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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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© 2026 Dr. Caio Formiga, DermatologistaCRM/TO 3606 · RQE 2226 · Membro da SBDPrivacidade
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Hipersensibilidade a progestágenos

Padrão inflamatório(Dermatite autoimune por progesterona)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em junho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

A hipersensibilidade a progestágenos é uma síndrome rara, com manifestações cutâneas, mucosas, respiratórias ou sistêmicas desencadeadas por progesterona endógena ou por progestágenos exógenos.

O termo antigo dermatite autoimune por progesterona ainda aparece na literatura, mas é limitado, porque nem todas as pacientes têm dermatite e nem todos os casos têm mecanismo autoimune demonstrado.

O quadro clássico cursa com exacerbações cíclicas na fase lútea do ciclo menstrual, quando a progesterona se eleva.

As manifestações costumam surgir de 3 a 10 dias antes da menstruação e melhorar poucos dias após o início do fluxo.

Também pode ocorrer após exposição a progestágenos exógenos, como contraceptivos hormonais, progesterona usada em reprodução assistida, anel vaginal, medroxiprogesterona de depósito, dispositivos intrauterinos hormonais ou terapia hormonal.

Epidemiologia

É condição rara e provavelmente subdiagnosticada.

Acomete principalmente mulheres em idade reprodutiva.

Os sintomas podem começar em qualquer momento entre a menarca e a menopausa, com média de início em torno da terceira década de vida.

A exposição prévia a progestágenos exógenos pode anteceder o quadro em parte dos casos, mas a doença também ocorre sem exposição hormonal exógena conhecida.

Pode manifestar-se durante a gestação, no pós-parto ou durante tratamentos de fertilidade.

Mulheres com ciclos irregulares também podem apresentar a doença, o que dificulta o reconhecimento do padrão cíclico.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Exposição prévia a progestágenos exógenos, que pode anteceder o quadro em parte dos casos
  • Desencadeantes exógenos: contraceptivos hormonais, medroxiprogesterona de depósito, anel vaginal, dispositivo intrauterino hormonal, progesterona usada em fertilização in vitro e terapia hormonal
  • Elevação fisiológica da progesterona na fase lútea, na forma endógena
  • Gestação, pós-parto e tratamentos de fertilidade
  • Ciclos irregulares, que dificultam o reconhecimento da relação temporal
  • Padrões cutâneos, mucosos, respiratórios ou sistêmicos, podendo a mesma paciente apresentar mais de um padrão clínico
  • Urticária, angioedema, asma, dispneia, sintomas gastrointestinais e anafilaxia
  • Manifestações vulvovaginais, como prurido vulvar ou vulvovaginal recorrente

Patogênese

A patogênese não é completamente definida, e provavelmente há mecanismos diferentes em pacientes diferentes.

Alguns casos correspondem a hipersensibilidade imediata, possivelmente mediada por IgE, o que é sugerido por urticária, angioedema, asma, anafilaxia, ativação mastocitária e testes cutâneos imediatos positivos em parte das pacientes.

Outros casos apresentam manifestações tardias, como dermatite eczematosa, lesões inflamatórias persistentes ou reações compatíveis com hipersensibilidade celular.

Também foram propostos mecanismos por imunocomplexos e ativação direta de mastócitos.

A sensibilização pode ocorrer após exposição a progestágenos exógenos e, uma vez sensibilizada, a paciente pode reagir tanto a progestágenos exógenos quanto à progesterona endógena do ciclo menstrual.

Em outros casos, os sintomas surgem apenas com a elevação fisiológica da progesterona na fase lútea, sem exposição hormonal exógena conhecida.

Pode haver reatividade cruzada com outros esteroides, embora esse mecanismo não explique todos os casos.

Clínica

  • Apresentação heterogênea, podendo a mesma paciente exibir mais de um padrão clínico
  • Manifestação cutânea eczematosa
  • Urticária, angioedema, prurido, erupção maculopapular, pápulas, placas, vesículas, pústulas, lesões vesicobolhosas e vesicopustulosas, eritema multiforme, petéquias, púrpura, erupção fixa medicamentosa, estomatite e erosões orais
  • Manifestações vulvovaginais, como prurido vulvar ou vulvovaginal recorrente
  • Manifestações não dermatológicas: asma, dispneia, sintomas gastrointestinais e anafilaxia

Padrão temporal, uma das principais pistas diagnósticas

  • Forma endógena clássica: lesões na fase lútea, em geral 3 a 10 dias antes da menstruação, com melhora após o início do fluxo
  • A repetição do padrão em ciclos sucessivos fortalece a suspeita
  • Quando o desencadeante é um progestágeno exógeno, a relação com o ciclo menstrual pode não ser evidente, e a crise ocorre após início, troca ou administração de contraceptivo hormonal, progesterona para fertilidade, medroxiprogesterona de depósito, anel vaginal, dispositivo intrauterino hormonal ou terapia hormonal

Classificação

  • Forma endógena: relacionada ao ciclo menstrual ou à gestação
  • Forma endógena menstrual: sintomas no período pré-menstrual, durante a fase lútea
  • Forma associada à gestação: sintomas durante a gravidez ou após o parto
  • Forma exógena: após administração de progestágenos, como contraceptivos hormonais, medroxiprogesterona de depósito, anel vaginal, dispositivo intrauterino hormonal, progesterona usada em fertilização in vitro ou terapia hormonal
  • Forma mista: a paciente reage inicialmente a um progestágeno exógeno e depois passa a ter sintomas também com a progesterona endógena do ciclo menstrual

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Complicações e cuidados

  • Angioedema, asma, dispneia, sintomas gastrointestinais e anafilaxia
  • Síndrome de Cushing iatrogênica, ganho ponderal, miopatia, hiperglicemia, osteopenia, osteoporose e insuficiência adrenal pelo uso repetido ou prolongado de corticosteroide sistêmico
  • Hipoestrogenismo pelos agonistas de GnRH: amenorreia, fogachos, atrofia urogenital e perda óssea
  • Consequências da ooforectomia bilateral: infertilidade definitiva, menopausa precoce, sintomas vasomotores, risco ósseo, necessidade de terapia hormonal e impacto na qualidade de vida

Prognóstico

O curso é variável.

Algumas pacientes mantêm sintomas recorrentes por anos.

Outras melhoram após a menopausa, quando cessa a produção cíclica de progesterona ovariana.

A doença pode piorar ou melhorar durante a gestação: em algumas pacientes, a elevação progressiva da progesterona induz tolerância parcial; em outras, os sintomas pioram com o aumento dos níveis hormonais.

O prognóstico depende da gravidade das manifestações, da possibilidade de evitar progestágenos exógenos, da resposta à supressão ovulatória, da resposta a terapias poupadoras de corticoide e dos objetivos reprodutivos da paciente.

Casos com urticária, angioedema, dispneia ou anafilaxia exigem maior cautela, plano de emergência e acompanhamento especializado.

O uso prolongado de corticosteroide sistêmico pode causar morbidade importante e deve motivar a busca ativa por alternativas terapêuticas.

Procedimentos definitivos, como a ooforectomia bilateral, podem controlar casos refratários, mas trazem consequências relevantes e não devem ser banalizados.

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Referências

  1. Progestogen Hypersensitivity: Heterogeneous Manifestations with a Common Trigger. J Allergy Clin Immunol Pract. 2017.
  2. Effect of omalizumab for autoimmune progesterone dermatitis refractory to bilateral oophorectomy: a case report. Allergy Asthma Clin Immunol. 2021.

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