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Erupção maculopapular por droga

FarmacodermiaPadrão inflamatório(Exantema medicamentoso, Erupção morbiliforme por droga, Exantema maculopapular por droga, Farmacodermia exantemática)

Conceito

A erupção maculopapular por droga é a reação cutânea adversa a fármacos mais comum.

Também é chamada de erupção exantemática ou maculopapular por droga.

Trata-se de um padrão clínico de reação caracterizado por máculas e pápulas eritematosas que coalescem em placas e cobrem a maior parte da superfície cutânea.

A maioria das reações cutâneas a fármacos manifesta-se como exantema morbiliforme ou maculopapuloso.

É a morfologia cutânea mais comum observada em pacientes internados e corresponde a 50%-95% de todos os tipos de reação a fármacos.

O mecanismo é a hipersensibilidade tardia mediada por células (tipo IV), com o fármaco atuando como hapteno que induz a resposta imunológica.

A maioria dos casos é benigna e de baixo risco, mas o padrão morbiliforme pode ser a apresentação inicial de reações graves.

É preciso afastar as reações graves: síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica (SSJ/NET), reação a fármaco com eosinofilia e sintomas sistêmicos (DRESS ou síndrome de hipersensibilidade a droga), pustulose exantemática generalizada aguda (PEGA) e doença do enxerto contra o hospedeiro.

Epidemiologia

As erupções cutâneas por fármaco estão entre as reações adversas medicamentosas mais comuns e ocorrem em até 1% dos pacientes que recebem medicamentos sistêmicos.

Estima-se que 5% a 15% dos pacientes tratados com algum medicamento desenvolvam reações adversas.

A incidência de reação adversa a droga em pacientes hospitalizados é de cerca de 30%, sendo 2% a 3% reações cutâneas.

O exantema morbiliforme é a morfologia mais comum (mais de 92% das erupções cutâneas por fármaco), seguido pela urticariforme (6%) e pela vasculítica (2%).

As reações adversas a drogas são a quinta causa de morte entre as doenças e respondem por 5% a 10% das hospitalizações no mundo, com acometimento da pele em 30% a 45% dos casos.

Os fármacos de maior risco, segundo o percentual de usuários que desenvolvem exantema, são as aminopenicilinas (até 8%), os anticonvulsivantes (5%), a sulfametoxazol-trimetoprima (4%) e os AINEs (0,5%).

Cerca de 2% das erupções cutâneas por fármaco são reações cutâneas adversas graves (SCARs), observadas em 1/1000 pacientes hospitalizados.

A prevalência de reações cutâneas graves adversas a droga é estimada em 1/1000 pacientes hospitalizados.

Pacientes com HIV têm incidência muito aumentada de erupções por fármaco, com maior risco quando a contagem de CD4 está entre 100 e 400/mm3; até 40% dos pacientes com aids desenvolvem exantema à sulfametoxazol-trimetoprima.

Infecções virais aumentam a incidência de reações a fármacos: a ampicilina em pacientes com mononucleose por EBV provoca exantema em quase 100% das crianças e em até 70% dos adultos.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Infecção viral concomitante (mononucleose/EBV, HIV)
  • Sexo feminino
  • Idade avançada
  • Polifarmácia e múltiplos fármacos iniciados durante a internação
  • Imunossupressão
  • Doenças autoimunes
  • Exposição a quimioterapia
  • Contagem de CD4 entre 100 e 400/mm3 no paciente com HIV
  • Alelos HLA de risco
  • Mononucleose/infecção por EBV (exantema pela ampicilina)
  • Reativação de herpesvírus humanos (HHV-6 e HHV-7) na DRESS
  • Alelo HLA-B*58:01 (alopurinol)
  • Alelo HLA-B*15:02 (carbamazepina)
  • Alelo HLA-B*13:01 (dapsona)
  • Inibidores de checkpoint imunológico (eventos adversos imunorrelacionados)

Medicamentos associados

Antibióticos

  • Aminopenicilinas (amoxicilina, ampicilina)
  • Betalactâmicos (penicilinas e cefalosporinas)
  • Fluoroquinolonas
  • Sulfonamidas (sulfametoxazol-trimetoprima)
  • Anticonvulsivantes (carbamazepina, fenitoína, fenobarbital, lamotrigina)
  • Alopurinol
  • AINEs
  • Antirretrovirais
  • Inibidores de checkpoint imunológico

Patogênese

O mecanismo é a hipersensibilidade tardia mediada por células T (tipo IV).

Os fármacos atuam como haptenos, induzindo a resposta imunológica.

Alelos específicos de HLA estão associados a maior risco de reações cutâneas adversas graves.

A predisposição pode envolver polimorfismos no metabolismo dos fármacos, como a incapacidade de detoxificar metabólitos de óxido de areno dos anticonvulsivantes aromáticos ou o fenótipo acetilador lento para sulfonamidas.

Infecções e reativações virais podem contribuir para a expressão do quadro.

Clínica

  • Máculas e pápulas eritematosas
  • Confluência progressiva em placas ao longo do tempo
  • Início no tronco com distribuição simétrica
  • Início frequente nas dobras (virilha e axila) com máculas rosa-avermelhadas
  • Progressão centrífuga, generalizando pela maior parte da superfície cutânea
  • Acometimento do tronco e das extremidades superiores
  • Lesões papuloeritematosas não coalescentes entremeadas por pele sã nas fases iniciais
  • Prurido significativo (ajuda a distinguir do exantema viral)
  • Poupa as mucosas
  • Início 2 a 21 dias após a introdução do fármaco (tipicamente 7 a 14 dias)
  • Início mais rápido em caso de reexposição ao fármaco
  • Febre baixa possível
  • Lesões urticariformes associadas possíveis
  • Curso autolimitado, com regressão 1 a 2 semanas após a suspensão do fármaco
  • Sinais de alarme (sugerem reação grave e obrigam reavaliação imediata):
  • Edema facial e de orelha, com "prega oblíqua do lóbulo da orelha" (sugere DRESS)
  • Eosinofilia periférica (sugere DRESS)
  • Elevação de transaminases (sugere DRESS)
  • Linfadenopatia
  • Febre alta
  • Acometimento mucoso ou genital (sugere SSJ/NET precoce)
  • Pele dolorosa, com tom acinzentado, arroxeado ou plúmbeo, ou púrpura (sugere SSJ/NET)
  • Vesículas, bolhas, descolamento epidérmico e sinal de Nikolsky
  • Acometimento palmoplantar
  • Pústulas puntiformes não foliculares (sugere PEGA)

Classificação

  • Simples (sem envolvimento visceral ou sistêmico)
  • Complexa (com envolvimento sistêmico)
  • Baixo risco: predomínio no tronco, poupa palmas/plantas, poupa mucosas/genitais, eritema de tom único, sem vesículas/bolhas, sem pústulas, sem edema de face/orelha/mão
  • Alto risco: acometimento de face e tronco, palmoplantar, mucosa/genitais, tom acinzentado ou arroxeado da pele, púrpura, vesículas/bolhas, pústulas, edema de face/orelha/mão

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Complicações e cuidados

  • Progressão para SSJ/NET (rara)
  • Apresentação inicial ou progressão para DRESS
  • Progressão para PEGA
  • Síndrome eritrodérmica por disseminação do quadro maculopapular
  • Prurido intenso
  • Prolongamento do tempo de internação
  • Impacto na qualidade de vida

Prognóstico

As formas de baixo risco são autolimitadas e regridem 1 a 2 semanas após a suspensão do fármaco, em geral sem sequelas.

A resolução completa costuma ocorrer em cerca de 2 semanas, e a reexposição pode ser considerada.

O prognóstico piora quando o exantema morbiliforme é a manifestação inicial de uma reação cutânea adversa grave, situação em que o reconhecimento precoce e a retirada imediata do fármaco são decisivos.

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Referências

  1. Morbilliform Eruptions: Differentiating Low-Risk Drug Eruptions, Severe Cutaneous Adverse Reactions, Viral Eruptions, and Acute Graft-Versus-Host Disease. American Journal of Clinical Dermatology. 2025.
  2. Deadly drug rashes: Early recognition and multidisciplinary care. Cleveland Clinic Journal of Medicine. 2023.
  3. Reações cutâneas graves adversas a drogas - aspectos relevantes ao diagnóstico e ao tratamento - Parte I. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2004.

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