O lago venoso é uma lesão vascular adquirida da derme, formada por um único vaso ectasiado de grande calibre, cheio de hemácias.
Trata-se de ectasia, e não de proliferação de células endoteliais: o vaso está dilatado, não multiplicado.
Por isso a lesão é mole, compressível e de crescimento lento.
Na classificação ISSVA, pertence ao grupo das malformações vasculares, e não ao dos tumores vasculares.
A malformação venosa, por sua vez, está presente ao nascimento, é mais extensa, envolve derme profunda e tecido celular subcutâneo e não cresce rapidamente, por ser malformação e não neoplasia verdadeira.
É lesão benigna, sem potencial de malignização.
O reconhecimento é clínico: pápula azul-violácea mole que se esvazia à compressão.
Pápula azulada ou enegrecida que não se esvazia à diascopia não é lago venoso e exige investigação, porque o diferencial inclui lesões pigmentadas.
Fatores de risco e doenças associadas
O lago venoso corresponde a um vaso dérmico único, ectasiado, sem válvulas, repleto de hemácias.
É uma ectasia vascular, e não uma proliferação endotelial.
Na malformação venosa, a entidade vizinha e mais extensa, cerca de metade dos casos esporádicos tem mutação somática em TIE2 (também chamado TEK), por exemplo p.L914F.
A forma familiar (malformação venosa cutaneomucosa) decorre de mutação germinativa em heterozigose no mesmo gene (troca de arginina por triptofano na posição 849 do domínio quinase de Tie2), de penetrância baixa, e tem sobreposição importante com a síndrome do nevo azul em bolha de borracha.
A lesão é localizada apesar de a mutação germinativa estar em todas as células porque depende de um segundo golpe (mutação somática adicional no DNA lesional).
Parte dos pacientes tem também mutações em PIK3CA ou Akt, moléculas a jusante de Tie2, o que coloca a malformação venosa na via PIK3CA/Akt/mTOR.
A sinalização desregulada de Tie2 altera a expressão de citocinas (angiopoietina-2, PDGF) e desorienta as células musculares lisas para a periferia do vaso, com dilatação venosa anômala; a ativação de mTOR induz senescência endotelial, o que produz anomalia morfológica sem tumorigênese.
As malformações venosas são lesões de fluxo lento, o que explica a compressibilidade, a ausência de calor, de frêmito e de pulsação, e o risco de trombose intralesional com formação de flebólitos.
Classificação
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Lesão benigna, sem potencial de malignização.
Não involui espontaneamente.
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