O eritema tóxico neonatal é uma erupção inflamatória benigna, estéril e autolimitada do recém-nascido a termo saudável, composta por máculas eritematosas, pápulas, pústulas e placas urticadas que surgem em surtos nos primeiros dias de vida e regridem sem sequelas.
É a pustulose benigna mais comum do período neonatal e o principal diagnóstico a ser reconhecido para não se tratar como infecção o que é fenômeno fisiológico.
Estudo multicêntrico brasileiro com 2.878 recém-nascidos de uma capital do Sul do país observou eritema tóxico neonatal em 21% dos neonatos, acima dos cerca de 16% descritos na literatura internacional; nos Estados Unidos estima-se que atinja até um terço dos nascidos a termo.
É raro em prematuros e em recém-nascidos com menos de 2.500 g.
Foi mais prevalente em recém-nascidos a termo, brancos (categoria autodeclarada no estudo de origem), do sexo masculino, com Apgar de 8 a 10 no primeiro minuto, nascidos na primavera e filhos de mães sem fator de risco gestacional.
A casuística brasileira não encontrou diferença entre parto vaginal e cesáreo, enquanto outros autores descreveram predomínio ora em um, ora em outro tipo de parto, e alguns relataram maior frequência em filhos de multíparas.
O perfil encontrado sugere tratar-se de achado do recém-nascido saudável.
Fatores de risco e doenças associadas
A etiologia continua indefinida, mas os estudos imuno-histoquímicos mostram ativação da resposta imune inata na lesão, com expressão de E-selectina, das citocinas pró-inflamatórias interleucina 1-alfa e interleucina 1-beta, da quimiocina interleucina 8, de eotaxina, de HMGB-1, das aquaporinas 1 e 3, de psoriasina e das óxido nítrico sintases.
O conjunto sugere reação inflamatória da pele à colonização por microrganismos comensais que a penetram ao nascimento.
Entre as hipóteses não confirmadas estão a diátese atópica, a hipersensibilidade imediata a alérgenos e a resposta a estímulos térmicos, mecânicos ou químicos.
A participação de linfócitos maternos transferidos no parto, que sustentaria reação semelhante à doença do enxerto contra o hospedeiro, não se confirmou.
A descrição do quadro em irmãos levanta a possibilidade de fatores ambientais e genéticos comuns.
Classificação
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Resolve-se espontaneamente em 5 a 7 dias na maioria dos neonatos, podendo levar até duas semanas ou algumas semanas nas formas atípicas.
Não deixa cicatriz nem hiperpigmentação residual.
Novos surtos podem ocorrer durante a primeira semana e não indicam agravamento.
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