Grupo heterogêneo de afecções que acometem o aparelho ungueal: matriz, leito, lâmina, lúnula, dobras (proximal e laterais), cutícula, hiponíquio e banda onicodérmica.
O aparelho ungueal protege e dá suporte mecânico à falange distal, melhora o tato fino, permite apreensão de objetos pequenos e tem valor estético.
A lâmina é composta por queratina produzida por onicócitos e mantém aderência firme ao leito.
As unhas dos quirodáctilos crescem 2 a 3 mm/mês (cerca de 6 meses para renovação completa) e as dos pododáctilos 1 mm/mês (cerca de 12 meses).
As alterações ungueais não são apenas questão estética: podem ser pista de doença sistêmica, infecção ou neoplasia subjacentes.
A abordagem inclui história detalhada e exame de todas as 20 unhas, complementado por dermatoscopia, imagem, micologia e histopatologia quando necessário.
As causas abrangem etiologias infecciosas, inflamatórias, neoplásicas e traumáticas.
A onicomicose é o distúrbio ungueal mais comum, com prevalência mundial de 5,5% e responsável por cerca de 50% de todas as doenças ungueais vistas na prática; a prevalência chega a 20% em maiores de 60 anos.
A síndrome das unhas frágeis afeta até 20% da população, quase exclusivamente as unhas das mãos, com predomínio no sexo feminino (2:1).
A psoríase ungueal ocorre em 50% a 79% dos pacientes com psoríase cutânea, com incidência ao longo da vida estimada em 80% a 90%; 5% dos casos ocorrem sem psoríase cutânea.
A paroníquia é mais frequente em mulheres.
A onicofagia (roer unhas) acomete 20% a 30% da população geral e até 45% de crianças entre 10 anos e a puberdade.
O melanoma subungueal é mais comum em adultos entre a quinta e a sétima década de vida.
A retroníquia predomina em adultos jovens, sobretudo mulheres, e é mais frequente no hálux.
Fatores de risco e doenças associadas
A matriz é a estrutura germinativa que gera a lâmina: a matriz proximal forma a porção superficial e a matriz distal (lúnula) forma a porção ventral da lâmina.
Melanócitos residem na matriz; sua ativação (aumento de produção de melanina) ou hiperplasia (aumento do número de melanócitos) gera a melanoníquia longitudinal.
Insultos à matriz reduzem transitoriamente a atividade mitótica dos queratinócitos, adelgaçando a lâmina, origem das linhas de Beau, da onicomadese e da retroníquia, tidas como um continuum de gravidade crescente.
Na onicomicose, dermatófitos, fungos filamentosos e leveduras invadem a lâmina/leito produzindo hiperceratose subungueal, onicólise e distrofia.
Na psoríase ungueal, o acometimento da matriz proximal gera depressões puntiformes (focos paraceratóticos), a matriz distal gera leuconíquia, e o leito gera manchas em óleo, hiperceratose subungueal e onicólise.
A frágil composição queratínica e o baixo teor lipídico da lâmina reduzem a retenção de água, favorecendo o rachamento nas unhas frágeis.
Na paroníquia há ruptura da barreira protetora da dobra ungueal, permitindo invasão por patógenos (aguda) ou reação a irritantes/alérgenos (crônica).
Na retroníquia, a nova lâmina permanece parcialmente aderida à antiga e não migra distalmente, empilhando lâminas sobrepostas que traumatizam a dobra proximal.
Classificação
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Linhas de Beau e onicomadese são autolimitadas e têm excelente prognóstico, resolvendo com o crescimento se a matriz não for permanentemente lesada.
A onicomicose responde bem aos antifúngicos, mas a melhora é lenta (o crescimento da unha continua após o término do tratamento) e a recorrência é comum sem profilaxia.
A paroníquia aguda costuma resolver com medidas conservadoras ou drenagem; a crônica exige controle prolongado de umidade/irritantes.
A psoríase ungueal é crônica, e o sucesso terapêutico depende da adesão e da lentidão do crescimento ungueal.
A melanoníquia benigna é acompanhada com segurança; o melanoma subungueal tem prognóstico ruim pelo atraso diagnóstico frequente.
A retroníquia responde ao tratamento, mas recidiva em até 16% dos casos com manejo conservador.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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