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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Granuloma piogênico (hemangioma capilar lobular)

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Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

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Conceito

O granuloma piogênico é uma proliferação vascular benigna e adquirida da pele e das mucosas, derivada de células endoteliais, formada por capilares neoformados agrupados em lóbulos.

O nome consagrado é duplamente errado: a lesão não é granulomatosa (não há agregados de macrófagos) e não é piogênica (nunca se comprovou agente infeccioso desencadeante).

A designação correta, proposta em 1980 a partir do estudo histopatológico das lesões da mucosa oral e nasal, é hemangioma capilar lobular, termo que descreve exatamente o que se vê ao microscópio; o nome antigo persiste apenas por hábito.

É lesão comum, de crescimento exofítico rápido, friável e sangrante, sem potencial de malignização e sem involução espontânea (exceção feita ao granuloma gravídico, que costuma regredir após o parto).

O tratamento é simples e seguro, mas o granuloma piogênico imita lesões graves (melanoma amelanótico, carcinoma espinocelular, sarcoma de Kaposi, angiossarcoma, metástase cutânea), e séries antigas registram até 38% de diagnósticos clínicos incorretos.

Por isso, toda lesão excisada deve ser enviada para exame histopatológico: nunca cauterizar e descartar o material.

Epidemiologia

Ocorre em todas as faixas etárias, com pico descrito na segunda década de vida.

A razão entre homens e mulheres é próxima de 1 para 1,2, mas o padrão de idade difere: os homens tendem a apresentar as lesões mais cedo (da infância ao final da terceira década) e as mulheres mais tarde (entre os 30 e os 40 anos), o que acompanha o pico das lesões mucosas ligadas à gravidez.

Em crianças, a idade média ao diagnóstico fica entre 6 e 10 anos, com predomínio no sexo masculino.

As lesões cutâneas são mais frequentes que as mucosas.

Nos adultos, as lesões cutâneas predominam no tronco e nas extremidades (mais nos membros superiores que nos inferiores), seguidos de cabeça e pescoço; nas crianças, a ordem se inverte, com predileção por cabeça e pescoço.

Entre as lesões mucosas, os sítios mais citados são gengiva, lábios e língua, seguidos de mucosa nasal, conjuntiva, colo uterino e vagina.

O granuloma piogênico é também uma complicação reconhecida de procedimentos oculoplásticos: após cirurgias reconstrutivas da pálpebra, a incidência relatada vai de 9% a 24,4%.

Cerca de 30% dos granulomas piogênicos periungueais múltiplos estão associados a medicamentos.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Trauma cutâneo ou mucoso local, inclusive microtrauma de repetição na região periungueal
  • Gravidez, sobretudo no segundo e no terceiro trimestres (granuloma gravídico e épulis gravídico, na gengiva e na mucosa jugal)
  • Malformação vascular preexistente, como nevo flâmeo (mancha vinho do Porto) e malformação arteriovenosa, especialmente após laser ou crioterapia
  • Dermatoses crônicas com acometimento periungueal, como dermatite atópica e psoríase
  • Queimadura prévia
  • Cirurgia reconstrutiva de pálpebra e outros procedimentos oculoplásticos
  • Imunossupressão após transplante de células-tronco hematopoéticas (forma intraoral)
  • Doença do enxerto contra o hospedeiro

Fármacos desencadeantes

  • Retinoides sistêmicos e tópicos, com destaque para a isotretinoína (pode causar lesões periungueais e formas disseminadas)
  • Antirretrovirais, em especial o indinavir (paroníquia crônica com granulomas piogênicos periungueais)
  • Inibidores do EGFR, incluindo os anticorpos monoclonais cetuximabe e panitumumabe e os inibidores de tirosina quinase gefitinibe, erlotinibe, lapatinibe, afatinibe e osimertinibe
  • Inibidores de BRAF, como vemurafenibe e encorafenibe
  • Imatinibe
  • Antineoplásicos análogos de pirimidina, como capecitabina e 5-fluorouracil sistêmico
  • Taxanos, como docetaxel e paclitaxel
  • Inibidores de mTOR
  • Antagonistas do TNF-alfa, como o etanercepte
  • Ciclosporina e tacrolimo (lesões intraorais no pós-transplante)
  • Contraceptivos orais
  • Fator estimulador de colônias de granulócitos (formas disseminadas em imunodeficientes)

Patogênese

A causa exata é desconhecida e nenhuma via de sinalização isolada foi implicada.

O mecanismo proposto é um desequilíbrio entre fatores pró-angiogênicos e antiangiogênicos após um insulto local, com proliferação rápida de capilares neoformados, friáveis e dispostos em lóbulos.

O tecido de granulação reativo ao microtrauma é contributivo, mas apenas até 7% das lesões têm história de trauma comprovada, o que mostra que o trauma explica só parte dos casos.

Fatores hormonais participam do fenótipo associado à gravidez: postula-se que os estrogênios e outros hormônios sexuais exagerem a resposta inflamatória do tecido gengival.

Há descrição de mutações somáticas em genes da via das MAP quinases (BRAF) e em genes de proteína G (GNAQ) em lesões induzidas por trauma.

Malformações vasculares preexistentes podem servir de substrato, e o granuloma piogênico pode surgir dentro ou após laser ou crioterapia aplicados sobre um nevo flâmeo (mancha vinho do Porto) ou uma malformação arteriovenosa.

As lesões são positivas para marcadores vasculares (CD31, CD34, antígeno do fator VIII) e negativas para GLUT-1, o que as separa do hemangioma infantil.

Clínica

  • Pápula ou nódulo vermelho, único, de superfície friável, que sangra profusamente ao mínimo trauma
  • Crescimento exofítico rápido, ao longo de semanas a poucos meses, com estabilização posterior do tamanho
  • Cor variável do vermelho vivo ao vermelho-acastanhado ou violáceo
  • Tamanho de poucos milímetros a alguns centímetros
  • Colarete epidérmico de escamas na base da lesão, achado útil, porém não exclusivo desta entidade
  • Lesão madura tipicamente polipoide ou pedunculada; a forma séssil, em placa, é rara
  • Ulceração e crostas hemorrágicas frequentes na superfície
  • Sangramento recorrente, difícil de controlar, que leva o paciente a cobrir a lesão com curativo adesivo (sinal do band-aid)
  • Em geral indolor
  • Sítios cutâneos mais comuns: dedos e mãos, face, tronco e extremidades
  • Sítios mucosos mais comuns: gengiva, lábios e língua

Forma digital ou periungueal

  • Surge na dobra ungueal proximal ou lateral
  • Quando solitária, pode imitar paroníquia aguda e costuma seguir trauma ou infecção local
  • Quando múltipla e em vários dedos, sugere causa medicamentosa

Granuloma gravídico (épulis gravídico)

  • Lesão intraoral da gestante, mais comum na gengiva e na mucosa jugal
  • Aparece no segundo ou no terceiro trimestre
  • Costuma regredir após o parto

Forma satélite

  • Lesões eruptivas ao redor da lesão inicial, em geral após trauma ou tratamento da lesão primária
  • Favorece o tronco e a pele perilesional

Forma disseminada

  • Muito rara, com lesões eruptivas sem predileção topográfica
  • Descrita após queimaduras e com isotretinoína e fator estimulador de colônias de granulócitos

Formas profundas

  • Granuloma piogênico subcutâneo: nódulo subcutâneo bem delimitado, mais frequente em mulheres
  • Granuloma piogênico intravenoso: nódulo subcutâneo de crescimento lento, firme, no pescoço ou nos membros superiores

Forma gastrintestinal

  • Rara, imita pólipo
  • Pode ser assintomática ou cursar com sangramento evidente ou oculto e anemia ferropriva

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Complicações e cuidados

  • Sangramento recorrente e por vezes profuso após trauma mínimo
  • Ulceração
  • Infecção secundária
  • Anemia ferropriva nas lesões gastrintestinais com sangramento oculto
  • Recidiva após tratamento, sobretudo com técnicas parciais (shave, curetagem) e nas lesões induzidas por fármacos ou pela gravidez
  • Lesões satélite após trauma ou excisão da lesão primária
  • Cicatriz e discromia (hipopigmentação e hiperpigmentação após laser; coloração transitória pelo nitrato de prata)
  • Desfiguração estética e sofrimento psíquico, sobretudo nas lesões faciais
  • Atraso diagnóstico de neoplasia maligna quando a lesão é destruída sem exame histopatológico

Prognóstico

A lesão é benigna e não tem potencial de malignização.

Não regride espontaneamente, com a exceção do granuloma gravídico, que costuma involuir após o parto.

A resolução completa após uma única sessão de tratamento, considerando todas as modalidades, é de 68,2%; com excisão cirúrgica chega a 96,2%.

A ressecção parcial (shave ou curetagem) tem mais recidiva que a excisão completa, e as lesões associadas à gravidez e a fármacos recidivam mais.

Diante de recidiva, indica-se excisão cirúrgica completa.

As complicações dos tratamentos são, em geral, leves (eritema, dor discreta, edema, discromia).

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Referências

  1. Pyogenic Granuloma. In: StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing; 2024.
  2. Pyogenic granuloma diagnosis and management: a practical review. Plastic and Reconstructive Surgery Global Open. 2024.
  3. Granuloma piogênico: descrição de dois casos incomuns e revisão da literatura. Surgical and Cosmetic Dermatology. 2013.

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