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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Doenças das unhas

Padrão inflamatório(Distúrbios ungueais, Onicopatias, Alterações ungueais, Doenças do aparelho ungueal)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosAulas

Conceito

Grupo heterogêneo de afecções que acometem o aparelho ungueal: matriz, leito, lâmina, lúnula, dobras (proximal e laterais), cutícula, hiponíquio e banda onicodérmica.

O aparelho ungueal protege e dá suporte mecânico à falange distal, melhora o tato fino, permite apreensão de objetos pequenos e tem valor estético.

A lâmina é composta por queratina produzida por onicócitos e mantém aderência firme ao leito.

As unhas dos quirodáctilos crescem 2 a 3 mm/mês (cerca de 6 meses para renovação completa) e as dos pododáctilos 1 mm/mês (cerca de 12 meses).

As alterações ungueais não são apenas questão estética: podem ser pista de doença sistêmica, infecção ou neoplasia subjacentes.

A abordagem inclui história detalhada e exame de todas as 20 unhas, complementado por dermatoscopia, imagem, micologia e histopatologia quando necessário.

As causas abrangem etiologias infecciosas, inflamatórias, neoplásicas e traumáticas.

Epidemiologia

A onicomicose é o distúrbio ungueal mais comum, com prevalência mundial de 5,5% e responsável por cerca de 50% de todas as doenças ungueais vistas na prática; a prevalência chega a 20% em maiores de 60 anos.

A síndrome das unhas frágeis afeta até 20% da população, quase exclusivamente as unhas das mãos, com predomínio no sexo feminino (2:1).

A psoríase ungueal ocorre em 50% a 79% dos pacientes com psoríase cutânea, com incidência ao longo da vida estimada em 80% a 90%; 5% dos casos ocorrem sem psoríase cutânea.

A paroníquia é mais frequente em mulheres.

A onicofagia (roer unhas) acomete 20% a 30% da população geral e até 45% de crianças entre 10 anos e a puberdade.

O melanoma subungueal é mais comum em adultos entre a quinta e a sétima década de vida.

A retroníquia predomina em adultos jovens, sobretudo mulheres, e é mais frequente no hálux.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Trauma ungueal prévio e microtraumas de repetição
  • História de tinea pedis
  • Diabetes mellitus
  • Imunossupressão (incluindo HIV)
  • Hiperidrose e calçado oclusivo
  • Idade avançada
  • Trabalho úmido e exposição a irritantes/solventes químicos (paroníquia crônica, unhas frágeis)
  • Manicure agressiva, unhas artificiais e uso frequente de esmalte
  • Roer unhas e manipular cutículas
  • Unha encravada e calçado apertado
  • Fototipos mais altos (melanoníquia étnica)
  • Predisposição genética
  • Uso de retinoides, antirretrovirais, quimioterápicos e inibidores de protease
  • Psoríase e artrite psoriásica
  • Líquen plano (pterígio dorsal, distrofia das 20 unhas na criança)
  • Alopecia areata (pitting geométrico, traquioníquia, onicomadese)
  • Dermatite e doença de Darier
  • Deficiência de ferro (coiloníquia, Plummer-Vinson)
  • Cirrose hepática (unhas de Terry), doença renal crônica em hemodiálise (unhas meio a meio), hipoalbuminemia (unhas de Muehrcke)
  • Doença de Addison, síndrome de Cushing, hipertireoidismo e outras endocrinopatias (melanoníquia)
  • Síndromes de Peutz-Jeghers e Laugier-Hunziker
  • Infecção por HIV e imunossupressão
  • Doença mão-pé-boca por Coxsackievírus (onicomadese)
  • Endocardite, vasculite e SAF (hemorragias em estilha proximais)
  • Síndrome da unha amarela (linfedema, derrame pleural, bronquiectasia)
  • Síndrome unha-patela (mutação LMX1B)
  • Esclerodermia e colagenoses (pterígio inverso)
  • Esclerose tuberosa (fibromas periungueais/tumores de Koenen)
  • Fármacos: quimioterápicos, retinoides, antirretrovirais, inibidores de EGFR, antimaláricos, minociclina, ouro, AZT

Patogênese

A matriz é a estrutura germinativa que gera a lâmina: a matriz proximal forma a porção superficial e a matriz distal (lúnula) forma a porção ventral da lâmina.

Melanócitos residem na matriz; sua ativação (aumento de produção de melanina) ou hiperplasia (aumento do número de melanócitos) gera a melanoníquia longitudinal.

Insultos à matriz reduzem transitoriamente a atividade mitótica dos queratinócitos, adelgaçando a lâmina, origem das linhas de Beau, da onicomadese e da retroníquia, tidas como um continuum de gravidade crescente.

Na onicomicose, dermatófitos, fungos filamentosos e leveduras invadem a lâmina/leito produzindo hiperceratose subungueal, onicólise e distrofia.

Na psoríase ungueal, o acometimento da matriz proximal gera depressões puntiformes (focos paraceratóticos), a matriz distal gera leuconíquia, e o leito gera manchas em óleo, hiperceratose subungueal e onicólise.

A frágil composição queratínica e o baixo teor lipídico da lâmina reduzem a retenção de água, favorecendo o rachamento nas unhas frágeis.

Na paroníquia há ruptura da barreira protetora da dobra ungueal, permitindo invasão por patógenos (aguda) ou reação a irritantes/alérgenos (crônica).

Na retroníquia, a nova lâmina permanece parcialmente aderida à antiga e não migra distalmente, empilhando lâminas sobrepostas que traumatizam a dobra proximal.

Clínica

  • Linhas de Beau: sulcos transversais da lâmina por parada temporária do crescimento na matriz proximal
  • Onicomadese: separação completa e queda da lâmina, forma extrema das linhas de Beau (surge 4 a 8 semanas após o insulto)
  • Onicorrexe: fissuras e sulcos longitudinais com fragilidade da lâmina
  • Onicosquizia lamelar: descamação e clivagem horizontal da margem livre
  • Pitting: depressões puncturais, pequenas e bem demarcadas na superfície (psoríase, mais profundo; alopecia areata, grade geométrica regular e superficial)
  • Traquioníquia: unhas em lixa/papel de areia, rugosas
  • Coiloníquia: unha em colher (côncava); normal em crianças, no adulto associada a deficiência de ferro/Plummer-Vinson
  • Onicólise: descolamento distal da lâmina do leito
  • Onicauxe: hiperceratose subungueal com espessamento
  • Onicogrifose: espessamento e curvatura acentuada em garra
  • Hipocratismo/baqueteamento: crescimento de tecido mole na falange distal com lâmina curvada e alargada
  • Leuconíquia verdadeira (da matriz): pontuada, estriada (linhas de Mees por arsênico/tálio) ou difusa
  • Leuconíquia aparente (do leito, some à digitopressão): unhas de Terry (cirrose), unhas de Muehrcke (hipoalbuminemia), unhas meio a meio (doença renal crônica)
  • Eritroníquia longitudinal: faixa eritematosa da matriz à banda onicodérmica (líquen plano, doença de Darier)
  • Hemorragias em estilha: distais (trauma, psoríase, onicomicose) ou proximais (endocardite, vasculite, triquinose, SAF)
  • Melanoníquia longitudinal: faixa castanho-enegrecida no eixo longo da lâmina
  • Sinal de Hutchinson: pigmentação da dobra proximal/hiponíquio associada à melanoníquia; alerta de melanoma ungueal
  • Manchas em óleo/salmão, hiperceratose subungueal e onicólise na psoríase ungueal
  • Paroníquia aguda: inflamação e dor localizada da dobra, até 6 semanas, geralmente um só dígito, podendo formar abscesso
  • Paroníquia crônica: inflamação por mais de 6 semanas com perda da cutícula, arredondamento e sulcos da lâmina
  • Pterígio unguis (dorsal): cicatriz entre epiníquio e matriz, clássica do líquen plano
  • Pterígio inverso (pterygium inversum unguis): aderência do leito distal à face ventral da lâmina, associado a esclerodermia/colagenoses
  • Retroníquia: crescimento retrógrado da lâmina para dentro da dobra proximal, com descoloração amarela, exsudato e tecido de granulação
  • Onicocriptose (unha encravada): crescimento lateral excessivo da lâmina para a dobra, com reação tipo corpo estranho
  • Síndrome da unha verde: coloração esverdeada por piocianina de Pseudomonas
  • Síndrome da unha amarela: unhas amareladas, espessadas, curvas e sem cutícula, associada a linfedema e derrame pleural
  • Onicofagia: unhas curtas e irregulares, cutículas ausentes/rasgadas, hemorragias, melanoníquia e macrolúnula

Classificação

  • Onicomicose subungueal distal e lateral (mais comum): invasão a partir do hiponíquio distal-lateral em sentido proximal
  • Onicomicose subungueal proximal: início sob a cutícula, associada a imunossupressão (HIV)
  • Onicomicose branca superficial: placas brancas opacas facilmente removidas da superfície
  • Onicomicose endônix: acometimento da lâmina sem envolvimento do leito, com clivagem lamelar
  • Onicomicose distrófica total: forma mais avançada, evolução de formas crônicas
  • Paroníquia aguda (infecciosa), crônica (irritativa) e associada a quimioterapia (CAP)
  • Melanoníquia por causas não melanocíticas (hematoma subungueal, melanoníquia fúngica, unha verde, pigmento exógeno)
  • Melanoníquia por ativação melanocítica (étnica, gravidez, inflamatória, sistêmica, iatrogênica)
  • Melanoníquia por hiperplasia melanocítica (nevo da matriz, melanoma ungueal)
  • Fragilidade ungueal: onicosquizia lamelar, onicorrexe e granulação superficial da queratina

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Complicações e cuidados

  • Dor, dificuldade de marcha e de calçar sapatos
  • Impacto funcional e na qualidade de vida
  • Distrofia ungueal permanente (biópsia da matriz, insulto grave à matriz)
  • Abscesso e disseminação da infecção na paroníquia aguda
  • Onicólise e separação da lâmina do leito
  • Infecção secundária e osteomielite
  • Melanoma subungueal com diagnóstico tardio e prognóstico ruim
  • Carcinoma espinocelular subungueal
  • Recorrência da doença (onicomicose sem profilaxia; retroníquia em até 16%)
  • Retração do leito e microníquia após avulsão na retroníquia
  • Problemas orodentais e infecções na onicofagia

Prognóstico

Linhas de Beau e onicomadese são autolimitadas e têm excelente prognóstico, resolvendo com o crescimento se a matriz não for permanentemente lesada.

A onicomicose responde bem aos antifúngicos, mas a melhora é lenta (o crescimento da unha continua após o término do tratamento) e a recorrência é comum sem profilaxia.

A paroníquia aguda costuma resolver com medidas conservadoras ou drenagem; a crônica exige controle prolongado de umidade/irritantes.

A psoríase ungueal é crônica, e o sucesso terapêutico depende da adesão e da lentidão do crescimento ungueal.

A melanoníquia benigna é acompanhada com segurança; o melanoma subungueal tem prognóstico ruim pelo atraso diagnóstico frequente.

A retroníquia responde ao tratamento, mas recidiva em até 16% dos casos com manejo conservador.

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Referências

  1. Optimal diagnosis and management of common nail disorders. Annals of Medicine. 2022.
  2. Update on Diagnosis and Management of Onychophagia and Onychotillomania. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2022.
  3. LAMISIL (terbinafine hydrochloride) Tablets: highlights of prescribing information. US Food and Drug Administration. 2012.

Achados (clique para explorar)

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