O fibroma mole, ou acrocórdon, é uma excrescência benigna de pele redundante, composta por eixo de derme papilar frouxa revestido por epiderme acantótica e papilomatosa.
É uma das lesões cutâneas mais comuns do adulto e não tem potencial de malignização.
Lesões múltiplas ou recorrentes associam-se a obesidade, resistência à insulina, dislipidemia e síndrome metabólica.
Nesses casos, investigar glicemia de jejum, hemoglobina glicada, perfil lipídico e índice de massa corporal, além de tratar a lesão.
O tratamento da lesão é opcional, indicado por atrito, sangramento, prurido ou motivo estético.
A prevalência estimada na população geral é de 50% a 60%, sem diferença entre homens e mulheres.
A frequência aumenta a partir da quarta década de vida: por volta da quinta ou sexta décadas, cerca de dois terços dos indivíduos apresentam acrocórdons, que então persistem por toda a vida.
As lesões podem surgir já na adolescência e vários estudos relatam aumento da incidência em crianças e adolescentes, tendência que acompanha o aumento global da obesidade infantil.
Após os 40 anos, a frequência de acrocórdons chega a 37%, contra 20% a 25% na população geral.
Em uma casuística, 46% da população geral tinha acrocórdons, mas apenas 14,4% tinham oito ou mais lesões.
No Brasil, estimou-se em 2006 que entre 0,9% e 1,2% dos diagnósticos dermatológicos, conforme a região do país, correspondiam a acrocórdons.
Fatores de risco e doenças associadas
A patogênese não está completamente esclarecida.
A fricção crônica da pele contra a própria pele ou contra roupas e adornos é implicada, sobretudo em pessoas com obesidade, o que explica a topografia em dobras.
Os acrocórdons são também interpretados como consequência do envelhecimento cutâneo, com perda de elasticidade e frouxidão dérmica localizada.
O elo com o metabolismo é a hiperinsulinemia: a resistência à insulina gera hiperinsulinemia compensatória, e o excesso de insulina ativa diretamente receptores do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1) presentes em queratinócitos e fibroblastos, levando à proliferação dessas células.
Outros receptores de tirosina quinase participam, como o receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) e o receptor do fator de crescimento de fibroblastos (FGFR).
O fator de crescimento transformador alfa (TGF-alfa) e o fator de crescimento epidérmico (EGF) foram apontados como possíveis desencadeantes.
Desequilíbrios hormonais potencializam o surgimento das lesões: níveis elevados de progesterona e estrogênio (gravidez) e aumento do hormônio de crescimento na acromegalia.
Mutações somáticas na epiderme sobrejacente, em HRAS, KRAS, PIK3CA, EGFR ou FGFR3, foram descritas como possíveis motores do desenvolvimento dos acrocórdons de pescoço e axila; a assinatura mutacional de radiação ultravioleta é pouco relevante nessas lesões.
A infecção pelo papilomavírus humano foi investigada: DNA de HPV 6/11 foi detectado em até 88% dos acrocórdons em um estudo e em 48,6% dos fibromas moles em outro, mas em pequena quantidade, e o papel do vírus na gênese das lesões não está confirmado.
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O prognóstico é excelente: a lesão é benigna e o risco de malignização é muito baixo ou nulo.
Sem tratamento, os acrocórdons podem aumentar de tamanho por causa da fricção constante com roupas e nas dobras cutâneas, mas as características histológicas permanecem as mesmas.
As lesões persistem por toda a vida e tendem a aumentar em número com a idade.
Novas lesões surgem se os fatores predisponentes, sobretudo a obesidade e a resistência à insulina, não forem corrigidos.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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