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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Leiomioma cutâneo

benignaderme(Piloleiomioma, Angioleiomioma, Leiomioma genital, Leiomiomatose cutânea, Leiomyoma cutis)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchados

Conceito

Neoplasia benigna de músculo liso da pele, rara, correspondendo a 5% de todos os leiomiomas.

Três subtipos, segundo a origem: piloleiomioma (músculo eretor do pelo), angioleiomioma (músculo liso da parede de arteríolas e vênulas subcutâneas) e leiomioma genital ou dartoico (músculo liso da vulva, do escroto e da aréola).

A dor é a marca da lesão: dor espontânea, dor à pressão e dor desencadeada pelo frio.

Lesões múltiplas obrigam a investigar a leiomiomatose cutânea e uterina (síndrome de Reed), hoje reconhecida como leiomiomatose hereditária com câncer renal (HLRCC), por mutação germinativa no gene da fumarato hidratase: o rastreio renal e o aconselhamento genético mudam o desfecho, porque o carcinoma renal papilar tipo 2 associado tem curso agressivo.

Epidemiologia

Os leiomiomas cutâneos representam 5% de todos os leiomiomas.

O piloleiomioma é o subtipo mais comum; ocorre em adultos, com frequência semelhante em homens e mulheres.

Os leiomiomas cutâneos costumam surgir entre a segunda e a quarta décadas de vida.

O angioleiomioma é mais frequente em mulheres de meia-idade, nos membros inferiores.

A prevalência da leiomiomatose cutânea e uterina (síndrome de Reed) e da HLRCC é desconhecida, sem predomínio conhecido de sexo.

Mutação germinativa em fumarato hidratase é encontrada em 76 de 89 (85%) probandos com leiomiomatose cutânea e uterina.

Carcinoma renal ocorre em cerca de 15,6% dos portadores de mutação em fumarato hidratase, com idade média de 44 anos ao diagnóstico.

Noventa por cento das mulheres com leiomiomatose cutânea e uterina desenvolvem leiomiomas uterinos.

Cerca de 180 famílias com HLRCC foram diagnosticadas no mundo.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Mutação germinativa heterozigótica em fumarato hidratase
  • Parente de primeiro grau com leiomiomatose cutânea e uterina
  • Idade adulta (segunda a quarta décadas para o piloleiomioma)
  • Mutação truncante em FH, associada de modo significativo ao câncer renal
  • Leiomiomatose cutânea e uterina (síndrome de Reed)
  • Leiomiomatose hereditária com câncer renal (HLRCC), por mutação em fumarato hidratase
  • Carcinoma renal papilar tipo 2 e carcinoma de ducto coletor
  • Leiomiomas uterinos e leiomiossarcoma uterino
  • Tumor de Wilms, descrito como possível manifestação precoce da HLRCC

Patogênese

Proliferação de músculo liso: do músculo eretor do pelo no piloleiomioma, da parede vascular no angioleiomioma, e do músculo liso genital, dartoico ou mamário no leiomioma genital.

A dor não tem causa definida; foi atribuída à pressão sobre fibras nervosas dentro do tumor, à contração das fibras musculares lisas do leiomioma e ao aumento do número de elementos nervosos no tumor.

Leiomiomatose cutânea e uterina e HLRCC decorrem de mutação germinativa heterozigótica no gene da fumarato hidratase (FH), mapeado em 1q42.3-q43, com herança autossômica dominante e penetrância incompleta.

A fumarato hidratase catalisa a conversão de fumarato em malato no ciclo de Krebs e funciona como gene supressor tumoral: com a perda do alelo selvagem, o fumarato se acumula na célula e estabiliza os fatores induzíveis por hipóxia (HIF 1-alfa e HIF 2-alfa), gerando um estado de pseudo-hipóxia com transcrição de VEGF, PDGF, EGFR, Glut-1 e TGF-alfa, favorável ao desenvolvimento tumoral.

Mutações em FH: sentido trocado (58%), com mudança de matriz de leitura (27%), sem sentido (9%) e deleções gênicas completas (7%); a mutação germinativa mais frequente é a N64T. Mutações truncantes, sobretudo as de mudança de matriz de leitura, associam-se de modo significativo ao câncer renal. Não há correlação clara entre genótipo e fenótipo.

A distribuição segmentar dos leiomiomas cutâneos indica mosaicismo (manifestação segmentar tipo 2, por perda de heterozigose no mesmo locus).

Clínica

  • Pápulas ou nódulos firmes, cor da pele a róseo-avermelhados ou castanho-avermelhados, em geral de 0,5 a 2 cm.
  • A dor é o sintoma dominante: espontânea, ao frio, à pressão ou ao atrito.
  • Sinal de pseudo-Darier: friccionar a lesão faz com que ela fique eritematosa, dolorosa e elevada, por contração do músculo liso.

Piloleiomioma

  • pápulas castanho-avermelhadas ou róseas, no tronco e nas extremidades
  • solitário ou múltiplo no mesmo paciente
  • dor especialmente à exposição ao frio e à pressão
  • lesões antigas crescem e lesões novas continuam a surgir
  • distribuição das lesões múltiplas: bilateral, simétrica, agrupada, linear, zosteriforme ou segmentar (dermatomal); o padrão em faixa ou segmentar indica mosaicismo

Angioleiomioma

  • nódulo solitário, maior e mais profundo, subcutâneo
  • mais comum em mulheres de meia-idade, nos membros inferiores
  • frequentemente doloroso

Leiomioma genital (dartoico)

  • lesão solitária na vulva, no escroto ou na aréola
  • em geral assintomático

Leiomiomatose cutânea e uterina (síndrome de Reed)

  • leiomiomas cutâneos múltiplos, muitas vezes as primeiras lesões da síndrome
  • leiomiomas uterinos em 90% das mulheres afetadas, com menorragia, pressão ou dor pélvica, anemia e subfertilidade
  • histerectomia antes dos 30 anos por miomas sintomáticos deve levantar a suspeita, sobretudo se houver lesões cutâneas
  • carcinoma renal: hematúria, dor lombar baixa, massa palpável, ou sintomas de metástase

Classificação

  • Piloleiomioma: derivado do músculo eretor do pelo
  • Angioleiomioma: derivado do músculo liso da parede de vasos subcutâneos
  • Leiomioma genital ou dartoico: derivado do músculo liso vulvar, escrotal ou mamário
  • Solitário ou múltiplo (leiomiomatose)

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Complicações e cuidados

  • Dor crônica incapacitante, que interfere nas atividades diárias
  • Recidiva em cerca de 50% dos casos após excisão
  • Carcinoma renal papilar tipo 2, de curso excepcionalmente agressivo, com metástase em 50% dos pacientes com carcinoma renal na leiomiomatose
  • Carcinoma de ducto coletor, oncocitoma, carcinoma de células claras e tumor de Wilms, descritos com menor frequência na HLRCC
  • Leiomiossarcoma uterino, altamente agressivo, antes dos 30 anos (descrito até agora apenas na população finlandesa)
  • Leiomiomas uterinos sintomáticos com menorragia, anemia e subfertilidade
  • Leiomiossarcoma cutâneo

Prognóstico

O leiomioma cutâneo é benigno e não sofre transformação maligna.

A morbidade vem da dor crônica e da recidiva após a excisão (cerca de 50%).

O prognóstico da leiomiomatose depende do rim: o carcinoma renal papilar tipo 2 tem curso excepcionalmente agressivo, os tumores renais em geral são solitários e unilaterais, e metástases ocorrem em 50% dos pacientes, proporção desproporcionalmente alta em relação ao tamanho e ao número dos tumores primários.

Idade média de detecção do carcinoma renal de 44 anos, o que define o momento de iniciar e a periodicidade do rastreio.

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Referências

  1. Multiple cutaneous and uterine leiomyomatosis syndrome: a review. Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology. 2013.
  2. Multiple piloleiomyomas: a case series with dermoscopic features and a literature review. Advances in Dermatology and Allergology. 2022.
  3. Dermoscopy of cutaneous smooth muscle neoplasms: a morphological study of 136 cases. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology. 2019.
  4. Mutations in the fumarate hydratase gene cause hereditary leiomyomatosis and renal cell cancer in families in North America. American Journal of Human Genetics. 2003.
  5. Germline mutations in FH predispose to dominantly inherited uterine fibroids, skin leiomyomata and papillary renal cell cancer. Nature Genetics. 2002.
  6. The morphologic spectrum of kidney tumors in hereditary leiomyomatosis and renal cell carcinoma (HLRCC) syndrome. American Journal of Surgical Pathology. 2007.
  7. Leiomyoma cutis: a focus on presentation, management, and association with malignancy. American Journal of Clinical Dermatology. 2015.
  8. Cutaneous pilar leiomyoma: clinicopathologic analysis of 53 lesions in 45 patients. American Journal of Dermatopathology. 1997.
  9. Botulinum toxin type A: treatment of a patient with multiple cutaneous piloleiomyomas. Dermatology. 2009.

Achados (clique para explorar)

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