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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Escabiose

Padrão inflamatório(Sarna, Sarna sarcóptica, Escabiose sarcóptica, Scabies)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ImagensConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosVeja também

Imagens

Conceito

Infestação cutânea contagiosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. hominis.

O parasita é um ácaro obrigatório do ser humano, restrito à espécie hospedeira.

A fêmea escava túneis (sulcos) no estrato córneo, onde deposita ovos e fezes.

O prurido resulta de reação de hipersensibilidade imediata e tardia (tipo IV) ao ácaro e a seus produtos (fezes, ovos, parasitas mortos).

A escabiose crostosa (norueguesa) é forma de hiperinfestação, com carga de ácaros muito elevada.

Epidemiologia

Doença de distribuição mundial, que acomete qualquer idade e classe socioeconômica.

Estimativas de prevalência variam de 0,2% a 71%, com as maiores taxas nas regiões do Pacífico e na América Latina.

O fator mais consistentemente associado à escabiose é a aglomeração domiciliar.

A transmissão ocorre principalmente por contato pele a pele, inclusive sexual, e em adultos jovens costuma ser adquirida por via sexual.

A transmissão por fômites (roupas, toalhas, roupa de cama) é incomum.

Estudos moleculares indicam que a escabiose por S. scabiei var. hominis é exclusivamente humana, sem predileção por idade, etnia ou sexo.

Em países desenvolvidos a epidemiologia é cíclica, com intervalos de dez a quinze anos entre os ciclos.

Surtos ocorrem em instituições fechadas, como asilos, escolas e presídios.

Houve aumento de casos após o relaxamento das medidas de controle da COVID-19.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Aglomeração e superlotação domiciliar
  • Idade jovem
  • Idade avançada
  • Instituições fechadas (asilos, escolas, presídios)
  • Baixa renda
  • Compartilhamento de roupas e toalhas
  • Desnutrição
  • Contato sexual e múltiplos parceiros
  • Imunossupressão (HIV/aids, quimioterapia, transplante de órgãos), que predispõe à escabiose crostosa e a lesões atípicas
  • Uso de corticoide sistêmico ou tópico potente
  • Infecção por HTLV-1
  • Hanseníase, linfoma e neoplasia maligna
  • Doença neurológica com redução da sensibilidade
  • Incapacidade física de coçar e imobilidade
  • Deficiência intelectual (por exemplo, síndrome de Down)
  • Suscetibilidade imunogenética (escabiose crostosa)
  • Impetigo e suas complicações sistêmicas (glomerulonefrite, doença estreptocócica)
  • Síndrome inflamatória de reconstituição imune (após início de terapia antirretroviral)

Patogênese

A fêmea mede 0,3-0,4 mm, cerca de duas vezes o tamanho do macho.

Após a cópula, o macho morre e a fêmea escava sulcos com auxílio de enzimas proteolíticas.

O ácaro penetra na pele em até 30 minutos após o contato com o hospedeiro.

Os sulcos localizam-se nas camadas superficiais da epiderme, primariamente no estrato córneo.

O ácaro alimenta-se de fluido intercelular na interface entre o estrato lúcido e o granuloso.

A fêmea escava 0,5 a 5 mm por dia e põe de uma a três ovos por dia, cerca de 25 ovos ao longo da vida.

Os ovos eclodem em três a quatro dias e as larvas amadurecem em adultos em dez a quinze dias.

O ciclo de vida completo dura quatro a seis semanas.

Menos de 10% dos ovos chegam à fase adulta, em parte por remoção pela coçadura e pela resposta imune.

Na infestação clássica há em média 10 a 15 ácaros por hospedeiro.

Ácaros adultos morrem fora do hospedeiro em 24-36 horas; formas imaturas sobrevivem até uma semana.

Os sintomas iniciam três a seis semanas após a primeira infestação e em um a três dias na reinfestação, por sensibilização prévia.

A doença é infectante antes do surgimento das lesões.

O prurido envolve também receptores não histaminérgicos.

Na escabiose crostosa há resposta imune deficiente e carga parasitária de até milhões de ácaros.

Clínica

  • Prurido intenso, de predomínio noturno
  • Prurido em contactantes e familiares
  • Sulco (túnel acariano): lesão patognomônica, linha fina serpiginosa acinzentada ou esbranquiçada de 2 a 10 mm
  • Pápulas eritematosas disseminadas, com frequência escoriadas
  • Crostas hemorrágicas sobre as pápulas
  • Vesículas, geralmente no início do sulco
  • Nódulos firmes e muito pruriginosos em genitália masculina, escroto, virilha, nádegas, axilas e aréolas
  • Sinal do "ponto preto" na extremidade do sulco
  • Lesões urticariformes (raras)
  • Acometimento de espaços interdigitais, laterais dos dedos, punhos (face flexora), cotovelos (face extensora), axilas, mamilos e aréolas, umbigo, cintura, genitália, nádegas, coxas mediais e pés
  • Poupa cabeça, palmas e plantas no adulto (exceto em lactentes, idosos e imunossuprimidos)
  • Distribuição aproximadamente simétrica

Escabiose crostosa

  • Placas eritematosas hiperceratóticas, descamativas, crostosas e fissuradas, de aspecto verrucoso sobre proeminências ósseas
  • Prurido leve ou ausente, odor fétido e linfadenopatia generalizada
  • Escabiose ungueal: unhas espessadas, distróficas e descoloridas, com hiperceratose subungueal
  • Escabiose bolhosa (rara, no idoso): bolhas muito pruriginosas que simulam penfigoide bolhoso
  • Lactentes: acometimento de face e couro cabeludo, com poliadenopatia cervical
  • Idosos: reação cutânea atenuada e lesões atípicas no dorso

Classificação

  • Escabiose clássica
  • Escabiose nodular
  • Escabiose crostosa (norueguesa)
  • Escabiose bolhosa
  • Escabiose ungueal
  • Escabiose incógnita (mascarada por corticoide tópico)
  • Escabiose zoonótica ou animal (S. scabiei var. canis, Notoedres cati), autolimitada
  • Escabiose no lactente
  • Escabiose no idoso
  • Escabiose no paciente com HIV

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Complicações e cuidados

  • Infecção bacteriana secundária (Staphylococcus aureus, estreptococo beta-hemolítico do grupo A)
  • Impetigo, foliculite, furunculose, ectima e abscessos
  • Sepse (frequente na escabiose crostosa)
  • Eczematização secundária
  • Dermatite de contato irritante ou alérgica pelo tratamento tópico
  • Glomerulonefrite pós-estreptocócica
  • Vasculite leucocitoclástica
  • Prurido pós-escabiótico persistente / prurigo nodular pós-escabiótico
  • Distúrbio do sono e impacto psicológico

Prognóstico

A escabiose clássica tem excelente prognóstico com tratamento adequado.

A infestação é considerada curada quando, uma semana após o fim do tratamento, não há lesões ativas nem prurido noturno.

O prurido pós-escabiótico pode persistir por até quatro semanas, com mediana de resolução em torno de 52 dias em um terço dos pacientes.

A falha de tratamento decorre principalmente de erro diagnóstico, aplicação incorreta, ausência da segunda dose, falta de descontaminação de fômites e reinfestação por contactantes.

A taxa de cura é de 74% a 93% com permetrina e de 68% a 86% com ivermectina.

A escabiose crostosa cursa com maior morbidade e alto risco de transmissão, e pode complicar com sepse.

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Referências

  1. European guideline for the management of scabies. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2017.
  2. British Association for Sexual Health and HIV National Guideline on the Management of Scabies in adults 2025. Int J STD AIDS. 2025.
  3. The 2020 International Alliance for the Control of Scabies Consensus Criteria for the Diagnosis of Scabies. Br J Dermatol. 2020.
  4. Update on parasitic dermatoses. An Bras Dermatol. 2020.
  5. Mass drug administration for scabies control in a population with endemic disease. N Engl J Med. 2015.
  6. Standardization of dermoscopic terminology and basic dermoscopic parameters to evaluate in general dermatology (non-neoplastic dermatoses): an expert consensus on behalf of the International Dermoscopy Society. British Journal of Dermatology. 2020.
  7. Dermoscopy of inflammatory dermatoses (inflammoscopy): an up-to-date overview. Dermatology Practical & Conceptual. 2019.

Achados (clique para explorar)

prurido noturnosinal do túnelpápulaescoriaçãonóduloregião intertriginosaregião inguinalcrosta hemorrágica

Veja também

Infecções superficiais e infestações da epiderme
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