Infestação cutânea contagiosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. hominis.
O parasita é um ácaro obrigatório do ser humano, restrito à espécie hospedeira.
A fêmea escava túneis (sulcos) no estrato córneo, onde deposita ovos e fezes.
O prurido resulta de reação de hipersensibilidade imediata e tardia (tipo IV) ao ácaro e a seus produtos (fezes, ovos, parasitas mortos).
A escabiose crostosa (norueguesa) é forma de hiperinfestação, com carga de ácaros muito elevada.
Doença de distribuição mundial, que acomete qualquer idade e classe socioeconômica.
Estimativas de prevalência variam de 0,2% a 71%, com as maiores taxas nas regiões do Pacífico e na América Latina.
O fator mais consistentemente associado à escabiose é a aglomeração domiciliar.
A transmissão ocorre principalmente por contato pele a pele, inclusive sexual, e em adultos jovens costuma ser adquirida por via sexual.
A transmissão por fômites (roupas, toalhas, roupa de cama) é incomum.
Estudos moleculares indicam que a escabiose por S. scabiei var. hominis é exclusivamente humana, sem predileção por idade, etnia ou sexo.
Em países desenvolvidos a epidemiologia é cíclica, com intervalos de dez a quinze anos entre os ciclos.
Surtos ocorrem em instituições fechadas, como asilos, escolas e presídios.
Houve aumento de casos após o relaxamento das medidas de controle da COVID-19.
Fatores de risco e doenças associadas
A fêmea mede 0,3-0,4 mm, cerca de duas vezes o tamanho do macho.
Após a cópula, o macho morre e a fêmea escava sulcos com auxílio de enzimas proteolíticas.
O ácaro penetra na pele em até 30 minutos após o contato com o hospedeiro.
Os sulcos localizam-se nas camadas superficiais da epiderme, primariamente no estrato córneo.
O ácaro alimenta-se de fluido intercelular na interface entre o estrato lúcido e o granuloso.
A fêmea escava 0,5 a 5 mm por dia e põe de uma a três ovos por dia, cerca de 25 ovos ao longo da vida.
Os ovos eclodem em três a quatro dias e as larvas amadurecem em adultos em dez a quinze dias.
O ciclo de vida completo dura quatro a seis semanas.
Menos de 10% dos ovos chegam à fase adulta, em parte por remoção pela coçadura e pela resposta imune.
Na infestação clássica há em média 10 a 15 ácaros por hospedeiro.
Ácaros adultos morrem fora do hospedeiro em 24-36 horas; formas imaturas sobrevivem até uma semana.
Os sintomas iniciam três a seis semanas após a primeira infestação e em um a três dias na reinfestação, por sensibilização prévia.
A doença é infectante antes do surgimento das lesões.
O prurido envolve também receptores não histaminérgicos.
Na escabiose crostosa há resposta imune deficiente e carga parasitária de até milhões de ácaros.
Classificação
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A escabiose clássica tem excelente prognóstico com tratamento adequado.
A infestação é considerada curada quando, uma semana após o fim do tratamento, não há lesões ativas nem prurido noturno.
O prurido pós-escabiótico pode persistir por até quatro semanas, com mediana de resolução em torno de 52 dias em um terço dos pacientes.
A falha de tratamento decorre principalmente de erro diagnóstico, aplicação incorreta, ausência da segunda dose, falta de descontaminação de fômites e reinfestação por contactantes.
A taxa de cura é de 74% a 93% com permetrina e de 68% a 86% com ivermectina.
A escabiose crostosa cursa com maior morbidade e alto risco de transmissão, e pode complicar com sepse.
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