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Eritrasma

Padrão inflamatório(Eritrasma, Erythrasma, Infecção cutânea por Corynebacterium minutissimum)

Conceito

Infecção bacteriana superficial crônica do estrato córneo causada por Corynebacterium minutissimum, um difteroide aeróbio Gram-positivo filamentoso que integra a flora cutânea normal.

Acomete preferencialmente áreas intertriginosas úmidas e ocluídas, produzindo placas eritêmato-acastanhadas finamente descamativas.

Emite fluorescência vermelho-coral à luz da lâmpada de Wood em razão da produção de porfirinas.

Faz parte do complexo das infecções corineformes cutâneas, ao lado da ceratólise puntacta e da tricomicose/tricobacteriose axilar, sendo a menos comum das três.

Epidemiologia

A prevalência mundial estimada é de 4 a 15% na população geral.

A frequência sobe para 40 a 50% em grupos de maior risco, como atletas, pessoas com diabetes e pessoas com obesidade.

É mais comum em climas quentes, úmidos, tropicais e subtropicais do que em climas temperados.

O eritrasma interdigital é a infecção bacteriana mais comum do pé.

Representa cerca de 44% das infecções dos espaços interdigitais dos pés em pessoas com diabetes e cerca de 17,6% das infecções cutâneas bacterianas em idosos.

Em série de pacientes com diabetes, 44% apresentavam eritrasma dos espaços interdigitais.

A infecção é mais frequente em pessoas com diabetes do que em outros pacientes de ambulatório (58% versus 43%).

Até 30% dos pacientes com eritrasma interdigital têm coinfecção coexistente por dermatófito ou Candida albicans, mais comum no terceiro e quarto espaços.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Umidade e oclusão das áreas intertriginosas
  • Clima quente e úmido / calor
  • Hiperidrose
  • Diabetes mellitus
  • Obesidade
  • Idade avançada
  • Má higiene
  • Imunossupressão / estado do hospedeiro comprometido
  • Diabetes mellitus (forma disciforme pode ser sinal precoce de diabetes tipo 2)
  • Coinfecção por dermatófitos e Candida albicans
  • Complexo das infecções corineformes cutâneas (ceratólise puntacta e tricomicose/tricobacteriose axilar)

Patogênese

Corynebacterium minutissimum coloniza e infecta o estrato córneo, a camada mais superficial da epiderme.

A proliferação é favorecida por ambiente quente, úmido e ocluído das dobras.

A bactéria produz porfirinas, predominantemente coproporfirina III (e também uroporfirina I), responsáveis pela fluorescência vermelho-coral sob a lâmpada de Wood.

Na histologia, observam-se bacilos filamentosos Gram-positivos dispostos em filamentos verticais no estrato córneo.

Clínica

  • Placas e máculas bem delimitadas, eritêmato-acastanhadas, com descamação fina
  • Lesões geralmente assintomáticas, podendo cursar com prurido
  • Coloração inicial vermelho-rosada que evolui para tom acastanhado
  • Superfície com descamação fina e maceração
  • Clareamento central; a borda pode aparecer levemente elevada em relação à pele adjacente
  • Nos fototipos altos e na pele negra, o eritema costuma manifestar-se como escurecimento sutil ou tom violáceo a acastanhado, em vez da vermelhidão clássica
  • Topografia típica em dobras: inguinal/crural, axilar, inframamária, intergluteal, umbigo e espaços interdigitais dos pés (particularmente o quarto)
  • Eritrasma interdigital: fissuração, descamação e maceração crônica e assintomática dos espaços interdigitais
  • Forma disciforme (placas maiores) pode ser sinal precoce de diabetes mellitus tipo 2
  • Eritrasma vulvar é incomum, por vezes não fluorescente, e pode ser confundido com candidíase persistente
  • Pode ser causa de prurido anal e de prurido vulvar

Classificação

  • Eritrasma das grandes dobras (inguinal/crural, axilar, inframamário, intergluteal)
  • Eritrasma interdigital dos pés
  • Eritrasma disciforme (generalizado)

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Complicações e cuidados

  • Recorrência frequente, sobretudo em pessoas com diabetes ou obesidade
  • Coinfecção por dermatófitos ou Candida albicans
  • Prurido anal e prurido vulvar
  • Infecções sistêmicas raras por C. minutissimum (septicemia, endocardite infecciosa, bacteriemia por cateter venoso central, abscessos mamários recorrentes, abscesso costocondral em pessoa com HIV)

Prognóstico

A resposta ao tratamento é geralmente boa, com a eritromicina sistêmica alcançando cura em até 100% dos casos.

A recorrência é comum, especialmente quando o tratamento é interrompido antes do desaparecimento completo da descamação e na presença de fatores predisponentes.

Em um estudo, a recidiva em 6 meses foi de cerca de 40% com pomada de Whitfield, 44% com eritromicina e 100% com tetraciclina.

O controle de fatores predisponentes, como diabetes e obesidade, e o tratamento dos reservatórios são importantes para reduzir recidivas.

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Referências

  1. Erythrasma: a systematic review of interventions. Clinical and Experimental Dermatology. 2025.
  2. Erythrasma revisited: diagnosis, differential diagnoses, and comprehensive review of treatment. Cureus. 2020.
  3. Management of cutaneous erythrasma. Drugs. 2002.

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