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Erupção fixa por droga

FarmacodermiaPadrão inflamatórioEpiderme, derme e mucosas(Erupção fixa por drogas, Erupção fixa medicamentosa, Erupção fixa a drogas, Erupção fixa bolhosa generalizada)

Imagens

Conceito

A erupção fixa a drogas é uma reação adversa medicamentosa caracterizada por lesões que recorrem no mesmo local do tegumento após a reexposição ao agente causador.

A apresentação clássica é localizada e benigna, com placas bem delimitadas, eritemato violáceas, por vezes bolhosas ou erosadas, que deixam hiperpigmentação pós inflamatória marcante.

A variante bolhosa generalizada pode simular síndrome de Stevens Johnson e necrólise epidérmica tóxica, exigindo reconhecimento rápido e suporte intensivo quando há descolamento epidérmico extenso.

Epidemiologia

Fatores de risco

  • A ocorrência depende da exposição a um fármaco culpado em indivíduo suscetível.
  • Sulfonamidas são os medicamentos mais frequentemente implicados e correspondem a grande parte dos casos, com destaque para lesões genitais.
  • Anti inflamatórios não esteroidais, especialmente naproxeno e derivados da pirazolona, também são causas importantes e podem ter predileção pelos lábios.
  • Outros fármacos associados incluem tetraciclinas, fenolftaleína, barbitúricos, ácido acetilsalicílico, anticoncepcionais orais e carbamazepina.
  • Alimentos e radiação ultravioleta também foram descritos como potenciais precipitantes de exacerbações.

Doenças associadas

  • As lesões acometem com frequência mucosa oral e genital, além de face, mãos e pés.
  • Lábios, palmas, plantas, glande e virilhas são locais comuns e podem coincidir com sítios de reativação do herpes simples.
  • A erupção fixa não pigmentada é classicamente associada à pseudoefedrina, mas também pode ocorrer com anti inflamatórios não esteroidais, paracetamol e tetraidrozolina.
  • A variante bolhosa generalizada apresenta sobreposição clínica com síndrome de Stevens Johnson e necrólise epidérmica tóxica, mas costuma ter latência mais curta e menor acometimento de mucosas.

Patogênese

O dano tecidual é mediado principalmente por células T CD8+ intraepidérmicas com fenótipo de memória efetora, que permanecem residentes na pele por longos períodos após a resolução clínica da lesão.

Após a reexposição ao fármaco, mastócitos próximos à epiderme liberam TNF alfa, auxiliando a ativação das células T CD8+ residentes.

Uma vez ativadas, essas células liberam interferon gama e mediadores citotóxicos, levando à morte dos queratinócitos adjacentes.

A inflamação é amplificada pelo recrutamento de células T CD4+, células T CD8+ e neutrófilos da circulação.

Na fase estabelecida, células T reguladoras CD4+ FoxP3+ migram para a epiderme e contribuem para a resolução do processo inflamatório.

Clínica

  • A cronologia é uma pista central. O episódio inicial costuma surgir 1 a 2 semanas após a administração da medicação. Em reexposições, as lesões aparecem rapidamente, geralmente entre 30 minutos e 8 horas, com média aproximada de 2 horas.
  • O início da lesão pode ser precedido por sensação local de queimação.
  • A morfologia típica é de placas edematosas, pruriginosas, bem delimitadas, eritemato violáceas, frequentemente com centro mais escuro, bolha ou erosão.
  • As lesões tendem a se resolver espontaneamente em 1 a 2 semanas após a suspensão do fármaco e deixam hiperpigmentação pós inflamatória cinza acastanhada.
  • Pode haver período refratário após a exposição, durando semanas a meses, de modo que a erupção não surge obrigatoriamente toda vez que o medicamento é administrado.
  • Na erupção fixa migratória, alguns sítios previamente acometidos podem não inflamar a cada exposição, enquanto novas áreas surgem simultaneamente.
  • A forma não pigmentada apresenta placas grandes, dolorosas e vermelho vivas, que resolvem sem hiperpigmentação residual.
  • A variante linear pode simular líquen plano linear.
  • A forma vulvar pode se apresentar como vulvite erosiva simétrica nos lábios maiores, lábios menores e períneo.
  • A erupção fixa bolhosa generalizada cursa com bolhas e erosões extensas e pode simular síndrome de Stevens Johnson e necrólise epidérmica tóxica.

Classificação

  • As variantes clínicas incluem forma clássica pigmentada, forma não pigmentada, forma linear, forma vulvar e erupção fixa bolhosa generalizada.
  • A forma clássica pigmentada apresenta placas eritemato violáceas recorrentes no mesmo local, frequentemente com centro escuro, bolha ou erosão, seguidas por hiperpigmentação pós inflamatória.
  • A forma não pigmentada apresenta placas grandes, dolorosas e vermelho vivas, sem hiperpigmentação residual.
  • A forma linear pode simular líquen plano linear.
  • A forma vulvar manifesta se como vulvite erosiva simétrica.
  • A erupção fixa bolhosa generalizada é a variante grave, com bolhas e erosões extensas, podendo simular síndrome de Stevens Johnson e necrólise epidérmica tóxica.

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Complicações e cuidados

  • A complicação mais comum é hiperpigmentação pós inflamatória persistente.
  • Lesões bolhosas ou erosivas podem cursar com dor, infecção secundária e limitação funcional, especialmente em mucosas oral, genital ou vulvar.
  • A erupção fixa bolhosa generalizada pode apresentar descolamento epidérmico extenso, necessidade de internação, risco de infecção, distúrbios hidroeletrolíticos, dor intensa e mortalidade significativa.
  • Rotulagem inadequada de alergia a múltiplos medicamentos pode limitar desnecessariamente tratamentos futuros.

Prognóstico

O curso habitual é benigno.

As lesões resolvem espontaneamente em dias a poucas semanas após a suspensão do medicamento causador, geralmente deixando hiperpigmentação residual.

A recorrência é esperada quando há reexposição ao fármaco culpado.

A principal exceção é a erupção fixa bolhosa generalizada, que tem prognóstico mais reservado e pode apresentar mortalidade comparável à da síndrome de Stevens Johnson e necrólise epidérmica tóxica em casos extensos.

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Referências

  1. Fixed drug eruption: pathogenesis and diagnostic tests. Curr Opin Allergy Clin Immunol. 2009.
  2. Guideline for the diagnosis of drug hypersensitivity reactions. Allergo J Int. 2015.
  3. Generalized bullous fixed drug eruption is distinct from Stevens Johnson syndrome/toxic epidermal necrolysis by immunohistopathological features. J Am Acad Dermatol. 2014.

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