O granuloma anular é uma dermatose granulomatosa inflamatória, não infecciosa, benigna e em geral autolimitada.
A forma clássica apresenta pápulas ou placas anulares e arciformes, assintomáticas ou pouco sintomáticas, de superfície lisa e sem descamação evidente.
Pode ser localizado ou generalizado, com variantes menos comuns (subcutâneo, perfurante, em placas, palmoplantar) e formas raras (blaschkoide, elastolítico de células gigantes).
A maioria dos pacientes, sobretudo nas formas localizadas, é saudável.
Apesar do comportamento benigno, pode ser persistente, recorrente e de manejo difícil, principalmente nas formas generalizadas, extensas ou refratárias.
Pode ocorrer em qualquer idade.
Tradicionalmente é mais comum em crianças e adultos jovens (cerca de dois terços dos casos antes dos 30 anos), mas estudos recentes mostram frequência importante também em adultos de meia-idade e idosos.
Há predomínio feminino.
A forma localizada predomina em crianças e adultos jovens.
A subcutânea ocorre quase exclusivamente em crianças (1 a 14 anos).
A generalizada tende a surgir em idade mais tardia e a ser mais persistente.
A forma em placas é descrita principalmente em mulheres adultas.
Fatores de risco e doenças associadas
A etiologia é desconhecida.
O granuloma anular parece resultar de resposta inflamatória granulomatosa a diferentes estímulos em indivíduos predispostos.
O modelo clássico envolve hipersensibilidade tardia Th1, com acúmulo de monócitos e histiócitos na derme, degradação de colágeno e fibras elásticas e deposição de mucina.
Estudos recentes sugerem patogênese mais complexa, com participação das vias Th1 e JAK-STAT e possível envolvimento de Th2, Th17 e Th22.
A resposta pode ocorrer em fases, com degradação de colágeno, remodelamento tecidual e deposição de mucina.
Diversos fatores desencadeantes já foram descritos (trauma, fenômeno de Koebner, picadas, testes cutâneos, infecções, fármacos, vacinas e radiação ultravioleta), mas devem ser entendidos como possíveis desencadeantes, e não como causas obrigatórias.
Erupções semelhantes ao granuloma anular podem surgir após medicamentos (alopurinol, anti-TNF-alfa, inibidores de checkpoint e, de forma paradoxal, inibidores de JAK) e vacinas; a relação costuma ser apenas temporal e de mecanismo incerto.
Classificação
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O curso é benigno e a doença não é infecciosa.
A forma localizada costuma ser autolimitada, com cerca de metade dos pacientes resolvendo em até 2 anos, embora as recorrências sejam comuns (os episódios recorrentes tendem a clarear mais rápido).
A forma generalizada é mais persistente, de tratamento mais difícil, e pode durar anos.
Mesmo com recorrência, não costuma causar dano sistêmico direto; o impacto é principalmente estético e psicossocial.
A associação com malignidade é controversa e não justifica rastreamento oncológico indiscriminado.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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