Eritrodermia é o eritema com descamação que acomete mais de 90% da superfície corporal.
Não é uma doença específica, e sim uma síndrome clínica: pode ser a via final de dermatoses inflamatórias, neoplásicas, infecciosas, medicamentosas ou genéticas.
Quando a descamação difusa é importante, também se chama dermatite esfoliativa.
Pode ser primária, quando o eritema toma quase toda a pele em dias a semanas, ou secundária, quando uma doença cutânea antes localizada se generaliza.
É condição potencialmente grave: a perda da função de barreira leva a distúrbios hidroeletrolíticos, alteração da termorregulação, hipoalbuminemia, infecção secundária, sepse e descompensação cardiovascular.
É mais comum em homens, com idade média em torno de 50 anos, e ocorre em qualquer idade, conforme a causa de base.
No adulto, as causas mais comuns são psoríase, dermatites eczematosas, reações medicamentosas e linfomas cutâneos de células T.
Em parte dos casos, mesmo após investigação, a causa permanece indefinida.
Fatores de risco e doenças associadas
A patogênese depende da causa de base.
A eritrodermia representa perda extensa da função de barreira, com inflamação difusa, descamação, perda de calor, perda proteica, maior risco de infecção e repercussão sistêmica.
A perda proteica pela descamação contribui para hipoalbuminemia, edema periférico e perda de massa muscular.
Os distúrbios de termorregulação se manifestam como hipertermia ou hipotermia.
Na psoríase eritrodérmica, a doença surge em paciente com psoríase vulgar prévia ou, menos vezes, como apresentação inicial.
Nas reações medicamentosas, a suspensão do fármaco suspeito é o que interrompe o processo.
Na síndrome de Sézary e na micose fungoide eritrodérmica, há linfoma cutâneo de células T, com possível envolvimento de pele, sangue, linfonodos e vísceras.
Classificação
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O prognóstico depende da causa de base, da idade, das comorbidades, da rapidez de instalação, da extensão, da resposta terapêutica e das complicações sistêmicas.
A eritrodermia medicamentosa melhora após a suspensão do fármaco, exceto nas reações graves e persistentes, como a DRESS.
A eritrodermia secundária a psoríase, dermatite atópica ou dermatite de contato melhora em semanas a meses com tratamento adequado, e a forma psoriásica pode recorrer.
A eritrodermia associada a linfoma cutâneo de células T ou a neoplasia tende a ser persistente ou recorrente.
A eritrodermia idiopática crônica exige seguimento prolongado, porque quadros inicialmente idiopáticos podem evoluir para diagnóstico de linfoma cutâneo de células T.
O reconhecimento precoce das complicações reduziu a mortalidade, mas a eritrodermia continua exigindo vigilância clínica rigorosa.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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