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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Erupção acneiforme

Padrão inflamatório(Acne medicamentosa, Erupção papulopustulosa, Rash acneiforme por inibidores do EGFR)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaMedicamentosPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

Erupção acneiforme designa um grupo de dermatoses papulopustulosas que simulam a acne vulgar, porém com apresentação monomórfica e ausência característica de comedões.

As lesões são pápulas e pústulas inflamatórias de início abrupto, geralmente em áreas ricas em glândulas sebáceas, como face, couro cabeludo, tórax superior e dorso, podendo estender-se ao tronco e a áreas fotoexpostas.

Diferentemente da acne vulgar, não há formação primária de comedões e a evolução é monomórfica, com as lesões no mesmo estágio.

As causas incluem fármacos, exposição ocupacional (cloracne), radiação, infecção folicular (foliculite por Malassezia) e fatores mecânicos.

A forma associada aos inibidores do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) e a outras terapias-alvo antineoplásicas tem padrão clínico, prognóstico e manejo próprios.

Epidemiologia

A erupção papulopustulosa induzida por inibidores do EGFR ocorre em mais de 80% dos pacientes tratados, com relatos de 50% a 100% em algumas séries.

A erupção grave (grau 2 ou superior) é mais frequente com anticorpos monoclonais (10% a 17%) do que com inibidores de tirosina-quinase de baixo peso molecular (5% a 9%).

Fatores associados a maior risco incluem, para o erlotinibe, não fumantes, pele clara e idade acima de 70 anos; para o cetuximabe, sexo masculino e idade abaixo de 70 anos.

A cloracne acomete indivíduos com exposição ocupacional a hidrocarbonetos aromáticos clorados.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Exposição ocupacional a hidrocarbonetos aromáticos clorados (dioxinas)
  • Radiação ionizante
  • Pressão e fricção mecânica repetidas (capacetes, mochilas, colarinhos)
  • Não fumante, pele clara e idade acima de 70 anos (erlotinibe)
  • Sexo masculino e idade abaixo de 70 anos (cetuximabe)
  • Gravidade da erupção por inibidores do EGFR associada a melhor resposta antitumoral

Medicamentos associados

  • Corticosteroides sistêmicos ou tópicos
  • Andrógenos e esteroides anabolizantes (testosterona)
  • Halógenos (iodetos e brometos)
  • Isoniazida
  • Lítio
  • Fenitoína e outros anticonvulsivantes
  • Contraceptivos orais com progestágenos androgênicos
  • Vitaminas B2, B6 e B12
  • Upadacitinibe

Terapias-alvo antineoplásicas

  • Inibidores do EGFR (cetuximabe, panitumumabe, gefitinibe, erlotinibe, lapatinibe)
  • Inibidores de mTOR (sirolimo e tacrolimo)
  • Inibidores multiquinase (sunitinibe e sorafenibe)
  • Inibidores de MEK (trametinibe)

Patogênese

Na acne medicamentosa, diversos fármacos induzem erupção folicular por mecanismos variados, sem a formação comedoniana inicial da acne vulgar.

Nos inibidores do EGFR, a inibição do receptor altera o ciclo celular dos queratinócitos, que liberam quimiocinas inflamatórias (CCL2, CCL5 e CXCL10), levando a infiltração inflamatória e à erupção clínica.

A cloracne resulta da exposição a hidrocarbonetos aromáticos clorados (dioxinas), encontrados em condutores e isolantes elétricos e em inseticidas, fungicidas e herbicidas.

A acne por radiação decorre de metaplasia epitelial induzida por radiação ionizante nos folículos, com formação de tampões hiperceratóticos.

A acne mecânica resulta de pressão e fricção repetidas com obstrução da unidade pilossebácea.

A foliculite por Malassezia (pitirospórica) decorre da proliferação de leveduras do gênero Malassezia no folículo.

Clínica

  • Pápulas e pústulas inflamatórias monomórficas, de início abrupto
  • Ausência de comedões, o dado que separa da acne vulgar
  • Distribuição nas áreas ricas em glândulas sebáceas: face, couro cabeludo, tórax superior e dorso
  • Acne medicamentosa: predomínio no tronco em relação à face, com lesões monomórficas clássicas na induzida por corticosteroides

Erupção por inibidores do EGFR

  • Início 1 a 3 semanas após o começo do tratamento
  • Áreas acneicas habituais e áreas fotoexpostas: nariz, bochechas, mento, fronte, região perioral, couro cabeludo e tronco superior
  • Prurido, dor, ardência e irritação frequentes
  • A gravidade da reação correlaciona-se positivamente com a resposta clínica ao medicamento

Cloracne

  • Face, pescoço (inclusive região retroauricular), axila, escroto e pênis
  • Comedões e cistos que surgem semanas após a exposição, com surtos recorrentes por anos
  • Acne por radiação: pápulas semelhantes a comedões em área previamente irradiada
  • Acne mecânica: distribuição incomum, conforme o fator externo provocador
  • Foliculite por Malassezia: pápulas e pústulas foliculares monomórficas e pruriginosas

Classificação

  • Acne medicamentosa (corticosteroides, andrógenos, halógenos, lítio, isoniazida, anticonvulsivantes, inibidores do EGFR e outras terapias-alvo)
  • Erupção papulopustulosa por inibidores do EGFR e terapias-alvo antineoplásicas
  • Cloracne (acne ocupacional por hidrocarbonetos aromáticos clorados)
  • Acne por radiação
  • Acne mecânica
  • Foliculite por Malassezia (pitirospórica)

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Complicações e cuidados

  • Impacto psicossocial e redução da qualidade de vida
  • Infecções secundárias
  • Necessidade de redução de dose ou descontinuação da terapia antineoplásica
  • Alterações pós-inflamatórias persistentes (eritema e hiperpigmentação)
  • Cicatrizes (cloracne)
  • Surtos recorrentes por anos após a exposição (cloracne)

Prognóstico

A erupção acneiforme medicamentosa costuma resolver com a suspensão do agente causador.

A erupção por inibidores do EGFR surge em 1 a 3 semanas, atinge o pico em 4 a 6 semanas e regride após 6 a 8 semanas, mas pode deixar alterações pós-inflamatórias (eritema e hiperpigmentação) por meses a anos.

O início mais tardio da erupção (após 5 semanas do começo da terapia antineoplásica) associa-se a maior redução de lesões com o tratamento tópico.

A cloracne tem tratamento difícil, com surtos recorrentes por muitos anos após a exposição e tendência a cicatrizes.

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Referências

  1. Clinical practice guidelines for the prevention and treatment of EGFR inhibitor-associated dermatologic toxicities. Supportive Care in Cancer. 2011.
  2. Prevention and management of acneiform rash associated with EGFR inhibitor therapy: a systematic review and meta-analysis. Asia-Pacific Journal of Clinical Oncology. 2022.
  3. Topical management strategies for acneiform eruptions induced by cancer drugs. Cureus. 2025.

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