Leucodermia adquirida comum, benigna e geralmente assintomática.
Caracteriza-se por múltiplas máculas hipocrômicas a acrômicas, pequenas, arredondadas ou ovais, bem delimitadas, em áreas fotoexpostas.
Predomina nas superfícies extensoras dos antebraços e nas regiões pré-tibiais.
Resulta de redução do número de melanócitos e do conteúdo de melanina na epiderme.
Uma vez instaladas, as lesões não regridem espontaneamente e permanecem estáveis em tamanho, sem coalescer.
Relaciona-se ao envelhecimento cutâneo e ao fotoenvelhecimento, com importância predominantemente cosmética.
Afeta principalmente indivíduos com mais de 40 anos, com prevalência crescente com a idade.
A prevalência é de cerca de 87% acima dos 40 anos, sendo encontrada em 47% dos indivíduos de 31 a 40 anos, 80% dos de 41 a 50 anos e 97% dos de 81 a 90 anos.
Até 80% das pessoas acima de 70 anos são afetadas.
Pode surgir em adultos jovens, na segunda e na terceira décadas: 7,0% a 29,8% dos pacientes apresentam lesões antes dos 20 anos, com relato de início aos 3 anos.
Ocorre em ambos os sexos, com prevalência praticamente igual, mas tende a ser notada mais cedo em mulheres, possivelmente por maior preocupação estética.
Ocorre em todos os fototipos, sendo mais evidente nos fototipos altos e na pele negra, pelo contraste com a pele adjacente.
Entre indivíduos de pele clara, acomete preferencialmente os de olhos e cabelos castanhos.
Fatores de risco e doenças associadas
A etiopatogenia exata permanece controversa e provavelmente é multifatorial, com fatores genéticos e ambientais.
Degeneração senil: o número de melanócitos enzimaticamente ativos diminui cerca de 10% a 20% por década, e as lesões em áreas não fotoexpostas exibem sinais de envelhecimento, como atrofia epidérmica, achatamento das cristas epidérmicas e redução da ceratose.
Exposição ultravioleta crônica: as lesões predominam em áreas fotoexpostas, a fototerapia (UVB de banda estreita ou PUVA) pode induzir lesões semelhantes à hipomelanose gutata idiopática, e cerca de 70% das lesões faciais apresentam elastose solar concomitante.
Fatores genéticos: há maior prevalência entre familiares de pacientes e associação com o antígeno leucocitário humano HLA-DQ3, sem associação com HLA-DR8, em transplantados renais.
Trauma: microtraumatismos repetidos em áreas de menor tecido subcutâneo, como a face anterior das pernas e a região central inferior do dorso, podem contribuir.
Autoimunidade: cerca de um terço dos pacientes apresenta anticorpos circulantes contra células parietais gástricas, possivelmente apenas uma alteração relacionada à idade.
Inibição local da melanogênese: enxertos de pele normal em lesões de hipomelanose gutata idiopática sofrem despigmentação, o que sugere fatores dermoepidérmicos locais.
Estudos ultraestruturais mostram degeneração dos melanócitos, redução dos melanossomas, atenuação ou ausência dos dendritos e disfunção da transferência de melanossomas para os queratinócitos.
Melanócitos senescentes e o papel de fibroblastos senescentes também foram implicados.
Classificação
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Condição benigna, com excelente prognóstico e sem risco de malignização.
As lesões são estáveis, porém não regridem sem tratamento.
O número ou o tamanho das lesões pode aumentar ao longo do tempo, ampliando a preocupação estética.
A repercussão é essencialmente cosmética e psicossocial.
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Dermatologia como ela acontece na prática: do diagnóstico ao tratamento.
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