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Eritema nodoso

Padrão inflamatório(Eritema contusiforme, Paniculite septal aguda)

Conceito

O eritema nodoso é a forma mais comum de paniculite e o protótipo da paniculite septal.

Caracteriza-se pelo surgimento agudo de nódulos e placas subcutâneos eritematosos, firmes e dolorosos à palpação.

As lesões localizam-se predominantemente na face anterior das pernas, na região pré-tibial.

Representa uma reação de hipersensibilidade cutânea inespecífica a diversos antígenos.

Pode ser idiopático ou constituir o primeiro sinal de uma doença sistêmica subjacente.

As lesões involuem espontaneamente, sem ulceração, atrofia ou cicatriz.

Epidemiologia

É a paniculite mais frequente.

Acomete sobretudo mulheres entre a segunda e a quarta décadas de vida.

Nos adultos, a relação mulher:homem varia de cerca de 1:5 a 1:6.

Na infância não há predomínio por sexo até os 12 anos.

A incidência global estimada é de aproximadamente 1 a 5 casos por 100.000 pessoas.

A incidência e as causas variam conforme fatores étnicos, geográficos e sazonais.

Há maior número de casos no primeiro semestre do ano, quando as infecções estreptocócicas são mais frequentes.

Casos familiares foram descritos e costumam ter etiologia infecciosa.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Idiopático, a causa mais comum (30 a 55% dos casos)
  • Infecção estreptocócica, sobretudo faringite por estreptococo beta-hemolítico do grupo A, a causa identificável mais frequente
  • Hanseníase
  • Infecções gastrointestinais por Yersinia, Salmonella, Campylobacter e Shigella
  • Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia
  • Doença da arranhadura do gato (Bartonella)
  • Coccidioidomicose, histoplasmose, blastomicose e esporotricose
  • Dermatofitose, incluindo kerion celsi na infância (dermatofitide)
  • Mononucleose infecciosa, hepatite B e C, HIV, herpes simples e vírus Epstein-Barr
  • Sarcoidose (síndrome de Löfgren)
  • Doença inflamatória intestinal (doença de Crohn mais que retocolite ulcerativa)
  • Gravidez
  • Fármacos como contraceptivos orais, sulfonamidas, penicilinas e amoxicilina, brometos, iodetos, AINEs, inibidores de TNF-alfa e inibidores de aromatase
  • Vacinas
  • Neoplasias, sobretudo linfoma de Hodgkin e não Hodgkin e leucemia, raramente tumores sólidos
  • Síndrome de Löfgren (eritema nodoso, adenopatia hilar bilateral, febre, poliartrite e uveíte)
  • Tuberculose primária
  • Doença de Behçet
  • Síndrome de Sweet

Patogênese

É uma reação de hipersensibilidade a diversos estímulos antigênicos.

A maior parte das evidências aponta para uma resposta de hipersensibilidade tardia do tipo IV, com padrão de citocinas Th1.

Propõe-se também a formação e o depósito de imunocomplexos nas vênulas dos septos do tecido adiposo subcutâneo.

A produção de radicais livres de oxigênio, o TNF-alfa e a formação de granulomas participam do processo.

As lesões iniciais apresentam infiltrado neutrofílico com dano oxidativo tecidual.

Há aumento de citocinas envolvidas no recrutamento e na ativação de neutrófilos, como IL-6, IL-8, IL-12, interferon-gama, G-CSF e MCP-1, na pele e no soro.

Foi observada expressão de moléculas de adesão no endotélio, como E-selectina, P-selectina, PECAM, VCAM-1 e ICAM-1.

Os estrógenos modulam a resposta imune e podem contribuir para o predomínio no sexo feminino.

Clínica

  • Nódulos e placas subcutâneos eritematosos, dolorosos e quentes
  • Lesões de 1 a 6 cm de diâmetro, podendo variar de 1 a 10 cm
  • Distribuição bilateral e simétrica
  • Localização mais comum na região pré-tibial, na face anterior das pernas
  • Acometimento também de tornozelos, coxas, joelhos e antebraços
  • Nódulos mal delimitados por sua localização subcutânea profunda
  • Consistência firme no início, tornando-se mais flutuante na evolução
  • Nódulos móveis em relação aos planos profundos
  • Dor exacerbada pelo ortostatismo e aliviada com a elevação dos membros
  • Edema de tornozelos frequente
  • Evolução contusiforme, com mudança de vermelho para tons azulados e amarelo-acastanhados (eritema contusiforme)
  • Coexistência de lesões em diferentes estágios evolutivos
  • Ausência de ulceração, atrofia ou cicatriz
  • Fase prodrômica com febre, mal-estar, tosse e artralgia, 1 a 3 semanas antes do quadro
  • Artralgia e artrite, sobretudo de tornozelos e joelhos
  • Novas lesões surgindo por até 6 semanas, com cada nódulo durando cerca de 2 semanas

Classificação

  • Eritema nodoso agudo (forma clássica)
  • Eritema nodoso migrans / paniculite nodular migratória subaguda, com nódulos unilaterais, migratórios e de expansão centrífuga, pouco dolorosos, sobretudo em mulheres
  • Eritema nodoso crônico, com placas maiores, menos inflamatórias e persistentes
  • Forma tipo eritema nodoso da doença de Behçet, com padrão de paniculite lobular ou mista e vasculite

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Complicações e cuidados

  • Recorrência das lesões
  • Artralgia persistente, por até dois anos
  • Persistência por meses quando há doença subjacente não tratada
  • Sinalização de doença sistêmica grave subjacente, como tuberculose, sarcoidose, doença inflamatória intestinal ou neoplasia
  • Marcador de recidiva tumoral em pacientes com malignidade prévia

Prognóstico

O prognóstico é geralmente excelente, com resolução espontânea na maioria dos pacientes.

As lesões cutâneas costumam levar de 2 a 8 semanas para resolver, sem cicatriz ou alteração da pigmentação.

Há pequeno risco de recorrência.

Quando há doença subjacente, seu tratamento leva à resolução das lesões.

O eritema nodoso associado a malignidade é considerado marcador de pior prognóstico.

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Referências

  1. Erythema Nodosum: A Practical Approach and Diagnostic Algorithm. American Journal of Clinical Dermatology. 2021.
  2. Erythema nodosum - review of the literature. Reumatologia. 2016.
  3. Erythema nodosum: a sign of systemic disease. American Family Physician. 2007.
  4. Erythema Nodosum. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022.
  5. Eritema nodoso desencadeado por kerion celsi em crianças: revisão de literatura e relato de caso. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2024.

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