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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Fibroxantoma atípico

malignaderme(Fibroxantoma atípico, Sarcoma dérmico pleomórfico)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

Sarcoma cutâneo de base dérmica, de origem mesenquimal, que surge em pele cronicamente fotoexposta de idosos, sobretudo no couro cabeludo e na orelha.

É um diagnóstico de exclusão: só se firma após painel de imuno-histoquímica que afaste carcinoma espinocelular fusocelular, melanoma, leiomiossarcoma e angiossarcoma.

Comporta-se como neoplasia de malignidade intermediária, com recidiva baixa e metástase excepcional quando está confinado à derme.

Forma um espectro com o sarcoma dérmico pleomórfico, que invade o subcutâneo e é mais agressivo; as duas lesões são indistinguíveis por perfil molecular, de metilação e de número de cópias, e a separação depende da profundidade da invasão e de achados histológicos adversos.

Epidemiologia

A prevalência e a incidência são desconhecidas pela raridade do tumor.

Acomete idosos: idade média de 79,6 anos em série multicêntrica da International Dermoscopy Society; em série italiana de 71 casos, 24 pacientes tinham entre 70 e 79 anos e 31 tinham entre 80 e 89 anos.

Predomínio masculino marcado: 93% de homens na série dermatoscópica e razão de 3,8 homens para 1 mulher na série italiana.

Topografia: couro cabeludo em 55% e orelha em 13% na série dermatoscópica; na série italiana, couro cabeludo em 42 de 71 casos, orelha em 11, testa em 5, nariz em 4 e face em 9.

O diâmetro variou de 0,3 a 12,8 cm, com média de 1,7 cm.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Exposição crônica à radiação ultravioleta
  • Pele com dano actínico intenso
  • Pele previamente irradiada
  • Idade avançada
  • Sexo masculino
  • Ceratose actínica adjacente ao tumor (26 de 71 casos)
  • Carcinoma espinocelular (4 de 71 casos)
  • Carcinoma basocelular (1 de 71 casos)

Patogênese

Tumor com carga mutacional alta (40 a 70 mutações por megabase) e predomínio de mutações com assinatura de ultravioleta.

TP53 está mutado em cerca de 75% dos tumores analisados (108 de 149).

Mutações no promotor de TERT, que reativam a telomerase, aparecem em 67% (70 de 80).

NOTCH1 está mutado em 22% e NOTCH2 em 10% dos tumores.

CDKN2A está mutado em 35%; a perda do cromossomo 9p, que contém CDKN2A, é a alteração de número de cópias mais comum (61%, 34 de 56 tumores).

FAT1 está mutado em 40% (51 de 126).

Predominam perdas cromossômicas (8p, 9p, 9q, 13, 16 e 18) sobre ganhos (1q, 8q, 17q e 19p).

O perfil de metilação não distingue o fibroxantoma atípico do sarcoma dérmico pleomórfico, e ambos são mais próximos do carcinoma espinocelular e do carcinoma basocelular do que dos sarcomas pleomórficos indiferenciados de partes moles profundas.

O perfil de expressão gênica aproxima o tumor dos fibroblastos.

Há regulação positiva da transição epitélio-mesenquimal e da resposta de macrófagos associados ao tumor.

Clínica

  • Nódulo firme, cupuliforme, de crescimento rápido, eritematoso ou cor da pele, em área fotoexposta de idoso
  • Superfície frequentemente erodida, crostosa ou ulcerada: ulceração em 78% na série dermatoscópica e em 64,7% na série histopatológica
  • Lesão amelanótica em 93% dos casos; apenas 8% mostravam alguma pigmentação
  • Morfologia: nódulo em 63%, placa em 33% e pápula em 5%
  • Lesão única, mais comum no couro cabeludo e na orelha
  • Pele adjacente com dano actínico, ceratoses actínicas e outros cânceres de pele

Classificação

  • Fibroxantoma atípico: proliferação limitada à derme e ao subcutâneo superficial, sem necrose, sem invasão vascular e sem invasão perineural
  • Sarcoma dérmico pleomórfico: mesma morfologia, com invasão do subcutâneo profundo, necrose tumoral, invasão linfovascular ou invasão perineural; tumor maior que 2 cm que invade extensamente o subcutâneo, penetra a fáscia ou o músculo
  • Padrão celular predominante: pleomórfico/misto, fusocelular, epitelioide, de células claras e queloidiano

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Complicações e cuidados

  • Recidiva local, associada à invasão do subcutâneo e ao comprometimento das margens
  • Metástase, excepcional no fibroxantoma atípico (0,8% em 5 anos) e em até 16% em 5 anos no sarcoma dérmico pleomórfico
  • Ulceração e sangramento do tumor
  • Progressão local com invasão da fáscia, do músculo e da calota craniana

Prognóstico

Prognóstico bom quando o tumor está limitado à derme.

Em 71 casos com seguimento de 17 a 125 meses, houve 4 recidivas (5,6%) e nenhuma metástase.

Risco em 5 anos: recidiva local de 10% e metástase de 0,8% no fibroxantoma atípico; recidiva de 17% e metástase de 16% no sarcoma dérmico pleomórfico.

As recidivas ocorreram apenas nos tumores que infiltravam o subcutâneo, sobretudo os de infiltração difusa (42,8%).

O prognóstico piora com o comprometimento das margens.

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Referências

  1. Atypical fibroxanthoma and pleomorphic dermal sarcoma: a reappraisal. Journal of Cutaneous Pathology. 2021.
  2. Molecular characterization of atypical fibroxanthoma and pleomorphic dermal sarcoma. Cancers. 2025.
  3. Dermoscopy features of atypical fibroxanthoma: a multicenter study of the International Dermoscopy Society. Australasian Journal of Dermatology. 2018.
  4. Clinical and dermoscopic characteristics of cutaneous sarcomas: a literature review. Diagnostics. 2023.

Achados (clique para explorar)

fibroxantoma atípicosarcoma dérmico pleomórficodiagnóstico de exclusãoCD10CD68citoqueratina negativaS-100 negativop63 negativodesmina negativaCD34 negativoTP53promotor de TERTCDKN2Aáreas vermelhas sem estruturavasos lineares irregularesinvasão do subcutâneosarcoma cutâneodano actínico
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