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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Erupção fixa por droga

FarmacodermiaPadrão inflamatório(Erupção fixa por drogas, Erupção fixa medicamentosa, Erupção fixa a drogas, Erupção fixa bolhosa generalizada)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em junho de 2026

ImagensConceitoEpidemiologiaMedicamentosPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Imagens

Conceito

A erupção fixa a drogas é uma reação adversa medicamentosa caracterizada por lesões que recorrem no mesmo local após cada reexposição ao agente causador.

O quadro clássico é localizado e benigno: placas bem delimitadas, eritêmato-violáceas, por vezes bolhosas ou erosadas, que deixam hiperpigmentação pós-inflamatória marcante.

A variante bolhosa generalizada pode simular síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica e exige reconhecimento rápido e suporte intensivo quando há descolamento epidérmico extenso.

Epidemiologia

Fatores de risco e doenças associadas

  • Exposição ao fármaco culpado em indivíduo suscetível
  • Alimentos e radiação ultravioleta, descritos como possíveis precipitantes de exacerbações
  • Acometimento frequente de mucosa oral e genital, além de face, mãos e pés
  • Lábios, palmas, plantas, glande e virilhas: locais comuns, que podem coincidir com sítios de reativação do herpes simples
  • Variante bolhosa generalizada: sobreposição clínica com síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica, mas com latência mais curta e menor acometimento de mucosas

Medicamentos associados

  • Sulfonamidas, os fármacos mais frequentemente implicados e responsáveis por grande parte dos casos, com destaque para lesões genitais
  • Anti-inflamatórios não esteroidais, especialmente naproxeno e derivados da pirazolona, com possível predileção pelos lábios
  • Tetraciclinas
  • Fenolftaleína
  • Barbitúricos
  • Ácido acetilsalicílico
  • Anticoncepcionais orais
  • Carbamazepina

Erupção fixa não pigmentada

  • Pseudoefedrina, associação clássica
  • Anti-inflamatórios não esteroidais
  • Paracetamol
  • Tetraidrozolina

Patogênese

O dano tecidual é mediado principalmente por células T CD8+ intraepidérmicas com fenótipo de memória efetora, que permanecem residentes na pele por longos períodos após a resolução clínica da lesão.

Depois da reexposição ao fármaco, mastócitos próximos à epiderme liberam TNF-alfa e auxiliam a ativação dessas células T CD8+ residentes.

Uma vez ativadas, elas liberam interferon-gama e mediadores citotóxicos, o que leva à morte dos queratinócitos adjacentes.

O recrutamento de células T CD4+, células T CD8+ e neutrófilos da circulação amplifica a inflamação.

Na fase estabelecida, células T reguladoras CD4+ FoxP3+ migram para a epiderme e contribuem para a resolução do processo inflamatório.

Clínica

  • Episódio inicial 1 a 2 semanas após a administração do medicamento
  • Na reexposição, lesões em 30 minutos a 8 horas, com média aproximada de 2 horas
  • Sensação local de queimação pode preceder a lesão
  • Placas edematosas, pruriginosas, bem delimitadas, eritêmato-violáceas, muitas vezes com centro mais escuro, bolha ou erosão
  • Resolução espontânea em 1 a 2 semanas após a suspensão do fármaco, deixando hiperpigmentação pós-inflamatória cinza-acastanhada
  • Período refratário de semanas a meses: a erupção não surge obrigatoriamente a cada administração do medicamento
  • Erupção fixa migratória: sítios previamente acometidos podem não inflamar em nova exposição, enquanto surgem áreas novas ao mesmo tempo

Variantes

  • Não pigmentada: placas grandes, dolorosas e vermelho-vivas, que resolvem sem hiperpigmentação residual
  • Linear: pode simular líquen plano linear
  • Vulvar: vulvite erosiva simétrica em lábios maiores, lábios menores e períneo
  • Bolhosa generalizada: bolhas e erosões extensas, que podem simular síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica

Classificação

  • As variantes clínicas incluem forma clássica pigmentada, forma não pigmentada, forma linear, forma vulvar e erupção fixa bolhosa generalizada.
  • A forma clássica pigmentada apresenta placas eritêmato-violáceas recorrentes no mesmo local, muitas vezes com centro escuro, bolha ou erosão, seguidas de hiperpigmentação pós-inflamatória.
  • A forma não pigmentada apresenta placas grandes, dolorosas e vermelho-vivas, sem hiperpigmentação residual.
  • A forma linear pode simular líquen plano linear.
  • A forma vulvar manifesta-se como vulvite erosiva simétrica.
  • A erupção fixa bolhosa generalizada é a variante grave, com bolhas e erosões extensas, e pode simular síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica.

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Complicações e cuidados

  • Hiperpigmentação pós-inflamatória persistente, a complicação mais comum
  • Dor, infecção secundária e limitação funcional nas lesões bolhosas ou erosivas, sobretudo em mucosa oral, genital ou vulvar
  • Erupção fixa bolhosa generalizada: descolamento epidérmico extenso, necessidade de internação, infecção, distúrbio hidroeletrolítico, dor intensa e mortalidade significativa
  • Rotulagem inadequada de alergia a múltiplos medicamentos, que limita desnecessariamente tratamentos futuros

Prognóstico

O curso habitual é benigno.

As lesões resolvem espontaneamente em dias a poucas semanas após a suspensão do medicamento causador, em geral deixando hiperpigmentação residual.

A recorrência é esperada sempre que houver reexposição ao fármaco culpado.

A exceção é a erupção fixa bolhosa generalizada, de prognóstico mais reservado, com mortalidade comparável à da síndrome de Stevens-Johnson e da necrólise epidérmica tóxica nos casos extensos.

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Referências

  1. Fixed drug eruption: pathogenesis and diagnostic tests. Curr Opin Allergy Clin Immunol. 2009.
  2. Guideline for the diagnosis of drug hypersensitivity reactions. Allergo J Int. 2015.
  3. Generalized bullous fixed drug eruption is distinct from Stevens Johnson syndrome/toxic epidermal necrolysis by immunohistopathological features. J Am Acad Dermatol. 2014.

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