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Erupção liquenoide por droga

FarmacodermiaPadrão inflamatório(Erupção liquenoide medicamentosa, Reação liquenoide induzida por fármaco, Líquen plano induzido por droga, Dermatite liquenoide induzida por fármaco, Erupção liquenoide por drogas)

Conceito

Erupção liquenoide por droga é uma reação adversa cutânea a fármacos caracterizada por pápulas e placas eritêmato-violáceas, poligonais e simétricas, que lembram o líquen plano idiopático, mas raramente reproduzem todas as suas características.

É uma reação incomum, com prevalência crescente nas últimas décadas.

Compartilha achados clínicos e histopatológicos com o líquen plano, o que dificulta o diagnóstico e a identificação do fármaco causal.

A latência prolongada entre o início do fármaco e o surgimento das lesões é uma característica marcante.

Epidemiologia

Reação incomum, porém com prevalência crescente, atribuída ao surgimento de novos fármacos causais como biológicos, inibidores da tirosina quinase e inibidores de checkpoint imune.

A idade média de acometimento é de cerca de 58,5 anos (variação de 1 mês a 92 anos), discretamente superior à do líquen plano clássico (30 a 60 anos).

Ambos os sexos são igualmente afetados.

A toxicidade cutânea é o efeito adverso mais frequente da terapia com inibidores de checkpoint imune, ocorrendo em mais de um terço dos pacientes.

Em uma revisão de 323 casos, os inibidores de checkpoint foram os fármacos causais mais frequentes (42,1%), seguidos pelos inibidores da tirosina quinase (12%) e pelos anticorpos anti-TNF-alfa (4%).

Fatores de risco e doenças associadas

  • Exposição prévia ao mesmo fármaco (encurta a latência)
  • Exposição a reveladores fotográficos (derivados da fenilenodiamina)
  • Erupção fotoliquenoide (fotodistribuída) associada a tiazídicos e AINEs

Medicamentos associados

Antineoplásicos e imunoterápicos

  • Inibidores de checkpoint imune (anti-PD-1, anti-PD-L1, anti-CTLA-4), causa mais frequente
  • Inibidores da tirosina quinase (imatinibe é o mais frequente)
  • Inibidores do EGFR e do RAF
  • Terapia oncológica em geral (a maioria dos fármacos causais é prescrita para câncer)

Biológicos

  • Anticorpos monoclonais anti-TNF-alfa (infliximabe, etanercepte, adalimumabe)
  • Outros agentes biológicos

Cardiovasculares

  • Inibidores da enzima conversora de angiotensina (captopril, enalapril)
  • Betabloqueadores (propranolol, labetalol, acebutolol, oxprenolol)
  • Diuréticos tiazídicos (hidroclorotiazida)
  • Metildopa
  • Quinidina e quinina
  • Estatinas (pravastatina, sinvastatina, atorvastatina)
  • Antimaláricos (cloroquina, hidroxicloroquina, quinacrina)
  • Sais de ouro
  • Penicilamina
  • Anti-inflamatórios não esteroidais

Patogênese

Doença mediada por linfócitos T, com morte dos queratinócitos induzida por células T citotóxicas CD8+.

Caracteriza-se por níveis elevados de IFN-gama, característica comum ao líquen plano.

A ativação de células dendríticas plasmocitoides contribui, amplificando a secreção de IFN-gama pelas células T citotóxicas.

Uma hipótese propõe reatividade cruzada, na qual o fármaco atua como hapteno ligando-se aos queratinócitos, e tanto o fármaco quanto os queratinócitos funcionam como antígenos que desencadeiam a resposta imune.

Os inibidores de checkpoint aumentam a ativação das células T: o bloqueio do eixo PD-1/PD-L1 potencializa respostas T pré-existentes específicas ao tumor nos tecidos periféricos, enquanto o bloqueio de CTLA-4 abole a inibição durante o priming das células T nos linfonodos; ambos elevam o efeito citotóxico das células CD8+ e explicam a morte dos queratinócitos.

Ao contrário do líquen plano idiopático, a forma induzida por droga não se associa a nenhum tipo específico de HLA.

Clínica

  • Pápulas eritêmato-violáceas poligonais e simétricas, semelhantes ao líquen plano
  • Placas violáceas, por vezes com aspecto psoriasiforme ou eczematoso
  • Estrias de Wickham habitualmente ausentes ou não identificáveis à dermatoscopia
  • Distribuição predominantemente acral (cerca de 42% dos casos)
  • Envolvimento de tronco (cerca de 37%)
  • Erupção liquenoide generalizada (cerca de 17%)
  • Envolvimento predominante de face ou couro cabeludo (cerca de 14%)
  • Acometimento de superfícies extensoras dos membros e de áreas fotoexpostas
  • Prurido, geralmente leve e tolerável
  • Envolvimento mucoso incomum (cerca de 12%; oral em 8,4% e genital em 3,7%)
  • Poupa habitualmente as unhas
  • Hiperpigmentação residual pós-inflamatória acastanhada
  • Latência prolongada até o surgimento das lesões (média de cerca de 16 semanas; variação de 0,1 a 208 semanas)
  • Reações liquenoides bolhosas raras, sem envolvimento mucoso e sem progressão para SJS/NET
  • Variante fotoliquenoide, fotodistribuída, associada a hidroclorotiazida e AINEs

Classificação

  • Erupção liquenoide localizada (acral, de tronco ou de face/couro cabeludo)
  • Erupção liquenoide generalizada
  • Erupção fotoliquenoide (fotodistribuída)
  • Reação liquenoide bolhosa
  • Reação liquenoide por inibidor de checkpoint imune (pode persistir após a suspensão do fármaco)

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Complicações e cuidados

  • Hiperpigmentação pós-inflamatória residual, por vezes profunda e persistente
  • Resolução lenta e prolongada, de meses a anos
  • Persistência das lesões após a retirada do fármaco, especialmente com inibidores de checkpoint imune
  • Recorrência com a reexposição ao fármaco
  • Reações liquenoides bolhosas raras
  • Alopecia cicatricial permanente em lesões de couro cabeludo

Prognóstico

Geralmente benigno; nenhum caso descrito em grandes revisões evoluiu com sintomas graves ou ameaçadores à vida.

Há baixo risco de progressão para reação adversa cutânea grave, como necrólise epidérmica tóxica.

A resolução costuma ocorrer após a retirada do fármaco, porém de forma lenta, com mediana de cerca de 14 semanas, podendo levar de 3 a 24 meses.

Nas reações por inibidor de checkpoint, pode haver persistência mesmo após a suspensão do fármaco.

É frequente a hiperpigmentação residual.

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Referências

  1. Cutaneous lichenoid drug eruptions: a narrative review evaluating demographics, clinical features and culprit medications. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2023.
  2. Immune checkpoint inhibitor induced lichenoid reactions: a systematic review of characteristics and treatment outcomes. JAAD International. 2022.
  3. Drug-induced lichen planus. Pharmacotherapy. 1994.
  4. Navarro-Triviño FJ, Ruiz-Villaverde R. Lichenoid drug eruption induced by pravastatin; it is possible to prescribe other statins? Anais Brasileiros de Dermatologia. 2023.

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