Piodermite bacteriana ulcerada em que a infecção atravessa toda a epiderme e atinge a derme.
É considerada a forma profunda do impetigo: parte do mesmo espectro de infecção piogênica superficial da pele, porém com destruição tecidual em plano mais profundo.
Os agentes são os mesmos das piodermites superficiais: Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) e Staphylococcus aureus, isolados ou em associação.
A lesão elementar evolui de vesicopústula para úlcera de aspecto "em saca-bocado" (bordas abruptas, como se um fragmento de pele tivesse sido retirado com um punch), recoberta por crosta espessa e aderente.
Por comprometer a derme, cicatriza com sequela permanente, comportamento oposto ao do impetigo não bolhoso, que reepiteliza sem deixar cicatriz.
O termo não deve ser confundido com ectima gangrenoso, entidade distinta, ligada a bacteriemia por Pseudomonas aeruginosa em paciente imunossuprimido.
Predomina em crianças, faixa etária em que o impetigo é a infecção bacteriana cutânea mais frequente.
O impetigo, do qual o ectima é a variante profunda, responde por cerca de 10% das queixas cutâneas na população pediátrica, com pico entre 2 e 5 anos de idade e incidência maior no verão e no outono.
Considerando todas as faixas etárias, a frequência é igual entre homens e mulheres; entre adultos, os homens são mais acometidos.
A incidência é maior em climas quentes e úmidos e em países tropicais e em desenvolvimento.
Em climas quentes e úmidos predomina a forma estreptocócica das piodermites; em climas temperados, a estafilocócica.
Aglomerações favorecem a transmissão: creches, presídios e domicílios com muitos moradores por cômodo.
Fatores de risco e doenças associadas
Qualquer quebra da barreira cutânea expõe receptores de fibronectina, indispensáveis para a colonização por Streptococcus pyogenes e Staphylococcus aureus.
Uma vez instalada a lesão, a autoinoculação para outros sítios pela coçadura é regra.
Cerca de 35% da população é portadora de Staphylococcus aureus, com colonização preferencial das narinas anteriores, seguidas de períneo, axilas e espaços interdigitais dos pés, reservatório que aumenta o risco de piodermite.
No ectima, a invasão bacteriana não se limita à epiderme: progride até a derme, produzindo necrose e ulceração, o que explica a cicatriz residual.
A escoriação de picadas de inseto é o mecanismo desencadeante mais citado, ao romper a barreira e inocular a bactéria em profundidade.
Classificação
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Bom com tratamento antibiótico sistêmico adequado, com cura em cerca de 10 dias.
A resolução espontânea é possível, porém lenta.
A cicatriz é a regra, pois a ulceração alcança a derme; nesse ponto o prognóstico estético é pior que o do impetigo, que reepiteliza sem sequela.
A recidiva é frequente enquanto persistirem o fator predisponente (escabiose, picadas, má higiene) e a colonização nasal.
O prognóstico sistêmico depende da vigilância da glomerulonefrite pós-estreptocócica, que deve ser rastreada nos casos de etiologia estreptocócica com sinais de comprometimento renal.
Conteúdo para assinantes. Assinar →
Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
Aprenda comigo →Atendimento dermatológico em Palmas, TO: caioformiga.com.
Consulte comigo →