Doença inflamatória crônica, recorrente e debilitante do folículo piloso, de natureza imunomediada, que em geral se inicia após a puberdade.
Não é uma infecção primária das glândulas sudoríparas apócrinas, apesar do nome histórico; trata-se de doença folicular com envolvimento apócrino apenas secundário.
Caracteriza-se por nódulos inflamatórios dolorosos, abscessos, comedões frequentemente duplos ou multiporo, fístulas e trajetos sinusais que drenam secreção supurativa, além de cicatrizes.
Tem predileção por áreas intertriginosas (axilas, virilhas, regiões anogenital e inframamária).
O diagnóstico é clínico e apoia-se em três critérios: lesões típicas, localização em sítios intertriginosos e recorrência.
Provoca impacto acentuado na qualidade de vida por dor, drenagem, odor e limitação física.
Prevalência estimada entre 0,3% e 1%, com relatos que variam de 0,1% a 2%.
Início habitual após a puberdade, com predomínio na 3ª e 4ª décadas de vida.
Mais frequente no sexo feminino, porém em média mais grave nos homens.
Mais comum em pessoas de ascendência africana e de menor nível socioeconômico.
Cerca de 35% dos pacientes têm parente de primeiro grau afetado.
A prevalência de sobrepeso ou obesidade pode superar 75% e 70% a 75% dos pacientes são tabagistas ativos.
Fatores de risco e doenças associadas
Há desregulação da imunidade inata e adaptativa, com participação de linfócitos Th1 e Th17 e superexpressão de TNF-alfa, IL-1, IL-17 e IL-23, associada a oclusão folicular.
A hiperceratose e a oclusão do infundíbulo folicular levam à dilatação e ruptura do folículo, com resposta inflamatória, formação de abscessos e trajetos sinusais epitelizados.
De 1% a 2% dos pacientes apresentam mutações familiares no complexo gama-secretase (nicastrina, presenilina 1 e presenilina enhancer 2, via Notch), associadas a doença atípica de envolvimento difuso e múltiplos cistos.
Biofilmes bacterianos são descritos em amostras cutâneas, sobretudo nos trajetos sinusais.
A flora cultivada corresponde predominantemente a comensais da pele (Staphylococcus epidermidis), sem papel infeccioso primário estabelecido.
Classificação
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Doença crônica e recorrente, de curso flutuante, que progride do padrão inflamatório para destruição tecidual irreversível quando não tratada.
O controle precoce da inflamação reduz a dor e a recorrência.
A resposta ao tratamento é variável e a recidiva após interrupção de fármacos ou cirurgia é comum.
As localizações perianal, vulvar e inframamária apresentam maiores taxas de recorrência cirúrgica.
O impacto na qualidade de vida é acentuado.
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