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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Fibroma mole

benignaderme(Acrocórdon, Pólipo fibroepitelial, Fibroma pêndulo, Molusco pêndulo, Acrochordon, Skin tag, Fibroepithelial polyp)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosAulas

Conceito

O fibroma mole, ou acrocórdon, é uma excrescência benigna de pele redundante, composta por eixo de derme papilar frouxa revestido por epiderme acantótica e papilomatosa.

É uma das lesões cutâneas mais comuns do adulto e não tem potencial de malignização.

Lesões múltiplas ou recorrentes associam-se a obesidade, resistência à insulina, dislipidemia e síndrome metabólica.

Nesses casos, investigar glicemia de jejum, hemoglobina glicada, perfil lipídico e índice de massa corporal, além de tratar a lesão.

O tratamento da lesão é opcional, indicado por atrito, sangramento, prurido ou motivo estético.

Epidemiologia

A prevalência estimada na população geral é de 50% a 60%, sem diferença entre homens e mulheres.

A frequência aumenta a partir da quarta década de vida: por volta da quinta ou sexta décadas, cerca de dois terços dos indivíduos apresentam acrocórdons, que então persistem por toda a vida.

As lesões podem surgir já na adolescência e vários estudos relatam aumento da incidência em crianças e adolescentes, tendência que acompanha o aumento global da obesidade infantil.

Após os 40 anos, a frequência de acrocórdons chega a 37%, contra 20% a 25% na população geral.

Em uma casuística, 46% da população geral tinha acrocórdons, mas apenas 14,4% tinham oito ou mais lesões.

No Brasil, estimou-se em 2006 que entre 0,9% e 1,2% dos diagnósticos dermatológicos, conforme a região do país, correspondiam a acrocórdons.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Obesidade e obesidade central
  • Idade acima de 40 anos e envelhecimento cutâneo
  • Fricção crônica em áreas de dobra (roupas justas ou sintéticas, colares e joias no pescoço)
  • História familiar de acrocórdons
  • Gravidez e variações dos níveis de estrogênio
  • Acromegalia, pelo aumento do hormônio de crescimento
  • Resistência à insulina (associação independente de outros fatores de risco quando há múltiplos acrocórdons)
  • Diabetes melito tipo 2 (pacientes com mais de 30 acrocórdons têm risco de 52% de diabetes em uma casuística)
  • Síndrome metabólica
  • Dislipidemia (hipertrigliceridemia e HDL colesterol reduzido)
  • Hipertensão arterial
  • Doença cardiovascular e aterosclerose, com proteína C reativa ultrassensível elevada
  • Síndrome dos ovários policísticos
  • Acantose nigricante, que ocorre nas mesmas áreas e compartilha o mecanismo de hiperinsulinemia
  • Nódulos tireoidianos e aumento do volume da tireoide
  • Doença de Crohn (acrocórdons perianais podem ser a manifestação inicial)
  • Pólipos intestinais
  • Síndrome de Birt-Hogg-Dubé (mutação em FLCN, herança autossômica dominante), que obriga a rastrear carcinoma renal, cistos pulmonares e pneumotórax espontâneo
  • Complexo esclerose tuberosa
  • Síndrome de Cowden
  • Micose fungoide (relatos de acrocórdon acometido por micose fungoide)

Patogênese

A patogênese não está completamente esclarecida.

A fricção crônica da pele contra a própria pele ou contra roupas e adornos é implicada, sobretudo em pessoas com obesidade, o que explica a topografia em dobras.

Os acrocórdons são também interpretados como consequência do envelhecimento cutâneo, com perda de elasticidade e frouxidão dérmica localizada.

O elo com o metabolismo é a hiperinsulinemia: a resistência à insulina gera hiperinsulinemia compensatória, e o excesso de insulina ativa diretamente receptores do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1) presentes em queratinócitos e fibroblastos, levando à proliferação dessas células.

Outros receptores de tirosina quinase participam, como o receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) e o receptor do fator de crescimento de fibroblastos (FGFR).

O fator de crescimento transformador alfa (TGF-alfa) e o fator de crescimento epidérmico (EGF) foram apontados como possíveis desencadeantes.

Desequilíbrios hormonais potencializam o surgimento das lesões: níveis elevados de progesterona e estrogênio (gravidez) e aumento do hormônio de crescimento na acromegalia.

Mutações somáticas na epiderme sobrejacente, em HRAS, KRAS, PIK3CA, EGFR ou FGFR3, foram descritas como possíveis motores do desenvolvimento dos acrocórdons de pescoço e axila; a assinatura mutacional de radiação ultravioleta é pouco relevante nessas lesões.

A infecção pelo papilomavírus humano foi investigada: DNA de HPV 6/11 foi detectado em até 88% dos acrocórdons em um estudo e em 48,6% dos fibromas moles em outro, mas em pequena quantidade, e o papel do vírus na gênese das lesões não está confirmado.

Clínica

  • Pápula mole, ovoide, com frequência presa por um pedículo estreito e carnoso
  • Coloração da própria pele, castanha ou avermelhada; com frequência hiperpigmentada em relação à pele adjacente
  • Tamanho habitual de 1 a 5 mm, raramente atingindo 1 a 2 cm; o diâmetro descrito varia de 0,5 a 2,5 mm nas lesões pequenas
  • Superfície lisa ou papilomatosa; lesões pequenas podem exigir lupa para serem bem vistas
  • Consistência mole, redutível, móvel sobre o pedículo
  • Topografia preferencial em áreas de dobra: pescoço lateral, axilas, virilha e pálpebras
  • Lesões habitualmente múltiplas, que podem formar configuração em colar
  • Lesões não dolorosas nem sensíveis, mas incômodas: prendem em roupas e colares, e o atrito constante causa sangramento ou prurido
  • Crescem em tamanho e número com a idade se não removidas, mas mantêm as mesmas características histológicas
  • Acrocórdons pequenos: pápulas sulcadas de 1 a 2 mm de largura e altura, mais frequentes no pescoço e nas axilas
  • Acrocórdons de tamanho intermediário: lesões filiformes, únicas ou múltiplas, de cerca de 5 mm de comprimento por 2 mm de largura, em outros sítios
  • Acrocórdons grandes: lesões pediculadas de aspecto sacular ou nevoide, que correspondem aos fibromas moles propriamente ditos, mais comuns na metade inferior do corpo, sobretudo na virilha
  • Acrocórdons gigantes: causam desconforto importante, especialmente nas axilas e na região genital
  • Sinal do colar de molusco pêndulo: acrocórdons numerosos dispostos em colar ao redor do pescoço, descrito no complexo esclerose tuberosa

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Complicações e cuidados

  • Torção do pedículo com infarto da lesão: o acrocórdon torna-se doloroso, inflamado e enegrecido; o risco é maior em pessoas com obesidade
  • Sangramento durante e após a remoção, podendo ser excessivo
  • Infecção pós-operatória
  • Cicatriz e desfiguração estética por remoção inadequada
  • Irritação local e dermatite irritativa no sítio da remoção
  • Neuroma, raro, quando um nervo dentro da lesão é seccionado, causando dor crônica por semanas a meses
  • Lesões discrômicas após crioterapia, sobretudo em fototipos altos

Prognóstico

O prognóstico é excelente: a lesão é benigna e o risco de malignização é muito baixo ou nulo.

Sem tratamento, os acrocórdons podem aumentar de tamanho por causa da fricção constante com roupas e nas dobras cutâneas, mas as características histológicas permanecem as mesmas.

As lesões persistem por toda a vida e tendem a aumentar em número com a idade.

Novas lesões surgem se os fatores predisponentes, sobretudo a obesidade e a resistência à insulina, não forem corrigidos.

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Referências

  1. Skin Tag (Acrochordon). StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025.
  2. Association of acanthosis nigricans and skin tags with insulin resistance. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2012.

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