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Dermato Prática, por Dr. Caio Formiga

Dermatologia clínica e cirúrgica baseada em diagnóstico acurado, terapia precisa e tecnologia de ponta. Palmas, TO.

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Lentigo solar

benignaepiderme(Lentigo actínico, Lentigo senil, Melanose solar, Solar lentigo, Actinic lentigo, Senile lentigo)

Revisado por Dr. Caio Formiga· Dermatologista· CRM/TO 3606· RQE 2226· SBD

Atualizado em julho de 2026

ImagensConceitoEpidemiologiaPatogêneseClínicaDermatoscopiaHistopatologiaDiferenciaisManejoProcedimentosComplicaçõesPrognósticoPérolaReferênciasAchadosAulasVeja também

Imagens

Conceito

O lentigo solar é uma mácula pigmentada benigna que resulta do dano actínico crônico e cumulativo sobre a epiderme.

Traduz aumento da pigmentação dos queratinócitos basais e alongamento das cristas epidérmicas, com aumento apenas discreto (ou nenhum) da densidade de melanócitos, sem proliferação melanocítica atípica.

Não tem potencial de transformação maligna, mas é marcador de fotoexposição acumulada e, portanto, de risco aumentado de câncer de pele naquele paciente.

Também é um dos primeiros sinais visíveis do fotoenvelhecimento, o que explica a demanda estética.

Trate o lentigo se o paciente quiser; a presença da lesão indica fotoproteção e exame de corpo inteiro.

Na face, uma mácula pigmentada em pessoa idosa com dano solar crônico pode ser um lentigo maligno: faça dermatoscopia antes de destruir e biopsie na dúvida.

Epidemiologia

Lesão do adulto, com prevalência crescente com a idade: afeta mais de 90% das pessoas de pele clara acima dos 50 anos e é praticamente ubíqua após os 60 anos.

Mais comum em indivíduos de pele clara (fototipos baixos) do que em asiáticos de pele clara; a suscetibilidade também depende de fatores genéticos e do nível de pigmentação constitucional.

As lesões aparecem nas áreas de maior exposição solar cumulativa: face, pescoço, dorso das mãos, antebraços e ombros.

O impacto social não é desprezível, já que as lesões surgem em áreas muito visíveis.

Fatores de risco e doenças associadas

  • Exposição solar cumulativa ao longo da vida
  • Idade avançada
  • Fototipos baixos (I e II) e pele clara
  • Predisposição genética ao padrão de pigmentação
  • Fotoenvelhecimento cutâneo e elastose solar
  • Ceratose seborreica plana (o lentigo solar é a lesão que a precede)
  • Ceratose actínica e demais marcadores de dano actínico crônico
  • Risco aumentado de melanoma em pacientes com grande número de lentigos solares e efélides (marcador de fotoexposição, não de transformação da própria lesão)

Patogênese

A radiação ultravioleta crônica atua sobre os queratinócitos e melanócitos da epiderme fotoexposta.

Há aumento localizado da produção de melanina e da transferência de pigmento para os queratinócitos basais, com alongamento das cristas interpapilares.

A quantidade de melanócitos pode estar discretamente aumentada, mas não há atipia nem proliferação melanocítica confluente.

O acúmulo de dano actínico se expressa também na derme, com elastose solar subjacente.

Clínica

  • Mácula acastanhada, bem delimitada, de cor uniforme ou levemente mosqueada, em área fotoexposta
  • Tamanho variável, de poucos milímetros a mais de 1 cm; as lesões crescem lentamente e confluem em máculas maiores
  • Lesões habitualmente múltiplas, sobre pele com outros sinais de fotodano (elastose, telangiectasias, ceratoses actínicas)
  • Sítios preferenciais: face, pescoço, dorso das mãos, antebraços
  • Superfície inicialmente lisa; com o tempo pode tornar-se discretamente ceratótica, marcando a evolução para ceratose seborreica plana
  • Assintomática, de evolução crônica e estável, sem regressão espontânea

Efélide (sarda)

  • Mácula de 1 a 3 mm, que escurece com a exposição solar e clareia no inverno
  • Surge nos primeiros três anos de vida, ausente ao nascimento; mais comum em pessoas louras ou ruivas
  • Distribuição em áreas fotoexpostas, sobretudo face, dorso das extremidades superiores e tronco superior

Lentigo simples

  • Mácula castanha a negra, bem demarcada e uniformemente pigmentada
  • Ocorre em qualquer idade e em qualquer sítio anatômico, inclusive em pele coberta, e não depende da exposição solar
  • Quando múltiplo, obriga a pensar em síndromes com lentiginose (LEOPARD, complexo de Carney, Peutz-Jeghers, Laugier-Hunziker, Cowden, Bannayan-Riley-Ruvalcaba, xeroderma pigmentoso, Cronkhite-Canada)

Lentigo solar

  • Mácula pigmentada exclusivamente de área fotoexposta, do adulto, que não clareia no inverno e traduz dano solar cumulativo

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Complicações e cuidados

  • Hiperpigmentação pós-inflamatória, sobretudo em fototipos altos e após lasers Q-switched
  • Hipopigmentação residual da lesão tratada e hiperpigmentação periférica após crioterapia
  • Bolhas, dor intensa, edema, eritema e prurido após crioterapia
  • Alterações de textura e atrofia após lasers contínuos ou quase contínuos e dermoabrasão
  • Cicatriz (rara com as técnicas recomendadas)
  • Recidiva das lesões (55% em 6 meses após crioterapia e dermoabrasão; 12,7% após laser Nd:YAG Q-switched de 1064 nm)
  • Erro grave: destruição de um lentigo maligno tratado como lentigo solar, com atraso no diagnóstico de melanoma

Prognóstico

Lesão benigna, sem potencial de transformação maligna.

De evolução crônica e progressiva: as lesões aumentam em número e tamanho com a exposição solar continuada e podem confluir.

Muitas evoluem para ceratose seborreica plana.

Após tratamento, a recidiva é frequente se a fotoproteção não for mantida (55% em 6 meses após crioterapia ou dermoabrasão).

O prognóstico do paciente depende menos do lentigo e mais do que ele sinaliza: fotodano acumulado e risco aumentado de neoplasias cutâneas.

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Referências

  1. Treatment of solar lentigines. Journal of the American Academy of Dermatology. 2006.
  2. Treatment of Solar Lentigines: A Systematic Review of Clinical Trials. Journal of Cosmetic Dermatology. 2025.

Achados (clique para explorar)

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