLEROSO EM MENINAS, lesões semelhantes às da mulher adulta, mas a equimose pode ser muito exuberante e ser confundida com sinal de abuso sexual; acometimento perianal é frequente, com constipação por fissuras dolorosas e disúria

LÍQUEN ESCLEROSO PENIANO

  • Sítios comuns: glande, sulco balanoprepucial, freio e prepúcio; a queixa mais comum é dificuldade para a relação sexual; prurido não é sintoma proeminente; doença perianal praticamente não ocorre em homens
  • O estreitamento do prepúcio (postite constritiva) leva a parafimose, fimose e ereções dolorosas; 30% das fimoses do adulto foram atribuídas ao líquen escleroso em um estudo
  • Sintomas urológicos ocorrem em 10% dos pacientes; em prática urológica, doença uretral em 20% e doença meatal em 4%; a cicatrização perimeatal leva a estenose e obstrução, com progressão do meato à uretra peniana e bulbar até a forma panuretral
  • LÍQUEN ESCLEROSO EM MENINOS, a apresentação mais frequente é a fimose; acometimento da glande em 56% e do meato em 37%
  • LÍQUEN ESCLEROSO EXTRAGENITAL, placas branco-porcelânicas com delling folicular e equimoses no tronco superior, axilas, nádegas e faces laterais das coxas; habitualmente assintomático; variantes bolhosa extensa, anular, blaschkoide e ceratótica
  • LÍNGUA GEOGRÁFICA, placas bem demarcadas de atrofia com eritema, circundadas por borda branco-amarelada serpiginosa no dorso da língua
  • GRÂNULOS DE FORDYCE, pápulas branco-amareladas puntiformes no vermelhão e na mucosa jugal, correspondentes a glândulas sebáceas ectópicas
  • BALANITE DE ZOON, máculas vermelho-vivas, salpicadas, bem definidas e lisas na glande, por vezes com lesões "em espelho" na glande e no folheto interno do prepúcio

Classificação

Líquen plano oral

  • Formas hiperceratóticas: reticular, papular e em placa/verrucosa
  • Formas erosivas: erosiva, eritematosa atrófica e bolhosa
  • Critérios diagnósticos endossados pelo grupo de trabalho da Organização Mundial da Saúde exigem preenchimento de critérios clínicos e histopatológicos; quando apenas um deles é típico e o outro apenas compatível, usa-se o termo lesão liquenoide oral
  • Estratificação clínico-terapêutica proposta na casuística brasileira: leucoceratótica (estável, pouco sintomática), erosiva (intensa, sintomática) e atrófica (com sequelas, de longa evolução)

Desordens orais potencialmente malignas

  • Consenso da Organização Mundial da Saúde, 2020: leucoplasia; leucoplasia verrucosa proliferativa; eritroplasia; fibrose submucosa oral; líquen plano oral; ceratose/queilite actínica; lesões palatinas do fumante invertido; lúpus eritematoso oral; disceratose congênita
  • Entidades acrescentadas em 2020: lesões liquenoides orais e doença do enxerto contra o hospedeiro oral
  • Entidades com evidência limitada ou insuficiente: epidermólise bolhosa oral (evidência limitada), candidose hiperplásica crônica e hiperplasia verrucosa exofítica oral (evidência insuficiente)
  • Leucoplasia, homogênea e não homogênea (nodular, verrucosa e eritroleucoplásica)
  • Candidose oral aguda/crônica: pseudomembranosa e eritematosa
  • Candidose associada a Candida: estomatite protética (inflamação simples localizada, tipo eritematoso difuso e tipo granular/hiperplasia papilar inflamatória), glossite romboide mediana, queilite angular, queilocandidose e candidose juxtavermelhão
  • Candidose hiperplásica: em placa, nodular, granular papilar e sobre lesão primária queratinizada (leucoplasia, líquen plano oral, lúpus eritematoso)
  • Candidose mucocutânea crônica: tipo congênito/hereditário e tipo adquirido (focal ou difuso), associado a endocrinopatia ou a imunossupressão
  • Candidose orofaríngea (sinal de imunossupressão) e candidose oral supurativa
  • Estomatite aftosa recorrente: minor, major e herpetiforme
  • Líquen escleroso: genital (feminino, masculino, infantil) e extragenital

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Complicações e cuidados

  • Superinfecção por Candida das formas erosivas e ulcerativas do líquen plano oral, com sintomas graves e refratariedade até que a candidose seja tratada
  • Carcinoma espinocelular oral surgido em líquen plano oral, em leucoplasia, em eritroplasia, em fibrose submucosa, em queilite actínica, em lesões liquenoides e em doença do enxerto contra o hospedeiro oral
  • Carcinoma verrucoso, sobretudo na leucoplasia verrucosa proliferativa
  • Sequelas cicatriciais do líquen plano oral: atrofia da mucosa, depapilação lingual, cicatrizes leucoceratóticas e sinéquias no sulco gengival e no freio lingual, com dificuldade de higiene dentária e sensibilidade intensa a alimentos e líquidos
  • Limitação da abertura bucal na fibrose submucosa oral
  • Candidemia e candidose sistêmica, inclusive endocardite por Candida, com mortalidade de até 79% nas formas invasivas
  • Mucosite ulcerativa necrosante, abscesso submucoso, osteomielite dos maxilares e hiperplasia papilar inflamatória do palato duro na candidose não tratada
  • Candidose esofágica e orofaríngea no imunossuprimido
  • Cicatriz na afta major
  • Carcinoma espinocelular vulvar e peniano no líquen escleroso genital
  • Carcinoma espinocelular de uretra, raro, associado à estenose uretral crônica por líquen escleroso
  • Neoplasia intraepitelial vulvar diferenciada e neoplasia intraepitelial peniana
  • Estreitamento do intróito vaginal, com dispareunia e dificuldade miccional
  • Pseudocisto do clitóris por aderências do capuz clitoriano, doloroso e sujeito a infecção de repetição
  • Fimose, parafimose, aderências transcoronais e subcoronais, cicatrização do freio e ereções dolorosas
  • Estenose de meato e estenose uretral, com obstrução e alteração do jato urinário
  • Vulvodinia e disestesia peniana, que persistem apesar da resolução das lesões e não respondem a corticosteroide
  • Disfunção sexual e sofrimento psicossexual, que podem persistir após o tratamento bem-sucedido
  • Ansiedade e depressão associadas ao líquen plano oral, com prejuízo da qualidade de vida

Prognóstico

O líquen plano oral tem curso crônico, pontuado por episódios recorrentes e agravamentos que podem durar muitos anos; é mais frequente e mais difícil de tratar que a forma cutânea, que se resolve em dois terços dos pacientes em dois anos.

A resposta ao corticosteroide tópico é excelente na grande maioria dos casos: na casuística brasileira, o tratamento tópico isolado controlou 80,7% dos pacientes tratados.

As metanálises e revisões sistemáticas recentes situam a taxa de transformação maligna do líquen plano oral em torno de 1%, abaixo da fibrose submucosa e da leucoplasia; uma reanálise de 33 estudos e 12.838 pacientes concluiu que o risco é exagerado na literatura, e apenas 0,44% dos casos preencheram critérios estritos de transformação verdadeira.

O único estudo populacional que comparou pacientes com líquen plano oral a controles da mesma população encontrou taxa de transformação de 3,1% em 20 anos, com risco de carcinoma espinocelular oral cerca de cinco vezes maior; a transformação levou em média 5,5 anos e o carcinoma surgiu 14,7 anos mais cedo do que na população geral.

O risco de transformação é significativamente maior em fumantes, etilistas, portadores do vírus da hepatite C e nos que têm a forma erosiva; a topografia também pesa (língua acima de mucosa jugal, e esta acima de mucosa labial), assim como a extensão do acometimento.

Nas casuísticas, 46% a 54% dos carcinomas espinocelulares surgidos em líquen plano oral ocorrem na mucosa jugal, 30% na língua, 16% no lábio inferior e 8% em outros sítios; a evolução da lesão benigna até o carcinoma leva de 1 a 11 anos.

O carcinoma espinocelular relacionado ao líquen plano oral tem maior chance de metástase e pior prognóstico, o que sustenta abordagem terapêutica mais agressiva; os pacientes que desenvolveram carcinoma sobre lesões de líquen plano tiveram maior taxa de recidiva tumoral do que os com carcinoma primário.

Na casuística brasileira, o carcinoma espinocelular ocorreu em 4% dos 201 pacientes, todos com líquen plano de longa evolução e sequelas cicatriciais da mucosa; sete dos oito casos eram lesões pequenas e facilmente tratáveis. O fenômeno reproduz o surgimento de carcinoma sobre cicatrizes viciosas de outras dermatoses (a chamada úlcera de Marjolin, descrita em cicatrizes de queimadura, lúpus vulgar, lúpus eritematoso discoide, epidermólise bolhosa distrófica, hidradenite e poroceratose), e explica por que o seguimento prolongado é indispensável.

As desordens orais potencialmente malignas são heterogêneas: a proporção de progressão para câncer varia de 1,4% a 49,5% em seguimentos de 12 meses a 20 anos. Nos extremos, a leucoplasia verrucosa proliferativa e a eritroplasia mostram frequências próximas de 30% a 50% (a revisão sistemática estimou 49,5% para a leucoplasia verrucosa proliferativa) e o líquen plano oral mostra 1% a 2%. A leucoplasia tem risco variável, maior nas formas não homogêneas.

Não é possível prever quais queilites actínicas progredirão, independentemente do grau histológico; em série brasileira de 124 casos, 25% já mostravam carcinoma espinocelular inicial na biópsia.

A doença do enxerto contra o hospedeiro crônica multissistêmica é fator de risco significativo para tumores sólidos (risco relativo 1,8) e o risco é ainda maior para câncer oral (risco relativo 2,9) entre pacientes com mais de um ano de transplante.

A candidose oral é doença tratável e o prognóstico costuma ser favorável, mas a erradicação micológica é difícil, e a falha ou a recidiva são comuns por diagnóstico incorreto, por não se reconhecer outra doença associada, por não corrigir os fatores predisponentes ou por prescrição inadequada do antifúngico.

A candidose mucocutânea crônica difusa de início precoce é a forma mais grave e costuma ser resistente ao tratamento, ainda que a infecção permaneça relativamente superficial.

Mais da metade dos casos de candidose disseminada ou candidemia permanece sem diagnóstico no momento do óbito, e Candida em hemocultura nunca deve ser tratada como contaminante.

A estomatite aftosa recorrente é autolimitada e periódica: as aftas minor cicatrizam em 7 a 14 dias sem cicatriz, as major em 20 a 30 dias com cicatriz e as herpetiformes em até 15 dias.

No líquen escleroso genital feminino, o risco de malignidade é de aproximadamente 3,5% a 5%; no masculino, a taxa máxima relatada é de 12,5% e a mínima de 0%, com taxa global provavelmente de 4% a 5%, como nas mulheres.

Há evidência crescente de que o líquen escleroso feminino bem controlado tem risco reduzido de cicatrização e de malignidade, e o risco em doença não complicada, diagnosticada e tratada adequadamente, é pequeno.

Malignidade não foi relatada em meninas com líquen escleroso, mas pode haver cicatrização; o líquen escleroso da infância melhora com frequência na puberdade, embora possa persistir na vida adulta.

Para muitos homens, a circuncisão pode curar a doença, e eles podem receber alta após a consulta pós-operatória; ainda assim, o líquen escleroso pode recidivar após muitos anos.

O carcinoma espinocelular não se associa ao líquen escleroso extragenital.

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Referências

  1. Oral lichen planus: an updated review of etiopathogenesis, clinical presentation, and management. Indian Dermatology Online Journal. 2024.
  2. Oral lichen planus: case series and experience in a tertiary dermatology service in Brazil. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2023.
  3. Oral potentially malignant disorders: a consensus report from an international seminar on nomenclature and classification, convened by the WHO Collaborating Centre for Oral Cancer. Oral Diseases. 2021.
  4. Oral candidosis: pathophysiology and best practice for diagnosis, classification, and successful management. Journal of Fungi. 2021.
  5. Treatment of recurrent aphthous stomatitis: a systematic review. Medicina Oral Patología Oral y Cirugía Bucal. 2023.
  6. British Association of Dermatologists guidelines for the management of lichen sclerosus 2018. British Journal of Dermatology. 2018.

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