Doença autoimune crônica do tecido conjuntivo definida por uma tríade patogênica: vasculopatia de pequenos vasos, desregulação imune com produção de autoanticorpos e fibrose progressiva da pele e de órgãos internos.
O acometimento cutâneo é o achado central e permite classificar a doença em duas formas principais conforme a extensão do espessamento, mas a morbidade e a mortalidade decorrem principalmente do envolvimento visceral.
O curso clínico é heterogêneo e imprevisível, o que torna o rastreio sistemático dos órgãos-alvo parte indissociável do diagnóstico.
É a principal causa de fenômeno de Raynaud secundário.
Predomina no sexo feminino, com proporção aproximada de três mulheres para cada homem.
A idade típica de início situa-se entre 30 e 50 anos.
O fenômeno de Raynaud está presente em cerca de 95% dos pacientes e costuma ser a primeira manifestação clínica, podendo anteceder o diagnóstico em muitos anos, sobretudo na forma cutânea limitada.
O anticorpo antinuclear é positivo em mais de 90% dos casos.
A doença pulmonar intersticial ocorre em 50% a 65% dos pacientes e o acometimento gastrointestinal em até 90%.
Cerca de metade dos pacientes desenvolve úlcera digital ao longo da doença, e aproximadamente 75% dos que as desenvolvem apresentam a primeira lesão nos cinco primeiros anos.
A crise renal esclerodérmica acomete 5% a 10% dos pacientes e é quase restrita à forma cutânea difusa.
Menos de 5% dos pacientes têm a forma sine scleroderma.
Em estudos de progressão da doença pulmonar intersticial, a categoria autodeclarada de afrodescendentes associou-se a pior evolução, assim como a positividade do anti-Scl-70.
Fatores de risco e doenças associadas
A disfunção vascular da microcirculação é o evento mais precoce e consiste em lesão endotelial com aumento do VEGF, extravasamento vascular, angiogênese anômala, vasoespasmo, proliferação da íntima, obstrução luminal, destruição capilar e desvascularização.
Segue-se a produção de autoanticorpos (anticentrômero, anti-Scl-70/antitopoisomerase I e anti-RNA polimerase III) e a ativação de linfócitos T dirigida a autoantígenos, com perfil predominantemente Th2.
Há aumento de citocinas e fatores de crescimento profibróticos (IL-2, IL-13, IL-17, TGF-beta, PDGF, CTGF, interferon e endotelina-1), que promovem acúmulo de miofibroblastos nos tecidos afetados.
O resultado é a produção excessiva de colágeno dos tipos I e III e de outras proteínas da matriz extracelular, como proteoglicanos, fibronectinas e integrinas beta-1.
A CXCL4 é biomarcador de fibrose cutânea, fibrose pulmonar e hipertensão arterial pulmonar.
Classificação
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A sobrevida em 10 anos é de cerca de 50% na forma cutânea difusa e de cerca de 70% na forma cutânea limitada.
A menor frequência de acometimento renal e pulmonar grave na forma limitada explica sua melhor sobrevida global.
A doença pulmonar intersticial é hoje a principal causa de morte e progride sobretudo nos cinco primeiros anos de doença nos casos mais graves.
São indicadores de pior sobrevida: idade mais avançada ao diagnóstico, sexo masculino, pertencer à categoria autodeclarada de afrodescendentes, baixo nível socioeconômico, elevação da velocidade de hemossedimentação, anemia, atrito tendíneo palpável e acometimento de órgão maior (miosite, doença cutânea extensa, envolvimento cardíaco, doença pulmonar intersticial e hipertensão arterial pulmonar).
A progressão do espessamento cutâneo acompanha maior frequência de acometimento visceral e maior mortalidade.
As úlceras digitais associam-se a pior prognóstico e a maior risco de acometimento de órgão interno.
O acometimento gastrointestinal grave associa-se a maior risco de morte.
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