Linfomas não Hodgkin de células B que se apresentam na pele sem doença extracutânea ao diagnóstico.
Correspondem a 20% a 25% de todos os linfomas cutâneos primários.
Na classificação da Organização Mundial da Saúde com a European Organization for Research and Treatment of Cancer há três tipos principais: linfoma cutâneo primário da zona marginal, linfoma cutâneo primário centrofolicular e linfoma cutâneo primário difuso de grandes células B do tipo perna.
Os dois primeiros são indolentes, respondem à radioterapia local e não devem receber poliquimioterapia de início; o tipo perna é agressivo e exige poliquimioterapia com rituximabe.
Separar os três subtipos define a conduta e o prognóstico: a sobrevida específica em 5 anos é de 99%, 95% e 56%, respectivamente.
Os linfomas cutâneos de células B correspondem a 20% a 25% dos linfomas cutâneos primários no mundo ocidental; os de células T correspondem a 75% a 80%.
Nos registros holandês e austríaco (2002 a 2017), as frequências entre todos os linfomas cutâneos primários foram: linfoma da zona marginal 9%, linfoma centrofolicular 12% e linfoma difuso de grandes células B do tipo perna 4%.
As sobrevidas específicas em 5 anos foram de 99%, 95% e 56%, respectivamente.
O linfoma da zona marginal acomete sobretudo adultos jovens.
O linfoma do tipo perna acomete sobretudo mulheres idosas.
O linfoma B intravascular de grandes células é raro; a variante cutânea, limitada à pele ao diagnóstico, corresponde a cerca de 25% dos casos no mundo ocidental, predomina em mulheres e tem prognóstico melhor que o da doença sistêmica.
Fatores de risco e doenças associadas
Linfoma da zona marginal: a maioria dos casos expressa imunoglobulinas com troca de classe (IgG, IgA e IgE) e não expressa o receptor de quimiocina CXCR3; esses casos não colonizam centros germinativos reativos, não formam lesões linfoepiteliais e não se transformam em linfoma difuso de grandes células B, sendo considerados por alguns autores uma doença linfoproliferativa cutânea clonal crônica.
Há um subgrupo de linfoma da zona marginal que expressa IgM e, com frequência, CXCR3; esses casos compartilham características dos linfomas MALT de outros sítios e têm maior chance de doença extracutânea.
O linfoma da zona marginal e a hiperplasia linfoide cutânea (pseudolinfoma B) podem desenvolver-se a partir de estímulo antigênico intradérmico crônico (pigmento de tatuagem, picada de carrapato, injeção de antígenos), o que sugere um espectro contínuo de proliferações B cutâneas.
Linfoma centrofolicular: perfil de expressão gênica do tipo centro germinativo; amplificação de 2p16.1, deleções de 1p36 e de 14q11.2-q12; ausência de mutação de MYD88 e ausência de perda ou inativação de CDKN2A; ausência de translocações de BCL6, MYC e IgH.
Linfoma do tipo perna: perfil de expressão gênica do tipo célula B ativada; mutações que ativam constitutivamente a via NF-kB, com MYD88 L265P em 60%, TNFAIP3/A20 em 40%, CD79B em 20% e CARD11 em 10%; deleção do braço 6q (BLIMP1 em 60%) e deleção de 9p21.3 (CDKN2A em 67%); translocações de BCL6 em 30%, de MYC em 35% e de IgH em 50%; o perfil mutacional assemelha-se ao dos linfomas primários do sistema nervoso central e do testículo.
Classificação
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Sobrevida específica em 5 anos nos registros holandês e austríaco: 99% no linfoma da zona marginal, 95% no linfoma centrofolicular e 56% no linfoma do tipo perna.
No consenso de tratamento, as sobrevidas em 5 anos foram de mais de 95%, 95% e 50%, respectivamente.
No linfoma do tipo perna, a perda de CDKN2A (por deleção ou metilação do promotor) e a mutação MYD88 L265P, presentes em cerca de dois terços dos pacientes, associam-se a prognóstico pior.
As recidivas cutâneas do linfoma da zona marginal e do centrofolicular não indicam prognóstico pior.
O linfoma centrofolicular com envolvimento medular tem sobrevida específica em 5 anos de 63%.
O linfoma centrofolicular localizado nas pernas tem prognóstico comparável ao do tipo perna.
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